De Pinto a 31 de Agosto de 2010 às 07:54
Estão a preparar terreno para uma intervenção militar de Israel sobre o reactor nuclear - assim uma espécie do que foi feito ao Osirak iraquiano em 1981. Pelo menos há quem veja esta pressão política por esse prisma.
"(...)
SPIEGEL: There are growing calls in Israel for a military strike against Iran's nuclear facilities -- with or without Washington's approval.
Mottaki: Israel has been talking about this for years. The Zionist regime knows exactly what fate awaits it here. The regime would be putting its own existence at stake with an attack.
SPIEGEL: You would attack Israel?
Mottaki: I have just told you what would happen.
SPIEGEL: Your first reactor, in Bushehr, is scheduled to go online on Sept. 26 after more than 30 years of construction. Do you really want to see the Israelis reduce it to rubble?
Mottaki: Do you have evidence that Bushehr will be attacked? How probable do you think such an attack is?
SPIEGEL: The likelihood is considered high.
Mottaki: We don't see this likelihood.
SPIEGEL: Do you want to ignore reality? Don't you recognize the military threat? Don't you see the worldwide protest against the impending stoning of Sakineh Mohammadi Ashtiani?
(...)"
(excerto da (excelente) entrevista do Spiegel ao Ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano)
Pode ser lida aqui: http://www.spiegel.de/international/world/0,1518,714513,00.html
obrigado, Pinto, por confirmar que os fundamentalistas são todos iguais, todos seguros da sua superioridade moral.
prontsu, somos todos uns malvados. até pq como diz o senhor ministro não há execuções políticas no Irão, que ideia mais triste. sei lá, os presos políticos como Javid Lari, a actvista dos direitos humanos Shiva Nazar Ahari, Zahra Bahrami e tantos outros merecem mesmo a morte por motivos tão válidos como Moharebeh (guerra contra Deus) eMofsed Fel-arz (espalhar a corrupção na Terra).
De Pinto a 31 de Agosto de 2010 às 20:07
Se uma acção militar a um reactor em construção num país cujo presidente diz à boca cheia que Israel deve ser eliminado - por forma a impossibilitar que esse mesmo país desenvolva tecnologia nuclear - é uma atitude fundamentalista, então que dizer da acção militar dos espanhóis sobre a ilha desabitada de Perejil, em 2002, onde foram usados os três ramos das forças armadas e a Guardia Civil, para desocupar a poderosíssima força de 6 (seis) militares marroquinos. Mas obviamente que não foram acusados de qualquer tipo de fundamentalismo.
Imagino o que fariam os espanhóis se levassem com rockets diariamente. E os portugueses; e os franceses; e os alemães; e os ingleses - bem, os ingleses também já vimos em 1982 nas Ilhas Malvinas.
De Romeu a 31 de Agosto de 2010 às 16:37
A culpa é sempre dos judeus.
Agora a Mossad até mete a esquerda europeia a trabalhar em favor de Israel, quem diria.
O Pinto não tem falta de imaginação.
De Pinto a 31 de Agosto de 2010 às 19:52
Uma leitura mais atenta (ou, vá lá, atenta) permitiria perceber que a imaginação não é do Pinto. É do jornalista do Spiegel.
Mas está bem.
De Romeu a 31 de Agosto de 2010 às 20:34
Eu reparei no jornalista do Spiegel, mas percebi que o Pinto subscrevia e usava o jornalista como argumento de autoridade (o que seria parvo também...). Lamento não ter reparado na ironia =p
De Pinto a 31 de Agosto de 2010 às 21:42
É uma ideia parva e absurda para quem, de forma ingénua, vê a política a duas cores: ou preto ou branco.
Obviamente que o jornalista anda tapadinho. Aliás, à excepção dos portugueses, toda a Europa anda a dormir.
De Romeu a 31 de Agosto de 2010 às 22:04
Afinal o Pinto também não tem falta de imaginação.
Desculpe lá, é claro que existe a ameaça militar sobre o Irão, mas ligar os movimentos europeus contra a lapidação no Irão, vindos sobretudo da esquerda, à ameaça bélica israelita sobre o Irão é um grande salto. Salto demasiado grande a meu ver.
Ainda estou para ver alguém dizer que o Irão estava mesmo a merecer ser bombardeado por Israel por causa da lapidação da senhora...
De Pinto a 1 de Setembro de 2010 às 06:41
Não é um ataque sobre o Irão. É um ataque cirúrgico contra um reactor em construção. Em 1981 Israel não estava em guerra com o Iraque e fez exactamente isso.
Não tenho a menor dúvida que a "esquerda europeia", tal como a "direita europeia" (não é uma questão de esquerda ou direita; é uma questão de segurança internacional), se sentisse muito alíviada com esse hipotético ataque. E que, sem poder assumir, o desejasse.
