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Shame on Qatar

Tenho estado de férias e com acesso limitado à net mas desde sexta que ando com esta história a bulir-me com os nervos. Como muitos outros estive a ver, meia distraída, a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos. Entre TV e respostas a perguntas de sobrinhos pequenos (estas coisas são sempre um bom exercício de geografia política) ia olhando para o twitter e a certa altura vejo um tuite de Dan Nolan que transcrevo

 

"Gee Qatar got really creative with their uniforms... Women in black, men in white, non-Qataris in team tracksuits"

Ajudada por uma boa alma (obrigada Ana Nicolau) consegui imagem ilustrativa deste tuite

 

 

Últimas das PPP

O Negócios de ontem, 2ª feira, esclarece que a chamada sobretaxa sobre as PPP poderá render ao Estado qualquer coisa entre 40 a 80 milhões por ano, ou seja, entre 0,044 e 0,022% do PIB.

Já estamos, portanto, em números próximos daqueles que há dias aqui alvitrei, e as dificuldades de concretização da iniciativa ainda nem foram tidas em conta. É que, ainda segundo o Negócios, o encaixe tem pouca expressão face às consequências negativas previsivelmente associadas . "duvidosa legalidade" da medida. Por outras palavras, preparem-se porque se calhar nem isso se consegue.

Para desfazer dúvidas, acho muito bem que o governo português faça tudo o que esteja ao seu alcance para reduzir outras despesas públicas que não apenas os vencimentos dos funcionários públicos. Mas é preciso desfazer a manobra de propaganda lançada por Passos, com a colaboração dos comentaristas independentes Marques Mendes e Rebelo de Sousa, segundo a qual as poupanças com a renegociação das PPP poderiam evitar o agravamento da austeridade em 2013.

O cidadão comum (mas também muitos outros que teriam a obrigação de andar melhor informados) foi levado a acreditar que as PPP representam uma parcela muito significativa tanto do PIB como do OE, por isso espera que da sua renegociação possam resultar drásticas reduções da despesa.

Já vimos que a primeira premissa não é verdadeira. Também não o é a segunda, pois que, na actual situação financeira, qualquer renegociação implicaria taxas de juro muito superiores às que foram inicialmente contratadas.

No final da semana passada, o governo fez saber que já teria renegociado a PPP da concessão do Pinhal Interior, obtendo ganhos muitíssimo significativos. O detalhe da notícia comprova, porém, que as economias apregoadas resultaram afinal de uma redução do âmbito tanto das obras programadas como da eliminação dos encargos de manutenção. O estado pagará menos porque receberá menos, não porque tenha havido alguma redução dos proveitos da empresa concessionária.

Fiquem atentos, que este filme decerto conhecerá nos próximos tempos novos e instrutivos desenvolvimentos.

Abertura dos JO

Durante séculos, o Reino Unido foi habitado por gente que trabalhava, divertia-se, fazia política e travava guerras.

Nas últimas décadas, o que por lá se passa reduz-se a show-business e celebridades, narrativa em que a realeza se enquadra na perfeição.

Um retrato genial e rigoroso.

E de novo de volta à licença de parentalidade

De novo, e como em 2010, foi com satisfação que vi, há poucos dias, a notícia de que 20% dos casais portugueses escolheram, em 2011, partilhar pelo menos 1 mês da licença de parentalidade. O crescimento é lento, é verdade, mas lembremos que a lei é muito recente e há domínios, como este, em que o peso das mentalidades conta muito.

 

Depois da satisfação vem o asco. Há bocado dou de caras com a seguinte imagem, tirada do Correio da Manhã:

 

 

Fernando Medina (tal Como Duarte Cordeiro, outro grande "faltoso", já agora) foi pai e gozou dias da licença de parentalidade que todos os cidadãos, deputados ou não, têm direito (e, até por poder funcionar como exemplo, devia merecer aplauso). Considerar que por isso merece uma seta para baixo, sem sequer se referir, junto da imagem, o motivo das "faltas" é demagogia reles que devia envergonhar um jornal decente (oops, é o CM, é verdade, decente e CM é binómio que não joga).

