Segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

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Ana Vidigal

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penso que a proibição tem a ver com visões tantalizantes de homens semi-nús que se passeiam no campo a dar pontapés numa bola. Já no Egipto, parece que o problema se põe ao contrário, pelo menos é o que se pode concluir das reacções ao concerto de Beyonce... E por falar em concertos, parece que a música irrita mesmo os fundamentalistas salafitas do Koweit que ameaçam «grelhar» o governo se este insistir no ensino de música nas escolas públicas. Fechando o círculo, o ensino também inflama os sauditas wahabitas (ou salafitas)  (um pleonasmo no passado mas parece que já não no presente). Neste caso, a modernice que execram tem a ver com a primeira Universidade mista, isso mesmo, aberta a homens e a mulheres - que podem andar no campus de cara ao léu e, horror dos horrores, ao volante de um automóvel.

 

Para terminar esta rapsódia fundamentalista, parece que a conferência episcopal portuguesa, reunida solenemente em Fátima, se prepara para emitir mais uma nota pastoral que, contrariamente ao que o nome indica, pretende que seja seguida não apenas pelo seu rebanho mas que seja imposta a toda a sociedade nacional. Reiterando a expertise que lhes confere a antropologia bíblica, a tal que só não é para levar à letra em confrontos saramaguianos, pelas declarações que ouvi hoje de Jorge Ortiga parece que esta nota vai ser uma versão ainda mais enfática da debitada em Fevereiro, a tal que, um bocadinho desfasada no tempo, insiste em tratar a homossexualidade como uma perturbação do foro psiquiátrico, ou antes, um problema de identidade pessoal.


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João Pinto e Castro

 

 

O que Jerónimo de Sousa e o PCP pensam sobre a queda do Muro de Berlim, ao menos, toda a gente percebe. Já o mesmo não se poderá dizer da prosa enrolada que a efeméride desencadeou em Francisco Louçã e de que destaco o ponto alto no qual desce mais baixo:

"Vinte anos depois da queda do Muro de Berlim, floresce assim a ideologia contentatória: o comunismo acabou, diz Saramago e repete, com gosto evidente, António Vitorino. Frágil ilusão, contudo, pois continuou a ser possível ser cristão depois da Inquisição, social-democrata depois da votação dos créditos de guerra e mesmo depois do assassinato de Rosa Luxemburgo, e até continuou a ser possível ser economista liberal depois da grande depressão de 1929."

Significará isto que Louçã continua a ser comunista? Deixo o enigma à vossa consideração, já que ele se recusa a esclarecê-lo. Entretanto, aqui fica mais uma pista:

"O século XX começou em 1905 com o Soviete de Petrogrado e terminou em 1989 com a queda do muro de Berlim."

Ora, quem foi o chefe do Soviete de Petrogrado? Nada menos que Leon Trotsky.

Notas finais:

1. Comparem o relambório de Louçã com a sinceridade do testemunho do Daniel Oliveira.

2. Alguém, por favor, explique ao Louçã que "Vinte Anos Depois" não é "o último livro da saga dos Mosqueteiros"; depois desse ainda houve "O Visconde de Bragelonne", que inclui o célebre episódio do Homem da Máscara de Ferro. Pois é, todos temos o nosso momento Tomás More.


Nunca deixo de me lembrar da espantosa coincidência que faz do dia 9 de Novembro um dia ímpar na história alemã. Para além da queda (ou derrube? parece-me mais acertado derrube) do Muro de Berlim, foi também a 9 de Novembro, mas de 1918, que foi proclamada a república alemã e em 1938 ocorreu a tristemente célebre Kristallnacht (aqui fica a primeira parte - de 5 - de um documentário sobre o tema).


(...)Peguei no meu casaco e fui para a rua. A Oberbaumbrücke era aqui ao lado. Ela era a ponte na qual o U-Bahn antigamente atravessava a Spree, logo a seguir a estação Schlesisches Tor. Desde a guerra, a ponte estava fechada e até os carris desmantelados. Usava-se, sim, como ponto de travessia exclusiva para soldados das quatro forças aliadas.
Comigo aguardavam lá talvez uma dúzia de berlinenses ocidentais a chegada dos primeiros que vieram do leste.
Não demorou muito. Lembro me da atmosfera irreal e da enorme calma, em que tudo isso se passou, no nosso lado, nestas primeiras horas. E lembro me ter ficado impressionado pela extraordinária juventude dos visitantes. Um rapaz e uma rapariga, seguramente não com mais do que 16 anos, aproximavam-se da linha branca, que demarcava a margem do rio - oficialmente RDA - do território ocidental. Havia aqui as famosas placas: „Atention! You are Leaving the American Sector!“
Antes da linha, paravam, e deram, de mãos dadas, o passo em simultâneo.(...)

