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jugular

A minha menina está uma mulher feita

Sofreu muito, a coitada, à conta de hormonas e anabolizantes, para atingir a maioridade. Mas cresceu o suficiente, mesmo dentro do prazo. Ficou com umas mazelas, mas ninguém é perfeito. Hoje despedi-me dela, we have to let them go, right? Daqui a uns tempos já sei que irei ser chamado para prestar contas e responsabilidades. Até lá, vou-me entretendo por aqui. Portanto, olá.

Como cheira a mofo um caso tão recente?

Acho maravilhoso que se fale de "julgamentos sumários e pulinhos de indignação" em relação a esta triste temática. A história é recente e, sem tomar o todo pela parte, reveladora da postura de sujeitos com responsabilidades. Juro que me impressiona a leveza das observações, encimadas pelo estatuto de crente e pai. Infelizmente, digo eu, falar sobre este assunto não se deve a qualquer perturbação dos impulsos da Palmira, tenho a certeza que ela preferiria não ter motivos para o fazer. Não é mofo mas é nauseabundo, o cheiro.

eheh o delírio consegue sempre atingir novos patamares

Alguém ofereça um calendário ao padre Orlando Morna,  criticar, em 2010, a "legalização da homossexualidade" roça uma qualquer patologia psiquiátrica (um calendário só não chega, é o que é).

 

(cheguei à notícia via Com'Out no Facebook)

 

Adenda: alguém consegue descobrir o que raio quer ele dizer com a homossexualidade ser condenada na Carta Internacional dos Direitos do Homem? Está aberto concurso para o melhor argumento.

onde estavas tu às 18 horas de 28 de agosto de 2010? (4, especial 'ódio')

nos últimos dias tenho lido as coisas mais alucinadas sobre o facto de ter, após a manifestação/concentração de sábado contra as lapidações e as execuções no irão e pela vida de sakineh, efectuado um relato sobre as presenças e ausências institucionais na dita. naturalmente, eximo-me de demonstrar a tontice e má fé de gente que de pide a polícia, passando por cronista social, me chamou tudo aquilo que encontrou no seu léxico e universo (geralmente exíguos ambos e em alguns casos a demonstrar uma notória ausência de escrúpulos, para não falar de decoro) de ofensa ou enxovalho.

 

a acusação mais interessante de todas, porém, é a de que eu teria querido 'partidarizar' a manif. não valerá a pena lembrar os acusadores de que não há um único evento deste tipo em que se não elenquem as presenças partidárias -- aliás até em enterros e velórios isso se faz: ninguém se terá ainda esquecido da contabilização de presenças e ausências partidárias e institucionais no velório e no enterro de saramago, por exemplo. estranhamente, ninguém se lembrou de acusar os que (todos os jornalistas e comentadores) o fizeram de 'partidarizar' a morte do escritor e muito menos de 'policiar' ou de 'espírito pidesco' ou 'crónica social'. que ideia, não é? é.

 

mas há quem tenha ido mais longe. há quem tenha lobrigado 'ódio' -- assim mesmo, 'ódio' -- no relato que fiz. e porquê? porque (repetição) 'contabilizei as ausências'. isso, pelos vistos, é ódio.

 

vale a pena descascar este, como dizer, raciocínio: vamos direitos ao caroço da questão -- deste e de todas as, chamemos-lhe assim porque é mais civilizado, 'críticas' ao meu post. diz o autor do 'ódio', alexandre homem cristo, na respectiva caixa de comentários:

 

'(1) O simples facto de contabilizar presenças ligadas aos partidos é uma forma de os introduzir no evento, como se a ele pertencessem. Nas manifestações, as pessoas devem representar-se a si mesmas, enquanto indivíduos, e não como órgãos de determinado partido. Por exemplo, não acredito que o Daniel Oliveira e o Rui Tavares lá estivessem enquanto representantes do BE. Por isso, o reflexo da Fernanda em procurar malta dos partidos foi uma forma de partidarizar algo que não pertence aos partidos.

(2) Além disso, a meu ver, a contagem das ausências não é inocente porque, mesmo que implicitamente, impõe sobre o ausente uma desqualificação moral. E a Fernanda aproveitou as tais ausências para desqualificar (implicitamente) o PSD e o CDS-PP. E, por isso, partidarizou.
'

 

primeiro, no ponto 1, o alexandre decidiu -- decretou -- que nas manifestações as pessoas só se representam a elas próprias. nunca representam nada -- organizações, tendências, sindicatos, partidos, governos, nem se se apresentarem como representantes mandatados: nem pensar, pois se o alexandre não admite.

 

em seguida, o alexandre conclui, a partir do seu decreto, que é sempre um abuso achar que alguém pode representar alguma coisa, e que isso só pode ser feito com intenções malévolas.

 

aqui chegado, o alexandre fala da contabilização das 'presenças ligadas aos partidos' como 'forma de partidarizar' -- aqui está o princípio do 'ódio' (e do 'egoísmo', também, que deve dar no mesmo). para não se perder no seu, digamos, raciocínio, o alexandre esquece que no meu post estive atenta a outras presenças que não as partidárias: falei de igrejas e comunidades religiosas, de associações de mulheres, de dirigentes da administração pública e de deputados, eurodeputados, militantes de primeira linha e de membros (no caso, membro) do governo. o alexandre não atenta nisso porque sabe de fonte segura que eu só o fiz -- só falei de outras presenças -- para poder chegar ao 'ódio': os partidos.

