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jugular

Mudança de política de resgate na UE?

Quando os bancos gregos, irlandeses e portugueses enfrentaram dificuldades era preciso protegê-los porque deviam muito dinheiro a bancos alemães, franceses e austríacos.

Idem, pelas mesmíssimas razões, quando a crise ameaçou de insolvência alguns bancos italianos e espanhóis.

Quando os bancos alemães, franceses e austríacos reduziram significativamente a sua exposição à Grécia, avançou-se para um perdão de cerca de metade da dívida soberana grega, porque isso já não os afectaria.

No mesmíssimo dia em que isso foi decidido, a banca cipriota, muito exposta à dívida grega, ficou automaticamente insolvente apesar de, curiosamente, ter passado todos os stress tests anteriormente realizados.

O pedido de resgate de Chipres esperou quase 9 meses por uma resposta da UE.

Quando finalmente chegou, o bail-out passara a bail-in: em vez de uma penalização dos devedores, propunha-se uma penalização dos credores.

Alguns ingénuos saudaram esta inovação como uma mudança de política no sentido certo. Afinal, não é justo que o custo do reajustamento recaia inteiramente sobre os devedores, quando os credores são tão ou mais responsáveis.

Há aqui um completo equívoco, pois, na verdade, não ocorreu nenhuma mudança de política.

A política permanece inalterável, e pode ser assim caracterizada: quando a situação ameaça directamente os bancos do centro, os devedores são penalizados; quando a situação não ameaça directamente os bancos do centro, os credores são penalizados, pois assim os países do centro não terão que garantir o financiamento de emergência e o BCE não assumirá encargos adicionais.

Entendido?

check this

coisa gira d todo este afã de fact checking do sócrates: ninguém q eu tenha reparado pôs em dúvida a afirmação sobre a conspiração d cavaco
ou seja: parece q ñ há meio de comunicação q ñ reconheça q houve 1 conspiração do pr para prejudicar 1 gov legítimo. é obra

a cena gira é como é q estando todos d acordo sobre a existência da conspiração, a deixaram passar sem mais.


somos um país mm especial.


(em simultâneo no twitter)

Mudar de política face à troika

Pedro Lains perguntou certa vez porque raio é que a delegação da troika é instalada no Ritz de cada vez que vem a Lisboa.

Este comentário aparentemente anódino faz todo o sentido, e entendo que faz sentido explorar um pouco esta via de questionamento. Não sugiro que se deva hospedar a troika numa qualquer Pensão Estrela num bairro de má nota, mas parecer-me-ia bem levá-los para um hotel decente mas económico, como convém a um país a atravessar uma fase de grandes apertos.

Pergunto-me também porque se vai recolhê-los ao aeroporto e transportá-los para as reuniões em carros de luxo de alta cilindrada, quando uma ou - vá lá - duas viaturas militares fariam perfeitamente o serviço.

Depois, aposto que durante as reuniões há pausas para café acompanhado de biscoitinhos dinamarqueses. Da próxima vez, deveria eliminar-se a benesse e, quando eles perguntassem pelo cafezinho, ficariam a saber que os cortes em pessoal auxiliar determinaram a eliminação dessas mordomias. Quem tiver muita sede, poderá ir à casa de banho servir-se de água da torneira. Em alternativa, faz-se uma pausa para ir até ao café da esquina e cada um pagará a sua despesa.

O ar condicionado passaria também à história, dando-se como exemplo a inovação do Ministério da Agricultura, onde os funcionários foram convidados a tirar a gravata no Verão. E no Inverno? Traz-se de casa um casaquinho de malha e um cachecol, e está o caso resolvido.

Ao contrário do que alguns poderão estar a pensar, não estou a brincar. O domínio das técnicas de negociação é tanto mais indispensável quanto mais frágil for à partida a nossa posição. Criar situações de desconforto ao adversário, sobretudo se subtis e de algum modo justificáveis pelas circunstâncias colocam-no a ele numa situação psicologicamente desgastada. Isto não mata, mas mói.

Por último, faz-lhes ver que não estão perante gente submissa e que, portanto, terão que preparar-se para enfrentar desafios potencialmente desagradáveis. Mudar de atitude em relação à troika começa por coisas pequeninas como esta.

Muito mais haveria para dizer, mas isso fica para outro dia. Fim da primeira lição.

Como é dia santo

 

A chegada de Chávez ao paraíso ("Un spot diffusé sur une chaîne progouvernementale montre l'accueil réservé à l'ancien président Hugo Chavez par des illustres personnages lorsqu'il arrive au Ciel : on peut y reconnaître le président socialiste chilien Salvador Allende, Evita Peron, l'égérie des descamisados, les déshérités d'Argentine, Ernesto Che Guevara, le "guérillero héroïque", le Nicaraguayen Augusto César Sandino, et bien entendu Simon Bolivar, le patriarche de l'indépendance sud-américaine." daqui)

a escol(h)a de esther

conheço há muitos anos, de a ler, de a entrevistar e de a seguir na sua intervenção pública, esther mucznik. não concordo sempre, e talvez nos últimos anos quase nunca, com ela, mas confesso que nunca pensei ler, da sua pena, o que hoje li.

