Sábado, 28 de Agosto de 2010

uma das lições a tirar, antes mesmo do protesto que esta tarde vai unir lisboa a mais 110 cidades de todo o mundo, é que mesmo num caso aparentemente tão claro de barbárie e selvajaria as hostes se organizam em função do que pensam serem as identidades e objectivos de quem organiza. blogues habitualmente tão críticos de tudo o que cheire a islão mantêm ou um rigoroso silêncio sobre a iniciativa ou reproduzem textos de confrangedora infantilidade (para não dizer estupidez pura), espécie de 'não contem comigo para ir para a rua gritar, eu cá é mais bombas' -- como se a inacção perante o horror fosse uma alternativa mais 'pura' que a expressão do horror perante o horror, e como se mais não houvesse no mundo senão egos televisivos.

 

alguém sabe o nome de quem organizou este protesto, além do grupo de pessoas que estão desde o início -- há uns dias, no facebook -- nele? alguém sabe mais que o facto de serem pessoas ligadas à esquerda e à defesa da liberdade individual e dos direitos das mulheres que o subscrevem? não. e porquê? porque nenhum dos que organizaram quer palco -- quer apenas que hoje, em lisboa como em sidney, nova york, ancara e rio de janeiro, haja gente na rua a dizer não às repugnantes decisões de tribunais religiosos e às execuções decididas por um governo teocrático e brutal (e se foi eleito democraticamente ou não, francamente, não interessa para o caso: não age como um governo democrático).

 

é instrutivo, sim, assistir ao silêncio e aos insultos que são a reacção de uma parte considerável da blogosfera portuguesa e dos grupos organizados da sociedade em relação a isto.

 

de um lado, a direita caceteira e sempre pronta a arrasar tudo o que cheire a islão mas que recusa associar-se a um protesto contra a lei islâmica do irão porque lhe parece ter objectivos 'esquerdistas'; do outro aquilo que passa por esquerda mas mais não é que a putrefacção das ideias mais totalitárias, que acusa milhares, talvez milhões de cidadãos autónomos e anónimos que não suportam a ideia de execuções arbitrárias ou simplesmente de execuções tout court de serem 'manobrados' pela cia e pelo 'sionismo'. gente tão desgraçada, esta, que nada mais vê que 'instrumentalizações' e 'maquinações' naquilo que há de mais espontâneo e generoso e justo: protestar contra a barbárie.

 

nós escolhemos dizer não. vocês escolhem calar-se ou, pior, escolhem tentar calar-nos. fica escrito, fica dito.

 

adenda: miguel madeira e miguel serras pereira.

28 comentários:
De Renato Teixeira a 28 de Agosto de 2010 às 18:18
Ao menos deu-se ao trabalho de perceber quem procura cavalgar o seu humanismo? Quem está a pagar pela psicanálise da sua consciência? Afinal, pelo que leio, é mesmo só isso que se trata.


De f. a 29 de Agosto de 2010 às 02:32
parece-m bastante incapaz, d facto, d entender do q isto trata, renato.


De f. a 29 de Agosto de 2010 às 03:12
infelizmente, renato, eu ia aprovar o seu segundo comentário, mas tal como sucedeu com isto da manif, um poder superior e maléfico apoderou-s d mim e zás, apaguei-o. quando acordei do transe, tinha um envelope com dólares e
sheckels na mão. foi tal qual assim com a manif: estávamos no facebook a discutir se a paris hilton pôs ou não butox no dedo mindinho quando demos por nós a falar de marcar uma manif em lisboa. e lá estavam os milhões (de maçaroca) p pagar o magnífico sistema de som, os milhares de autocarros, os figurantes, tudo. até deu p pagar a uns chalados na bloga pp s oporem ao protesto alegando q s tratava d uma cena da cia -- os gajos da cia e da mossad (sobretudo estes últimos, judeus já s sabe), espertíssimos, acham q s pagarem a chalados p dizer isso ninguém acredita, tá a ver?  malta mto à frente


De tragediaGeek a 29 de Agosto de 2010 às 11:21

Deixe-se de merdas, f. Toda a gente sabe que os portugueses que organizaram a manifestação foram bem pagos pelos mesmos gajos que financiam o Iran Solidarity, que é uma organização que "has aimed to provide news and education on the issues facing Iran today. It has provided activist events for the peace movement in solidarity with the people of Iran against the war mongering motives of the United States of America"

e que pertence à organização Campaign Iran que faz "part of the multinational Campaign Against Sanctions and Military Intervention in Iran (CASMII)."

