Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

jugular

E continuam as barbáries no Irão

Não admira que o Irão queira rever os curricula das disciplinas de direito e de direitos humanos: para além das execuções públicas, mantidas ao ritmo «normal»,  são cada vez as execuções secretas, ilegais mesmo à luz do que passa por lei no país. De acordo com Ahmad Ghabel, um erudito religioso preso em Vakilabad no princípio do ano, apenas nesta prisão e apenas durante os 3 meses da sua detenção, foram secretamente executados 50 prisioneiros.

 

Ghabel,  libertado sob fiança e detido novamente por ter denunciado as execuções, considera que o governo não fornece dados fidedignos dos enforcamentos nem reconhece as (muitas) execuções secretas para não provocar ultraje a nível nacional mas especialmente internacional.  A Amnistia Internacional e o ICHRI (International Campaign for Human Rights in Iran) têm indicações que corroboram quer a escalada nas execuções quer o aumento da brutalidade do regime. O porta-voz da ICHRI explicou à al-Jazeera que «As autoridades estão a tentar reduzir estes problemas [que as execuções secretas causam a nível nacional] usando punições extremas, que violam as leis iranianas e internacionais, numa política de intimidação cada vez mais brutal».

 

E a brutalidade reflecte-se no aumento das execução e da utilização de tortura nas prisões iranianas mas também na tendência crescente para punições violentas. Há poucos dias, Ebrahim Raisi (ou Raeesi), o responsável máximo do sistema judicial iraniano, elogiou na rádio estatal como um «castigo divino» e «fonte de orgulho/honra» a amputação da mão de um ladrão.

 

Mais concretamente, Raisi afirmou à rádio estatal «Graças à bênção da Revolução Islâmica, realizar a punição divina tem sido praticado desde o estabelecimento da revolução. O nosso objetivo é exactamente levar a cabo as leis islâmicas no Judiciário. É uma das nossas maiores honras implementar o castigo divino. Talvez uma das maiores vantagens do nosso sistema judicial, em comparação com outros sistemas judiciais [do mundo], seja que nós queremos cumprir as regras islâmicas».

 

Em 1988, Raeesi integrava o comité da morte quando o ayatollah Ruhollah Khomeini ordenou a Operação Luz Eterna, durante a qual foram massacrados cerca de 30 mil prisioneiros políticos e suas famílias.  O Grande Ayatollah Hossein Ali Montazeri* escreveu nas suas memórias que o massacre, que considerava um crime contra a humanidade, foi levado a cabo por altos responsáveis do actual governo. Nos documentos que tornou públicos Montazeri demonstra que apenas em 31 de Julho, 3 dias depois do início da operação,  cerca de 3800 pessoas foram assassinadas.

 

*Montazeri era o sucessor de Khomeini mas foi afastado da sucessão devido à sua reacção ao massacre de 1988. Khamenei foi imposto à força e à pressa por Khomeini  quando Montazeri denunciou  o regime de Khomeini como o horror que de facto era. Para Montazeri, que não concordava com o clericalismo introduzido por Khomeini, completamente alheio ao xiismo duodecimame predominante no Irão,  a consciência estava acima de zelo «revolucionário» e foi assim o primeiro prisioneiro de consciência do regime teocrático.  Khamenei, um dos principais protagonistas do massacre, sem quaisquer pergaminhos e sem qualquer reconhecimento teológico mas com reconhecido zelo «sanguinário revolucionário», foi o escolhido por Khomeini.

2 comentários

Comentar post

Arquivo

Isabel Moreira

Ana Vidigal
Irene Pimentel
Miguel Vale de Almeida

Rogério da Costa Pereira

Rui Herbon


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • Anónimo

    Pode dar mais detalhes?

  • Paulo Pinto

    por acaso, a expressão do "saber só de experiência...

  • Luís Lavoura

    o melhor método que temos à nossa disposição para ...

  • Luís Lavoura

    É preciso um certo cuidado, pois o facto de algo n...

  • Filipe Gomes

    O problema das medicinas alternativas é o facto de...

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

Links

blogs

media