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jugular

negrume

não gosto de -- nem acho que deva -- falar de casos judiciários intrincados dos quais nada sei, e mais ainda quando metem mortes. mas neste romance negro em que duarte lima foi erigido em suspeito número um pelos media nacionais parece haver, para além do já habitual atirar às urtigas da presunção de inocência e do dever de não fazer acusações sem provas (de que o rui já falou e muito bem aqui), um problema básico de racionalidade.

 

um advogado que recebeu, alegadamente, cinco milhões de euros de uma cliente, dinheiro que outros afiançam não pertencer à cliente para dele dispor, e que teria nesse dinheiro, seguindo a trama do romance, o seu móbil, iria colocar-se, no dia da morte (supostamente 'encomendada') da cliente, com ela, e levá-la no seu carro ao encontro do assassino/assassina? ou iria, ele mesmo, com as suas mãos, matá-la?

 

tudo é possível, responder-me-ão. é, admito: tudo é possível. mas há coisas bastante mais possíveis que outras. e por mais que a ideia de um advogado de alta cilindrada, ex-dirigente do psd, estar implicado numa morte seja de molde a fazer babar os autores das manchetes, usar as sinapses (e não as pedras) talvez não seja má ideia -- vá, de vez em quando.

Eu subscrevo

"Portugal adoptou o Serviço Nacional de Saúde como modelo de organização dos cuidados de saúde. Cobre toda a população residente, mesmo os emigrantes e estrangeiros, garante a prestação da totalidade de cuidados e nada cobra dos doentes quando estes o procuram, a não ser taxas moderadoras relativamente pequenas das quais a maioria da população está isenta. Cumpre-se o que prescreve a Constituição: o SNS é universal, geral e tendencialmente gratuito.(...)", continuar a ler a Sofia.

o problema das graçolas de oportunidade

é que como nos ladrões e nas ocasiões, às vezes parecem tão irresístiveis para quem as faz que ocorre isto.

 

anoto que o 31 da armada continua apostado na sintonia com o totalitarismo putrefacto que se reclama de 'extrema esquerda', sendo apenas, se se quiser ser piedoso -- e eu quero, porque deus sabe o quanto aquela gente sofre e não é o facto de saber o que me sucederia se algum dia mandasse que me impede de lhe deplorar a miséria -- de extrema cretinice. parece que no 31, e não só, estão um bocado chateados por eu ter feito um relato factual das presenças e ausências de gente com responsibilidade política, institucional e associativa na manif de ontem. quem sabe acham que dei pela falta dos ora signatários -- não, caros, estava mesmo a anotar, com critério jornalístico e não de revista de coração, quem estava e quem, fazendo sentido estar por posições anteriores em relações a assuntos conexos (isto do meu modesto ponto de vista, como não poderia deixar de ser, já que dos pontos de vista dos outros ocupar-se-ão, desejavelmente, os ditos) não esteve nem disse sobre o assunto uma vírgula para amostra.

 

mas isso agora não interessa nada. interessa que há quem não consiga -- e tudo sobre a resistência a este protesto de ontem no camões releva disso -- entender que há gente que não se encaixa na sua pequeníssima, infinitesimal, microscópica de tão medíocre, visão do mundo.

 

se alguém é de esquerda -- e eu julgo sê-lo -- se defende os direitos das mulheres (e eu defendo) e das chamadas 'minorias sexuais (é o meu caso), se é contra expulsões e perseguições xenófobas (eu sou), então só pode, como tenho constatado em inúmeras e infalíveis (por suposto) apreciações sobre mim, ser anti-israel, anti-eua, pró-árabe e sei lá mais o quê, que passa, mais tarde ou mais cedo, por se ter de certeza oposto à invasão do iraque pela coligação eua-reino unido-polónia e não me lembro dos outros.

 

isto tem vários problemas, não sendo o menor deles ser uma estupidez. é que demonstra várias coisas, uma delas sendo uma a que estou felizmente tão habituada que ao invés de me irritar já só me diverte: muitas das pessoas que têm e exprimem certezas absolutas sobre mim e as minhas opiniões e posições, certezas as mais das vezes ofensivas, para não dizer injuriosas e caluniosas, não devem ter lido meu mais que três parágrafos, e mal. estão, naturalmente, no seu direito; mas esse direito tão total deveria desaconselhar-lhes a expressão de apreciações definitivas sobre o que penso ou defendo -- ou seja, o que sou.

 

isto para não falar dessa coisa também completamente incompreensível, e mais ainda vinda de um blogue de alegados liberais de direita e onde já se leram coisas de arrepelar os cabelos que levaram até em alguns casos a que quem as escreveu saísse com um casaquinho de alcatrão e penas, que é achar que a opinião de uma pessoa de um blogue vincula todas as que escrevem no mesmo.

 

pois não. não há aqui 'os jugulares'. há a fernanda câncio, neste caso, que é a autora do post lincado, e que, como é público há muitos anos e também muito recentemente, apoiou a invasão do iraque. uma posição que decerto não comungo com a maioria das pessoas deste blogue nem com a generalidade das que estiveram no camões ontem, mas que não me impediu de lá estar nem as outras pessoas comigo, como me não impede de estar neste blogue. aquilo que nos juntou é muito mais importante -- eu vejo-o assim -- que aquilo que nos separa.

