Domingo, 15 de Novembro de 2009
f.

nunca tinha ouvido falar de enke. leio na blogosfera posts e posts sobre ele, nos jornais textos e textos. era alemão. era um guarda-redes com uma cara patusca. gostava de cães, era o que se chama um defensor dos animais. teve uma filha que morreu. esteve no benfica. matou-se. há teorias sobre o motivo (há sempre). há um bilhete (não sei o que diz e não quero saber). houve um enterro com milhares de pessoas, o caixão coberto de flores num estádio, um rapaz a chorar agarrado à mãe (família? amigo? fã? não sei).

 

comove-me o espectáculo desta dor (por que será que nos comove quase sempre o espectáculo da dor?) da mesma forma que um dia, jornalista em reportagem na irlanda do norte, chorei no enterro de um membro do ira que nunca vira mais gordo por causa das gaitas de foles na neblina sobre o verde e as cruzes célticas. 

 

somos piegas e gostamos de tragédias (desde que de longe). e tontos por nos espantarmos assim, por nunca termos suspeitado que toda a gente, até os futebolistas, até a gente das capas das revistas, desespera. tanta literatura para isto: incapazes de, a não ser à bruta, perceber o básico.


Palmira F. Silva

Como referi no «Banhas da Cobra New Age», há uma série de gente muito excitada com (mais) uma suposta profecia do fim do mundo, que desta vez é suposto acabar em 2012, como os interessados podem ver no filme que ameaça bater quase todos os recordes de bilheteira. Não vi o filme pelo que não sei quais as supostas profecias ou profetas escatológicos em que se baseia, a maia,  "Mother Shipton", Bíblia, Nativa Americana, I Ching, Merlin, a Sibila, ou outra mencionada no tal documentário idiota do History Channel (que, estranhamente, não refere o episódio “A Verdade”  dos Ficheiros Secretos que indicava o dia 22 de Dezembro de 2012 como o dia da invasão dos extraterrestres). Mas sei que é sempre um prazer ouvir  Neil deGrasse Tyson!


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um mac, um filme na tv, livros, revistas, castanhas a assar e o aquecimento enfim ligado. a chuva a cercar as janelas, suave. silêncio. e a noção, talvez falsa mas não menos tranquila por isso, de que seria possível ficar assim.


Miguel Vale de Almeida

 

Numa das escapadelas para um cigarro, sai-se por uma porta que dá para as traseiras da residência oficial do Primeiro-Ministro. De manhã, os pavões adoram empoleirar-se na rampa de acesso a pessoas portadoras de deficiência. Ficam ali, ao lado de motoristas de carros oficiais e deputad@s tabagistas, como este vosso.

Esta foto foi tirada depois de ali ter ido para, numa escadaria, participar de foto oficial da tomada de posse na 1ª Comissão, a de Direitos, Liberdades e Garantias, que agora passa a incluir os assuntos de Igualdade. Fiquei também como efectivo na de Assuntos Europeus, sendo um dos vinte e tal deputados do meu grupo que tiveram de ficar efectivos em duas comissões - work, work, work. Como suplente, calhou-me a de Ética, Cultura e Sociedade. Para a semana as coisas entram em velocidade de cruzeiro, pois faltava a tomada de posse das comissões, onde o grosso do trabalho parlamentar é feito.

