para o valupi. está entre os melhores da bloga, lá nos píncaros do maradona e do besugo e pouca mais gente (aliás, cada vez menos, que esta merda está cada vez pior). fez quatro anos e fez muito bem. hourraaaa para ele.
Por onde andarão os arautos da liberdade de expressão!?
Repito agora o que escrevi noutras ocasiões:
Coisas que me intrigam e divertem
Que gente que tenho por inteligente não faça a distinção entre calúnia e insulto, é uma delas. Se eu chamar cretino a alguém, ou palhaço, ou idiota, estou a insultar alguém, certo? Corresponda ou não à "verdade" é irrelevante, até porque é muito difícil aferir o que cada um destes conceitos significa para cada um de nós. Por isso mesmo defendo que o insulto é livre. Já quando entramos no domínio da calúnia, da difamação, o caso pia mais fino. Se eu insinuo que alguém rouba e isso não for verdade, o difamado/caluniado tem todo o direito de recorrer aos meios que tem ao seu dispor para me responsabilizar pelas minhas afirmações. Liberdade de expressão nunca significou impunidade, não é verdade? E ainda bem que assim é.(...)(daqui)
Filipe Nunes Vicente, Mar Salgado
O Filipe acha que os valores do défice e o endividamento actuais mostram que Manuela Ferreira Leite é que tinha razão e que, portanto, os portugueses enganaram-se no voto. Caro Filipe, o problema do endividamento, aquele de que tanto falava Ferreira Leite, era o externo e não o público. Se olhar para o que tem acontecido ao primeiro, verá que este até baixou. (é ir ver os dados) Em suma: isto não tem nada a ver com o que opôs Ferreira Leite a Sócrates nas últimas eleições—e, por maioria de razão, não constitui qualquer tipo de argumento em favor da política económica defendida pelo PSD. Ajuste de contas? Olhe que não é por aqui.
Como escreveu o João Pinto e Castro, o aumento do défice público é uma consequência inevitável do programa de combate à crise (vá lá ver quanto aumentaram os défices da maioria dos países) — e esse aumento, por si só, nada nos diz sobre os méritos ou deméritos das propostas do PS e do PSD. Os últimos dados podem (devem) ser entendido como o preço que pagámos por ter uma recessão menos profunda que outros países (não esquecer que a economia caiu menos do que o esperado) e um aumento do desemprego bastante inferior à média (não confundir com valor da tx de desemprego). Se o Filipe não gosta, prepare-se para defender maiores quedas do PIB e taxas de desemprego mais altas.
Faço minhas as palavras do João Pinto e Castro, vamos lá a ver se a gente se entende: o súbito agravamento do endividamento dos estados não é causado pelas políticas de combate à crise; é causado pelo colapso do sistema financeiro que causou a crise. Percebido? O que o Filipe queria dizer é que, tendo em conta o contexto, Ferreira Leite teria feito melhor gastando menos. Mas isto é uma profissão de fé, um juízo que não decorre nem é validado de qualquer dados macro que tenham sido revelados nos últimos tempos. Por maioria de razão, conclui-se: o resultado das eleições continua válido. Adiante, se faz favor.
Vamos lá a ver se a gente se entende: o súbito agravamento do endividamento dos estados não é causado pelas políticas de combate à crise; é causado pelo colapso do sistema financeiro que causou a crise. Percebido?
Acontece que, em virtude dessa infeliz mas não inocente circunstância, o desemprego atingiu níveis inauditos em quase todo o mundo. Deitar a mão aos bancos foi uma tremenda injustiça, mas uma injustiça, para já, inevitável. Era o que faltava que os estados não tentassem agora fazer tudo o que está ao seu alcance para mitigar o sofrimento das dezenas de milhões de desempregados que, não tendo a mínima responsabilidade no sucedido, foram, porém, as suas verdadeiras vítimas.
Ninguém em seu perfeito juízo acha que o endividamento não tem importância nenhuma. Mas certos malucos permitem-se achar que é a única coisa importante.
Até onde terá que crescer o endividamento? Confesso que não sei.
Se tudo voltasse rapidamente à normalidade, a intervenção pública deveria reduzir-se rápida e drasticamente. Mas eu não acredito que a economia vá regressar rapidamente à normalidade, de modo que o mais natural é que os estados não possam deixar de sustentar a procura e o emprego nos próximos tempos.
