Quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2010

Onze perguntas frequentes sobre o acordo SWIFT - Rui Tavares


Tenho ideia que não, em todo o caso fico grata a quem me ajudar a confirmar e, se não for pedir muito, antes das 20h. Não quero baralhar-me quando o ouvir repescar o tema da verdade com "B" grande. E se tem feito uso dela, deus meu...

 

"Eu digo aqui peremptoriamente que não estou nessa corrida por uma razão muito simples. Fui eleito para o Parlamento Europeu há pouco mais de quatro meses e, portanto não faria sentido neste momento que me candidatasse à liderança. Seria um mau sinal para a democracia". 29 Outubro de 2009

"Já tive oportunidade de esclarecer claramente que se trata de uma intriga baseada em factos falsos e não sei de quem, já que se trata de uma constatação objectiva." Janeiro de 2010

 

"Para o eurodeputado do PSD, que pediu a palavra no período de declarações de um minuto, a situação em Portugal «põe em causa a liberdade de expressão». Rangel deu o exemplo do «jornalista muito conhecido, Mário Crespo», que «viu censurada uma crónica sua, também por sugestão, ou aparente sugestão, do primeiro ministro»." Fevereiro de 2010


Madalena, Azenhas do Mar, fevereiro de 2002 / © av


 

É já daqui a pouco que será lançado o Aula de Poesia do Eduardo Pitta.


João Pinto e Castro

A evidente carência de factos jurídicos do caso Sol é largamente compensada pela abundância de factos políticos. 

Estes últimos podem ser divididos em factos gasosos e factos sólidos.
Os factos gasosos envolvem frases e meias frases supostamente escutadas e convenientemente fatiadas e embaladas por polícias e juízes, que, apesar do esmero posto na confecção, em si mesmas nada indiciam para além de business as usual.
Para dar sequência à narrativa foi-lhes acrescentada a voz-off dos despachos. Neles, e só neles, reside o enredo, e é essa interpretação que aponta para o alegado envolvimento do governo no negócio – uma dentre muitas possíveis – que querem por-nos a discutir.
Sem legenda não há lenda.
Mas, por outro lado, temos os factos sólidos, mais abundantes, mais indisputáveis e mais consistentes.
Incluem uma história persistente de investigações orientadas para perseguir o actual primeiro-ministro, quebrando sempre que necessário o segredo de justiça, pondo meio país sob escuta, desrespeitando sempre que possível os mais elementares direitos à privacidade e ao bom nome e valendo-se de uma teia de cumplicidades nos media e nos partidos da oposição que, a dada altura, envolveu a própria Presidência da República.
Isto a gente vê todos os dias na televisão, na rádio, nos jornais e na internet sem precisar (aliás, de preferência dispensando) alguém que nos explique.
Não falta, como se vê, matéria política para discutir neste triste caso. Por que haveremos então, pergunto eu, de concentrar as nossas atenções nos factos gasosos, se há matéria tão sólida para alimentar as almas sedentas de sonho e fantasia?
Fico a aguardar esclarecimentos do untuoso Rangel e do melífluo Louçã, auto-nomeados porta-vozes da república dos bufos.

Ana Matos Pires

"O diploma que legaliza os casamentos homossexuais foi hoje aprovado na especialidade, na Comissão dos Assuntos Constitucionais."


Este é dedicado, por motivos óbvios, ao António, ao besugo, ao jorge e, claro, ao fernando antolin.


Gostei de ler o Rui.


Palmira F. Silva

Ás mulheres portuguêsas / manifesto feminista de Anna de Castro Osório. - Lisboa : Editora Viúva Tavares Cardoso, 1905.

Em 23 de Maio de 2011 passarão 100 anos da criação do Técnico. Para a preparação condigna do centenário, estamos a construir, em colaboração com grupos de investigação de outras Escolas, várias timelines temáticas. Um dos acontecimentos que gostaria de incluir na timeline geral revelou-se complicado confirmar: a data de matrícula da primeira mulher no Técnico, uma escola que começou estritamente masculina no dealbar da primeira República. Pensar-se-ia que esse acontecimento seria devidamente assinalado à época mas tem sido complicado identificar inequivocamente a façanha, algo que não me deveria surpreender uma vez que boa parte da nossa historiografia, pelo menos nas obras de referência (dicionários, enciclopédias, cronologias, etc.) a que o comum dos mortais tem acesso, é quasi totalmente omissa em relação ao papel das mulheres na sociedade nacional. 

Ver mais... )

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Ontem recebi um comentário que é um belo resumo de tudo o que tem acontecido nos últimos dias. Diz o Luis Serpa: "Uma coisa que acho curiosa: como vão aqueles que hoje defendem Sócrates justificar-se no futuro? Vai ser interessante." 