[Entretanto, amanhã há um Prós e Contras sobre casamento. Mas com um twist desagradável: foi claramente sugerido e incentivado pelo grupo que anda a pedir um referendo. Apesar dos protestos, não se escapa a estas coisas, pois elas são levadas avante quer se queira, quer não. Isto dois dias depois de a equipa do Sim no Prós e Contras de Fevereiro ter ganho um Prémio Arco-Íris da ILGA-Portugal na cerimónia de ontem no Centro LGBT. É a révanche? Sim. Mas a révanche de quem pensa que se pode passar impunemente o argumento demagógico de que os direitos são referendáveis; de quem aposta no fantasma da adopção por razões que nada têm a ver com o interesse das crianças, sem distinguir entre conjugalidade e parentalidade e todos os assuntos (mais do que a adopção) que esta implica; de quem aposta no casamento mas com outro nome se todas as outras estratégias homofóbicas falharem. Até os cínicos provocadores que baralham casamento entre pessoas do mesmo sexo com poligamia e incesto vão lá estar. Uma verdadeira aliança de homofobia não-assumida, justamente no momento em que os eleitores votaram maioritariamente em partidos que compreenderam que o passo da igualdade no acesso ao casamento civil é o grande começo do fim da promoção da homofobia pelo Estado. Ou seja, amanhã vamos ter a aliança tramontano-cínica versus quem acredita nos princípios da igualdade e da dignidade. Lindo. [em eco de Os Tempos que Correm]


Maria João Pires

Sem tempo para blogadelas, não quero deixar de referir dois textos que me parecem ser de leitura obrigatória, surgidos nos últimos dias por estas bandas.

 

"Os cínicos e os cépticos" de Paulo Pena, publicado no Arrastão e "Rever e desculpabilizar o Gulag" do Rui Bebiano.

 

Agora uma outra sugestão de leitura estritamente ligada a um tema que tem andado a ser discutido pela Fernanda nos últimos dias. Façam o favor de ler besugo:

 

A opinião, que é uma das mais fecundas e livres formulações frásicas da ideologia, anda a ser balizada de fora, com base em afadistados "estou a ver-te". É o fatelas "toutavêre", que é secular(...).

 

P.S. - Já agora passem também os olhos num texto ligeiramente mais antigo, o "Freud explica", do Miguel Cardina, que me serve de mote para anunciar (tarde e a más horas) um novo blog que, a ver pelo que tem produzido, promete bastante, o Minoria Relativa. Sejam muito bem-vindos!


Ana Matos Pires

Spot nacional de prevenção da sida ganha concurso europeu

 


«Um papão na nossa despensa» é o título de um artigo de parceria entre o i e o The New York Times publicado em Portugal no dia 12, que dá conta duma controvérsia acesa em terras do Tio Sam, controvérsia que estranhamente nunca me apercebi ter cruzado o Atlântico, nem mesmo depois de a UE ter aumentado, há cerca de dois anos, os limites de Ingestão Diária Tolerável (TDI) do referido papão, o  xenobiótico cuja fórmula está indicada no copo da figura, o bifenol A ou BPA.

 

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The Colbert Report Mon - Thurs 11:30pm / 10:30c
The Word - Don't Ask Don't Tell
Colbert Report Full Episodes Political Humor U.S. Speedskating

A lei que ficou conhecida "everything but marriage bill", que reconhece às uniões civis entre pessoas do mesmo sexo todos os direitos do casamento, incluindo os de adopção,  foi assinada em Maio pela governadora de Washington Christine Gregoire. A Constituição do Estado de  Washington prevê um período de 90 dias durante os quais os cidadãos que se oponham a uma nova lei podem recolher assinaturas para referendar essa lei. Se forem recolhidas assinaturas suficientes, a lei fica suspensa até ao referendo.

 

Depois das peripécias mencionadas por Colbert, a lei em causa foi referendada no princípio de Novembro. A Senate Bill 5688 foi aprovada com  53%  dos votos, o que marca a primeira vez que uma lei referente a direitos dos homossexuais ganhou um referendo. O secretário de estado de Washington oficiaizará os resultados no próximo dia 24. Entretanto, em Washington DC,  começaram as audições para uma nova lei que legaliza o casamento entre pessoas do mesmo sexo que se espera vá a votos no dia 1 de  Dezembro

 

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Rogério da Costa Pereira

"O Presidente deve ficar confinado às suas funções. Cabe ao governo conduzir a política geral do País. O Presidente não dispõe dos instrumentos necessários para o fazer e, se o fizer, fá-Io-à por força pela negativa..." [Quem foi?]


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