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jugular

Coisas que não deixam de ter a sua "piada"

“Os adolescentes hoje são colocados diante de certas situações, convidados e estimulados a certas experiências, depois temos aí o resultado. Acho que é hora de alertar as consciências e as pessoas deviam reconhecer que há caminhos que estão a ser percorridos, não só nessa área da questão do aborto, mas também na área das escolas, da educação sexual, que vão marcar a vida dessas adolescentes para todo o sempre”

 

Essas experiências são, presumo, experiências sexuais. Acho um bocadinho estranho que um alto dignatário de uma organização que considera que aos 14 anos uma miuda tem idade para casar (cfr Can. 1083 - § 1. do Código de Direito Canónico, de 1983) se mostre tão avesso a tais experiências que são, até ver, parte integrante do matrimónio para os católicos. Presumo que o que maça o senhor seja que as miúdas  possam, em vez de obrigadas a casar e parir como antigamente, continuar a ser miúdas.

 

Re: Miguel Botelho Moniz

Miguel,

 

1- Não sei donde retiraste a ideia de que eu o considerava que a entidade emissora de moeda é ou deve ser omnisciente. Mas o facto de me imputares essa afirmação diz muito sobre o modo como tu olhas para a economia e, por implicação, como julgas as posições dos outros. Como tu achas que a actividade de um banco central perverte o funcionamento de uma realidade ideal a que chamas mercado livre, interpretas a minha posição como se eu defendesse o inverso. Mas eu limito-me a defender a necessidade da existência de um banco central, o que é uma coisa totalmente diferente de dizer que a sua actuação é sempre correcta ou ideal. Podemos discutir se um banco central é, de facto, necessário. Mas isso é outra conversa;

 

2- Ao contrário dos monetaristas, não considero que a política monetária seja uma questão técnica passível de determinação objectiva. Eu digo outra coisa: para além de ser necessária, a política monetária é, como toda a política, falível. Isto só constitui uma limitação para quem tem a divindade como referência. Para quem sabe estar condenado a realidades terrenas, a política monetária é, a cada momento e de acordo com as regras e as práticas que estruturam a sua actividade, aquilo que os seus responsáveis consideram adequado. Como todos os juízos de natureza política, o just right é contestável e contém uma dimensão incontornável de descricionariedade. É por tudo isto que defendo que a actuação de um banco central deve estar sujeita a mecanismos de controlo democrático;

 

3 - As tuas três alternativas pressupõem que a moeda tem apenas efeitos nominais, nunca efeitos reais. Eu considero isto totalmente inadequado para abordar o funcionamento de uma economia moderna. A moeda só tem um papel fundamental na história do capitalismo porque não se limitou a ser um instrumento que facilita trocas não monetárias entre agentes;

 

4 - A moeda não tem de ter um valor intrinseco para ter valor. Uma moeda tem valor pelas funções que desempenha, não por representar, em si mesma, e independentemente dessa relação funcional, uma forma de valor. Já agora, surpreende-me que um subjectivista (os austríacos são subjectivista, certo?) considere que algo passível de ter valor intrinseco. Parece-me uma contradição, mas enfim.

 

5 - Para finalizar, não percebo em que medida é que esses gráficos constituem um argumento contra a minha afirmação de que não há uma relação causal entre expansão monetária e inflação. O simples facto de ser possível arranjar gráficos que dizem coisas diferentes desses (o Krugman tem publicado vários) só reforça o meu ponto, isto é, que a relação, mesmo quando existe, é contingente, não necessária. Já agora, convém dizer que uma política monetária expansionista não tem de implicar um crescimento do M2, pela simples razão que o banco central, por si só, não determina a oferta monetária.

aviso à navegação

Uma bela efígie e um "Bolivar, Libertador"; um brasão de armas, oito estrelas, dizeres habituais e data. Duas cores, dois metais, uma fisionomia, um toque e um peso muito familiares. "Um bolívar", moeda venezuelana. Descobri que uma moeda destas tem um valor incrível: 0,0001654 €, ou seja, são precisos praticamente 6045 bolívares para obter o valor de um euro. Uma única moedinha de cêntimo, das nossas, daquelas minúsculas, pequenas, inúteis, que só fazem peso no bolso, vale bem 60 exemplares deste belo espécimen numismático. Imagino o que será trocar um euro por 6045 moedas destas. Já me custa imaginar que 10 € podem ser trocados por mais de 60 mil exemplares. Dá para fundir o metal e enriquecer com a sua venda a peso, talvez para a nossa Casa da Moeda, quem sabe. Um excelente negócio de importacão. Se calhar estou a dar ideias a alguém. Espero que não. Porque a moeda é uma beleza e não o merece. E o trabalho investido na sua concepção, desenho e produção vale certamente muito mais.

