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jugular

As outras fazem broches, nós fazemos sexo oral

O Filipe já disse tudo. Na verdade nunca imaginei que o nível atingisse patamares tão rasteiros, só posso concluir que Seguro andou estes anos todos a funcionar em falso self - ele afinal é isto e não apenas um político medíocre.  

 

Impressiona-me o populismo usado nas insinuações que têm sido feitas, são reveladoras de uma profunda falta de carácter, e estou curiosa: será disto que fala Seguro quando denuncia a ligação entre política e negócios? De notar que estou com Maria de Belém Roseira, não defendo a exclusividade na tarefa de deputado da nação e acho que, desde que o conflito de interesses esteja salvaguardado, não há incompatibilidades de per si, mas não parece ser essa a opinião de Seguro. Ou é só para os outros? 

“Criança que fui e homem que sou e nada mudou”

 

Foram convocadas eleições primárias para abrir o PS à sociedade, mas a avaliar pela entrevista que deu à Visão, para já o que temos é uma abertura do próprio António José Seguro à sociedade. «Seguro nunca falou assim em público. Duro e direto. Solto. Numa tarde em Penamacor, Seguro abriu o livro», nota Miguel Carvalho da Visão. E a abertura do livro começa justamente na Penamacor que o viu nascer e nos ensinamentos que recebeu de António Ribeiro Sanches, médico e velho sábio: «Todo o poder assenta no saber, dizia ele. Hoje parece o contrário». Ah pois parece, sem dúvida. «Seguro fala das pedras graníticas e de memórias, com um olhar quase infantil». Qualquer semelhança entre isto e a poética de Tony Carreira não será pura coincidência nem marketing eleitoral, já que o cantor é também ele natural da beira baixa. (“Em cada canção trago esse lugar no meu coração/Criança que fui e homem que sou e nada mudou/ E hoje a cantar não posso esquecer aquele lugar que me viu nascer”.)

Seguro recorda que na juventude «via a televisão espanhola, mais do que a RTP. Vi a chegada ao poder de Felipe Gonzalez e Alfonso Guerra, no PSOE, trinta e poucos anos cheios de garra. Em Espanha, a política era feita com muita alegria». Alfonso Guerra, grande exemplo de separação entre política e negócios, deu realmente muitas alegrias a Gonzalez. Mas pronto, antes assim: se tivesse visto mais a RTP, ainda podia ter ido para o PSD de Sá Carneiro, que «simbolizava a coragem para afrontar o sistema e o politicamente correto». Convites para isso não faltaram. A outra referência política é Mitterrand: «Tenho talvez aquela força tranquila de Mitterrand». Talvez.

Aos 19 anos, António José foi forçado a ir para junto da «corte de iluminados de Lisboa», de onde, apesar destas tentativas recentes, ainda não conseguiu sair. Naquele tempo, os anos 80, Penamacor ainda não tinha a Universidade que ali vai nascer quando Seguro for primeiro-ministro. O «dinheiro era contadinho», embora nem sempre tenha conseguido resistir aos vícios da capital: «pertencia ao grupo que terminava as noites no Cacau da Ribeira, ia ao Jamaica e também ao Plateau». «Gozei bem esses tempos e não precisei de muito dinheiro. E a intervenção na associação de estudantes foi a melhor formação para gerir orçamentos». Seriam assim basicamente estes os modelos de política orçamental em confronto no próximo ano eleitoral, não fora esse imitador do António Costa: de um lado Passos que, inspirado em Merkel, segue o modelo da dona de casa; do outro, Seguro que, inspirado na sua própria experiência, segue o modelo da associação de estudantes. Mas se contra tudo e contra todos, Seguro vencer Costa e depois Passos, ainda vamos assistir a mais inovações: «não irei tolerar que qualquer membro do meu governo tenha a mínima suspeita. Na dúvida deve demitir-se». Teríamos remodelações numa base quinzenal e assim nenhum quadro do Laboratório de Ideias ficaria triste por não chegar a ministro.

Dos Bourbons diz-se que não esqueceram nada nem aprenderam nada. De Seguro também se pode dizer que não esquece nada, mas aprendeu agora, ao fim de 30 anos de JS e PS, que na política «para algumas pessoas, o que interessa é aquele que dá poder e o distribuiu». Seguro não esquece, por exemplo, o comportamento de António Costa: «foi o pior que se podia imaginar. E foi feito na frente de todos os portugueses»... Se ainda tivesse sido feito numa comissão política, em que acabassem os dois aos abraços, tudo bem. Agora, em frente de todos os portugueses? Chocante. Outro erro de Costa é não compreender que «a esquerda precisa de mostrar que é rigorosa com a despesa e as finanças públicas». A direita, que tem gerido isto tão bem, não precisa de mostrar nada. A esquerda é que precisa. Além disso, Costa e os seus apoiantes também não perceberam que, em 2011, «o PS teve 28%, o segundo pior resultado em legislativas. Não aprendemos nada?». Nem perceberam que, agora, em 2014, os portugueses deram ao PS «uma grande vitória», meta atingida quando se supera em três pontos percentuais uma derrota histórica.

A causa dos problemas políticos de Seguro está, segundo o próprio, no facto de «haver, em Portugal, um partido invisível». Ao falar em partido invisível pode parecer que se está a referir àquele partido da «abstenção violenta», mas não: estamos a falar de «um partido que tem secções sobretudo nos partidos de governo, que capturou partes do Estado, que tem um aparelho legislativo paralelo através dos grandes escritórios de advogados e influencia ou comanda os destinos do país. O PS associado aos negócios e interesses apoia António Costa». Em princípio, isto deve ser gente que entrou há pouco tempo para o PS, uma vez que Seguro foi eleito com o apoio da quase totalidade dos militantes e nunca se tinha queixado. De resto, em toda a entrevista, Seguro só aceita uma crítica, e nisto não podemos deixar de o acompanhar: «não sou um bom vendedor de mim próprio».

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