 

ADENDA: Fernando Medina, no Facebook, sobre este tema

manta rota

Foi há um ano, só. Um Passos Coelho de tronco nu "como qualquer português" (repórter da TVI dixit) no seu rés do chão enquadrado em alumínios, caniche ao colo, maravilha os portugueses com a sua "simplicidade". Alheias ao facto de o recém-empossado PM ter afirmado que o governo não teria "tempo para se sentar", as reportagens de TV e imprensa retratam o líder do executivo que acabara de confiscar meio subsídio de Natal a todos os portugueses (mesmo os que não recebem subsídio de férias, como estarão tantos a verificar agora, nas notificações de pagamento do IRS) como "o tipo porreirão" que "está aqui no meio do povo, um homem do povo e para o povo", "sem exigências especiais".

 

Podia ser só o retrato de um governante naïf , incapaz de perceber que por mais que quisesse manter "tudo igual", um tal grau de exposição era impossível de sustentar. Mas não: era o retrato de um governante naïf que pensou poder usar o estado de graça e a intimidade familiar para ganhar vantagem, exibindo uma ilusória proximidade com "o povo" e nessa exibição certificando a sua "seriedade"e "carácter genuíno". E, como vamos percebendo cada vez melhor, é o retrato de um homem que se decalca de um modelo tão nosso conhecido, cada vez mais reconhecível no discurso e na obstinação de destino. Na exaltação da pobreza como redenção, da modéstia como suprema qualidade, no balanço das contas como religião, Passos apropria-se (se é que disso tem consciência, mas se não tem é bom que se informe) do cerne do discurso salazarento.

 

Há, claro, quem considere que o uso deste qualificativo para um governante eleito democraticamente é um exagero e um insulto. Mas apelidar um discurso ou uma atitude de salazarenta não significa, é claro, dizer que o alvo da observação é antidemocrático ou visa impor uma ditadura; pode referir uma estética ou um referencial de valores. E muito mais relevante que a discussão sobre se Passos se inspira em Salazar é o que este seu discurso implica.

 

Para um primeiro-ministro que, com um ano de mandato, já logrou a proeza de ter falhado em tudo aquilo a que se propôs, com primazia para "o acerto das contas", que desdisse tudo o que era o seu discurso pré-eleições, cuja principal medida orçamental para este ano e seguintes é ilegal e que se depara dia após dia com o efeito da descredibilização, o fechamento na retórica providencial, que é também e sobretudo uma forma de vitimização, parece ser o último recurso.

 

Ele só quer salvar o País, a tal ponto que se está "a lixar para as eleições" (escapa-lhe, parece, que em regimes democráticos só se consegue "salvar o país" se eleito). Ele sabe muito bem para onde vai, mesmo se nos seus já famosos improvisos troca os passos a si mesmo: "Não se pode dizer que estamos a tomar demasiado remédio para a febre e ao mesmo tempo que a febre sobe mais do que é suposto com o remédio. Alguma coisa aqui não bate certo."

 

Não bate, não. Esfarrapado o "projeto", só resta mesmo a Passos este farrapo de discurso.

 

(publicado hoje no dn)

Picuinhices

 

Segundo a jornalista-mirim cá de casa, a asneira terá começado num artigo do El Pais de terça ou quarta-feira, aí era dito que este ano todas as delegações olímpicas tinham representação feminina. Fomos observando, divertidas, a forma como todos os media, com excepção do DN de quarta-feira passada (cfr imagem supra), repetiam a mesma informação sem se darem ao trabalho de confirmar. Concedo que que deve ser chato abrir os sites das delegações um a um mas, em particular, quando o tema dá mote ao editorial de um jornal, caso do Público de hoje ("Pela primeira vez, há mulheres nas delegações de todos os países participantes. É uma vitória"), valia a pena estar-se 100% correto do que se afirma. E já nem era necessário ir a todas as delegações, bastaria estar atento à "concorrência". O artigo do DN referido acima ocupava quase toda a página central do jornal desse dia, dificilmente passava despercebido. O Nauru será um país completamente deconhecido, o mais pequeno dos participantes, é verdade, mas existe, tem delgação e nenhuma mulher...

