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jugular

A/C da Freguesia de Santa Maria Maior | (vasos cimentados ao chão no lugar destinado a cargas e descargas e emergências com uma bela chapinha dourada... da freguesia de Santa Maria Maior!)

 

 

 

 

 

 

E "prontos" aconteceu.

Hoje domingo, por volta das 13.30h o INEM interrompeu o trânsito na rua dos Remédios em Alfama, porque uns logistas previligiados (e com a cumplicidade da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior - ver foto das chapas douradas....) cimentaram vasos nas zonas de cargas e descargas e estacionamento de emergência. Alguém se lembra do incêndio do Chiado? Alguém se lembra que foram umas floreiras fixas que impediram a entrada dos bombeiros? Vejam lá se não comem tanto queijo para não terem tanta falta de memória. Não vá eu também esquecer-me de votar ...

 

Nota Positiva: Entretanto, depois disto, a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior tem disponibilizado carrinhas de caixa aberta, com funcionários da Junta (identificados com t-shirts e logotipos nas carrinhas) que recolhem o lixo dos restaurantes e comercio que é colocado na rua depois da passagem da equipe de recolha diária da CML.

 

 

para além dos números

Há muito que penso, continuo a pensar e pensarei até que os neurónios me doam: há efeitos da crise que não são estatisticamente mensuráveis nem graficamente exprimíveis. Sim? Sim. Os efeitos mais profundos, os mais dolorosos, os mais corrosivos, aqueles que não desaparecem com mais 0,3% de emprego ou 1,02% de subida do PIB, taxa homóloga, homófona, homofóbica, homógrafa, TAEG, TANB, bruta, líquida ou média. Estou a falar do profundo descrédito, da enorme deceção, descrença e desconfiança que cada pessoa, individualmente, sente em relação a tudo o que a rodeia, exceto ela própria (e o clube de futebol de eleição): políticos, justiça, Estado, municípios, instituições, empresas, ONGs, whatever. O mundo em geral, Portugal em particular. O sistema em geral, o meu patrão em particular. A sensação de que se estão todos (os famosos e misteriosos "eles") a encher, a enriquecer e a rir-se às "minhas" custas. Três anos de desvario chegaram para desbaratar uma cidadania recente e frágil. Há uns anos, uma famosa cadeia de eletrodomésticos tinha como lema "eu é que não sou parvo", precisamente porque os portugueses têm inculcado no seu ADN séculos de "serem comidos por parvos". Esperanças desfeitas, desilusões, demagogias políticas, respeitinho pela frente e desprezo pelas costas, nunca fiando, nunca fiar. Como é fácil de perceber, não há grande esperança para o espírito de cidadania vingar num país com desigualdades sociais flagrantes, com escândalos de banqueiros que se esquecem de declarar ao fisco milhões de euros e com austeridade para o comum dos mortais e privilégios para uma casta de iluminados.

Vem isto a propósito de quê? De recentes discussões que venho a ter com gente honesta, sensata e razoavelmente informada, sobre pequenos pormenores que inevitavelmente descambam no mesmo. Exemplo 1: arrumar tabuleiros num centro comercial. Faço-o por princípio, tal como numa cantina. Se tenho pezinhos para levá-lo para a mesa, também os tenho para fazer vagar o lugar para quem vier a seguir. A catadupa de resposta é inevitável: que assim lanço no desemprego as pessoas cujo trabalho é fazer precisamente aquilo, que o preço que pago já inclui aquele serviço, que "eles" enchem-se com tudo aquilo, que era o que faltava ser chulado e ainda ter que arrumar tudo e, finalmente, derradeiro argumento, "quero que «eles» se lixem todos". Exemplo 2: separar lixos para o ecoponto, comunicar aos serviços municipalizados a recolha de qualquer extra (lixo verde, mono). Faço-o por hábito, para que os meus filhos e netos não tenham que viver atulhados na trampa que produzo. Lá vem a reação: que sim, que o fazia, depois deixou de fazer, porque o ecoponto foi mais para longe, que o serviço foi privatizado, que a câmara cobra exorbitâncias em RSU para "eles" se encherem, que o lucro vai para os privados, que "eles" separam lá, era o que faltava ser chulado com impostos e taxas e ainda ter que fazer a papinha toda "aos gajos". Nunca consigo vencer estas discussões. Ganho as batalhas mas não as guerras: assiste-me a razão, convenço de que estou certo ponto a ponto, mas no geral, derrocada completa, "não vale a pena, este sistema está montado para te lixar". Geralmente acabo com uma declaração de voto: de que, a) se não sabemos agir corretamente nos pequenos pormenores, como poderemos ser capazes de corrigir grandes problemas? b) se temos direitos e deveres, capacidades, oportunidades e voz, temos que exercê-los, e não chutar para o lado com resmungos acerca "deles".