E - perguntará alguém - porque é que se me afloraram pensamentos poético-bulionistas tão profundos? um síndrome de "mix crise primaveril"? um esquema de desenrascanço à portuguesa? Rui Tadeu, import-export? Não. Apenas isto: a moeda de 1 bolívar é igualzinha à nossa moeda de 1 euro. No peso, na cor, no tamanho (ligeiramente mais grossa), na textura, na imagem. Hoje, ao deitar a mão ao bolso, fiquei intrigado com a estranha efígie. Não é a primeira vez que dou por mim a tentar adivinhar "de que país será isto". Da Venezuela, desta vez. Pensei que não valesse muito, nunca imaginei que valesse tão pouco. Cuidado, portanto, porque se a moda pega, teremos mais uma salada para nos entretermos a desconfiar do vizinho e de quem nos passa pela frente. Já estou a ver o Cavácuo a ir buscar o discurso da "má-moeda", já estou a imaginar as teorias da conspiração: foi o consórcio Chávez-Ahmadinejad, para minar de vez os imperialistas, começando por um elo vulneravel e fragilizado; foi a CIA, para obter a submissão total mediante um golpe de teatro para incriminar os combatentes pela libertação mundial; foram os ciganos (não importa porquê, como e porque raio, porque são sempre culpados); foi o Teixeira dos Santos, porque assim rouba mais uns milhões para tapar o buraco; foram os judeus, os Illuminati, o ateísmo blasfemo; tudo culpa do aquecimento global ou do Sócrates; "só neste país", em suma, enfim, não é?

Adenda: post escrito num fim-de-tarde primaveril... fui enganado pelo conversor on-line que me deu a cotação do antigo bolívar e não do "bolivar fuerte" que é o que está em vigor e cuja moedinha me inspirou; e que vale, afinal, um pouco mais de 0,10 €. Pronto, fica o texto como um supônhamos. E faço minhas as palavras de D. João I, embora esteja fora do meu alcance mandar pintar pegas no tecto do blog...

Que fazer à Caixa?

Pedro Lains não é favorável à privatização da Caixa:

"Todas as contas feitas, as coisas não têm corrido mal. A Caixa é uma boa fonte de receitas para o Estado e uma boa fonte de política financeira, sendo ao mesmo tempo um banco como os outros. Privatizá-la, para quê? Só se for para pagar uma parte da dívida nacional. Mas isso seria bom?
"Objectivamente, não, pois seria uma parte diminuta da dívida e, mais importante, o que interessa não é tanto pagar a dívida, mas sim garantir que ela não volte a crescer como até aqui, o que deve ser feito obrigando os mercados a dar os sinais correctos, resultado que não seria seguramente ajudado por um resgate artificial. A história acaba sempre por absolver. Mas quem privatizar a Caixa vai ter algum trabalho em passar pelo crivo. Sobretudo agora, que a venderia com um grande desconto."

Por mim, admito que tenho dúvidas.

Concebo que a Caixa permaneça gerida pelo Estado contanto que possa ser um instrumento útil ao serviço de uma estratégia de desenvolvimento. Sucede, porém, que essa estratégia não existe.

Sublinho: não é que não seja conhecida: não existe mesmo. Sustento a minha convicção nas declarações públicas de administradores da instituição, segundo os quais se trata de um banco como qualquer outro. Mas, se é um banco como qualquer outro, que sentido fará permanecer sob controlo público?

Acontece que, na verdade, não é um banco como os outros. Desempenha o papel de muleta dos bancos privados num sentido por vezes nocivo ao interesse público e faz uns jeitos a grupos industriais poderosos, possivelmente cedendo a pressões governamentais. Estou a pensar, por exemplo, nas manobras que envolveram a compra de ações da CIMPOR a Manuel Fino.

De modo que a minha inclinação é a seguinte: ou se define uma orientação clara de promoção do interesse público de que a propriedade da Caixa seria um instrumento, ou privatize-se a dita - mas não agora, é claro, porque seria forçosamente mal vendida.

Recomendo um raciocínio similar para se decidir se faz ou não sentido privatizar-se a RTP, visto não podermos continuar a pagar por um serviço público que ou não existe ou é intoleravelmente exíguo.

Ao cuidado do Miguel Botelho Moniz

'Mobi.e vai ser exportado oara Xangai. O coordenador do projecto Mobi.e, João Dias, revelou hoje que "o Mobi.e foi o parceiro escolhido para montar o projecto de mobilidade eléctrica em Xangai", na sequência de um "grande interesse a nível internacional" que o projecto português tem despertado.' Jornal de Negócios Para um projecto 'virtual' não está mal

É sempre bom

Quando são as palavras do próprio secretário geral do PSD a fazer todo o trabalhinho. Depois de, no dia 24 de Março, Miguel Relvas ter assegurado que a Fitch é uma instituição 'sólida e respeitável', a mesma Fitch não só decidiu baixar o rating da República como até nos fez o favor de explicar porquê: 'o Orçamento ia no bom caminho para cumprir as metas prometidas", mas "a crise política minou a confiança de que estas venham a ser cumpridas" (aqui). Sólida e respeitável como é a Fitch, Miguel Relvas só pode concordar.

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