Segunda-feira, 22 de Novembro de 2010
João Pinto e Castro

 

A microeconomia postula que a maximização do lucro é o propósito essencial de qualquer empresa. Mas o que deve um gestor fazer no dia a dia para maximizar o lucro? Espremer até à última os fornecedores? Iludir a confiança dos consumidores? Explorar tanto quanto possível os trabalhadores? Serão isso formas recomendáveis e legítimas de uma empresa prosperar?

A verdade é que nenhuma boa empresa é gerida desse modo. Na prática, esse objectivo não é sequer operacional para um empreendimento tão sui generis como a pirataria na Somália, quando para mais para actividades de grande impacto social. Bem pelo contrário, o estudo das boas práticas de gestão (vide Built to Last e Good to Great, de Jim Collins) revela que as empresas mais rentáveis não são aquelas que mais se focalizam na rentabilidade, mas na inovação de produtos e processos, no respeito pelos consumidores, na qualificação dos colaboradores, na construção de redes de fornecedores competentes e por aí fora.

Logo, o dogma da maximização do lucro, em vez de reflectir adequadamente a realidade e de ajudar os estudantes a entenderem como funciona a economia, serve apenas para justificar comportamentos anti-sociais, tais como as decisões de fuga aos impostos que algumas grandes empresas portuguesas anunciaram nos últimos dias. Não se trata de ciência, mas de apologia.

Quem as toma consegue atrair talvez investidores à procura de rendimentos fáceis, mas não investidores estratégicos que confiam numa visão sólida e numa gestão qualificada e persistente do negócio. PT, Portucel e Jerónimo Martins estão a dar ao país e ao mundo a mais crua e auto-destrutíva imagem de si próprias que é possível conceber-se.

Chama-se a isso momento de verdade.


11 comentários:
De antónio a 22 de Novembro de 2010 às 14:21

concordo com o postulado, segundo o qual as empresas são "bem geridas" se fizerem "inovação de produtos e processos, no respeito pelos consumidores, na qualificação dos colaboradores, na construção de redes de fornecedores competentes e por aí fora."

 a minha concordância termina qd afirma (depreende-se do seu texto) q isso n tem nada a ver com maximização de lucro "pró accionista" (como se lê nos manuais de gestão). uma e outra estão intimamente relacionados. são empresas q "vendem" essa imagem, q inovam, que "nos agradam" (consumidores) sob todas as prespectivas (cada um coma sua), que conseguem diminuir rotatividade de colaboradores, e tudo o mais, q se tornam muito rentáveis, com enormes lucros e margens e agradam tanto aos seus accionistas. tentar passar a ideia q  uma coisa (inovação e tal) e outra (lucro..o malfadado lucro)  estão separedas parece-me um profundamente errado, e talvez, até perigoso. o q precisamos é de mts e mts empresas com lucros astronómicos.. diabolizar o lucro n nos levará a lado nenhum..


De Cat2007 a 22 de Novembro de 2010 às 15:04
Peço desculpa, mas a ser verdade, a dimensão e a capcidade económica das empresas que menciona desafia toda a lógica.


De Vasco a 22 de Novembro de 2010 às 15:54
Não se trata de apologia mas sim de LIBERDADE.
A sua retórica é espectacular!! Porque é que não cria uma empresa sua e aplica todos esses princípios?
Isso é que eu gostava de ver... Cuspir para o lado é fácil... e é a única coisa que você sabe fazer.


De João Pinto e Castro a 22 de Novembro de 2010 às 18:31
Agradeço o conselho, mas até hoje já criei ou ajudei a criar cinco empresas e estão todas abertas e bem de saúde.


De Rxc a 22 de Novembro de 2010 às 18:05
E eu que julgava que uma empresa teria tanto mais lucro quanto inovasse e oferecesse ao cliente produtos que correspondessem e também superassem as suas expectativas...É o que vejo na Microsoft, IBM, Cisco, Apple, Google, Sony, Samsung, Volkswagen, BMW, SEAT, etc.
Presumo que o lucro seja totalmente alheio ao conselho de administração e aos accionistas dessas grandes empresas, que insistem em inovar e em oferecer produtos cada vez melhores e mais interessantes.


De Romeu a 22 de Novembro de 2010 às 21:34
Pois, é mesmo estranho, é que isso nem maximiza a rentabilidade nem nada. De facto, este post mostra sem sombra de dúvida como essas empresas estão totalmente alheadas disso.


Maximizar o lucro só pode passar por iludir e trair as pessoas. Claro, porque quem faz dinheiro é porque são maus da fita e é como se o roubassem aos outros.


Já gastar mal o dinheiro e depois ir dizer às empresas que vão ter de pagar as contas não é roubar nem iludir nem nada. São impostos.


São teorias fabulosas, estas do João Pinto e Castro.


De Carmim a 22 de Novembro de 2010 às 23:13
É surpreendentemente triste observar os comentários feitos ao texto publicado.
Fico com a ideia que vivemos todos num pais de gente desonesta que desconhece em absoluto o conceito da palavra ética.


De Artur a 23 de Novembro de 2010 às 02:32
Esta caixa é só aprendizes de gestão a despejar o text-book...


De joao vieira a 22 de Novembro de 2010 às 23:28
teoricamente o sr do estudo tem razão. teoricamente


De JMG a 22 de Novembro de 2010 às 23:42
Cambada de gente mais desonesta, a querer tirar ao Estado o que o Estado não tem direito a receber. No meu agregado familiar há rendimentos que saem do Orçamento, sobre os quais incidem impostos que, para o ano, vou aumentar. Pois eu estou disposto a pagar desde já esses impostos futuros desde que o Estado me antecipe os respectivos rendimentos. Mas isso sou eu, um cidadão exemplar.


De Dédé a 23 de Novembro de 2010 às 12:42
Porque é não escreve um livro? Tipos:

JOÃO NO PAÍS DAS BOAS PRATICAS


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