Sexta-feira, 13 de Agosto de 2010

acabo de ver maria josé nogueira pinto, na sic not, a afirmar que 'os outros países não têm leis para o limite de sal no pão' e que só portugal tem, e que não é assim que deve ser feito, e tal. percebo onde foi buscar a informação -- está em várias notícias em vários sites de jornais, por exemplo este, que fala de 'opção inédita pela via legislativa' (embora o ante-título fale em 'dos primeiros países' e a notícia propriamente dita do primeiro, o que espelha alguma incerteza, et pour cause, quanto à factualidade).

 

sucede que uma pesquisa rápida na net, em inglês e francês, me diz o contrário. encontro um documento francês, por exemplo, que refere o facto de na bélgica o ministério da saúde ter feito em 1976 (sim, leram bem: 1976) um decreto que limita o sal no pão a 12 gramas por quilo de pão fresco. sim, é menos dois gramas que a nossa leizita inédita de 2010, que limita o teor de sal a 1,4 gramas por cem gramas de produto final.

 

é certo que noutros países -- caso do reino unido -- a sensibilização dos panificadores por parte de uma agência oficial deu resultado, e na finlândia se optou por obrigar - sim, obrigar, tipo com decreto -- à colocação de etiquetagem sobre sal (a informação está no documento francês). mas, por mais que a malta goste de ser a vanguarda do mundo, não é o caso na lei do sal no pão. como se descobre em para aí dois minutinhos.

 

quanto à converseta sobre a compressão da liberdade dos consumidores que arrepela os cabelos aos pseudo-liberais tugas, é mesmo para rir.


32 comentários:
De pachorra a 13 de Agosto de 2010 às 22:44
De facto, a MJ não me parece cibernauta... 

Parabéns pelo Blog.



De manuela a 13 de Agosto de 2010 às 23:39
os consumidores pseudoliberais tugas podem sempre por sal no pão depois de o comprar e antes de o comer...


De Dorean Paxorales a 14 de Agosto de 2010 às 00:40
o pão, por acaso, não me faz diferença. agora a manteiga, bolas, é salgada comó caraças.


De f. a 14 de Agosto de 2010 às 00:57
é certo. mas no caso da manteiga há sem sal e meio sal, não é? confesso q não compro manteiga, e quando comprava gostava q fosse salgada.


De Dorean Paxorales a 14 de Agosto de 2010 às 01:03
erm... agora é que me tramei. "meio-sal"? parece-me excelente! para a próxima tenho de provar disso.


De Anónimo a 16 de Agosto de 2010 às 22:51
Também há pão sem sal.


De Miguel Braga a 14 de Agosto de 2010 às 01:06
Qualquer medida que vá no sentido de proteger a saúde de todos só pode, claramente, ser elogiada.
Contudo, como em todas as leis não podemos deixar de fazer alguma ironia...
Um dia destes quando for ao talho pedir carne salgada (esta está carregada de sal), vão dizer-me: mas quer com sal ou sem sal. E já repararam na quantidade de sal de um hamburger da MacDonald's?
É neste, como em muitos outros, que a lei perde muito da sua possível eficácia. Ou seja, há muito por onde devorar sal. Mas, claro, é sempre um início.
Vendo o aspecto social e político, não deixa de ser curioso que numa sociedade onde se apela a liberdade para tudo a para todos (já por aqui se falou em tabaco, drogas leves, etc), uma pessoa não seja livre de poder ter o pão bem salgado...


De f. a 14 de Agosto de 2010 às 13:12
quandi diz 'por aqui', refere-se a quê? e 'tabaco, drogas leves, etc' é o quê?


De Miguel Braga a 14 de Agosto de 2010 às 18:41
Quando digo aqui, refiro-me exactamente a este blog. Para confirmar, basta pesquisar (o blog dá-lhe essa possibilidade) a palavra tabaco, por exemplo.
Quanto ao tabaco e droga, conhece as percentagens de casos em que estes são causa de morte? Talvez isso lhe ajude a perceber o por que de os juntar aqui ao problema do sal...


De f. a 17 de Agosto de 2010 às 14:40
q estranhas pesquisas faz o miguel braga. e q bem sabe ler.


De Nuno Gaspar a 14 de Agosto de 2010 às 02:42
Não percebo porque é que acha que o direito de matar uma criança no ventre é mais defensável do que o de comprar o pão com o sal que lhe apetecer. Importa-se de explicar melhor?    


De f. a 14 de Agosto de 2010 às 13:13
podemos sempre contar com alguém para ilustrar os posts. obrigada pelo desenho.


De Nuno Gaspar a 14 de Agosto de 2010 às 13:47
Não tem de quê. Mas se fica pela graçola deixa a impressão de que aceita estar errada.


De pm a 14 de Agosto de 2010 às 15:50
"Qualquer medida que vá no sentido de proteger a saúde de todos só pode, claramente, ser elogiada."

hahahahaha... a frase idiota do dia. então o papel do estado é criar leis pare me proteger de mim próprio. maravilha. vou agora para a oitava cerveja, o quarto Jack e já estou a acabar o primeiro maço de Gauloises do dia espero não ser multado nem preso. claro que pelas vossas teorias já faltou mais. cheers...


De Pr a 15 de Agosto de 2010 às 11:34
O que estes burocratas-enfermeiros entusiasmados com a hiper-legislação do Estado ignoram é que nós precisamos de mais sal do que os Finlandeses ou Belgas porque o nosso clima é muito mais quente e seco do que outros na Europa. Esta paroleira de querermos ser Suecos nunca vai resultar.


