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jugular

apenso

um texto inspirado por isto parece ter, de súbito e semanas após a sua publicação original, na coluna 'sermões impossíveis' da notícias magazine, desencadeado um tsunami de reacções. devem-se, ao que julgo saber, a uma referência na revista sábado (vão-me desculpar, não tinha reparado e para ser inteiramente sincera ainda não reparei). descubro então que considero 'aceitáveis' e 'não aceitáveis' cores de pensos rápidos, que quero fazer uma revolução na indústria farmacêutica, mandar para o campo pequeno a malta dos adesivos, e assim. é claro (ou escuro, no caso). e que há, inclusive, uma noção intitulada 'excesso de igualdade'.

 

é. é isso. tal qual. mais penso* para vocês (não, não vou falar da perseguição aos cristãos, da destruição do natal e da discriminação dos homens brancos hetero com pêlos no peito): panos de pó, e batons, e isso. um mundo, hã?  só um pormenor: quando dizem 'penso rápido', não quereriam dizer 'penso lento' (isto na melhor das hipóteses)?

 

*

 

adenda: caro azeredo lopes, 'um mero apelo estético'? uma citação para si: 'le plus profond, c'est la peau'.

anti-liberdade

Em Portugal existem duas instituições das quais é como que interdito dizer mal. Qualquer crítica que lhes seja endereçada é refutada com o mesmo tipo de argumentos, que, na verdade, se resumem a um: a pessoa que critica deve ter (tem de ter) “um problema qualquer” com a instituição em causa, assim a modos que um trauma, uma mania persecutória, um complexo, uma fobia. É o chamado argumento da desqualificação do adversário, um argumento que se exime, assim, ao decretar o crítico como alguém com preconceito, parti pris, total ausência de isenção e equilíbrio face ao objecto em causa – ou seja, como maluquinho -, de apresentar propriamente ditos argumentos que contraditem as críticas.

 

Não é pequena ironia que as duas instituições em causa sejam historicamente consideradas como arqui-inimigas, porque o tipo de reacção que partilham em relação às críticas está longe de ser a única característica em comum. Na verdade, são praticamente gémeas. Da inquestionabilidade dos dogmas à declaração da infalibilidade dos respectivos líderes e modelos; da capacidade de negar a realidade e funcionar em universos paralelos à apologia da vitimização; da forma como lidam com as diferenças de opinião e com a liberdade de expressão (que não a sua de declarar as outras inexprimíveis, ou blasfemas) à cega obediência hierárquica e ao esmagar das dissensões; da monótona reprodução da doutrina à apresentação de um devir paradisíaco como justificação de todas as agruras e malfeitorias presentes, passadas e futuras. E continua: na pretensão de serem as legítimas protectoras, defensoras e intérpretes dos desfavorecidos; na detenção de uma lista de mártires como garantia de superioridade moral; no decreto de que são as únicas e inigualáveis detentoras da verdade e do bem – aliás, têm o exclusivo.

 

Sim, adivinharam: falo do Partido Comunista e da Igreja Católica (entendida no sentido da estrutura hierárquica e não na acepção, mais correcta e democrática, da assembleia dos fiéis). Vejamos, então: quem critica a IC é acusado de anti-clericalismo (se seguir uma religião que não a católica, o motivo será então a “concorrência” -- fundamentalista, claro); quem critica o PCP é rotulado de anticomunista, geralmente secundado pela expressão “primário”. Primário, pois, como em incipiente, em básico, em “sem pensamento”, “sem reflexão”, “sem motivo sério”. E “anti” como em fóbico, em raivoso, em de cabeça perdida. Nem pensar em gente que critique estas duas imaculadas instituições que não seja por raivinhas de dentes, como aquelas, sem outro motivo que o prazer de estralhaçar coisas, que dão aos cachorrinhos.