Não baralhemos, pois, as coisas. A responsabilidade dos custos extraordinários que todos suportaremos não deve ser atribuída aos desempregados, mas aos que lucraram com a bolha que nos trouxe até aqui e aos que justificaram os seus actos com teorias tontas e interesseiras.
A finalizar, um último ponto. O que vem a ser, precisamente, um nível de endividamento público excessivo? Sessenta por cento, oitenta por cento, cem por cento do produto? E por quê?
Para nos situarmos, considerem que qualquer família que adquira casa própria costuma endividar-se numa proporção bem superior a 100% do seu rendimento anual. Por hoje, fiquemos por aqui.
Próxima paragem: as consequências do endividamento público sobre o nível das taxas de juro.
Um excerto do documentário (mais aqui):
Como escreveu o João Pinto e Castro aqui (e eu aqui), alguns dos nossos economistas andam baralhados com estas coisas do endividamento. O que fazer quando os mercados financeiros não confirmam os juízos que, teoricamente, deviam ser verdades axiomáticas? Nogueira Leite tem uma teoria: os mercados andam distraídos. Fabuloso. É uma estratégia conhecida: quando a teoria não parece estar a funcionar, introduz-se uma excepção que permite ir mantendo a ilusão que a economia não anda aos papéis e continua a saber muito bem como estas coisas funcionam.
Se me permitem, eu tenho outra teoria. Cá vai: o endividamento não é um pecado de um conjunto de economias esclerosadas, mas sim uma necessidade sistémica da economia mundial. Não podemos falar de economias endividadas e viciadas em níveis de consumo insustentáveis sem olhar para os vícios dos produtores — excedentes comerciais, moedas subvalorizadas, controlos de capitais, consumo interno demasiado baixo, etc. Posto isto, torna-se difícil impossível punir os "infractores". Mas quando ouvimos falar os nossos economistas-catástrofe, até parece que quem empresta vive noutro planeta, e que estes, caso a situação continue a piorar, podem sempre passar a comprar dívida pública de Marte.
João Marques de Almeida (JMA) vem defender aqui que ficou patente no debate prós e contras que os defensores do casamento entre pessoas do mesmo sexo têm claramente uma agenda escondida.
Ao contrário de outros, que defendem que o PS (e quem apoia a proposta do mesmo) está a esconder a adopção, JMA avança com a curiosa tese de que a verdadeira agenda escondida, a motivação mais profunda, de muitos (não de todos) é um ataque à religião e a um modo de vida conservador. Segundo o cronista "aquela discussão foi um bom exemplo de como, muitas vezes, as lutas de libertação se tornam rapidamente em novas formas de opressão. O direito à diferença também inclui um modo de vida conservador e muito próximo da religião. E deve ser defendido por todos aqueles que valorizam a liberdade, mesmo que não o pratiquem".
Também defende que quem é contra o casamento aposta no casamento para o impedir e que quem é a favor do casamento afasta o referendo porque tem medo de perder.
Vamos por partes.
JMA, com o devido respeito, não podia ter chutado mais ao lado. Quem, efectivamente, quer impor um "modo de vida", "conservador", por vezes, muitas vezes, "próximo da religião" a uma sociedade inteira é precisamente quem estava, no programa citado, do lado do não ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Esses sim desrespeitam o tal princípio de liberdade individual que surge citado e prezado pelo cronista. Basta pensar em como se defendeu que o casamento é uma instituição milenar, anterior ao Estado, necessariamente entre um homem e uma mulher, definidor do estatuto da mulher.
Na capa da última Sábado, o Sol e o Público são apresentados como os "inimigos de Sócrates" a quem o BCP cortou publicidade. Alguém me sabe dizer se os referidos jornais já vieram desmentir serem inimigos do Primeiro Ministro? Ou, doravante, deve passar a ser reconhecido como notório que assim é? Que tudo o que ali se faz e ali se diz é feito e dito por inimigos de Sócrates? E que se trata pois - sempre tratou - de uma questão pessoal?
Ouvir a conferência de Chimamanda Adichie aqui. Faz bem a quem passa a vida a ouvir as conferências da intelectualidade portuguesa ou a ouvir os discursos parlamentares. Ao contrário do que dão a entender, nunca há uma só estória.