Antes de mais, eu não defendo Sócrates, defendo uma ideia (a minha) de Estado de Direito — que cada vez tem menos de ambos, de Estado e de Direito. Defendo que nenhuma escuta — nenhuma! — possa ser publicada por um qualquer pasquim. Defendo o direito à privacidade, o direito à honra e uma série de outras coisas que parecem não querer dizer muito à opinião publicada por essa blogosfera fora. Defendo o direito a inventariar a tolice, aponta-la a dedo. Defendo o meu direito à indignação perante crónicas como as do Crespo ou as do profeta do devir, perante telejornais como o de sexta. É que, pasmem, a censura pode revestir várias formas —  e algumas até são benignas e essenciais para a sustentação de um Estado de Direito (a moderação de comentários num blogue, por exemplo). Uma das formas que a censura pode assumir, esta bem maligna, ataca directamente a essência da democracia; reveste a forma do vale tudo, em molde de ralhete constante, não fundamentado, descontextualizado, intrusivo, maledicente e por vezes criminoso. É essa forma de censura que alguns apelidam liberdade de expressão.

Quanto ao comentário que deu azo a este texto: não tenho nada que me justificar no futuro, ainda que Sócrates venha a ser acusado e condenado por todos os males do mundo. Ajo e continuarei a fazê-lo de acordo com a minha consciência. Não faço uma defesa ad hominem. Mais importante ainda: espero bem que em circunstância nenhuma a minha actuação presente venha a ser escrutinada no futuro, obrigando-me a dar justificações.


Rogério da Costa Pereira

Confesso que ontem deixei de ver o jogo quando o João Pereira resolveu arrancar o Ramires pela raiz. Fui, de resto, tão rápido a mudar de canal que nem sequer vi o primeiro golo do benfica. O que se está a passar no Sporting é algo que está para além da minha compreensão (falha minha, certamente). Tudo se me afigura inconcebível. Não entendo o treinador, não entendo aquele senhor com ar de cotonete, não entendo — mas admiro a eficácia — como é possível ter-se dado cabo de mais de 100 anos em poucos meses. Não entendo as contratações (com excepção da do jardineiro de ontem, que é um belo jogador), não entendo o guarda-redes, não entendo o lateral esquerdo, não entendo a cor das cadeiras, não entendo a relva, não entendo porque raio insistem os adversários em tratar-nos tão mal, quando o que nós precisamos é de um pouco de carinho e compreensão. De resto, este post, mais que uma lágrima, é um aviso: o próximo gajo (ou gaja, ouviste Maria João? Maaaaaaariiiiiaa…) que me tentar pedir satisfações a propósito do que está a acontecer no Sporting ou me interpelar a propósito do jogo de ontem, leva pela medida do Ramires. Já estive a ensaiar os carrinhos e acabei de ceifar um daqueles tipos amordaçados que não se calam de tão amordaçados que andam. Assim sendo, vejam lá a vossa vida.


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Shyznogud

Alguem deu por alguma notícia sobre o Acordo Swift nos media portugueses? Se sim, agradecia que me indicassem onde. Parece que se discute hoje no Parlamento Europeu...


Rogério da Costa Pereira

Avisa-me só do dia em que vais publicar a coisa, ok?


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O Pedro faz um link para aqui, elogiando o texto de Tiago Mendes. Neste, o Tiago acusa o João Galamba de incoerência, ao criticar o "caso Mário Crespo" e ao vir agora - quando haveria de ser? -, e bem, reconhecer que é preciso que se faça luz sobre o assunto do momento que envolve José Sócrates e que o mesmo se esclareça.

Critica o facto de João Galamba não ter alinhado com os doutrinadores da "asfixia democrática" e de agora vir dizer estas coisas, o malandro.

De facto, a demagogia não conhece limites.

Reconhecer que à luz do que foi divulgado de forma repudiante pelo Sol deve ser esclarecido não implica aderir à tese da "asfixia democrática".

Admitir, como eu também admito, que se justifica, por exemplo, uma comissão de inquérito, não significa que se entenda que Mário Crespo tem razão num outro caso, o da construção de uma tese a partir de uma conversa de ouvir dizer, uma coisa do tipo "diz que disse", o que nos levaria a um ambiente que me recorda a Stasi, com medo de falarmos à vontade num restaurante. Penso que Vasco Pulido Valente não gosta de Sócrates e que quando bocejou perante o caso Mário Crespo não estava sob coacção.

Esta demagogia tenta descredibilizar o outro; condicinar o discurso alheio.

Com que então achas que isto tem relevância política? Com que então achas que se justifica uma comissão de inquérito? Então tens de de pensar também que Mário Crespo tem razão, que há asfixia democrática em Portugal, que não se pode falar, que estamos todos amordaçados.

Francamente.

Um pedido, rapaziada defensora da independência dos órgãos de comunicação social e da liberdade de expressão, um pequeno pedido, doutrinadores da "asfixia democrática": podem falar-me um pouco, por exemplo, do que se passa na Madeira? Assim, de passagem, já que o assunto é a coerência...

 


* É o mote da campanha da Ilga que começa hoje a ser divulgada


Tinha escrito um post com o título que rezava assim

 

A isto já não consigo chamar pérolas do jornalismo português...

