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jugular

Confrangedor

A simples ideia de "livro proibido" é uma total aberração. Se lhe juntarmos os livros de autores portugueses que constam da lista dos de leitura proibida (ou só autorizada mediante circunstâncias particulares) torna-se uma aberração patética. Exemplos no campo da não ficção: A Revolução de 1383 de Borges Coelho, Breve Interpretação da História de Portugal de António Sérgio, Portugal Amordaçado de Mário Soares e História da Literatura Portuguesa de António José Saraiva e Óscar Lopes. Estas pessoas são completamente avariadas da moleirinha...

Este gajo é parvo ou faz-se?

«"A única coisa que quero é que ponham aquilo que eu disse", afirmou o secretário-geral da CGTP. O líder sindical insistiu em que as suas palavras fossem transcritas com exatidão: "O que eu disse foi que em Fevereiro regressam os três reis magos, dois brancos e um escurinho (...)». Onde está a adulteração de que Arménio Santos se queixa? O melhor mesmo é pintar a cara de preto com graxa dos sapatos.

Voltando ao tema

A Shyz já aqui o tinha trazido e, mesmo continuando sem ter acesso à sentença e respectivo despacho (se alguém o conseguir agradecia a partilha) não posso deixar de me espantar, e irritar, com o que é dito na nota de esclarecimento da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, nomeadamente com isto (sublinhado meu): "Esta decisão, que refere que a mãe efectivamente não procedeu à laqueação das trompas (o que traduziu uma violação de um compromisso assumido em acordo de promoção e protecção), não determinou a confiança dos menores a uma instituição por essa razão. A decisão foi tomada em virtude da incapacidade dos progenitores em garantir às crianças condições de vida minimamente adequadas, pelo que estas se encontravam em perigo.".

 

Posto isto só posso dizer que, de facto, é isto mesmo.

 

Adenda: Afinal parece que não é mesmo possível ler a sentença por razões óbvias, fico a aguardar.

qual é a pressa

Seguro deu no fim de semana uma entrevista ao DN. Quem nela buscasse perceber como foi possível "abster-se violentamente" no OE 2012 e recusar o respetivo pedido de fiscalização da constitucionalidade e agora votar contra o OE 2013 e subscrever, em relação ao mesmo, um pedido de fiscalização que incide sobre normas que são um prolongamento das do OE 2012 (e que mereceram "chumbo" do Tribunal Constitucional) ficou na mesma. Seguro não só nada disse sobre isso, como em relação ao que é a grande novidade do OE 2013 em relação ao anterior, o brutal aumento de impostos sobre os rendimentos do trabalho, respondeu que não está em condições de "prometer aos portugueses diminui-lo" caso seja primeiro-ministro.

 

Poderá haver boas razões para esta resposta - por exemplo, não saber em que estado lhe chegariam às mãos, a chegarem, as contas públicas. Mas, a crer na versão escrita da entrevista, Seguro nada acrescenta. E como logo de seguida afirma "não aceito que se pisem linhas vermelhas" e "quando há convicções não se hesita nem há nada que nos condicione", tem de se concluir não vê uma "linha vermelha" entre considerar o OE 2013 "o maior aumento de impostos da história", votar contra ele e mantê-lo. O que será, ao certo, "ter convicções" para António José Seguro?

 

Na dúvida, os entrevistadores perguntam se não evitará prometer, para não se comprometer. Indigna--se: "Não é verdade. No site do PS estão lá todas as promessas que fiz e faço." Ala para o site do PS, então. Existe de facto uma página com "compromissos" e outra com "propostas". Na primeira, cuja última entrada é de agosto, encontram-se coisas bonitas como "criar condições objetivas para a conciliação da vida política e familiar", "fim dos offshores" e "manutenção de diálogo constante com os sindicatos". Na segunda, dividida por áreas, tem-se desde logo a surpresa de descobrir o banco de horas, a extinção dos feriados e as razões para despedimento na área "Estado social". E que na Educação se propõe "o estabelecimento de um número máximo de alunos por turma para garantir a qualidade no ensino", sem dizer qual e aparentemente desconhecendo que já existe um número máximo de alunos - aumentado por este Governo. Já quanto ao "prazo de consolidação das contas públicas", o PS "propõe um maior", porque "a austeridade poderia assim ter impactos menos violentos." Qual prazo? Adiante. Só na secção OE 2013 se encontra algo que se pareça com alternativas concretas - mas sem contabilização em medidas como "taxa de solidariedade sobre as PPP" e "sobretaxa sobre a produção hidroelétrica e termoelétrica".

 

Pode um partido cujo líder considera que o Governo não tem legitimidade por estar a fazer tudo ao contrário do que prometeu, acusando-o de destruir o País, dar-se ao luxo de tal imprecisão e trapalhice? Achará que não precisa de apresentar contas, ou que ainda é cedo?

