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Sucesso a martelo

Os defensores da estratégia da austeridade e das chamadas reformas estruturais embandeiraram em arco quando viram as últimas previsões do Banco de Portugal (BdP). Neste jornal, António Costa, ufano, chegou mesmo a escrever que a economia tinha regressado, mas, agora, mais equilibrada e sustentável e sem os desequilíbrios externos que (alegadamente) nos trouxeram até à 'troika'.

Um sucesso que justifica todos os disparates que se escreveram sobre o manifesto dos 74 e que nos permite olhar para o futuro com otimismo, sem necessidade de pensar em alternativas, que, como mostram as previsões do BdP, se tornaram desnecessárias. Esta história seria, sem dúvida, edificante, não fosse não fazer grande sentido.

Não sei que números é que António Costa viu, mas não foram seguramente os do BdP, porque o que o BdP nos diz é que, em termos de crescimento e do seu perfil, o pós-‘troika' não é melhor que o pré-‘troika', antes pelo contrário. No período 2000-8, a economia cresceu, em média, 1,3%, o contributo da procura interna foi 1,3% e o da procura externa líquida 0%. No triénio 2014-6, o BdP prevê que a economia cresça, em média, 1,4%, o contributo da procura interna seja 1,3% e o da procura externa líquida 0,1%. Tendo em conta que o desemprego e a dívida pública em percentagem do PIB são mais do dobro do que eram no período pré-‘troika', que o investimento caiu mais de 30% nos últimos 3 anos, torna-se difícil, para não dizer impossível, olhar para estes números e vislumbrar o tal sucesso económico que permita encarar o futuro com otimismo.

A tão falada transformação estrutural pura e simplesmente não existiu. A suposta marca do crescimento mais equilibrado e sustentável - o facto do défice externo ter sido eliminado - não se deve a qualquer transformação qualitativa da economia portuguesa, deve-se, isso sim, ao facto do PIB estar ao nível do que estava em 2000, do desemprego estar acima dos 15% e das importações terem caído a pique. Ou seja, tirando a destruição causada pela austeridade, nada de estruturalmente positivo foi construído. O alegado sucesso depende, pois, da manutenção da recessão e do desemprego, porque, quando vemos o crescimento económico regressar, este não só tem taxas de crescimento muito semelhantes ao período pré-crise, como tem exatamente o mesmo perfil. Por outras palavras, quando o PIB recuperar da destruição dos últimos anos, o desequilíbrio externo regressará.

Se olharmos para previsões anteriores do BdP, o que mudou foi que, súbita e misteriosamente, o crescimento económico do pós-‘troika' deixou de assentar na procura externa líquida, tendo a procura interna voltado a ser o motor (exclusivo) da economia... como no passado. Não deixa de ser bizarro ver instituições que sempre disseram que o único crescimento sustentável era o que assentava na procura externa líquida, e que previram que as reformas estruturais assegurariam esse perfil de crescimento no pós-‘troika', virem agora, quando nos aproximamos do fim do programa da ‘troika', celebrar a negação de tudo isto. A explicação para esta pirueta é simples: o BdP (e o Governo e o António Costa) decidiu decretar que este programa tinha de ser um sucesso. Se necessário, um sucesso a martelo e ao arrepio de todos os factos. É o caso.

(artigo publicado no Económico)

de como a verdade pode vir da boca de um secretário de estado alucinado -- ou como pelo tuite se lombam os maçães

o twitter do secretário de estado bruno maçães já se tornou um must -- pese embora o pequeno problema de o governante bloquear toda a gente que o interpela sobre o que diz (incluindo esta vossa criada). e diz, como já sabemos, coisas fascinantes, como 'todos os dias nos lembramos do quanto 35 anos de hegemonia socialista em portugal prejudicou o país. felizmente agora podemos dizer que esses dias acabaram'. 

 

há 8 dias, o moço dizia que 'portugal está no caminho de repetir a bem sucedida conversão da alemanha de 'doente da europa' em competitivo campeão do crescimento' e que 'a alemanha em 2003/2005 e portugal 2011-2013 os melhores dois exemplos de reformas estruturais bem sucedidas':

 

e, num tuite que retuitei há pouco, afirmava: 'por que haveria alguém confiar nos partidos socialistas responsáveis pela maior crise desde os anos 30?':

 

portanto, segundo este membro do governo português, a maior crise desde a grande depressão causada pelo crash da bolsa de nova iorque em 1929 foi causada 'pelos partidos socialistas' -- os tais que mandaram em portugal nos últimos 35 anos -- e não, como gente estúpida em todo o mundo poderia ser levada a crer, pelo crash de 2007/2008 -- de novo -- na banca americana, com a falência do lehman brothers

 

mas o melhor são talvez dois tuites de hoje, em que o insuperável maçães nos explica que 'as trasferências sociais foram muito mais eficientes na redução do risco de pobreza em 2012 que em 2010' e que, portanto (?) 'é de enorme importância ver como o estado social em portugal se tornou mais e não menos eficiente durante a crise'.