 

... porque o plágio é outra coisa e já entre no domínio da desonestidade pura e dura. Comparem esta notícia com este post no Correio Preto e depois digam-me se sou eu que estou a imaginar coisas. O post foi publicado às 17h06m e a notícia às 21h12m.

Ah! Já agora o conteúdo quer do post quer da notícia - que são iguais - é ma-ra-vi-lho-so.

 

Ora a autora da notícia deixou nos comentários uma explicação mais que plausível que me fez meter a viola no saco. Podia ter apagado o post mas isso seria uma cretinice cobarde da minha parte, cá fica o registo do erro.

 

adenda hoooras depois: afinal sou capaz de não ter sido injusta, houve um mal-entendido e quem apareceu aqui na caixa dos comentários foi a autora do post e não a da notícia. Dado o tom do comentário que deixou presumi que fosse o contrário e não confirmei os nomes, já que, como se vê acima, era à autora da notícia que eu atribuia o plágio.


João Galamba

É a luta do momento: forma e conteúdo. João Pinto e Castro diz — e diz bem — que "uma das ideias básicas do Estado de Direito é que não há factos com relevância jurídica fora dos procedimentos aceites para os apurar". Se isto permite condenar a divulgação de escutas, não permite ignorar o óbvio: a divulgação existiu e agora não há como não lidar com o facto da sua divulgação. O formalista rejeita discutir o conteúdo por causa do modo como ele surgiu, isto é, lida com a divulgação recusando-se a comentar o que é divulgado. Mas esta posição é contraditória: não podemos responder a uma realidade negando a sua existência. Insistir na pureza da forma é um suicídio político.


Neste debate entre Vera Jardim e Morais Sarmento temos duas posições que valorizam o que noticiou o Sol. Mas, lá está, há valorizar e valorizar. Enquanto que Vera Jardim reconhece o óbvio — este ambiente é insustentável e é urgente que se faça luz sobre isto para que estas questões se esclareçam — e se cinge aos factos, Morais Sarmento vai para além dos factos conhecidos e tenta transformar aquilo que é sua interpretação num veredicto definitivo sobre a culpabilidade do primeiro-ministro. Morais Sarmento sabe o que aconteceu, e por isso acusa: Sócrates faz o mesmo que Chavez e Berlusconi. Quem fala assim não tem o direito de dizer que fala em nome do Estado de Direito.


Fazendo uso da minha liberdade de expressão, permitam-me que faça referência a um artiguinho de Martin Wolf:

 

"This conventional wisdom is, alas, nonsense. Until policymakers recognise this, they are dooming the eurozone to huge tensions. There is no way to put this delicately. So long as the European Central Bank tolerates weak demand in the eurozone as a whole and core countries, above all Germany, continue to run vast trade surpluses, it will be nigh on impossible for weaker members to escape from their insolvency traps. Theirs is not a problem that can be resolved by fiscal austerity alone. They need a huge improvement in external demand for their output."


Palmira F. Silva

Primeiro os Estados Unidos, depois a Irlanda e agora a Alemanha acordaram para os abusos sexuais perpetrados durante décadas em instituições católicas. A Spiegel levanta a ponta de um véu tão horrendo quanto o é o relatório Murphy e exactamente com os mesmos contornos.

 

«The Catholic Church in Germany has been shaken in recent days by revelations of a series of sexual abuse cases. Close to 100 priests and members of the laity have been suspected of abuse in recent years. After years of suppression, the wall of silence appears to be crumbling.» é o início de um artigo que nos conduz pelos meandros de algo familiar e que a revista resume: «Protecting Offenders, Ignoring Victims».

 

Depois de algumas reacções ao que aconteceu na Irlanda, pensava que nada me chocaria nestas histórias de pedofilia e ICAR. Mas alguns detalhes aturdiram-me pelo total autismo que demonstram. Um deles foi o «eufemismo» utilizado para descrever  o comportamento de um dos maiores monstros desta história sórdida. O director de um dos colégios onde, durante 19 anos e com conhecimento pleno da hierarquia, o padre Wolfgang S. torturou sexualmente um número ainda indeterminado de alunos, referiu que lhe chamou a atenção o «intimo comportamento paternal» de Stab em relação aos alunos. Paternal?! Mas esta gente não tem vergonha na cara? Certamente que não, caso contrário Wolfgang Stab não teria afirmado ao Spiegel que «I have come clean about my past to God and the world

 

A única coisa positiva em toda esta história é o facto de que foi o actual director de um dos colégios quem quebrou os votos de silêncio: News of the sexual abuse first became public last week after a newspaper reported that the school's current rector, Klaus Mertes, had sent a letter to 600 former students explaining that at least two former priests at the school had committed crimes and that they were not isolated cases. The Berliner Morgenpost reported the contents of the letter in which Mertes wrote that he had been deeply shaken and was ashamed to have learned that "systematic abuse had taken place at the school over the years."


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