Alguém lhe explica por favor que a Rua Antonio Maria Cardoso não é só a rua que faz esquina com a Hermés?
ah, espera. o pedro estava a falar de 'autonomia política' quando escreveu que os membros do jugular não têm autonomia para ir a uma manif. portanto, isso não é calunioso, não. porque, note-se, ele disse que nós não somos donos de nós próprios 'no sentido político', o que é muito diferente de dizer que dependemos de outros para saber o que devemos dizer e pensar, ou de alinhar naquele estribilho pachequista 'da carteira no gabinete do pm': tão tão diferente. aliás, geralmente quando se diz que alguém tem falta de autonomia estamos a dizer que essa pessoa não consegue pensar diferente do que pensa e ou dizer diferente do que disse; não estamos a dizer que não é autónoma, ou seja, que não manda em si. a língua portuguesa é muito elástica quando dizemos merdas estúpidas e nojentas e depois queremos fingir que queriamos dizer outra coisa.
aliás, o pedro até andou pelos vistos a defender-me de ignomínias passadas -- para agora poder, insuspeito, juntar-se ao coro das ignomínias presentes. é tão enternecedor vê-lo chateado por alguém 'adoptar um tom de insulto pessoal' -- no pedro os insultos e as calúnias, mesmo em relação a pessoas que ele aparentemente sustenta ter estimado e respeitado até há uns mesitos, são todos impessoais. são assim a modos que calúnias 'educadas', esquivas, sonsas, a fingir que não são calúnias. acho que se costuma chamar a isso cobardia. enfim, mais uma ilustração da falta de nível.
ah, já me esquecia: como eu é que me esqueço de argumentar, naturalmente não te vês na necessidade de explicar em que raio eu 'proferi falsidades' a propósito da tua saída do de. quanto mais da 'colagem excessiva e cega a este governo' e da 'cobertura que demos a este regime' (adoro a linguagem abrilística e sobretudo a ideia de que vamos mudar de 'regime' não tarda -- qual vai ser? presidencialismo iluminado? monarquia?). enfim, pedro. escusado dizer que não vale a pena continuar esta conversa.
Pensava eu que o direito de manifestação era de exercício livre, quando vejo que Pedro Lomba, o puro, cuja idoneidade já tive a paciência e o gosto de defender, decide, num extraordinário processo de intenções, que o Jugular - esse "corpo" - não se junta à manifestação de hoje pela "liberdade de expressão" porque a maioria dos seus membros "não tem autonomia".
O mesmo Pedro Lomba que acusa Pedro Marques Lopes de cobarde, entre outras coisas, porque lhe parece que aquele faz acusações em abstracto, estava, nesse texto, afinal, a escrever sobre si próprio.
Convido-te, pois, Pedro, a escreveres um texto, bastante longo, julgo que já te dás importância para tanto, um livro mesmo. Poderia chamar-se assim: "o triste destino de Pedro Lomba".
Digo isto com muita pena. Muita, Pedro. Conheces-me e conheces o percurso de muita gente do Jugular. Quem pensas que és para julgares da falta de autonomia das pessoas? Tu, que foste vítima da publicação de um despacho que te colou ao poder laranja, e que tiveste, precisamente no Jugular, pronta defesa? Conheces aqui gente, quase toda ela, sempre desligada do poder, muitas vezes, na sua vida, contrapoder, tomando posições difíceis, arriscando a carreira, como te atreves?
Não, não concordo com a manifestação. E não concordar com a manifestação não é essa coisa simples, como tu afirmas, de estar contra a liberdade de expressão. Sou doentinha pela liberdade, caro amigo, desde logo pela liberdade de imprensa, e, também, pela privacidade, e pelo respeito pelo segredo de justiça, e pela reserva da vida privada, e por um Ministério Público e uma magistratura em geral que me proteja, e por juízes imparciais que não façam política.