 

nem nos vamos deter no facto de, como já todos os especialistas apontaram, e o próprio ine frisou, tendo o limiar de pobreza definido descido contabilisticamente devido ao facto de os rendimentos médios terem descido, ou seja, o valor fronteira para o risco de pobreza estar desde 2011 mais baixo do que era em 2009, menos pessoas ficam, artificialmente, 'acima' do limiar em 2012 do que estavam em 2010. isto é a (já) normal ultilização desonesta das estatísticas, tanto mais desonesta e escandalosa quando a severidade da pobreza aumentou brutalmente nos últimos dois anos.

 

vamos só reparar em que maçães, nesta sequência de tuites em que como portas na sexta feira no parlamento tenta provar que o seu governo fez mais pelos pobres cortando-lhes o rendimento social de inserção e o complemento solidário para idosos e empobrecendo voluntariamente o país com austeridade selvagem que o governo anterior (que por exemplo criou o csi), acaba por afirmar que a crise corresponde, não já, como afirmara antes, ao 'reinado' (?) 'dos partidos socialistas', mas ao período do seu governo. se crise é 2012 e não 2010 (quando começa, na sequência da crise económica e financeira mundial, a crise das dívidas soberanas na europa), então crise é o governo psd/cds-pp. 

 

a verdade sai da boca das crianças, costuma-se dizer. parece que mesmo das alucinadas.  

 

 

 

 

 

 

Há 40 anos, em 29 de Março de 1974, um concerto premonitório, no Coliseu de Lisboa, terminou com a canção «Grândola» cantada em uníssono

'Grândola Vila Morena', cantada em pé por artistas e público do Coliseu, em 28 de MArço de 2014 Fotografia © João Girão/Global Imagens (Diário de Notícias, 29/3/2014)

 

Ontem, um concerto no Coliseu dos Recreios, evocou, num espectáculo organizado pela Associação José Afonso, um concerto realizado em 29 de Março de 1974. Estive lá. Hoje publico um excerto do meu livro História da Oposição à Ditadura 1926-1974 (Ed. Figueirinhas, 2014), pp. 595-596

 

«Em Portugal, já se estava então a viver, embora não fosse evidente à época, uma situação reveladora de que o regime tinha perdido a batalha pela hegemonia ideológica, iniciada nos anos trinta e prosseguida no pós-II Guerra Mundial, a favor das várias oposições ao regime, todas elas unidas contra a ditadura e uma guerra colonial interminável. Como se viu, o fim da guerra também era desejado pelos próprios quadros intermédios das Forças Armadas, crescentemente convencidos de que ela só terminaria através de uma solução política.

O ambiente político adverso ao regime fez-se sentir, por exemplo, num ciclo de cinema de Roberto Rossellini, na Fundação Gulbenkian, onde foi exibido pela primeira vez o filme anti-fascista «Roma, città aperta» (1945), até então proibido de ser apresentado pela censura. Numa sala cheia de jovens, as palmas e a entusiástica recepção ao filme levaram o director da Cinemateca Francesa, Henri Langlois, que se encontrava presente, a profetizar ao organizador do ciclo de filmes, João Bémard da Costa, que uma mudança política iria ocorrer em Portugal.

Na noite de 29 de Março de 1974, a Rua das Portas de Santo Antão, em Lisboa foi palco de um outro acontecimento paradigmático e revelador desse ambiente político. Realizou-se nessa data, no Coliseu dos Recreios, o I Encontro da Canção Portuguesa, organizado pela Casa da Imprensa, no qual José Afonso deveria receber o prémio da melhor interpretação musical do ano anterior. A sessão acabou por ser recheada de símbolos e transformou-se num espaço de liberdade, no qual o público não cessou de se manifestar, a pretexto das canções, contra um regime ditatorial, que, embora não se soubesse, tinha menos de um mês de vida. O espectáculo, que teve de ser preparado com muita antecedência, para que todas as canções fossem apresentadas previamente à Censura, foi mais um sintoma, embora não completamente detectado então pelos presentes, de que o regime estava a viver o seu estertor.