De Niamey a 15 de Agosto de 2010 às 12:22
o que vai ser da frase "gosto de si meu pai como a comida gosta do sal"...
enfim, parece-me uma medida que respeita os mínimos olímpicos da lógica mas confesso que achei muito sedutora a frase: "esta paroleira de querermos ser suecos nunca vai resultar"


De lucklucky a 15 de Agosto de 2010 às 11:35
Esquerdismo é assim, controlar tudo e todos,  agora deu-lhes para a a Lei Sonsa. Tirania portanto.


De Rxc a 16 de Agosto de 2010 às 16:01
Não tantao assim. Se for uma causa fracturante tipo drogas leves ou matar um ser humano por nascer aí já pode ter toda a liberdade de decidir como bem entender. Agora sal no pão? Que horror! A partir de agora vamos ser todos imensamente saudáveis (falta é legislar o sal no queijo, no fiambre, na manteiga...e o açúcar nos doces e compotas, e nos bolos, e nas bolachas, e naqueles biscoitos tipo lagartos e nos restantes também). Enfim à pano para mangas onde o Estado se pode imiscuir um pouco mais na vida de cada um. Excepto se for uma causa daquelas que a esquerdalhada clama como sendo modernizante. Aí o Estado deve estar quietinho...


De nuvens de fumo a 16 de Agosto de 2010 às 17:01
 O que mais me agrada nos tresloucados de uma certa direita é a mania da perseguição.

Eu fumo e saio À noite e desde o início da lei do tabaco que sou a favor da limitação dos locais onde se pode fumar. Nunca me senti perseguido , talvez por não ser um agarradinho ao cigarro e conseguir aguentar uns minutos.

Mas a brigada dos perseguidos não, eles acham que a liberdade de expressão nada é comparada com o direito divino de encher o ar com o fumo dos seus cigarros cancerígenos e sentem-se logo no início de uma ditadura nazi mal se limita qualquer vício privado.

Pelos vistos agora sentem-se perseguidos por haver limitação ao sal que pode ser posto no pão, e por haver obrigatoriedade de o anunciar.

É de selvagens esta lei , impedir que os idosos possam saber o que estão a comer é mesmo de um governo malévolo.
Obrigar a indústria do pão a cumprir normas, onde já se viu e ainda por cima normas que visam a saúde pública.

Num país onde a principal causa de morte são os problemas com coração, limitar o sal que é mais do que sabido um factor de risco, é de idiota mesmo.

Até porque de certeza que vai haver um tipo vestido de gabardina preta e óculos escuros a anotar todas as vezes que metamos sal no pão...

Estes liberais de pacotilha são um filme mesmo mau.

Claro que mal por mal poder-se-ia até argumentar que quem não cumpra um mínimo de cuidados com a sua saúde deveria ter acesso limitado ao SNS, coisas que de certo esta gente acharia muito mal....pois.


De Rxc a 17 de Agosto de 2010 às 11:46
Se eu comer sal a mais, isso prejudica-o em que medida? A comparação com a lei do tabaco é algo forçada, não acha?

Daqui a pouco estamos a racionar a quantidade de sal que enquanto consumidores podemos adquirir não? Se calhar o Estado deveria também obrigar as pessoas a comprarem pão com determinado tipo de farinha e incorporação de cereais inteiros, pois está provado que são benéficos para a saúde. Bom bom era o Estado obrigar todos a viverem segundo os ditames dum qualquer iluminado burocrata que expele legislação a cada traque que dá...Para sermos finalmente bons cidadãos todos. Liberdade sabe o que é? Muita gente lutou e morreu por ela ainda recentemente neste país. E afinal agora querem novamente um Estado todo-poderoso e que tudo controle.


De nuvens de fumo a 17 de Agosto de 2010 às 13:28
Se eu comer sal a mais, isso prejudica-o em que medida? A comparação com a lei do tabaco é algo forçada, não acha?


Existe um número limitado de recursos no SNS, para atender doentes, para transplantes, para tratamentos.
Todos descontamos para esse bem comum escasso . Ora se eu como sal como um animal e depois quero um coração novo , ou um tratamento ao AVC, ou seja o que for estou a tirar o lugar a alguém que pode ter o problema de origem genética.
Por isso não acho nada exagerada a comparação com o tabaco. Já fico feliz por achar que a lei do tabaco é importante



Devem existir normas de segurança para aditivos que são potencialmente perigosos.
Aliás acho que a quantidade de açúcar nas porcarias que se dão Às crianças deveriam ser reguladas assim como a quantidade de gordura em certos alimentos.

Prefiro que seja uma entidade médica a regular o sal máximo do que sejam os padeiros.

Não é falta de consideração pelos panificadores mas nestas questões de saúde prefiro quem tenha cursos na área.


De nuvens de fumo a 16 de Agosto de 2010 às 17:24
Quem é que também quer limitar o sal ?


http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2010/04/19/AR2010041905049.html


Currently, manufacturers can use as much salt as they like in products because under federal standards, it falls into the category deemed "generally recognized as safe." Foodmakers are merely required to report the amount on nutrition labels.

But for the past 30 years, health officials have grown increasingly alarmed as salt intake has increased with the explosion in processed foods and restaurant meals. Most adults consume about twice the government's daily recommended limit, according to the Centers for Disease Control and Prevention.



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