O Iran SOlidarity é uma das organizações formadas para apoiar o povo iraniano contra o regime islâmico do Irão e que (imagine-se) não só está associado a esta campanha contra a lapidação no Irão como tem um cartaz igualzinho ao tal que tanto incomodou o Renato T

de onde se conclui que a CIA e os sionistas andam a financiar gatos pingados para se oporem à intervenção militar no Irão.

http://www.iransolidarity.org.uk/index.html
http://www.campaigniran.org/casmii/index.php?q=node/430

Já dei estes links ao Renato T no 5 Dias e mais alguns, mas até agora o meu comentário não apareceu, por isso ficam aqui também.


De Miguel Duarte a 29 de Agosto de 2010 às 12:47
É triste que aparentemente existam pessoas que consideram que para se organizar o quer que seja é preciso "ser-se bem pago". Mas é por estas e por outra que o país está onde está. Para se manifestar agora "só se me pagarem", e quem se manifesta "é porque lhe pagaram". A mentalidade certa sem dúvida para fazer evoluir o mundo e o país.

O que eu sei é que ajudei a organizar e que o que tive foi despesa.

Sendo que não compreendo também este apoio a um regime repressivo, mas acredito que deve vir do mesmo tipo de pessoas que quando o regime ditatorial é da sua área de pensamento, é um bom regime.


De TragédiaGeek a 29 de Agosto de 2010 às 15:38
Assim é de facto, Miguel. Quem está ao lado do povo iraniano, percebendo que haverá sempre tentativas de instrumentalização da boa vontade das pessoas que se manifestam, percebe também que o governo iraniano sabe disso e que compreende que apenas tem a ganhar com o fim da lapidação e de outras violações. Se nos calamos o governo iraniano não será pressionado e nada fará.

(just in case, o meu comentário anterior é irónico)


De David a 29 de Agosto de 2010 às 15:52
Entro aqui, embora a despropósito, intrigado com o que (não) aconteceu a um comentário muito pacífico que ontem enviei, a perguntar se a Fernanda tinha espreitado o blog do Vítor Dias. Terá sido o poder superior e maléfico que o ignorou?


De f. a 29 de Agosto de 2010 às 15:59
esse foi mm apagado conscientemente. não percebi por q raio quereria, a este propósito, recomendar um blogue que nada diz, q eu tenha dado por isso, sobre o assunto em apreço.


De David a 29 de Agosto de 2010 às 19:58
Porque me pareceu, Fernanda, que entre a esquerda que criticava poderia estar "aquela" e tinha reparado que n' O Tempo das Cerejas existe um apelo a favor de Sakineh e a petição da AI para assinar. Se assim não era, tudo bem e as minhas desculpas pela má interpretação.


De f. a 29 de Agosto de 2010 às 21:05
não, não reparei nisso, david, e até fui ao tempo das cerejas ver o que haveria de relacionado e como não encontrei nada, apaguei o seu comentário. para a próxima, faça um linque para se perceber o que quer dizer. sendo que não sei s o vitor dias vai gostar de saber q o david o elenca, ou a hipótese de eu o elencar, entre a purefacção de ideias totalitárias a que m refiro no post.


De burns a 28 de Agosto de 2010 às 22:42
já pensou que por vezes,com essa cena do pensamento único,é tão fundamentalista como os ayatolahs?só ainda não lhe deu para atirar pedras.
tenho pena da senhora iraniana como tenho pena de todos os iranianos submetidos aquele cruel regime,e continuo a achar que os regimes impostos por esses lados são selvagens e medievais,e não acho só isso aos sábados no largo camões com câmaras de tv por perto


De f. a 29 de Agosto de 2010 às 02:33
sim, burns. eu nunca, em tempo algum, me opus ao regime iraniano. aliás, só descobri agora q existe. é ali para os lados do iraque, certo?


De Nuno Gaspar a 29 de Agosto de 2010 às 02:57
Iraque...

Fiquei em estado de choque no outro dia quando a  Fernanda  disse que apoiou a invasão do Iraque. Se ela não tivesse existido, duvido muito que o regime de governo que vigora no Irão ainda estivesse de pé e ainda assistissemos a estas barbaridades. As boas intenções às vezes dão nisto.  