(apanhado no twitter do João Villalobos)
Tenho a certeza que quer o Daniel quer eu não esperaríamos que, quase 1 ano depois de termos falado do caso, Hossein Derakhshan (aka Hoder) continuasse "desaparecido" numa qualquer prisão iraniana. O seu crime foi, se bem se lembram, ter usado a internet para promover reformas sociais e políticas no Irão. Agora que faz um ano que desapareceu de circulação, e no momento em que começam a surgir notícias das penas aplicadas aos participantes nas revoltas de Junho, foi lançada uma petição pedindo a libertação de Hoder.
As petições podem, por vezes, parecer ineficazes mas têm pelo menos o mérito de não deixar morrer certos assuntos. Demoram só uns segundos a assiná-la, vá lá.
Adenda: o Miguel Cardina, muito a propósito, divulga o "Committee to Protect Bloggers, um colectivo digital dedicado a denunciar os ataques à liberdade de expressão"
É um facto: os extremistas liberais certificados pelas mais ortodoxas universidades deixaram de orientar-se pelos sinais do mercado.
Como os mercados financeiros não confirmam os seus dramáticos alertas sobre o alegado endividamento excessivo dos estados, a autoridade que agora veneram é a das agências de rating (as agências de rating, meu Deus!).
As taxas de juro dos títulos da dívida pública mantêm-se a níveis razoavelmente baixos, mesmo as dos países com maior risco. Em contrapartida, as agências de rating baixam os índices de solvabilidade dos Estados. Quem estará mais próximo da verdade?
O sectarismo da argumentação contra a intervenção pública massiva visando impedir uma maior degradação do emprego tem destes paradoxos.
Na passagem rápida pelos jornais on line desta manhã fiquei a saber que o hospital de Guimarães decidiu reforçar as equipas de urgência "requisitando os internos do segundo ano que o hospital está a formar" para assegurar a triagem. Recordo que, como a notícia também refere, os " planos de contingência para a epidemia permitem que os serviços de saúde adoptem várias medidas de excepção".
O bastonário já reagiu, ""Os internos fazem urgências para aprender a sua especialidade, não para fazer trabalho de especialistas." E garante que a Ordem dos Médicos vai estar atenta porque quando ainda não têm autonomia para desempenhar funções "devem ter sempre alguém a tutelá-los"".
É engraçado que a triagem em contexto de urgência seja trabalho de especialista no hospital de Guimarães e não no hospital de Santa Maria, só para citar um exemplo, onde (toda) a triagem é (sempre) assegurada por enfermeiros. Por outro lado, está formalmente errado dizer que durante o Internado Completar (IC) se faz medicina tutelada. Há, e deve haver, supervisão do trabalho clínico, personificada na figura do Orientador de Formação, mas isso não é sinónimo de medicina tutelada - se um doente que está a cargo de um médico interno morre e a família decide instaurar um processo legal, quem vai responder é o médico interno e não um qualquer médico sénior envolvido na sua formação. Isto no SNS, porque em contexto privado (e durante o IC os médicos podem desenvolver actividade privada) nada está definido.
Comecei a fazer urgência no terceiro mês de internato e, felizmente, as coisas mudaram de então para cá, mas daí a fazer um caso desta decisão, tomada como medida de excepção, não me parece "lá muito católico", vá.
As prevísiveis reacções ao material hackado da Unidade de Estudos Climáticos da Universidade de East Anglia não se fizeram esperar. Entre elas, destaco o artigo «Copenhagen will fail – and quite right too», de Nigel Lawson, ministro das Finanças de Margaret Tatcher, hoje no The Times, que anuncia, entre outras coisas, a criação de um novo think tank sobre alterações climáticas:
«There may be a perfectly innocent explanation. But what is clear is that the integrity of the scientific evidence on which not merely the British Government, but other countries, too, through the Intergovernmental Panel on Climate Change, claim to base far-reaching and hugely expensive policy decisions, has been called into question. And the reputation of British science has been seriously tarnished. A high-level independent inquiry must be set up without delay.
It is against all this background that I am announcing today the launch of a new high-powered all-party (and non-party) think-tank, the Global Warming Policy Foundation (www.thegwpf.org), which I hope may mark a turning-point in the political and public debate on the important issue of global warming policy.»
Bastaram quatro dias para que morressem três raparigas às mãos de actuais ou ex-namorados (mais uma amiga de uma delas).
25 de Novembro é o Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres. Tenho muita pena de não estar em Madrid, no Chueca, mas vou tentar ir até à Estação do Rossio às 18.30h.
Isabel Moreira
Miguel Vale de AlmeidaRogério da Costa Pereira
Rui Herbon