Como a Direcção-Geral dos Espectáculos só entregara a lista das canções que podiam ser cantadas uma hora antes do início do espectáculo, e alguns cantores apenas foram autorizados a cantar metade das estrofes, o público trauteou as melodias de forma cúmplice, em coro. Quando Manuel Freire afirmou que se tinha esquecido das letras das canções no comboio, os cerca de cinco mil espectadores compreenderam onde ele queria chegar, aplaudiram de pé e cantaram em coro o que ele não fora autorizado a interpretar[1]. Por seu lado, José Afonso foi proibido de cantar «A morte saiu à rua», «Venham mais cinco», «Menina dos olhos tristes» e «Gastão era perfeito», apenas sendo autorizado a apresentar «Milho Verde» e «Grândola»[2].

O quarteto de Marcos Resende abrira o programa, mas não foi ouvido, devido aos assobios que irromperam pela sala, sucedendo-lhe o duo Carlos Alberto Moniz-Maria do Amparo e um desconhecido que deu como nome Manuel José Soares. A sala continuava morna, quando irrompeu a primeira grande ovação da noite, a premiar a actuação de Carlos Paredes, acompanhado por Fernando Alvim. De seguida, o jornalista Joaquim Furtado leu em voz alta os nomes dos premiados pela associação mutualista dos jornalistas, escolhidos por um júri que integrava José Duarte, Tito Lívio, João Paulo Guerra e José Manuel Nunes[3].

A maioria dos prémios atribuídos não provocou grande entusiasmo, mas o mesmo não aconteceu com o galardão que premiou o programa radiofónico Página Um, da Rádio Renascença, recebido, entre outros, por Adelino Gomes, que havia sido afastado da rádio por razões políticas. Outros nomes aplaudidíssimos foram os de Sérgio Godinho e José Mário Branco, cantores premiados pelos seus álbuns de estreia — Os Sobreviventes e Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades, respectivamente —, que «não puderam comparecer», como dizia um artigo de O Século, embora não explicando que isso se devia ao facto de estarem exilados.

Após o intervalo, actuaram os espanhóis Viño Tinto e o poeta José Carlos Ary dos Santos, que começou por ser assobiado pelos que não aprovavam a sua participação nos Festivais RTP da Canção. O poeta retorquiu: «Eu venho para dizer poesia. Se não gostam, manifestem-se no fim». Depois de ter declamado «SARL», abandonou o palco sob fortes aplausos. Sucederam-se José Barata Moura, o grupo Intróito, Manuel Freire, Fernando Tordo, Fausto, Vitorino, José Jorge Letria, Adriano Correia de Oliveira e, finalmente, José Afonso.

Depois de cantar «Milho Verde», a outra canção autorizada pela Censura, chamou ao palco todos os cantores que deram os braços e começaram a bater, ritmadamente, com os pés no chão, enquanto as luzes se apagavam na sala. «Grândola, vila morena…», ouviu-se novamente, desta vez em coro. Cinco mil pessoas levantaram-se, deram igualmente os braços e entoaram: «… terra da fraternidade…»[4]. Outra testemunha desse espectáculo escreveria que quando «começaram a entoar a mítica canção de José Afonso, o soalho de madeira do velho Coliseu dos Recreios transmitiu a sensação de poder ruir em qualquer altura»[5]. Cantada em coro, à maneira de um grupo alentejano, aquela canção viria a servir de senha para a eclosão do golpe militar que derrubaria o regime menos de um mês depois[6]».



[1] José A. Salvador,  José Afonso. O Rosto da Utopia, Porto Afrontamento, 1999, pp. 15-16

[2] José A. Salvador,  José Afonso. O Rosto da Utopia, Porto Afrontamento, 1999, pp. 15-16

[3] José Jorge Letria, A Canção Politica em Portugal, p. 24; José A. Salvador, Livra-te do medo, Lisboa, A Regra do Jogo, 1984, p. 195

[4] João Mesquita, «Nas Portas de Santo Antão às portas de Abril», Os Anos de Salazar, Secção Cultura, vol. 30, pp. 154-156

[5] José A. Salvador,  José Afonso. O Rosto da Utopia, Porto Afrontamento, 1999, pp. 15-16