De f. a 29 de Agosto de 2010 às 16:01
tenho grandes dúvidas q a invasão do iraque tenha tido essa importância toda na manutenção do regime iraniano.  mas é certo q, infelizmente, e no q respeita aos direitos das mulheres, por ex, no iraque as coisas não estão a melhorar.


De burns a 29 de Agosto de 2010 às 16:38
sim
quando me referi a esses lados estava a falar também do iraque ,do afeganistão e de outros regimes bárbaros que por vezes vejo aqui a tentarem vitimizarem culpando o bárbaro ocidente por tudo que de mal acontece
sim,não é só o atrasado mental do chavez que acha que os americanos andam a semear terramotos pelo mundo


De f. a 29 de Agosto de 2010 às 16:44
burns, a sério, viu isso aqui? aqui onde? no jugular? e escrito por mim? faça favor apresente isso q viu aqui.


De burns a 29 de Agosto de 2010 às 16:55
não tenho tempo nem ferramentas de busca que me façam isso
mas sei que diaboliza qualquer que seja a intervenção do ocidente nesses paises
se eu entretanto encontrar eu posto
cheers


De f. a 29 de Agosto de 2010 às 17:13
é fácil, burns. vá ao pesquisa e coloque por exemplo iraque e afeganistão e procure, em textos escritos por mim, quanquer coisa d parecido c o q 'sabe' q eu escrevi.


De Palmira F. Silva a 29 de Agosto de 2010 às 17:35
és mesmo mázinha :) onde é que já se viu pedir ao burns para consubstanciar as atoardas com que nos mimoseia frequentemente? é uma "fé" dele, e sabes que nesta história de crenças irracionais é um pecado, devidamente admoestado no "livro", ver para crer...


De Carlos Azevedo a 29 de Agosto de 2010 às 04:33
Bem, um dos textos que 'linka' é apenas imbecil (na minha opinião, como quase tudo o que o redactor do mesmo escreve). Já o JP Coutinho não deixará de ter razão em algumas coisas que escreve: efectivamente, haverá sempre pessoas que comparecem apenas para se mostrar. Mas, e é isto que conta, não acredito que isso suceda com todas, ou sequer com grande parte, pelo que efectuar generalizações será sempre injusto. Mais: parece-me que, tendo em conta o que está em causa, algumas pessoas, como é o caso do JP Coutinho, preocupam-se mais com o acessório do que com o principal: o que interessa a vaidade de alguns quando está em causa a vida de uma pessoa? A última parte do texto, quando refere que não sabe qual pornografia o repugna mais, é apenas uma parvoice para terminar o texto com aquilo que ele pensa ser estilo.


De f. a 29 de Agosto de 2010 às 16:06
compreendo q pessoas cuja única preocupação é a sua imagem não consigam entender q pode haver quem s preocupe com outras coisas. mas mm assim a cretinice do q diz jpc na tentativa, como sempre, d ser original e retumbante está perfeitamente qualificada pelo título do post -- q é provavelmente o da sua 'crónica'.  é o q s chama auto-ironia, do género mais castiço, o involuntário.


De Irene Pimentel a 29 de Agosto de 2010 às 13:57

verdadeira pornografia, f.
Pensar que esta gente se cruza connosco e foi em princípio educada nos mesmos valores que todos nós!
Pensar que as palavras «humanismo» e «humanitarismo» são utilizadas como insultos!
Pensar que a pena de morte, o apedrejamento até à morte lento, com tortura e público, de uma mulher acusada de adultério por um regime teocrático provoca em Portugal (e noutros países...), em alguns, a crítica aos que contra tal selvajaria se erguem, ora com o argumento de que se deveria entrar pelo Irão adentro, ora com o outro de que se está a servir o imperialismo norte-americano e sionista!
Não sou ingénua e já vi estes argumentos a serem usados antes. Por outro lado, cheira-me que quem os utiliza, embora aparentemente provenientes de diferentes origens políticas, padecem do mesmo espírito totalitário, mesquinho ...e já agora... sujo.
E se isto que penso é pensamento único, assumo e não me choca.
O que me choca é o pensamento dos que defendem os crimes em nome do relativismo cultural.


