A esquerda caviar encontrou o hino que faltava. A direita a justificação
para a liberalização dos despedimentos. A esquerda a luta contra os
"instalados burgueses". A direita a coberto do apoio à juventude renova
as suas empresas com mão de obra barata.
Lançar novos contra velhos, empregados contra precários, é o objectivo
(não muito) escondido. Para eles (por eles, entenda-se quem nos governa e
quem nos emprega) a "guerra" traduz-se em produzir mais, minorando os
custos do trabalho. Ninguém se lembrou que alguns destes sacrificados
estudantes são impreparados ou licenciaram-se em especialidades para as
quais não existe mercado de trabalho. Estudaram em universidades de má
fama. À la Sócrates. Sempre houve e sempre haverá maus
trabalhadores. Acomodados. Habituados a anos e anos de serviços mínimos.
O que há a fazer é não entrar em dicotomias parvas. Exigir
melhores e mais justas condições para todos. Lutar para que a
distribuição de rendimentos do trabalho seja mais equitativa .
Sem demagogias geracionais.
Um grande número de pais ambicionou (legitimamente) ter os seus filhos
doutores fosse no que fosse. Esqueceram-se que hoje em dia um
electricista ambicioso e trabalhador ganha mais do que a grande maioria
dos doutores.
E as estatísticas da OCDE consideram empregados os recibos verdes e os bolseiros de investigação?
Também vale notar que o importante nesse gráfico não é a altura total, mas sim a altura da parte cor de laranja (diferença entre ter e não ter curso superior) - em Portugal não faz tanta diferença como, por exemplo, na Eslováquia.
Portugal é um dos países da OCDE onde é maior a vantagem salarial decorrente de se possuir uma licenciatura. Mas só se pode adiantar uma verdade de cada vez, de outro modo o público não resiste.
A vossa geração anda a assobiar para o ar... Mas daqui a uns aninhos, quando a geração "deolinda" chegar ao poder, veremos o que acontecerá às vossas reformas...
Caro Rui,
Só uma achega se me permite. Solidariedade intergeracional. Ou você acha que usufruo dos dois salários mínimos que desconto mensalmente ?
Tenho a "sorte" de ser um enorme contribuinte líquido, uma vez que não uso hospitais ou escolas públicas.
E esse tom de ameaça não lhe fica bem.
Quer o seu sucesso à custa da fome dos seus pais?
Cumprimentos,
Fernando Lopes
Caro Fernando, entristece-me que a vida dos meus pais seja sustentar os filhos durante os próximos 15 a 20 anos, altura em que possivelmente os sustentarei eu a eles...
Não fiz uma ameaça, fiz um raciocínio muito pragmático!
Solidariedade intergeracional existe entre aqueles que participam para o esforço de redestribuição. A solidadriedade intergeracional que conheço neste momento é a dos meus pais e dos meus avós para comigo...
Caro Rui,
Compreendo a sua frustração, perfeitamente legítima. Mas olhe que muitos o compreendem.
Nesta situação de emergência social, acho que devemos, antes do mais devemos apoiar os mais frágeis, i.e., os velhos, as crianças e os desempregados.
O que não obsta a que nos empenhemos para que os nossos jovens aspirem ao melhor.
Estou certo de um futuro mais risonho.
Abraço solidário,
Fernando Lopes
P.S. - Aqui solidário, é solidário mesmo, sem o politicamente correcto.
De Pedro a 7 de Fevereiro de 2011 às 16:00
Conclusão: Em todos os países estudar além do secundário melhora a empregabilidade, mas Portugal é o quarto pior no que diz respeito à vantagem conseguida com esse investimento. Portanto, tal como os Deolinda sugerem, dando eco ao senso comum confirmado pelo gráfico, é razoável deduzir que compensa pouco estudar por cá.
Ceguinho, mesmo. O que o gráfico mostra é que Portugal é um dos países onde os licenciados têm mais facilidade em arranjar emprego.
