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jugular

dois meses e três dias

Na próxima sondagem, em vez de questionar as pessoas sobre em quem votariam se as eleições fossem nesse dia, era boa ideia perguntar se fazem ideia do que os partidos em causa propõem. Isto para perguntas simples, que permitem respostas sim ou não (ai se fosse possível pedir exemplos).

 

Dir-me-ão que, de um modo geral, as pessoas não sabem o que os partidos em que votam propõem. É certo. Quantos de nós leram programas eleitorais nestas três décadas e meia? Ainda me lembro da primeira vez que o fiz; foi o meu primeiro trabalho jornalístico de estagiária, em 1987. Percebi então que era possível concorrer a eleições com meia dúzia de banalidades (quanto não idiotices) como programa. Continua a ser. Continua a ser possível quase tudo - por exemplo, ver todos os partidos à direita e esquerda do PS, perante um governo demissionário e a meio de um ano lectivo, anular a avaliação dos professores sem ter nada para propor em substituição a não ser o vazio; sem fazerem nem quererem fazer ideia do custo que isso pode, num momento de aperto orçamental, significar (é o regresso às promoções automáticas que vigoravam anteriormente? É de novo o "somos todos iguais e podemos chegar todos ao topo da carreira"?); sem saber o que sucede com as classificações já estabelecidas (anulam-se?). Sim, é possível ver um partido como o PSD, que nesta encarnação já pugnou pelo fim da justa causa no despedimento, arrasar a possibilidade de classificação dos professores segundo o mérito e, mais, não querendo sequer saber os custos, financeiros e outros, disso. Dir-se-ia que o PSD não se imagina a governar, apesar de ser óbvio que o fez para chegar ao governo e que este foi, em termos simbólicos, o seu primeiro acto de governação (independentemente de vir ou não a ser governo). Dir-se-ia que o PSD se habituou de tal modo a ser oposição que sabe apenas ser contra, como o PS, habituado a governar com todos contra si, se especializou na resistência obstinada.

 

Precisamos e muito de muito melhor que isso, e não bastam apelos à verdade com maiúscula (sobretudo vindos de quem já provou que não faz ideia do que seja o respeito pela verdade); precisamos de sinceridade, de lealdade e de debate a sério. De ideias e não de acusações; de justificações e não de defesas. Não precisamos de cinco conferências de imprensa por dia; não precisamos de sound bites a propósito de tudo e de nada, de insultos e calúnias a toda a hora.

 

PS e PSD, porque é antes de mais neles que reside a responsabilidade, têm de perceber que estas eleições não podem ser um festival de ódios e paixões. Precisamos de serenidade. De factos, de explicações e propostas. De política - nobre, limpa, clara. A três anos dos quarenta, é tempo de celebrarmos uma democracia madura. Temos 64 dias para provar que a merecemos.

 

(publicado hoje no dn)

alegoria

"Can you tell me where my country lies?"

said the unifaun to his true love's eyes.

"It lies with me!", cried the Queen of Maybe

- for her merchandise, he traded in his prize.

 

"Paper late!" cried a voice in the crowd.

"Old man dies!" The note he left was signed 'Old Father Tagus'

- it seems he's drowned;

Selling Portugal by the pound.

 

Citizens of Hope Glory,

Time goes by - it's the time of your life.

Easy now, sit you down.

Chewing through your Wimpey dreams,

they eat without a sound;

Digesting Portugal by the pound.

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