Alguém reconhece este senhor?
Os advogados do terrorista que assassinou George R. Tiller o ano passado ululam que o assassino, que confessou ter alvejado Tiller com um tiro na cabeça, deve ser sujeito a novo julgamento ou então absolvido. Alegam para semelhante barbaridade que o julgamento que o considerou culpado de homicídio em 1º grau foi injusto porque não tomou em consideração os milhares de óvulos fertilizados, embriões e fetos que o homicida «salvou» com o seu gesto.
Quer durante a entrevista quer no julgamento, este esgoto moral afirmou que se sentia frustrado por a lei americana não ter mandado Tiller para a prisão, não obstante as inúmeras queixas dos maiores esgotos morais nestas histórias, movimentos supostamente pró-vida na realidade pró-morte de quem não partilha a sua «fé» . Hoje, o Daily Kos informa-nos que um desses esgotos morais, a Operation Rescue, certamente devido aos bons frutos da sua campanha de ódio contra Tiller, lançou uma nova campanha de ódio agora de efeitos mais abrangentes: oferece uma recompensa de 10 000 dólares pela denúncia de todos os pecadores «abortistas»:
Vejam este filme impressionante. Trata-se de um projecto que ensaia um diálogo entre filhos de perpetradores de crimes nazis e filhos de sobreviventes do Holocausto.
Em vez de escrever aqui o que me vai na alma sobre este assunto da liberdade de expressão extremamente limitada, eu proponho o seguinte: vocês gravam duas pessoas que eu conheça a falar sobre um assunto qualquer e publicam fragmentos dessa conversa – só o que vos agradar, atenção! —, nomeadamente as partes em que os tipos vão dizer "e então o gajo disse: se fossem todos pró raio cos parta mais a censura". Ou então — esta vai-vos parecer assim um bocado ridícula, eheh —, vocês agora iam atrás de mim (vou jantar fora, faz-de-conta) e punham-se numa mesa ao lado. Na altura em que eu dissesse — que iria dizer —, “se fossem todos pró raio cos parta mais a censura", vocês tungas! publicavam a coisa. ‘Pera, este não é bem assim! Vocês iam querer publicar a coisa, mas o gajo que manda no vosso blogue (nós aqui, por exemplo, temos um Ministério inteiro a tutelar-nos) não ia deixar. E vocês… OK, esta cena não faz sentido. E daí, talvez assim eu me faça entender, como parece que anda tudo com os ponteiros trocados.
A propósito, é mesmo verdade que o Moniz! e a Manela! e o Crespo! vão ser ouvidos na tal cena da comissão parlamentar? Estou desertinho para saber o que raio irão eles dizer. É que não faço a mais pálida ideia. Estou mesmo curioso, catano.
analisando as listas submetidas pelos partidos para as audições na comissão de ética, constato a absoluta ausência, à excepção do obercom, de especialistas dos media não formais (blogues, twitter, facebook). não sei se esta ausência se deve ao facto de a comissão em causa ser a da comunicação social e esta ser entendida no sentido restrito ou 'clássico' (seria aliás muito interessante discutir se os blogues são ou não parte disso que se denomina de 'comunicação social') ou à indiferença/ignorância em relação a um dos veículos mais notórios da expressão da liberdade mediática que se vive neste país.
poderia, é claro, ensaiar uma explicação conspirativa desta ausência -- a de que incluir a blogosfera nestas audições demonstraria o ridículo da alegação de vivermos num país sem liberdade de expressão. mas acho mais interessante assinalar que apesar de um dos grandes especialistas em asfixia democrática do universo em geral e de portugal em particular ser deputado do psd e andar há mais de um ano numa incansável cruzada para denunciar a 'manipulação tentacular governamental' na blogosfera como um dos maiores atentados à liberdade de expressão jamais lobrigados, com alegações de financiamentos ocultos e 'carteiras no gabinete do pm', ao seu grupo parlamentar não ocorreu auditar essa comprovadíssima teoria. esperançadamente, paulo rangel estará neste momento a ultimar uma alocução no parlamento europeu sobre a matéria. depois de jurar que 'portugal não é um estado de direito' e que leite pereira 'censurou um conhecido jornalista por sugestão do pm', só falta mesmo a descrição truculenta da tomada pela força do vil metal e da ameaça 'soez' da indefesa blogosfera tuga.