 

Do Lutz (quando é que voltas?), escrito em 2004


tenho uma bodega de um omnia samsung. a bodega do telemóvel tem uma bodega de um carregador, naturalmente. sabe-se lá como, o carregador desapareceu. vanished. liguei para a tmn, a minha operadora -- e que comercializa os tais dos omnias samsung -- a perguntar se têm carregadores para a bodega do telemóvel que comercializam. disseram que não, mas que têm um carregador universal. perguntei se podia comprar o carregador numa loja da tmn, trocado-o por pontos. disseram que sim, que podia, claro, 250 pontos mais 16 euros. fui à loja da tmn do forum picoas. quando fui atendida, disseram-me que sim, que podia comprar o carregador, mas que seria entregue em minha casa nos próximos 5 dias úteis. perguntei por que raio não me teriam dado essa informação quando liguei. o rapaz que me atendeu disse -- obviamente -- que não sabia. vim-me embora -- não posso esperar 5 dias por um carregador. fui à net e procurei a página da samsung. têm um número verde -- ou azul, ou lá o que é. liguei. expliquei o problema e que residindo em lisboa queria saber onde comprar uma bodega de um carregador para o omnia. o tipo que me atendeu referiu-me a assistência técnica -- em alvalade, alfragide (!) e poço do bispo (!!) -- que 'podia ter'. quer dizer: podia não ter. e acrescentou: 'se não houver lá pode ir à loja samsung -- em aveiro'.

 

em aveiro?, perguntei eu, crendo ter ouvido mal. a pessoa confirmou. 'aveiro'.

 

ora bem: temos uma marca de telemóveis e uma operadora que os comercializa que acham que isto -- alguém ter um telemóvel e perder o carregador -- é coisa de molde a, sei lá, mandar fora o telemóvel e comprar outro ou então ir ali num instantinho a aveiro. palavra de honra, há alturas que me apetece pôr bombas.


Palmira F. Silva

Saadia Hakim, uma espanhola de origem marroquina grávida de um mês, foi brutalmente agredida na via pública por um casal de devotos que lhe chamou prostituta por não usar o véu islâmico. Saadia sofreu um aborto espontâneo como consequência da violência da fé.


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Primeiro apagou-se a memória. Agora vende-se, estetiza-se: dos pedaços de muro aos actores vestidos de soldados, a história fez-se parque de diversões. Como antes de 1989, quando as crianças de escola iam, em excursão, ver "o Leste".

 

ler aqui.



A falácia do espantalho, uma das mais utilizadas pelos que que não conseguem sequer compreender os temas em debate, basicamente consiste em desviar a discussão para assuntos laterais, fugindo assim à discussão do que está em causa com um ou mais argumentos sem nada a ver, com especial predilecção por aqueles que podem ser interpretados tendenciosamente por uma faixa larga do público alvo. Assim, passam a imagem de que os argumentos do oponente foram rebatidos quando na realidade nem sequer os abordam.

Ver mais... )

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Era uma figura trágica e ao mesmo tempo grotesca. De boina e casacão coçados, cabelos brancos compridos, esbracejava de bengala na mão e vociferava sem cessar. A névoa gelada abafava-lhe os gritos dirigidos ao “outro lado”. O velho soltava imprecações na direcção de Berlim-Leste, do alto de um palanque nas imediações da Friedrichstrasse. Por vezes calava-se e ficava de olhos fechados, braços abertos, como quem espera acolher alguém. Perdera o tino há anos, disseram-me, quando lhe mataram o filho que tentava fugir para o Ocidente, naquele mesmo local. E agora estava ali todos os dias, arengando a sua revolta enlouquecida.

Vi Berlim pela primeira vez nesse Inverno de 1977. Estava muito frio. O Muro tinha 16 anos, e era uma atracção turística.(...)

 

Vão ler o resto do texto do Mouro, merece-o. E encontram por lá outras memórias do muro.


Alexandra Tavares-Teles
Ana Matos Pires
Ana Vidigal
Fernanda Câncio
Gonçalo Pires
Inês Meneses
Irene Pimentel
Isabel Moreira
João Cóias
João Galamba
João Pinto e Castro
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Maria João Pires
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Palmira F. Silva
Paulo Côrte-Real
Paulo Pinto
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