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jugular

mais vil baixeza

um candidato presidencial que apela na sua campanha à repartição dos sacrifícios por todos, sugerindo que os trabalhadores no sector privado tenham também corte de salários e dando como exemplo os gestores que ganham 'muito bem' (quanto será, para uma pessoa que até agora, como presidente e recebendo as pensões ao mesmo tempo, ganhava mais de 280 mil euros por ano, 'ganhar muito bem' e merecer cortes?); um candidato que termina a campanha a apelar à criação de um imposto especial para os ricos (que devem ser, naturalmente, pessoas que recebem muito mais que 280 mil euros por ano); um candidato que passadas as eleições (que por acaso ganhou) dá nota da sua decisão de, face à necessidade, imposta por lei, de escolher entre as duas pensões que acumula (de cerca de 10 mil euros mensais e não foram objecto de qualquer corte) e o salário de presidente (que foi, como o de todos os servidores do estado, diminuido em virtude do orçamento de 2011 que o candidato, enquanto presidente, promulgou), preferir ficar com as pensões que até então acumulava com o salário, está sem dúvida a tomar uma opção completamente legal e até legítima (afinal, as duas pensões, que antes eram inferiores ao do salário de pr, agora ultrapassam-no, devido aos cortes salariais, e o dinheiro faz falta a todos).

 

mas, convenhamos, está também a dizer, muito claramente, que, podendo, se coloca fora do universo dos que são, usando as suas palavras, sacrificados e injustiçados; que aquilo que defende como justiça para os outros não se lhe aplica a si, se o puder evitar.

 

está, em suma, a dizer que o facto de ter sido eleito, e de tanto se ter batido para desempenhar o papel de presidente, não significa que esteja disponível para, em nome do exemplo e da solidariedade e, já agora, daquilo que defendeu durante a campanha, viver com o magro salário, pós cortes, de 6523 euros mais despesas de representação (que segundo a notícia do dn chegam quase a 3000 euros), mais os almoços, lanches e jantares do orçamento de belém (sim, esta é brutalmente demagógica, mas que querem, o exemplo vem do alvo).

 

não é, claro, por acaso que a nota da presidência que informa desta escolha foi divulgada pós eleições -- como não é surpresa que tão poucas vezes esta questão tenha sido colocada ao candidato, mesmo perante as suas afirmações de campanha sobre a distribuição equitativa dos sacrifícios. mas nada disto surpreende, pois não?

 

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