 

(publicado sexta no dn)

o triunfo dos porcos, por mário nogueira

'ñ estou a dizer, porq seria tolo, q o acidente teve alguma coisa a ver c isto agora a forma como a polícia agiu neste caso, retendo os autocarros e fazendo fluir o resto, sinceramente. porq bastaria q tivessem ao abrir a pasagem d separadores na autoestrada q pudessem ter passado 1º os autocarros.'

 

considera q isto foi d propósito, pergunta a repórter, para q os prof ñ pudessem vir à manif?

 

resposta: 'ñ, ñ considero q fosse d propósito, até porq s calhar o gov ñ tinha dinheiro para comprar um carro d porcos e atirá-los ali para o meio. agora aquilo... ñ quero dizer q foi d propósito mas foi estranho'

 

mário nogueira, à sic not, a tentar explicar porque é que a manif dos profs foi com os porcos. trancrição feita por mim para o twitter

Memória e humor inadvertido

As imagens das notícias que mostro acima estão à distância de um clic (a primeira do Público, a segunda do Dinheiro Vivo) e há 6 anos e 1 mês a separá-las...  e muita incoerência, como é óbvio . Acrescento que quer num caso quer noutro acho perfeitamente lícito que o governo use dos mecanismos que tem ao seu dispor para defender a sua posição, o que me chateia - e diverte, confesso - são os double standard.

Troika forever

O quase simultâneo "regresso aos mercados" (designação ambígua servida à opinião pública) de Espanha, Irlanda e Portugal marcou uma nova viragem na zona euro com consequências vastas, duradouras e difíceis de entender.

Convém por isso que tentemos compreeender o que de facto mudou.

A primeira transformação é da ordem do simbólico, com imediatas repercussões no contexto político. Como uma parte substancial dos opositores e dos comentadores cépticos apostou abertamente na impossibilidade de Portugal "regressar aos mercados" em Setembro de 2013, é inevitável que o governo disfrute deste momento de glória para argumentar a favor das escolhas que fez nos últimos 18 meses.

Há, por conseguinte, uma vitória clara do governo, faltando saber-se quanto tempo ela resistirá à inevitável constatação de que vêm aí mais desemprego, mais recessão e mais penalizações para os pobres e para a classe média. Há também uma vitória para Durão e para a Comissão Europeia, que não se têm cansado de anunciar que a crise do euro está "ultrapassada". Finalmente, também Merkel reforça a sua imagem interna de chanceler que evitou uma pesada factura a pagar pelos contribuintes alemães. O maior vencedor, porém, foi o Banco Central Europeu.

Para Portugal, Espanha, Irlanda e Itália nada de substancial mudou. Na verdade, até piorou um nadinha, quando substituiram dívida mais barata por dívida mais cara só para se gabarem de poderem financiar-se directamente nos mercados.

Mas a questão fulcral, como o Ministério das Finanças prontamente fez notar, é que a austeridade não será de forma alguma aliviada. Convém perceber porquê. A melhoria da situação na zona euro, anunciada pela drástica e rápida descida dos juros das dívidas soberanas nos mercados secundários, em nada se deve a um progresso nos países mais fragilizados no que toca aos seus défices, às suas dívidas e às suas perspectivas de solvabilidade - bem pelo contrário.

Qualquer observador isento reconhece que o que fundamentalmente mudou foi a atitude do BCE (mais precisamente desde o Verão passado), ao anunciar que não hesitaria em intervir directamente em socorro dos países em dificuldades para assegurar a salvação e a integridade da zona euro. Espanta um bocadinho como essa promessa foi considerada credível, mas a verdade é que foi mesmo.

A contrapartida desta mudança de política, assumida por Draghi contra a inepta herança de Trichet, é que o apoio do BCE está agora directamente dependente da avaliação que o banco central faz da bondade das políticas orçamentais anuncidas pelos estados, sem necessidade da presença directa de troikas ou da assinatura de memorandos de entendimento.

Este novo método foi experimentado com êxito na Itália e na Espanha. Tem, para os respectivos governos, a grande vantagem de evitar a entrada de um corpo expedicionário de ocupação financeira (vulgo troika) e a explicitação de condições humilhantes e ofensivas para o patriotismo dos indígenas.

Mas tem também o grandíssimo inconveniente de ser menos transparente, mais discricionário e virtalmente perpétuo. A submissão temporária aos ditames da troika que calhava em sorte a cada país e que era reduzida a escrito num documento minimamente fundamentado e negociado foi desde agora substituída por outra permanente e ilimitada, de tal modo que cada país fica à mercê das declarações públicas de Draghi favoráveis ou desfavoráveis, ou mesmo, quando isso lhe der mais jeito, de um mero telefone ao respectivo ministro das finanças.

Ademais, estamos perante uma transferência de poder e de soberania da Comissão Europeia para o BCE. Não era bem deste tipo federalismo comandado por banqueiros que estavam à espera, pois não?

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