 

os partidos que o alexandre considera que deveriam estar 'fora' do evento. eu, que não tenho a mesma má opinião que o alexandre tem dos partidos, que os vejo como organizações criadas para reflectir o espectro ideológico da democracia e para partilhar a responsabilidade da governação do país, e como tal não só fundamentais em si como, no caso, para a definição da posição do país face ao que se passa no irão, acho o contrário: esperava que num caso como este estivessem todos dentro, todos lá. sim, veja lá o alexandre: eu esperava que todos os partidos de representação parlamentar fossem unânimes na condenação da lapidação e das execuções no irão, e esperava que dignificassem e fortalecessem o protesto fazendo-se representar. incrível, não é?

 

pois. e estando à espera de os ver, reparei nos que estavam lá representados e nos que não estavam.

 

o alexandre, sabemos, acha isso um despautério. aliás, depreende-se que mesmo que todos os partidos tivessem estado representados, o alexandre acharia que ninguém deveria chamar a atenção para tal. a frase 'todos os partidos foram unânimes em condenar a lapidação' seria sempre para o alexandre inadmissível. 'partidarizaria' o que não era dos partido. assim uma coisa tipo 'sociedade civil' versus partidos -- com os partidos, essas excrecências, banidos para o seu lugar de margem, de coisa indesejada, de fora da cidade.

 

muito, muito interessante.

 

aliás, um erro, escrever ou dizer por exemplo sobre a presença de edite estrela  'edite estrela, eurodeputada do ps'. devia dizer-se talvez 'edite estrela, eurodeputada'. ou melhor ainda 'a linguista edite estrela'. ou mesmo, para não criar susceptibilidades, 'a mulher edite estrela', quiçá 'a pessoa edite estrela'. se calhar o relato sem 'ódio' era 'estiveram pessoas'. a presença de um membro do governo, então, deveria ser rigorosamente ignorada -- nem pensar em apontá-la e muito menos questionar a pessoa em causa sobre o significado de estar e a posição do governo sobre a matérioa: horror! partidarização! não! ódio, ódio!

 

mas o mais interessante de tudo, na minha odiosa opinião, é o ponto dois da 'argumentação' do alexandre homem cristo. 'a contagem das ausências não é inocente porque, mesmo que implicitamente, impõe sobre o ausente uma desqualificação moral'. ora bem, o alexandre acha que dizer que certas organizações não compareceram lhes impõe uma desqualificação moral -- o alexandre acha, portanto, que não ter estado é mau (deve ser isso que significa a 'desqualificação moral', não?). e portanto, decorre no raciocínio do alexandre, não é inocente dizer que não estiveram.

 

inocente seria então, depreende-se, tratar por igual quem esteve e quem não esteve; inocente seria, pelos vistos, escamotear, esconder, sonegar a informação sobre quem esteve e quem não esteve. censurar, será isso?, a informação sobre presenças e ausências, não vá alguém achar que quem não esteve devia ter estado. dizer a verdade é errado, então, porque 'partidariza'. e não partidarizar é, para 'não desqualificar moralmente' os partidos que não estiveram, para os proteger da sua ausência, fingir que não reparámos que não estavam. isso sim, é o contrário do 'ódio' e do 'egoísmo'. isto é toda uma forma, como dizer, fantástica, 'não partidarizadora' e 'inocente' de ver o mundo.

 

uma pessoa olha para o que o alexandre homem cristo disse e passa-lhe tanta coisa pela cabeça. por exemplo que o que ele talvez queira dizer é que eu, ou seja quem for que reparasse na ausência de representantes de primeira linha do psd, pp e pcp (sim, por decerto inocente distracção o alexandre só reparou na 'desqualificação moral' do psd e do pp, a do pcp passou-lhe ao largo), só o podia fazer por 'ódio' e 'egoísmo' porque, por alguma razão, não deveria esperar que o psd e o pp e o pcp estivessem nem surpreender-se por não estarem. nem devia, por decorrência da presença de representantes de outros partidos, interrogar-se sobre o porquê da ausência daqueles três e tentar encontrar motivos para tal.

 

note-se bem: nunca se pode colocar a hipótese de ter havido uma apreciação 'partidarizadora' do protesto por parte dos partidos que não estiveram representados; não se pode imaginar que possam ter achado que como não foram eles, esses partidos, a organizar foram outros (outros partidos, pessoas 'ligadas' a outros partidos) e se foram outros eles não podiam ir -- não, a sua ausência não pode ter qualquer leitura. é um campo cego, um não-acontecimento.

 

claro que não passa pela cabeça do alexandre homem cristo que não haja inocência nem na ausência nem na presença -- no sentido de que uma e outra responsabilizam, vinculam. claro que não passa pela cabeça do alexandre homem cristo perguntar-se sobre o motivo pelo qual nem no psd nem no pp nem no pcp houve interesse no protesto -- ao alexandre homem cristo, como todos os outros puros e indignados e sobretudo inocentes e nada partidarizados, não interessa ir por aí. é mais interessante acusar e julgar sumariamente e condenar quem olhou e viu e contou.

 

eu não devia ter visto. e se vi não devia ter contado. se calhar nem devia ter saído de casa.

 

e o ódio, claro, é todo meu.

Pág. 20/20

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