Retrato de um sempre-em-pé

A extensa biografia de Miguel Relvas, hoje publicada na Visão, é um trabalho notável de Miguel Carvalho. Nele começamos por saber que Relvas nasceu no dia 5 de Setembro de 1961 em Lisboa, embora os pais se tivessem conhecido em Portalegre. O pai, João Relvas, é hoje lembrado pela revolução cultural que promoveu no emblemático café Alentejano: «renovou a frasqueira e o serviço de pastelaria e ofereceu música de dança às quartas-feiras». Estas quartas-feiras de chás dançantes do Alentejano representaram «uma sacudidela nos costumes» de Portalegre, testemunhada por figuras como José Régio, Mourão-Ferreira e Branca Cassola, com quem João (Relvas) viria a casar.

Aos 13 anos Miguel Relvas foi inscrito no Colégio Nuno Álvares em Tomar. «O estabelecimento, um dos mais prestigiados do país, albergava malta do Minho a Timor». Por este Eton do Ribatejo terão passado, para além do jovem Relvas, o actual chefe da casa civil de José Eduardo dos Santos e o historiador Vasco Pulido Valente. No colégio, Relvas «andava sempre de volta dos professores, insinuava-se», o que revela bem que a sua vida foi mesmo «norteada pela permanente procura do conhecimento». Do conhecimento e dos conhecimentos. De acordo com Miguel Carvalho, Relvas manda «postais de boas festas e cartões de aniversário aos militantes. Telefona a confortar os que estão doentes, foram internados ou perderam familiares». A biografia revela-nos também um «grande facilitador» - aquilo a que em ciência política, domínio que Relvas conhece bem, se chama um gate-keeper. A história de Fernando Patrocínio é uma entre muitas. Segundo vários testemunhos, Fernando Patrocínio «representa para Tomar o que Sócrates significou para Atenas». Ou seja, é o sábio da aldeia. Patrocínio quis patrocinar a causa dos trabalhadores da fábrica Mendes Godinho: «Fui ter com ele ao Parlamento e ele abriu-me as portas para o Mira Amaral e o Laborinho Lúcio. Encaminhava, pronto». Como diz João Moura, antigo líder da JSD/Santarém, Relvas «é o verdadeiro doutor honoris causa da política».

Relvas foi sempre «dos últimos a deitar-se e dos primeiros a acordar». Talvez por isso, na sua já longa carreira política, até chegar a ministro-adjunto, só por duas vezes se viu em apuros. A primeira foi em meados dos anos 90, quando presidia à Comissão Parlamentar de Juventude. Embora alguns colegas do PSD assegurem à Visão que «os seus discursos tinham ghost-writers de peso», a verdade é que o discurso proferido pelo deputado Miguel Relvas no estabelecimento prisional de Coimbra não começava da forma mais adequada: «Quero agradecer esta oportunidade: é sempre bom conhecer os presos no seu habitat natural». Seguiram-se anos de justificado silêncio parlamentar. A segunda vez foi pouco tempo depois, no caso das «viagens fantasma». Para «embolsar o dinheiro das deslocações entre Lisboa e o seu círculo eleitoral», Relvas terá dado aos serviços da Assembleia da República a morada «de uma vendedora de fruta no mercado». A vendedora, antiga colega de escola, naturalmente não gostou, mas Relvas nunca se atrapalha: «Desculpa, não era para tua casa, era para a senhora da frente». Assunto encerrado. António Tavares, antigo secretário-geral da JSD, conhece-o bem: «É persistente e resistente. Um sempre-em-pé».

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