Portanto, senhores, não se incomodem em bombardear-me diariamente com declarações do ministro A ou do comentador B de que "os números mostram que", "provam que" ou "indicam que". Há coisas que não aparecem nos números e mazelas profundas que não se curam com cosméticas. Bom bom era mesmo ouvir um político atrever-se a assumir como lema a célebre de Kennedy: "não perguntem o que pode o país fazer por vós, mas o que podeis fazer pelo vosso país".

Um país europeu em 2014

 

«Vídeo (perturbador) do desfile militar em Donetsk, c soldados ucranianos capturados, sob gritos de "Fascistas!"» (a partir dos 3m), do twitter de Sandro Fernandes, jornalista brasileiro que vive em Moscovo, que cita, logo de seguida, o artigo 13º da Convenção de Genebra III

 

Os prisioneiros de guerra devem também ser sempre protegidos, principalmente contra todos os actos de violência ou de intimidação, contra os insultos e a curiosidade pública. 

 

"

um texto cor de saraiva

for the record, eu não gostava -- mesmo nada -- de emídio rangel. isto dito, reconheço-lhe, porque não reconhecer seria cegueira, talento e talvez até, a espaços, génio. aquilo que ele fez na comunicação social portuguesa fica na história, por boas mas também, diga-se, por más razões, e é no mínimo estulto negar isso.

 

não costumo ler os textos do director do sol, apesar de alguns, memoráveis pela sua insuperável comicidade, me terem dado, a mim e a muita gente, enormes alegrias que muito lhe agradecemos. saraiva é, como toda a gente sabe, profundamente ridículo, quer no que diz quer na forma de dizer e mais ainda no sentimento que em tudo perpassa da noção da própria importância. para provar essa mesma importância, aliás, há décadas que ganhou o hábito de contar supostas conversas privadas em que é sempre o confidente ou testemunha de factos relevantes (para ele, pelo menos) e o pivot de grandes decisões ou pronunciador de opiniões de longo alcance. saraiva quer-nos convencer, e se calhar a ele próprio, de que é uma figura central da contemporaneidade portuguesa, presente em todas as ocasiões e decisões fundamentais, próximo de todos os 'grandes'.

 

desta vez, quer-nos informar que foi ele que aconselhou balsemão a escolher rangel, o qual muito lhe deveria por isso, e que até a aproximação de balsemão a rangel passou por ele -- de caminho, como é seu hábito de sonso calhordas, lançando farpas sobre balsemão. a insinuação sobre a vida privada de balsemão, aliás, é apenas um acepipe inicial num texto pleno -- como é aliás hábito de saraiva, que quando foi distribuída a decência estava a dormir a sesta -- de alusões às vidas privadas alheias, de ressabiamento e maldade, e no qual ataca rangel de forma vil.

 

saraiva tinha contas para acertar com rangel? ok. outros tê-las-iam também, rangel deixou muitas por aí. mas as contas acertam-se quando a pessoa com quem as queremos acertar está viva, ou quando é necessário fazê-lo para corrigir uma injustiça. a injustiça, no caso, parece, é que rangel escreveu que saraiva tinha ido à tv com um casaco cor de merda. de facto, rangel foi injusto. para o casaco, porque era cor de saraiva.  

 

