Sábado, 31 de Julho de 2010

Quando dois procuradores que lideram um processo de investigação dizem não ter tido tempo para fazer algo que os próprios consideram essencial, não se pode suspender o juízo sobre a actuação desses procuradores invocando a presunção de inocência. Não é que os procuradores tenham menos direitos que os outros. Não. O problema é não há aqui nada para investigar, presumir ou provar: são os próprios que se declaram culpados no despacho que decidiram assinar. Se alguém os impediu de realizar uma audição essencial para o apuramento da verdade, por que razão não denunciaram o bloqueio, como já o tinham feito no caso Lopes da Mota? Por tudo isto, uma investigação sobre o que realmente se passou seria irrelevante, pela simples razão que, se se tivesse passado realmente alguma coisa que nós ainda não sabemos, seguramente já o teríamos sabido através de uma denúncia feita pelos próprios procuradores.

 

Sobre como qualificar a 'culpabilidade' dos dois procuradores, o Daniel Oliveira diz que há duas alternativas: "Ou o primeiro-ministro fez o que os agentes de justiça andaram a soprar aos jornais mas o Ministério Público foi incompetente para o levar a julgamento, e alguém tem de responder por isso. Ou o primeiro-ministro não estava envolvido em nada e alguém na justiça usou a sua função para combate político, e alguém tem de responder por isso". Não é bem assim. Das duas uma: ou os procuradores não souberam fazer o seu trabalho, e, independentemente de José Sócrates poder ser ou não levado a julgamento, são incompetentes; ou não o quiseram fazer, e não deviam ser procuradores. Numa coisa concordo com o Daniel: Se for o primeiro caso, é grave. Se for o segundo, é gravíssimo.


4 comentários:
De fernando antolin a 31 de Julho de 2010 às 13:06
Tanta abnegação. O sr deputado "faz-se" !


De Anónimo a 31 de Julho de 2010 às 15:53

Muito bem.


De nuvens de fumo a 31 de Julho de 2010 às 21:00




Nunca menosprezar o poder da incompetência.


Podemos ver cabalas, urdiduras, planos diabólicos , forças ocultas, ou podemos ver a conjugação entre uma total impunidade e uma incompetência adquirida ao longo de anos. 


Esta conjugação é explosiva e leva à ocorrência de fenómenos como :
documentos perdidos, falta de tempo, falta de orientação, incapacidade de coordenação, lentidão, vontade de protagonismo mas sem resultados, desnorte e incapacidade de se perceber uma linha de investigação, fugas sucessivas, promiscuidade com os jornalistas para mostrar trabalho que nunca foi feito, etc etc etc


Obviamente como estes factores levam a que o processo seja afectado e como apenas os processos mais mediáticos são detalhadamente acompanhados , cria no espectador a sensação de um plano que parece proteger aqueles que mais poder e destaque têm. 


Ora num país onde tudo se sabe , todos se conhecem e sobretudo onde não reina uma disciplina digna desse nome acreditar em grandes planos parece-me ser demasiado optimista.




Claro que pode haver uma certa má vontade do MP em relação a algumas pessoas, não duvido, mas se a eficiência fosse a normalidade isso seria muito mais difícil.


Que fazer ? 


De j a 31 de Julho de 2010 às 23:02
'que fazer'?

não abrir a boca porque ou sai asneira ou entra mosca.
escolha... embora o seu 'sapo' esteja com a tromba fechada.


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