 

Se o vocábulo anti, colocado antes de racista, de fascista ou nazi acrescenta valor, já antes de comunista ou clerical pretende, pois, dar ares de doideira. O que nos leva à conclusão de que a percepção geral do clericalismo e do comunismo deverá ser, por qualquer motivo, favorável. Ora, clericalismo significa “corrente de opinião que pretende submeter a vida social, para além do aspecto religioso, à influência do clero; sistema de apoio incondicional ao clero” (assim uma coisa do tipo do que se passa no Irão); e o comunismo dos partidos comunistas, nomeadamente o português, é, até prova em contrário – ou seja, abjuração até hoje inexistente – aquilo que se passava na belíssima União Soviética, mais o que se passa nas insuperáveis Coreia do Norte e China. Parece pois mais ou menos óbvio – básico, mesmo – que qualquer pessoa que preze a liberdade só poderá ser resoluta e inquebrantavelmente contra semelhantes regimes ou ideologias. E que o facto de PC e IC usarem tais apodos contra qualquer crítico lhes devolve, em ricochete e ao cubo, a qualificação de primarismo, paranóia e falta de fusíveis. Além de assentar-lhes, como luva, a de anti-tudo o que não seja ámen.

 

(publicado na coluna 'sermões impossíveis' da notícias magazine de 24 de outubro)

Das asas da imaginação aos grilhões da ignorância

A contemplação do céu exerceu desde sempre um fascínio na humanidade que durante muitos séculos pretendeu primeiro entender e depois dominar as alturas. As «asas da imaginação» permitiram transpor a limitação que condenava ao chão o Homem que criou divindades como Mercúrio (ou Hermes) que tinha asas nos pés ou Thor, representado com um elmo alado, e heróis como Belerofonte, dono de Pégaso o cavalo voador. Como ilustram as asas de Ícaro, as máquinas voadoras de Leonardo da Vinci ou a Passarola de Frei Bartolomeu de Gusmão, muitos foram os que tentaram concretizar o que permaneceu um sonho até ao século XVIII e aos balões de ar quente dos irmãos Montgolfier.

No Irão, direito é uma disciplina subversiva

E continuam no Irão as reformas que pretendem asfixiar cada vez o pensamento crítico e livre dos seus habitantes, condenando-os ao isolamento intelectual e pobreza material a que remetem políticas desastrosas que têm por único objectivo transformar a sociedade iraniana num rebanho acrítico e acéfalo, obediente sem protestos aos delírios e barbaridades do shiismo mais fundamentalista e retrógrado.

 

Desta vez os alvos são as Universidades, antro de revolucionários que o regime se tem entretido a esmagar e disseminadores de pensamentos perigosos, como os direitos humanos e afins, aprendidos em cursos considerados contaminados pela podridão ocidental. Mais concretamente, os governantes iranianos acusam o Ocidente de tentar prejudicar o Estado islâmico, influenciando as gerações mais jovens do país com a sua cultura «decadente». Assim, anunciaram que vão cortar o mal pela raiz proibindo ou sujeitando a revisão as mais subversivas «disciplinas nas ciências sociais». Sem surpresas entre elas estão «direito, estudos sobre as mulheres, direitos humanos, sociologia, administração, filosofia …. psicologia e ciência política».

 

Can't get it out of my head

Quem não ficou já irritantemente preso a uma música, que muitas vezes nem sequer apreciamos ou detestamos mesmo, que não nos sai da cabeça por muito esforço que façamos? Os especialistas, sim há especialistas na coisa, dizem que os culpados são earworms (ou "ohrwurms", como são chamados na Alemanha). Não, estes vermes não são parasitas que se alojam no nosso ouvido musical e se reproduzem no nosso cérebro. São parasitas no sentido que se alojam na nossa cabeça e causam uma espécie de «comichão cognitiva» que, como numa picadela de mosquito, quanto mais coçamos mais comichão temos numa espiral de irritação porque, pelo menos a mim, a comichão «ataca» em alturas em que queremos descontrair.

A Casa do Gaiato

Recordando o que o Pedro Adão e Silva escreveu no Expresso da semana passada:

"(...) numa juventude partidária, quando a tática empurra as lideranças para um beco sem saída, há formas conhecidas para superar o problema: um discurso inflamado, que vira uma comissão política e serve para afirmar o carisma do líder; uma aliança improvável com um inimigo figadal da véspera ou uma alteração estatutária feita ad hoc. Ou seja, um conjunto de saídas que não estão disponíveis para alguém que procura ser primeiro-ministro. Ainda assim, esta semana, uma das saídas ensaiadas por Passos Coelho passou por uma emenda constitucional que permitiria realizar eleições em janeiro. Numa juventude partidária, a proposta seria levada a sério; no mundo dos adultos, quem faz tal proposta não pode ser levado a sério. O líder do PSD tem agido como se ainda fosse líder da JSD e hoje corre o risco de não ser levado a sério."

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