Quem quer que tenha escutado o que Almunia ontem disse ao anunciar o apoio da União Europeia à Grécia, entendeu que a insólita referência a Portugal serviu apenas o propósito de desvalorizar os problemas da Espanha.
Aparentemente, os espanhóis acreditam, ao contrário de nós, que: a) as opiniões das agências de rating e das autoridades comunitárias não são "inevitáveis como a chuva no inverno"; b) é mais apropriado falar a uma só voz para o exterior do que minar os esforços do governo nacional com declarações incendiárias.
Seja, como for, o episódio revela mais uma vez as contradições actuais da União Europeia: no mesmíssimo momento em que intervém para pôr cobro à especulação contra um país membro, a União Europeia fomenta-a contra outro, ainda por cima por iniciativa da própria Comissão Europeia. Não se esqueçam de agradecer a Barroso quando ele reaparecer por cá como candidato a Presidente da República.
Decididamente, o que está mesmo em causa é o arranjo institucional europeu. Como ontem Roubini recordou nas páginas do Financial Times, não pode haver união monetária estável e duradoura sem união fiscal e política.
A chamada política do don´t ask, don´t tell, iniciada nos EUA em 1993, significa isto: os militares homossexuais e bissexuais que revelem a sua orientação sexual devem ser expulsos das Forças Armadas. Esta "política" baseia-se, concretamente, numa lei federal, que tem por fundamento esta ideia: "it would create an unacceptable risk to the high standards of morale, good order and discipline, and unit cohesion that are the essence of military capability".
A aplicação prática da lei tem sido altamente discricionária, pois se se entende que não se deve "investigar" a orientação sexual dos militares, qualquer "conduta suspeita" de homossexualidade ou de bissexualidade impõe, claro, "medidas".
Muita gente, desde 1993, foi expulsa do Exército. Centenas por ano, na verdade.
Por outro lado, a política do don´t ask, don´t tell dá um sinal positivo à homofobia, como é evidente, desde logo às Forças Armadas. São conhecidos casos de homicídio no seu interior, de homossexuais, "convidados" a revelarem a sua orientação sexual.
Esta política discriminatória, com o rosto de Clinton, foi combatida, durante a campanha presidencial, por Obama. Agora, este parece decidido a cumprir a sua promessa.
Ontem, ouvi reacções como a de MacCain, que disse isto: "At this moment of immense hardship for our armed services, we should not be seeking to overturn the 'don't ask, don't tell' policy."
Sem comentários.
A história conta-se em pouca palavras. Fernanda Valencia é uma advogada colombiana, candidata ao Congresso nas eleições de Março, que declarou ir posar nua para uma revista caso fosse eleita. Associações feministas já vieram ao terreno dizer que acham "degradante" a sua atitude. Afinal "se ganhar algum voto em Março é o dos homens machistas". Mas que diabo, só os homens machistas porquê?
"Sónia tem dez anos e quer continuar a viver com o pai em Portugal. O tribunal de Setúbal, porém, manda-a para França, à força, para morar com a mãe". Tomando como correcta toda a informação contida na notícia... até no papel dói.
A National Secular Society lançou uma petição pedindo que o Estado não suporte os previstos 20 milhões de libras que custará a visita de Bento XVI a Inglaterra - que ainda por cima parece ir ser apenas mais uma prédica papal contra os direitos dos homossexuais.
De facto, na conferência com dignitários das delegações britânicas da ICAR, o Papa exortou-os a lutar com «zelo missionário» contra a legislação introduzida para pôr fim à discriminação de homossexuais que «na verdade viola o direito natural» uma vez que impede os católicos de serem fiéis às suas crenças. Bento XVI acrescentou ainda que acabar com as discriminações não torna a sociedade mais equalitária, bem pelo contrário já que, segundo ele, é um ataque à liberdade religiosa.
Peter Tatchell, activista dos direitos humanos, resumiu as tolices debitadas pelo Papa: «His ill-informed claim that our equality laws undermine religious freedom suggests that he supports the right of Churches to discriminate in accordance with their religious ethos.
He seems to be defending discrimination by religious institutions and demanding that they should be above the law.»
Nem mais, Francisco.
Isabel Moreira
Miguel Vale de AlmeidaRogério da Costa Pereira
Rui Herbon