Nope, não vou falar daqueles do IPCC, embora recomende a leitura de um artigo do Guardian de ontem, «The case for climate action must be remade from the ground upwards», que explica como, na sequência do ClimateGate e das críticas a exageros de que há bem pouco tempo a Nature nos deu conta, a «ciência do clima está sob cerco e a política do clima em desordem». O clima de que importa falar é o clima político e um fenómeno que o El Niño financeiro dos últimos tempos está a tornar global: o descrédito da política e dos políticos.
Assim, recomendo vivamente outro artigo em língua inglesa, o que Rachel Sylvester escreve hoje no Times, «They’re all ignoring political climate change», que poderia, sem grande esforço de adaptação, ser utilizado para descrever a situação nacional. Assim como, sem grande esforço de adaptação, o que respondi a um comentário ao primeiro post sobre o ClimateGate, descreve o que penso sobre a fuga de informação do momento em Portugal:
«A questão do aquecimento global transformou-se num debate político e por isso mesmo tornou-se histriónico. A verdade não parece importar aos dois lados da barricada; só importa ganhar o debate e impor um ou outro modelo de sociedade. Daí que seja tão importante a análise científica séria, e não politizada, nem instrumentalizada. E também daí que seja desastroso, nesta altura do campeonato, que se venha lançar dúvidas sobre a atitude cientificamente séria e rigorosa de alguns, e apenas alguns, dos intervenientes neste debate.
Só li alguns dos emails e, a serem verídicos, não fiquei muito bem impressionada com alguns excertos sobre peer review e retaliações editoriais sortidas sobre os denialists. Espero que não sejam verídicos porque estou certa que a serem, dado o histrionismo do debate e a sua globalização na sociedade, isso trará consequências graves para a própria ciência mas em particular para a sociedade em geral ».
Mais importante que tudo isto, a resposta que o opinador do Guardian nos dá para resolver a crise de credibilidade do IPCC e, por arrasto, das alterações climáticas por efeito antropogénico aplica-se praticamente sem necessidade de adaptação a estoutra alteração do clima político: é necessário que a sociedade civil, todos nós - indivíduos, organizações e empresas - deixemos de ser meros espectadores de coros dissonantes (e histriónicos), peguemos no bastão e nos envolvamos na harmonização da orquestra.
Felizmente, a liberdade de expressão é tanta, que se confunde uma questão de liberdade de imprensa e meios de comunicação social como uma questão de...liberdade de expressão.
Daniel? Então só depois de eu ter dito Ui, Daniel, um mar de possibilidades se abrem. Assim de repente uma hipótese, sobretudo se o marido da Maria for aleijadinho de bom: “Boa, concordo contigo. Para além de linguarudo, o Paulo parece um carpélio negro – assim daqueles que, por dá cá aquela palha, logo se fica com um pêlo entalado na goela – e é uma sequinha na cama. Boa noite” é que me informas que o homem é um "mal disposto"? Informação às mijinhas não vale, pazinho. Será que apanhaste Sol a mais na moleirinha lá por Moçambique?
Quem são as pessoas que escolhem estes títulos?! Façam o favor de ler a notícia...
O acrónimo PIGS (ou PIIGS) causou indignação colectiva nos visados quando foi utilizado para identificar os países europeus que partilhavam problemas de défices elevados, históricos de grandes níveis de endividamento e altas taxas de desemprego, Portugal, Itália (Irlanda), Grécia e Espanha. Reprovado pelo Finantial Times, banido pelo Barclays, foi há dias substituido por outro que designa os países que alguns consideram serão arrastados por uma eventual queda da Grécia: os STUPI(I)D - Espanha, Turquia, Reino Unido, Portugal, Itália/Irlanda e Dubai.
Alguns divertem-me, já outros fazem-me pena.
Alinhada com esta opinião da Constança Cunha e Sá questiono, contudo, o título escolhido. Falta, a tudo isto, a (inigualável) eficácia da histeria e um dos seus mais fantásticos e representativos sinais: la belle indifférence. A congruência entre a intensidade discursiva, a mímica facial e a tonalidade emocional das descrições estão mais próximas da perturbação factícia, ou mesmo da simulação. Fica a sugestão.
este é o tema de um artigo indispensável no Madison County Courier que lucubra sobre «a concept, a mental construct that you can’t hold in your hands. It has boundaries, its hard to define, it carries responsibilities, and in action it is absolutely necessary for a full human life.»
What Happened In My Birth Year
(via Jorge Martins Rosa)
Isabel Moreira
Miguel Vale de AlmeidaRogério da Costa Pereira
Rui Herbon