 

assim, parece que a graçola faz ricochete. não fui eu que cheguei tarde a algo -- mesmo se não considero que invadir o irão ou bombardeá-lo seja a solução, até porque estou ainda para ver o resultado das invasões que apoiei (afeganistão e iraque) --; parece ter havido alguém que se lançou,  e de voo como é costume nos rapazes que confundem boçalidade com coragem, no vazio. espero que não se tenha magoado muito. até porque vai haver mais ocasiões, decerto, para se estampar.

onde estavas tu às 18 horas de 28 de agosto de 2010? (3)

nas minhas contas, éramos entre 250 e 300, ontem, no camões. muito menos do que deveríamos ser, decerto -- mas há um ano, como a joão/shyz bem diz ao público, numa concentração convocada por iranianos a residir em portugal na sequência da revolta de rua contra o resultado das eleições para a presidência (alegadamente 'marteladas'), éramos bem menos.

 

como tinha anunciado aqui, estive muito atenta aos silêncios e às ausências. reparei que, à excepção de januário torgal ferreira, nenhum alto representante da igreja católica portuguesa, que tanto latim gasta com a 'defesa da vida', abriu a boca para comentar o destino de sakineh, quanto mais estar presente no camões. reparei que nenhuma das figuras de organizações tão vocais contra o que consideram 'o morticínio de inocentes' e que se reúne sob o chapéu 'federação de defesa da vida' esteve no camões, como reparei na ausência das primeiras figuras de organizações de defesa dos direitos das mulheres como a umar (que divulgou o evento, por sinal).

 

já tinha aqui assinalado o silêncio de gente habitualmente obcecada com o combate ao que consideram ser -- muitas vezes bem, diga-se -- o fundamentalismo islâmico. não havia lá um 'blasfemo' para amostra. também não vislumbrei um único elemento identificável da comunidade islâmica de lisboa nem, já agora, da representação portuguesa dos inimigos ajuramentados do irão (os judeus, pois então -- para disfarçar, dirão alguns pobres idiotas).

 

dos partidos, havia gente. o daniel oliveira e o rui tavares (deputado europeu independente pelo be). edite estrela e ana gomes, eurodeputadas socialistas; ana catarina mendes e inês de medeiros, deputadas do grupo parlamentar do ps. do governo, elza pais, secretária de estado para a igualdade, que foi ostensivamente ignorada por todos os jornalistas presentes (aposto que por não fazerem ideia de quem se trata).

 

vi ainda a presidente da comissão da igualdade e o director geral da saúde -- ambos discretos, apesar de francisco george ter sido 'lobrigado' pelo dn, e a sub-directora da rtp-2 paula moura pinheiro. e não vi, mas esteve lá, o dirigente sindical antónio avelãs.

 

ninguém do pp e do psd, que se tenha reparado -- se estavam lá, desculpem, não os vi. e do pcp também moita -- embora uma das organizadoras da manif, a juju inês meneses, seja militante. a ausência de membros notórios do pp é talvez compreensível -- afinal, estavam decerto agrupados para a rentrée pauloportista dos referendos sobre a justiça (e referendar o apedrejamento sumário dos detidos em flagrante delito? -- uma ideia também tão gira) -- mesmo se me recordo bem que em 2005, aquando da crise das caricaturas, o pp se mandou como gato a bofe a freitas do amaral, então ministro dos negócios estrangeiros, por ter feito um comunicado (absolutamente inadmissível e patético, por sinal) a 'contextualizar' a reacção dos que em nome de deus andaram a matar como reacção a desenhos. como será compreensível a de gente grada do pc, toda decerto a construir a festa do avante. o psd, bom, deve estar de borracha e corrector à volta da proposta de revisão constitucional, sem cabeça para mais.

 

nem um candidato presidencial para amostra; nem um alto representante de uma amnistia internacional.

 

é verão e estava muito calor, bem sei.

 

noutros países, noutras cidades, as concentrações como a que ocorreu em lisboa -- 111 no mundo todo -- contaram com organizações, de associações de mulheres a partidos comunistas, a coordenar e a convocar. aqui, meia dúzia de facebookianos fizeram a festa. o que explica os megafones de má qualidade, os materiais fotocopiados em casa, as convocatórias por sms para listas telefónicas individuais. mas, apesar disso, éramos tantos ou mais que em paris, por exemplo -- a paris na qual um presidente de direita já apelou à ue para que tome uma posição conjunta por sakineh e por todos os que nas prisões iranianas aguardam sentenças de morte tão bárbaras e obscenamente surreais como a que impende sobre ela (seja lapidação ou enforcamento).

 

não podemos parar aqui, no entanto. outra acção se prepara em várias cidades do mundo, agora para 2 e 3 de setembro, agora por shiva nazar ahari, com julgamento marcado para 4 de setembro por conspiração e 'incitar à guerra contra deus' (que, adivinharam, é punida com a morte). isto nunca acaba, até acabar.

 

adenda muito oportuna: este texto de rui bebiano, no terceira noite.

Irão: a laicidade é um assunto de mulheres

Não sei se o Ministério da Virtude iraniano foi formalmente instituído mas a Oriflame já sentiu a sua acção. Querendo certamente cortar pela raiz a causa da actividade sísmica na região, abalada na noite de sexta por mais um terramoto,  o regime dos ayatollahs resolveu suspender a actividade da firma sueca de venda directa de cosméticos, que tinha no Irão o mercado mais florescente do oriente: cerca de 20% das vendas na Ásia. Como sempre, o que passa por justiça neste país tem-se entretido na última semana a fabricar acusações para justificar a sentença. Primeiro, tentaram acusar a Oriflame de vender os seus produtos através de um esquema fraudulento. Como a acusação não pegou, depois de prender por espionagem 5 dos seus funcionários, ontem o ministro iraniano das secretas afirmou, usando o mausoléu de Khomeini como pano de fundo, que a Oriflame é uma ameaça à segurança do país:

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