Só os líricos e os ingénuos é que conseguem ver inocência no programa nuclear iraniano.
Ainda me esqueci de uns: aqueles que, interiormente, gostariam de ver Israel destruido.
De nuvens de fumo a 1 de Setembro de 2010 às 09:16
pinto
Não é possível esse ataque, os reactores ( notar o plural ) estão enterrados nas montanhas.
Utilizaram um processo de dispersão de forma a que a perda de um nao comprometa o projecto global.
Os nossos amigos são fanáticos mas nunca foram estúpidos.
De Pinto a 1 de Setembro de 2010 às 21:50
Não sei. Não pertenço à Mossad nem estou a par da tecnologia bélica que os israelitas actualmente possuem. Mas a experiência diz-nos que os israelitas conseguem muitas vezes o que aos olhos do mundo é impossível.
Dá-me a sensação que há quem pule de alegria com o insucesso de Israel, e, em contrapartida, com o sucesso desses povos tiranos que "só" apedrejam mulheres adúlteras até à morte e enforcam homossexuais.
Se, hipoteticamente, esse tampão judaico desaparecesse do mapa era precisamente para o ocidente cristão que esses fundamentalistas se virariam. Muitos dos que, por afeição ideológica e imaturidade, hoje desejam o mal de Israel (ui, há tantos) nessa altura, e quando vissem familiares seus transformados em vítimas, ainda chorariam de saudade por Israel. Enquanto o piri-piri estiver no rabo dos outros para nós é um refresco.
De Romeu a 1 de Setembro de 2010 às 14:45
Sim, Pinto, embora a minha linguagem tenha sido muito pouco específica era isso que eu queria dizer. Óbvio que Israel nunca entraria em guerra total com o Irão, até já atacar somente os reactores é arriscado... No entanto discordo consigo quanto à esquerda europeia: eu considero que era é profundamente anti-israelita e, como tal, não tem problemas em não ver ou não querer ver ameaça sobre Israel nos projectos do Irão (ou até ver uma ameaça justificada...).
De Pinto a 1 de Setembro de 2010 às 21:36
"(...) Óbvio que Israel nunca entraria em guerra total com o Irão, até já atacar somente os reactores é arriscado (...)"
Pois, por causa da reacção da comunidade internacional.
"(...) No entanto discordo consigo quanto à esquerda europeia: eu considero que era é profundamente anti-israelita (...)"
E isso diz muito sobre a esquerda europeia; sobre os valores de humanidade que essa esquerda europeia tanto se arroga e tanto defende. Não há melhor exemplo do conceito de hipocrisia.
"(...) (ou até ver uma ameaça justificada...) (...)"
Claro. Justificada pelo direito de vingança - que consta nos melhores manuais de Direito. Mas depois, quando acontece um episódio como o do 11 de Setembro, lá vem inconscientemente à tona dos nossos paladinos do humanismo aquele sentimentozinho nobre e elegante do "estavam a pedi-las" (1). E depois os americanos é que são broncos.
(1) Esta frase foi usada, em jeito de opinião, por uma conhecida jornalista da nossa praça, após o 11 de Setembro.
De Romeu a 1 de Setembro de 2010 às 22:56
Concordo com quase tudo o que o Pinto disse, excepto no facto de referir a esquerda europeia como o melhor exemplo de hipocrisia.
Sou daquelas pessoas mesmo muito interessadas em ler e conhecer Israel e, sinceramente, vejo hipocrisia nos dois lados: a esquerda é hipócrita porque se diz anti-racista e não-preconceituosa para depois (por motivos ideológicos) ser racista, desinformada e preconceituosa com os judeus e israelitas em particular, e a direita por se escandalizar com caricaturas de papas com preservativos no nariz e depois tratar como anormais muçulmanos escandalizados com caricaturas de maomé com uma bomba na cabeça e por a direita mostrar uma solidariedade com Israel motivada sobretudo pelo racismo e preconceito em relação aos palestinianos e muçulmanos mais do que num apoio moral e informado a Israel.
Olhe, tanto a esquerda como a direita se arrogam como mestres da liberdade e desenvolvimento humano, no entanto uns não vivem sem Estado e outros não vivem sem Deus para controlar o Homem, uns odeiam os ricos os outros odeiam os que estão abaixo deles. É tudo a mesma laia, a diferença quanto muito prende-se no nível de informação, pensamento crítico e maturidade de cada pessoa, e não da corrente político-ideológica que escolhe.
De Romeu a 31 de Agosto de 2010 às 16:35
Essa é uma boa notícia. Mas gostava de os ver fazer o mesmo em relação à expulsão dos ciganos de França. Mas parece-me que nesse caso já não será conveniente...
Enfim..
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