De Pedro a 7 de Fevereiro de 2011 às 16:53
A vantagem conseguida é de facto a quarta menor porque se trata da diferença entre a empregabilidade daqueles que têm menos do que o secundário e a empregabilidade daqueles que têm mais do que o secundário (diferença entre a barra verde e a vermelha).
De NS a 8 de Fevereiro de 2011 às 12:58
Isso é o que você quer ver no gráfico, porque ele não mostra nada disso. Mostra que Potugal é um país com baixa taxa de desemprego na OCDE, que é o segundo país com maior empregabilidade para os não licenciados e que é o terceiro país da OCDE onde a licenciatura constitui o menor incentivo para a obtenção de emprego (talvez a par da Nova Zelândia).
Parece-me que a letra da canção da Deolinda não se refere a desemprego mas sim a emprego precário, nomeadamente recibos verdes.
Não se trata de saber se em Portugal há muito desemprego de licenciados mas sim de saber se o emprego que há tem um mínimo de condições.
Estou certo que o Dr. Pacheco Pereira estará em condições de esclarecer essa dúvida.
De nuvens de fumo a 7 de Fevereiro de 2011 às 16:47
uma coisa é certa, sem curso o tipo de emprego é uma grande porcaria e o salário acompanha em magreza.
muita gente acha que existem cursos certos e altamente empregáveis, e cursos errados que só dão desemprego.
não sei, tomemos engenharia civil e uma universidade, a do porto.
o curso era há uns anos promissor, a universidade uma das melhores de portugal e com provas dadas a nível internacional.
controle de realidade: neste momento o desemprego grassa nesta área. algumas empresas já estão de malas e concelhos de admisnitração embalados para a terra do samba deixando um desrto de oportunidades no país.
azar, parece que nesta coisa da globalização qualquer pardierio serve para fazer dinheiro e a teoria dos quadros qualificados , dos ambientes para agarrar empresas é a mesma treta á lá economia - não funciona e não há formulas mágicas.
Por isso , mais vale ter as competências de investigação, aprendizagem, domínio de novas situações etc, coisas que supostamente se adquire num curso, que não ter nada disso.
Penso que mesmo sem gráfico se pode ter a certeza de que não há melhor investimento que o da educação, nem que não seja por uma questão de melhoria individual.
De Emanuel Silva a 7 de Fevereiro de 2011 às 16:49
Andamos a discutir o quê? O amigo não percebeu o que esta canção discute... Estamos a falar dos FALSOS RECIBOS VERDES! Arranje la um gráfico bonito para justificar a neo-escravatura dos nossos tempos!
Por outro lado olhando para o gráfico que apresenta... falta um dado, a comparação entre um salário de um licenciado em inicio de carreira comparativamente ao SMN. Ai esse gráfico ficará mais cinzento! ;)
Vamos mudar isto! Envia um email aos deputados do partido em que votaste! Pede explicações! Exige respostas!
João Pinto e Castro. Chapeau pelo post.
Enfiei o barrete.
De Filinto a 7 de Fevereiro de 2011 às 17:06
É por essas e por outras que me vou reinscrever no ensino superior. Agora sim, vale a pena.
De nuvens de fumo a 7 de Fevereiro de 2011 às 17:18
se observarem o gráfico que está neste PDF
http://www.oecd-ilibrary.org/docserver/download/fulltext/9610061ec016.pdf?expires=1297099711&id=0000&accname=guest&checksum=27E73512FD393E77F82177BE6470CDF4 (http://www.oecd-ilibrary.org/docserver/download/fulltext/9610061ec016.pdf?expires=1297099711&id=0000&accname=guest&checksum=27E73512FD393E77F82177BE6470CDF4)
Acho que ficará mais claro que em portugal compensa até mais do que noutros países ter curso superior, sendo que a diferença entre níveis parece ser menos intensa que noutros locais.
De Nuno Palha a 7 de Fevereiro de 2011 às 17:39
O post nada tem a ver com os Deolinda e a sua canção... Enfim
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