Comecei ontem a ler O Alienista, dum tipo que por uma dúzia de anos não calhou ser português. Nunca tinha lido este conto - alguns chamam-lhe novela - de Machado de Assis (é um pecado, eu sei), mas o que aqui releva é que as primeiras páginas, o asilo, a recolha e a afluência voluntária e massiva dos dementes, as janelas verdes, tudo me lembrou este Portugal com que lutamos.
No debate de hoje no parlamento, Miguel Frasquilho respondeu do seguinte modo à acusação feita por Jorge Lacão de que a redução da taxa social única proposta pelo PSD constituia uma perda de receita do Estado e, simultaneamente, um custo economico para o país: "— esquece-se do benefício desta medida em termos de crescimento económico!". Traduzindo: Miguel Frasquilho acha que, no contexto actual, é melhor baixar impostos do que aumentar a despesa pública.
O PSD farta-se de dizer que todos os "economistas credíveis" apoiam as suas medidas. Exceptuando o próprio Frasquilho, tenho alguma dificuldade em pensar em economistas que concordem com esta proposta. Atenção, estamos a falar de um descida da taxa para todas as empresas, ou seja, mais do que evitar a perda de emprego em sectores fragilizados, o PSD olha para esta medida como algo que promove a criação de emprego e o crescimento económico No contexto actual, quem acha que a economia não cresce nem cria emprego porque a carga fiscal sobre o trabalho é demasiado elevada não sabe do que está a falar.
Foi ontem divulgado mais um relatório sobre pedofilia, ou antes, efebofilia, em instituições da delegação irlandesa da ICAR. O relatório Murphy, que a Igreja considera um desperdício de recursos, foi o resultado do trabalho de uma comissão liderada pela juíza Yvonne Murphy que averiguou como a Igreja reagiu às muitas denúncias de abusos de crianças. As conclusões do estudo são as esperadas:
«A hierarquia católica de Dublin fechou “obsessivamente” os olhos a abusos de padres sobre crianças, durante décadas, pelo menos até meados dos anos 1990, e praticou uma política de silêncio. A conclusão é de um relatório divulgad0 hoje, que acusa de encobrimento os arcebispos John Charles McQuaid, Dermot Ryan, Kevin McNamara e Desmond Connell, líderes da arquidiocese entre 1940 e 2004».
«No dia em que o actual presidente da distrital do PSD/Lisboa, Carlos Carreiras, apresentou a sua recandidatura, o seu adversário, Bacelar Gouveia, anunciou que Paulo Pinto de Albuquerque será o seu número dois.
Professor de Direito, Paulo Pinto de Albuquerque participou nas jornadas parlamentares do PSD em Espinho e defendeu que o procurador-geral da República deve esclarecer o teor das escutas ao primeiro-ministro em nome da "tranquilidade pública" e pela sua "relevância social". Pedro Lynce, ex-ministro do Governo de Durão Barroso, é o mandatário do candidato.»
«Entre os apoiantes de Albuquerque, estão António Preto e Helena Lopes da Costa, para só falar nos que têm andado ultimamente nas bocas do mundo. Estamos conversados, não?»
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(ler também este artigo na Time ou este no NYTimes)
Isabel Moreira
Miguel Vale de AlmeidaRogério da Costa Pereira
Rui Herbon