Há muita coisa a discutir, sabes? E esta manifestação é uma instrumentalização de uma liberdade para confirmar uma tese de asfixia na qual eu não me revejo. Com a tua licença, claro, e se tu, governador civil da minha consciência, me permitires o direito de não me manifestar sem com isso perder a minha autonomia.
Isto vale para mim e para esta "gentinha" do Jugular que não chega aos calcanhares do enorme percurso cívico do Pedro, claro.
Já caíste em ti a esta hora? Posso parar? Passa bem, Pedro.
o pedro lomba, que parece ter ficado no outro dia muito encanitado -- e várias pessoas com ele, incluindo aqui no jugular, por num blogue se ter recordado que ele foi assessor de um governo qualquer, escreve esta coisa. como o pedro lomba conhece várias pessoas deste blogue há alguns anos e de algumas delas chegou até a ser próximo, só se pode depreender que sabe sobre elas coisas que elas próprias não sabem. talvez fosse interessante que pedro lomba, o jurista, não o medium, explicitasse claramente em que medida os membros do jugular, na sua esmagadora maioria pessoas que sempre fizeram a sua vida profissional no sector privado, pessoas na sua esmagadora maioria sem qualquer ligação a estruturas político-partidárias e cujo percurso público evidencia não só independência como até, sempre que assim o entenderam, rupturas e resistência em relação a 'consensos' e situações que não mereciam a sua concordância, qualquer que fosse a sua origem, 'não têm autonomia'.
e, de caminho, pedro, podias esclarecer que falsidades proferi quando afirmei, na caixa de comentários deste post e num diálogo com tiago mendes, que só atacaste o director do diário económico quando a tua colaboração com a publicação foi descontinuada e que não foi esse, como defendia o tiago, o motivo pelo qual foste dispensado -- até porque, como deve ser óbvio para qualquer apologista da absoluta autonomia, se tinhas aquilo para dizer enquanto colunista tê-lo-ias feito no próprio jornal, o que implica naturalmente que só passaste a achar aquilo que escreveste sobre o director do de depois de ser dispensado (se achasses aquilo antes decerto não esperarias que ele o fizesse, certo? vinhas-te embora). se ainda tiveres tempo para explicar como agora escreves num jornal cujo director anterior foi, de acordo com a tese de 'asfixia democrática' que subscreves, afastado por pressão do governo, e nunca te atreveste a no mesmo abordar esse assunto, fico muito agradecida. assim para princípio de conversa sobre 'autonomias'.
escusado será dizer, pedro, que até acho compreensivel que um colunista que o quer ser e ser pago por isso se exima de atacar os que lhe dão espaço e dinheiro. a ninguém costuma passar pela cabeça acusar os colunistas por falta de autonomia por se esquecerem de criticar quem os emprega -- achamos todos que o dinheiro e a boa educação explicam certos silêncios e quando assim não é não raro descobrimos, como sucedeu a joão carreira bom, que as colunas acabam. sucede que ao acusar um blogue com 18 pessoas de ausência de autonomia, está-se a dizer que o blogue funciona segundo os mesmos princípios que uma publicação formal -- portanto com estrutura de poder e até, quem sabe, com retribuições/recompensas. e isso ou é verdade -- e quem o diz pode prová-lo -- ou é uma calúnia. dá-se o caso de eu estar, como qualquer outro membro do jugular, em condições de afirmar -- e provar -- que és um caluniador, pedro. acrescento, completamente de graça e no pleno uso da minha liberdade de expressão, a súmula do sentimento sobre ti que esta conclusão me inspira: és um bandalho.
sim, é um insulto. para quem não sabe a diferença entre insulto e calúnia, e quiçá para ti também, eu explico: calúnia é uma imputação/insinuação/acusação mentirosa que atinge a honradez (em suma, uma difamação); insulto é um qualificativo desagradável/ofensivo, que pode ser ou não adequado. eu acho que é adequadíssimo dizer de ti que não tens nível. e já não vais a tempo de provar o contrário.