[6] José A. Salvador, Livra-te do medo, Lisboa, A Regra do Jogo, 1984, p. 195

Sandokan e MH370

Para os portugueses, "Malásia" significa essencialmente duas coisas: Sandokan e o mistério do vôo MH370 da Malaysian Airlines. O primeiro pouco diz a quem tem menos de 40 anos, mas qualquer cota encartado recordar-se-á dos olhos verdes do Kabir Bedi, da loiríssima Mariana, filha do vilão Lord Brooke, e de um patusco português que por lá andava, companheiro de lides do herói e que ostentava o irritante nome de Yanez Gomera. O facto de ser homónimo do então recém-eleito presidente da República era motivo de chalaça frequente, por entre o entusiasmo de mais um episódio e a troca de cromos para a caderneta, porque a descontração de um contrastava claramente com a fleuma do outro. Não falo do Sandokan no livro, mas teria sido um bom pretexto para introduzir as especificidades mais ou menos bizarras da presença portuguesa na região e abordar o contexto histórico em que Emilio Salgari se baseou - e distorceu - para escrever os seus romances.

Quem tenha acompanhado o desenrolar do novelo diário que envolve o desaparecimento do MH370 poderá ter reparado num pormenor: Fala-se em "Malásia", "Malaysian Airlines", mas depois mencionam-se as "autoridades malaias", os "passageiros malaios". Malásia e malaios? Porque não Malaia e malásios? ou tudo igual, de uma forma ou de outra? Na verdade, "Malásia" e "malaios" designam, em rigor, coisas diferentes (existe, em português, a palavra "malásio" - i.e., hab. da Malásia, ref. à Malásia - , mas não é usada).

Malásia (Malaysia) é um neologismo. Em português nem faz muito sentido, porque deveria ser "Maláisia" O termo (MalaysiaMalaisie) foi criado no século XIX por geógrafos europeus para designar um determinado contexto histórico-geográfico (como Melanésia, Indonésia, e outros que não vingaram) e só foi adotado em 1963 pela nova nação, que até então se chamara... Federação Malaia. De onde vem a diferença? É que "malaia" é a península, e a partir do momento em que a recém-independente federação de estados malaios incorporou Sabah, Sarawak (na ilha de Bornéu) e Singapura (expulsa pouco depois), passou a chamar-se "Malásia", com um significado, portanto, essencialmente político.

"Malaia" é, simultaneamente, algo de mais restrito e mais abrangente; restrito, porque designa, do ponto de vista geográfico, apenas a península com esse nome; abrangente porque remete para um largo horizonte cultural e civilizacional que extravasa tanto a península como a própria Malásia. Pode-se dizer que parte das gentes de Lingga, Bornéu, Samatra, Java (Indonésia), ou Singapura, são "malaios", porque partilham entre si um conjunto de traços: um determinado estrato de população austronésia, de hábitos mercantis e marítimos, que falam uma língua comum, partilham uma cultura material e possuem o Islão como traço de união. Sandokan é um herói malaio, mas vive em Sarawak, na ilha de Bornéu, e não na Península Malaia. Qual a sua origem? Bom. Pelos cânones "malásios", foi Malaca, um importante sultanato que floresceu no século XV e que foi o principal difusor da "cultura malaia" por todo o Arquipélago, até ser tomado pelos portugueses em 1511. Porém, as suas raízes remontam ao reino "medieval" de Srivijaya, cuja sede se situava em Palembang, em Samatra. Na atual Indonésia, portanto. Ora, a Indonésia é a herdeira das Índias Orientais Neerlandesas, e a Malásia, das possessões coloniais britânicas, que inicialmente se chamaram de Straits Settlements e que posteriormente tomaram a forma de um protetorado sobre os diversos reinos da Península Malaia. Há portanto, um passado colonial que ditou as linhas do quadro político presente. "Malásia" e "Indonésia" designam essencialmente entidades político-administrativas que cruzam, agregam, sobrepõem e separam diferentes realidades culturais e históricas do "mundo malaio-indonésio", termo de uso corrente na atualidade, que evita ferir suscetibilidades nacionalistas de ambos os lados da fronteira.

Adenda: para quem tiver curiosidade para questões idênticas - no caso, a explicação para Birmânia/Burma/Myanmar, recomendo o artigo de Luís Filipe Thomaz que saiu na Brotéria de fevereiro ("A Birmânia mudou de nome?").

(em estereofonia)

parece que bifaram a placa

Não se preocupem, um dia será colocada outra:

"Aqui, na tarde de 25 de abril de 1974, o inspetor Óscar Cardoso, em mais um relevante serviço à Pátria - posteriormente agraciado com pensão vitalícia - tentou heroicamente proteger a legalidade institucional da Nação e manter a ordem pública, contra hordas de arruaceiros e marginais.

Homenagem de um grupo de cidadãos

25-4-2080".

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