O Rui Herbon e o Luís Novaes Tito já escreveram sobre a inauguração de hoje da exposição da Ana poupando-me trabalho.
Umas das críticas feitos ao governo foi que as obras públicas só beneficiam as grandes empresas (leia-se: este programa de investimentos é feito à medida da Mota-Engil e do amigo Coelho). Pois bem, o jornal de negócios tem uns dados que parecem desmentir contrariar os críticos:
"O programa de modernização de escolas está, neste momento, a funcionar como um balão de oxigénio para muitas pequenas e médias empresas de construção que pesam, segundo as contas do Negócios, quase metade dos mais de mil milhões de euros que já foram colocados a concurso até agora (...) João Sintra Torres afirma que cada escola pode chegar a ter entre 50 e 80 empresas a trabalhar em várias actividades necessárias e que o programa deverá criar até 25 mil empresas (...) além dos "gigantes" Mota-Engil, Somague, Soares da Costa e Edifer, foram adjudicadas empreitadas a sociedade como a Patrícios, Edivisa, Ladário ou Cantinhos, entre muitas outras, que ganharam por vezes dezenas de milhões de euros em contratos (...)" (página 6 do Jornal de Negócios de 12 de Novembro de 2009)
O Negócios não tratou de apurar a nacionalidade dos trabalhadores, pelo que se espera que Ferreira Leite diga que estes 25 mil trabalhadores são todos de Cabo Verde e da Ucrânia e que, por isso, este programa prejudica Portugal.
Há que ache que para falar do Muro seja necessário falar de todos os muros. Como se as políticas dos EUA, da União Europeia, de Israel e das autoridades do Rio de Janeiro partilhassem da mesma essência perversa dos regimes comunistas e, em particular, da defunta RDA. É o totalitarismo em todo o lado, dizem alguns. Este absolutismo que tudo equipara constitui uma forma de cegueira. Independentemente do meu juízo sobre cada uma das realidades acima referidas, o decoro impede-me de dar esse passo.
ps: acho que sou insuspeito de ser "amigo de Israel"
"Na sua intervenção no Parlamento, Ferreira Leite não podia ter sido mais transparente:
"As dúvidas políticas não se resolvem destruindo provas".
Esta afirmação é extraordinária, a vários níveis. Começa por legitimar a decadência do sistema, a qual gerou um clima de suspeição selectiva com fugas ao segredo de Justiça ou ambiguidades nas declarações dos agentes judiciais. Depois explora a lógica da infâmia, transferindo para o acusado a obrigação de fazer prova de inocência. Continua afirmando que as gravações são provas, o que implica um conhecimento factual e jurídico do seu conteúdo. Por fim, admite que a Justiça, no seu nível de maior responsabilização, e comprometendo dois braços institucionais, poderia destruir provas para defender politicamente Sócrates. É inútil procurar: nunca nenhum político na história da Assembleia da República tinha ido tão longe na ofensa ao Estado de direito."
Valupi, Aspirinab
Para além do que escreve o Valupi, há pelo menos mais duas coisas extraordinárias na intervenção de Ferreira Leite. Primeiro, a líder do PSD julga este tipo de intervenções são feitas em nome do Estado de Direito e do prestígio das instituições; e, segundo, que cabe a um deputado fazer eco dos sentimentos profundos da população portuguesa
lê-se o avante e tem de se esfregar os olhos. um tal de manuel gouveia fala da 'imensa superioriade do socialismo' e da 'outra face da liberdade burguesa (...) a repressão'. um rui paz fala da rda como 'um estado pacífico, contrário a guerras e agressões'.
confesso: perante este género de alarvidade tenho dificuldade em conter a vontade de mandar esta gente para a rda que os pariu. pensando bem, mando mesmo.
Confesso-me incapaz de frequentar o Avante com assiduidade mas às vezes sou compelida por uma estranha vontade, outras - a maioria delas - porque alguém me chama a atenção para artigos quase sempre inenarráveis. Foi o que aconteceu hoje, a Joana fez um post que me deixou de cara à banda num primeiro momento, e profundamente indignada a seguir. É ler para crer...
Logo de seguida, no twitter, foi o der terrorist a mostrar-me um outro igualmente imperdível.
13 minutos que valem muito a pena!
“Perante a efeméride da queda do Muro, alguma esquerda não resiste lembrar que, não obstante a liberdade chegada aos países de Leste, 1989 significou também o triunfo do neoliberalismo e, com ele, a universalização da desregulação económica, a retracção do Estado Social e um continuado cavar das desigualdades entre os países ricos e os países pobres.
Isso até será verdade, mas a grande falácia é pensarmos que a intocada hegemonia do neoliberalismo se deveu à queda do Muro de Berlim.
Bem ao contrário: é o facto de o Muro ter sido construído em nome de um mundo radicalmente mais justo que hoje rouba possibilidades a quem queira imaginar um mundo radicalmente mais justo. O Muro de Berlim e o regime que o ergueu continuam a dar mau nome a qualquer esperança que se atreva a tentar superar o capitalismo predatório. Tarde caiu, pior ter existido.”
(via arrastão)
Francisco Sarsfield Cabral diz que em vez do TGV devíamos investir em comboios para Sines. Uma pessoa ouve isto e pensa: Sines é que é. Depois da epifania, a perplexidade: como é que o governo não pensou em em Sines?. Das duas uma: ou os nossos decisores políticos são incompetentes ou então há aqui marosca. Mas antes de enveredar por esse caminho, talvez convenha procurar saber o que dizem os intervenientes no processo:
1- Secretaria de Estado dos Transportes:
"Articulação com os Sistemas Portuário, Logístico e Aeroportuário: O traçado previsto para a Alta Velocidade permite a articulação com as plataformas logísticas previstas no Projecto Portugal Logístico, bem como estender a Espanha os actuais hinterlands portuários do principais portos de Portugal" (Frentes de Infra-estrutura –Os Novos Caminhos com Alta Velocidade)
2- Refer
"A ligação ferroviária Sines – Elvas (fronteira) foi identificada no âmbito das “Orientações Estratégicas para o Sector Ferroviário” definidas pelo Governo, como uma das acções prioritárias relativamente à rede ferroviária nacional e, de acordo com o PNPOT – Programa Nacional de Política de Ordenamento do Território, foi considerada um elemento estratégico na recomposição da rede de infra-estruturas de conectividade internacional. Esta ligação possibilitará a estruturação das acessibilidades do país quer internamente, quer relativamente ao exterior, facilitando o funcionamento em rede e articulando os diferentes modos de transporte numa lógica de complementaridade, especialização e eficiência." (aqui)
Ficamos a saber que Francisco Sarsfield Cabral opina (e critica) sem estudar os dossiers.
Infelizmente, suspeito que não seja caso único.

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