sugestão jornalística

Vi hoje de manhã, na TVI24 (no "Observatório do Mundo"), uma reportagem-documentário francesa muito interessante. Penso que já tinha passado há uns tempos na SIC. Nome? "Os reis de evasão fiscal". Uma peça sobre a Amazon, a Mittal e a British American Tobacco e a forma como embolsam milhares de milhões de euros de impostos não pagos em França, mediante esquemas de criação de sedes no Luxemburgo, galáxias de juristas, fiscalistas e advogados que protelam e entopem tudo, acordos secretos entre os políticos desejosos de "mostrar criação de emprego" e "investimento estrangeiro" volumoso e coisas assim. Que tem a peça de especial? O desassombro dos jornalistas, que perguntam diretamente, incomodam e não se importam de causar má impressão pessoal. Lembrei-me de um memorável artigo de opinião do Nicolau Santos, de há umas semanas, sobre jornalistas portugueses, BES e Ricardo Salgado. E a Rioforte e a holding BES, que está no Luxemburgo, e a empresa do senhor Pingo Doce que tem sede na Holanda. Nada a ver, com certeza. E, já agora, a forma como uma comissão parlamentar do parlamento inglês e uma comissão do senado americano interroga os representantes destes gigantes, sem rodriguinhos e sem admitir a conversa-de-ir-a-gente-sabe-onde. Gostava de ver tal desassombro por cá. Não, não tem nada a ver com má educação ou perguntas de jornalista alegadamente incómodas que geralmente não passam de intromissões na vida pessoal ou fogachos disparatados. Na peça confrontam políticos com dados concretos, incluindo Hollande e o então primeiro ministro luxemburguês, Jean-Claude Juncker. Posso adiantar uma sugestão? Aqui vai, a dirigir a António Costa, António Seguro, Passos Coelho, Rui Rio ou qualquer outro putativo próximo primeiro ministro, agora ou quando começar a campanha eleitoral: "qual a sua posição, e o que pensa fazer acerca da evasão fiscal das grandes empresas?". Ah! e se depararem com conversa enrolada, insistir, por favor.

Médicos portugueses 4800 euros, não é?

Marta Reis no i, sobre ordenados dos médicos. Deixo o exemplo dos clínicos de Medicina Geral e Familiar.

 

Último ano de internato de medicina familiar 
Valor bruto  1835€/ Valor líquido  1345€
Marcos Agostinho tem 41 anos e trabalha 40 horas por semana na USF D. Jordão, na Lourinhã. Está no quarto e último ano do internato de Medicina Geral e Familiar, sem perspectivas que o salário melhore quando concluir a especialidade. Por lei, já devia ter subido de escalão da tabela de interno, mas o pedido na Administração Regional de Lisboa ainda não foi aceite. Significaria mais 100 euros por mês, diz. Estes são os valores do vencimento de Agosto. Normalmente recebe 1400 euros mensais líquidos mas este mês foram descontados os dois dias de greve dos médicos, a 8 e 9 de Julho. Trabalha só para o SNS, porque não tem tempo e oportunidade para exercer no privado e também por razões familiares. 
Médica de família há quase quatro anos 
Valor bruto  1996€/ Valor líquido 1282€
Ângela Neves, de 34 anos, fez o internato em Medicina Geral e Familiar nos Hospitais da Universidade de Coimbra e em Outubro de 2010 foi colocada como médica de família no centro de saúde de Castanheira de Pera, a 65 km de casa. Onze meses depois pediu para ir para a Unidade de Saúde Familiar de Arazede, onde hoje trabalha e onde já tinha estado no internato. Tem um contrato de trabalho de 35 horas e em Novembro pediu a passagem para dedicação exclusiva com 42 horas, que não foi autorizada por já não ser uma hipótese. Pediu entretanto a passagem ao regime de 40 horas, negociada em 2012 com os sindicatos para garantir maior cobertura de utentes e aumento de vencimento, estando a aguardar resposta.  
Médico de família  há 33 anos no SNS   
Valor bruto  2241€/ Valor líquido  1690€
Aos 59 anos e com 33 anos de carreira no SNS, o vencimento de J. varia todos os meses e no recibo são tantas as alíneas que nem as consegue decifrar. De salário base pelas 35 horas semanais num centro de saúde do Norte recebe 2 240,19, a que acresce um complemento de clínica geral calculado em função do concelho onde está colocado e utentes, de 92 euros. Com os descontos para a CGA, ADSE e IRS recebe ao final do mês valores que variam mensalmente entre os 1500 e os 1900 euros. Não se importava de trabalhar 44 horas por semana tendo o mesmo salário bruto que o governo paga pelos médicos cubanos e em exclusividade . De momento, diz não ter alternativa senão fazer também privado. 
Médico de família no interior 
Valor bruto  2134€/ Valor líquido  1345€
Tiago Santos é de Leiria e terminou a especialidade em Medicina Geral e Familiar em 2010. Está no interior, na USF Almonda, em Torres Novas, onde trabalhou um contingente de médicos porto-riquenhos, que no período inicial tinham direito a transporte e alojamento, o que os colegas nacionais mesmo deslocados não têm. Mantém um horário de 35 horas, apesar de em Janeiro de 2013 ter pedido a passagem para as 40 horas. Apesar de ver 90% dos utentes apontados como limite máximo para estar neste regime, o seu pedido não tem sido aprovado e sente que os serviços o encaram como limite mínimo. Não tem exclusividade e duas vezes por mês faz horas num lar, ganhando por isso 60 a 100 euros mensais.

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