 

esther mucznik é judia. não precisava de ser judia para se indignar com a banalização da imagem de hitler que descreve na sua coluna - como eu não preciso de ser judia para me horrorizar com a perseguição dos judeus, por hitler ou antes e depois dele, como não preciso de ser negra para me horrorizar com a escravatura e a renitente discriminação dos negros, como não preciso de ser homossexual para me horrorizar com a homofobia, como não precisaria, creio, de ser mulher para me revoltar contra o machismo. basta ser humana -- no sentido de comungar da mesma natureza e me sentir nela igual a toda a gente, e só aceitar julgar os outros em função das suas acções e ideias e não da sua cor, 'pertença' étnica, orientação sexual, género. 

 

ainda assim, gostaria que aquilo que vou dizer fosse dito por um judeu. não porque hitler só tivesse perseguido judeus, mas porque perseguiu sobretudo judeus, e é essa perseguição monstruosa que mais e melhor o define.

 

como o que mais e melhor define os judeus é terem sido perseguidos em praticamente todas as eras e paragens -- continuando a sê-lo em coisas tão permanentes e simbólicas como a língua (e falo do português, por exemplo) -- criou-se a ideia, injusta e estúpida, de que os judeus são, apenas por serem judeus, obrigados a uma espécie de superioridade moral, a uma capacidace específica, muito acima da dos gentios, de distinguir o bem do mal.

 

neste texto extraordinário, esther mucznik, de uma penada, demonstra-nos como isso é injusto.

 

aqui temos uma judia, ainda por cima a perorar sobre a inadmissibilidade de banalizar o mal, a frisar que temos não só o direito mas sobretudo o dever de reagir com indignação a uma imagem 'cómica', 'normalizadora', de hitler num cartaz de uma escola, operando logo de seguida uma banalização absoluta desse símbolo ao comparar a indiferença risonha com que alguns lidam com a imagem do algoz racista e metódico de milhões de pessoas e o facto de um ex-primeiro-ministro ter sido convidado para dar uma entrevista e fazer uns comentários na tv.

 

sim: é isto mesmo. esther mucznik, a representante mais conhecida da comunidade judaica portuguesa, diz-nos que devemos indignar-nos tanto com a entrevista e os comentários televisivos de josé sócrates como com a utilização normalizadora da imagem de hitler. onde fica, no meio disto, o respeito pelos seis milhões de judeus assassinados, pelas aldeias inteiras arrasadas, pelos pogroms onde se queimaram pessoas vivas, pelas câmaras de gás? não faço ideia. 

 

'a estrada de auschwitz foi construída pelo ódio, mas o seu pavimento foi a indiferença', diz esther, citando ian kershaw. tomo a liberdade de acrescentar a estupidez. porque o ódio é acima de tudo estupidez. e porque a indiferença é acima de tudo estupidez. e porque só a estupidez permite que alguém escreva um texto destes, e o publique, sem perceber que está a exemplificar exactamente aquilo que supostamente pretendia combater. e que o facto de um jornal o dar à estampa é o exemplo perfeito da tolerância estúpida que a autora tão bem descreve: 'em nome de uma liberdade de expressão, tão instrumentalizada quanto pervertida, não se entende que sem ética nem moral esta não passa de um relativismo esvaziado de sentido. sob a cómoda e aparentemente tão tolerante expressão “cada qual é livre de dizer o que quiser” esconde-se na maior parte das vezes a indefinição ética, a recusa tacticista de tomar partido, a indiferença e a contemporização com o inadmissível.'


não, não me entendam mal; eu não defendo que esther mucznik não pudesse publicar este texto no público, ou que o público recusasse publicá-lo. é esther que o defende, ao dizer que nem tudo pode ser publicado, nem tudo pode ser dito, nem todas as pessoas podem falar. é esther que se arroga escolher entre quem pode falar, quem tem direito a existir publicamente, e aqueles a quem não reconhece esse direito. 


eu só acho que este texto, por escarnecer das vítimas de hitler, é inadmissível, revoltante, obsceno. só acho que este texto fere brutalmente a minha sensibilidade como pessoa igual às pessoas que foram tratadas pelos nazis como coisas, menos que coisas, filmadas enquanto caminhavam para a morte, obrigadas a sofrer todas as indignidades antes de serem finalmente 'terminadas'. não preciso de ser judia para me sentir judia de cada vez que vejo essas imagens, leio esses relatos, relembro a história. 


mas, até por tudo isso, porque tudo isso foi e pode sempre voltar a ser, ainda bem que este texto foi publicado: há mais na escola de esther mucznik. é bom que tenhamos disso consciência. 

 

Liberdade como não-dominação

"Those who depend on the charity of the wealthy are in no position to command respect and assume the status that goes with freedom as nondomination"

 

Philip Pettit

 

Podia ser sobre o discurso neo-assistencialista caritativo da direita, mas também pode ser sobre Chipre. Essencialmente, é sobre a luta por um conceito e uma prática de liberdade que sirva para alguma coisa.

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