O acordo SWIFT acabou de ser rejeitado no Parlamento Europeu!
Cresci com imagens do Soweto. Como já disse noutro local, para mim, menininha sensível (juro que era!), o apartheid sul africano representava o mais desprezível que a actualidade noticiosa me apresentava... foi por isso normal que Mandela se transformasse num dos meus heróis desses tempos. E foi por isso, também, que o dia da sua libertação me marcou tanto e dele guardo recordações semelhantes às de Ana Dias Cordeiro "Durante todo esse tempo, a divulgação da sua imagem fora proibida. Por isso, no dia da sua libertação, à euforia e aos cantos de alegria juntou-se o espanto de ver um homem envelhecido, digno e sereno caminhar sem sinais de rancor. Com 71 anos, Mandela tinha passado mais de um terço da sua vida preso".
No dia em que passam 20 anos da sua libertação justifica-se andar um pouco mais na direcção do passado e relembrar o processo que o iria conduzir à prisão.
(a continuação do documentário pode ser vista aqui e aqui).
Se o porteiro entregar a coisa nas mãos certas, o Presidente da República, a Assembleia da República e o poder judicial deixam de fingir que nada se passa. O primeiro-ministro deixa de insistir em esconder-se, os órgãos de soberania passam a assumir as suas competências. É ver a vida democrática a cessar de se degradar, assistir ao reatar do regular funcionamento das instituições. Com o fim da apatia e da inacção, a liberdade de expressão passa a não estar em causa. Assim os órgãos de soberania passem a cumprir os deveres constitucionais que lhes foram confiados e a defender intransigentemente a Liberdade. Deus queira, é o que vos digo. O Senhor permita que o porteiro entregue a coisa nas mãos certas. Até os golfinhos voltarão ao Sado.
É que, assim, vamos todos poder passar a dizer exactamente o que queremos, por essa comunicação social fora, por esses blogues perseguidos e amordaçados, por esses telejornais onde o PM é todos os dias elogiado até ao nojo. Tudo em pratos limpos. Agora a sério, pegando numa frase da inigualável Joana Amaral Dias, ontem na RTPn, e aplicando-a no contexto inverso, "isto parece tananananananana".
Que te parece como hipótese de título, Pedro?
Imagem do filme "A aldeia da roupa branca", 1938
Se bem entendi, a investigação sobre o alegado envolvimento do PM numa tentativa de subversão do Estado de Direito foi mandada arquivar pela PGR e pelo STJ porque: a) as escutas tinham sido obtidas ilegalmente; b) não havia indícios de matéria criminal.
Na sequência, o procurador de Aveiro não só não destruíu as escutas "por dificuldades de expediente" como abriu um outro processo que não se defronta com idênticas "dificuldades de expediente" sustentado em escutas não envolvendo o PM, processo que recentemente sorriu à luz do dia nas páginas do Sol.
Mas, esperem aí, qual é exactamente a matéria de investigação desse processo? Ao que parece, a eventual compra de uma empresa privada por outra empresa privada. E por que é isso matéria de investigação criminal? De que são ao certo suspeitos os gestores envolvidos? E como é possível autorizarem-se escutas com tal finalidade?
Reparem bem o ponto a que já chegámos: alguém abriu uma investigação criminal sobre matérias de gestão empresarial que, em si mesmas, não envolvem qualquer ilícito.
Percebo o interesse que a Impresa tem em saber o que anda a congeminar a concorrência. Percebo também que o PCP e o BE entendam que o sector privado deve ser mantido sob observação.
Só não percebo como é possível que o nosso sistema judicial mobilize o céu e a terra nalgo que perigosamente se parece com espionagem industrial.
Próximo passo?
(veja o filme em simultâneo com a banda sonora)
Isabel Moreira
Miguel Vale de AlmeidaRogério da Costa Pereira
Rui Herbon
