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Fanáticos da ruralidade

 

Quem investiga por que é tão baixa a produtividade em Portugal acaba mais tarde ou mais cedo por tropeçar no tema da dispersão da nossa população.

Permanecemos um dos países menos urbanizados da Europa (segundo algumas fontes o menos urbanizado), o que implica custos elevadíssimos de infra-estruturação do território para proporcionar às populações serviços básicos de água, electricidade, telecomunicações, transportes, educação e saúde.

Um dos principais obstáculos à resolução destes problemas é a persistente ideologia ruralista que, invocando o bucolismo de qualquer aldeia miserável perdida no alto de um monte, combate a concentração urbana e exige que o Estado vá levar à porta de qualquer eremita tudo aquilo que ele entenda exigir.

O post que o José M. Castro Caldas escreveu sobre o eventual encerramento do ramal Lousã - Coimbra encaixa perfeitamente neste género literário. A dita linha férrea tem quase 30 kms de extensão e atravessa uma região insuficientemente povoada para justificar a utilização quotidiana intensiva de um comboio urbano (seja ele pesado ou ligeiro). Isso não comove, porém, o opinante.

Segundo depreendo, o grande argumento para continuar a haver essa ligação ferroviária é que dantes havia, mas eu tenho alguma dificuldade em me deixar impressionar pela força de tais razões.

Como seria de esperar, o José M. Castro Caldas considera desprezível a pequena dificuldade da, como ele escreve, "falta de verba". Ele vive na Lousã, dava-lhe jeito a automotora, que mais haverá a dizer? A verba tem que vir de algum sítio - provavelmente, do tal "imposto sobre as grandes fortunas" que duma vez por todas resolveria os problemas do país.

No mundo real, a "falta de verba" é uma dificuldade recorrente, de modo que é preciso fazer escolhas: ou ela vai para uma coisa, ou vai para outra. "Metros" na Lousã e em Mirandela não passarão certamente num teste de mérito comparativo face a outras alternativas mais prementes e racionais.

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