De f. a 29 de Agosto de 2010 às 16:08
o mais divertido nesta história q na verdade nada tem d divertida é isso mm, irene: q sejamos atacados quer plos q defendem q a solução é uma invasão quer plos q acham q somos 'joguetes' dos q querem invadir. é capaz d querer dizer alguma coisa.


De OLP a 30 de Agosto de 2010 às 12:31
Pelo que percebi......
Importante importante são os supostos aopoios que possivelmente certas organizações possam ter dado e elas poderem estar ligadas a quem defende uma guerra com o Irão.
O facto da senhora ter sido proposta ao apedrejamento por ter relações sexuais fora do casamento é de somenos importância.
Depois não diga que um dia também lhe atiraram pedras.


De Romeu a 30 de Agosto de 2010 às 14:15
"e porquê? porque nenhum dos que organizaram quer palco"


Claro que ninguém quer palco!
Mas, ups, eis que no instante seguinte aparece uma f. a blogar sobre como vários representantes do PS estiveram lá, enquanto de outros partido e comunidades não, e, ups, como quem não quer a coisa, a pobre coitada da Elza Pais nem recebeu atenção dos jornalistas. 'Tadinha, era tão nenhum palco que a f. queria para a Elza Pais e restantes queridinhos do PS...


De carmo da rosa a 30 de Agosto de 2010 às 16:34
Estive presente no sábado passado na manifestação contra a lapidação de Sakineh Ashtiani no Beursplein em Amesterdão. Menos gente do que em Lisboa (!) - 90-100 pessoas.

Tal como as manifestações em 1972 contra a Guerra Colonial do regime Salazar/Caetano, normalmente organizadas por refugiados portugueses que viviam na altura na Holanda, esta foi organizada por refugiados políticos iranianos.

Interessante o mesmo amadorismo caótico: o microfone que não funciona como deve ser, os cartazes que caem com o vento, os oradores que não se exprimem convenientemente em holandês. Sinto-me, não com muita saudade, projectado 30 anos no passado, porque na realidade, se trata precisamente do mesmo tipo de gente. Os antigos refugiados portugueses e os actuais iranianos.

Os rapazes, tal como nós, com um aspecto estudadamente desleixado, são uma mistura de militante de esquerda, artista e junk. Nas raparigas o desleixado é ainda mais refinadamente estudado, mas todas elas são bonitas e muito emancipadas...

Um dos tipos da organização tinha espetado na lapela do casaco um broche com a cabeça do Lenine e na sua T-shir estava estampado o inevitável Che. Eu, que nos anos 70 também tinha um enorme cartaz do Che no meu quarto, apontei para o Vladimir e para o Ernesto e disse-lhe em holandês - mas só depois de ter assinado a petição e da minha mulher ter dado dinheiro para a organização - 'são dois assassinos em cima de um homem só'. Ele sorriu e continuou a distribuir folhas A-4 com a declaração da manif. Não creio que tivesse compreendido o que eu disse!

Uma pena não me ter lembrado de perguntar ao leninista iraniano o que ele pensa dos seus camaradas portugueses estilo Renato Teixeira e quejandos. "He pá, sabias que os teus irmãos comunistas em Portugal acham que não se deve ir a esta manifestação? É que assim estás a agir apenas contra o Irão, pior pá, estás a fazer o jogo do capitalismo-imperialista..."


De Rui Neves a 31 de Agosto de 2010 às 10:15
A iraniana em causa mandou matar o marido pelo amante. É por isso que foi condenada. Por assassínio, não por ser mulher ou galdéria... Mas a  verdade não interessa aos Mossadistas.. Ver aqui:

http://www.agoravox.fr/actualites/international/article/ce-mensonge-sur-la-lapidation-en-79904 (http://www.agoravox.fr/actualites/international/article/ce-mensonge-sur-la-lapidation-en-79904)


De carmo da rosa a 31 de Agosto de 2010 às 14:12
@ Rui Neves: "a iraniana em causa mandou matar o marido pelo amante"

Realmente, esta mania de duvidar da boa-fé de um regime democrático e humanista tem que acabar....

 

Pelo menos os muçulmanos são cumpridores com a sua religião. A Bíblia está cheia de incitamentos para lapidar pessoas pelas mais diversas razões mas ninguém mexe uma palha.


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