Sexta-feira, 18 de Fevereiro de 2011
João Galamba

'O Estado não cria riqueza. O Estado recebe e redistribui a riqueza criada pelas empresas'

 

Pedro Passos Coelho

 

Já que Pedro Passos Coelho tem dedicado o seu tempo a analisar propostas do gabinete de estudos para as várias áreas de governação, podia aproveitar o balanço e pedir que lhe fizessem um power point com um resumo da história da economia de mercado. Convém que perceba que o desenvolvimento económico sempre foi uma gigantesca parceria público-privada. Aliás, era por isso que Marx julgava necessário abolir o Estado.

11 comentários:
De Ricardo a 18 de Fevereiro de 2011 às 07:55
Eu não li os livros de história economica que o João Galamba leu.  Mas em contrapartida, tenho um dicionário em casa.  Uma "parceria"?


Quando trabalho, pago impostos e tenho o direito de usufruir de serviços públicos, estou a usufruir de uma parceria?


Não!  


Numa parceria os termos da parceria são negociados.  Em Portugal, empresas e trabalhadores pagam impostos que são literalmente impostos.  Se não pagam, vão para a cadeia. Mesmo que os impostos sejam completamente desrazoáveis.  


E recebe-se um serviço público cuja qualidade não está assegurada.  Quantas escolas públicas péssimas existem?  E porque é que eu tenho que pagar a RTP, se nem sequer a vejo?  E que tal andar a descontar fortunas para uma Segurança Social de que eu nunca vou beneficiar?


Uma parceria, pode ser negociada e até abandonada.  A relação entre os Privados e o estado é mais ou menos como a relação do pequeno comerciante que é explorado pela Máfia.


De nuvens de fumo a 18 de Fevereiro de 2011 às 14:49

caro jg.

deixe-o falar, quanto mais o homem fala mais se cria vazio À sua volta.
é o buraco negro da política portuguesa, um peru inchado
devemos todos garantir que chega até às próximas eleições



De Guilherme Pereira a 18 de Fevereiro de 2011 às 14:57

Para alçar-se ao poder mais a pandilha, meu caro deputado, o puto coelho será tudo, acredite - marxista convicto, liberal arrependido, social democrata de primeira, segunda ou terceira vias, democrata dos quatro costados, democrata cristãozito.

Agora, Galamba, VALE MESMO TUDO.

A entrevista-frete, ontem, da dócil Judite de Sousa, foi a demonstração do que nos espera, sobretudo por parte dos media que temos.

Aqui para nós que ninguém nos lê.

O rapaz Coelho desarrincou agora uns duzentos tipos que lhe tecem, dizem, as linhas do programa eleitoral.

Tudo bem.

Essa gente entretém-se e, aliás, muitos delas já estiveram com o CDS e até o PS - por exemplo naqs NOVAS FRONTEIRAS.

Pena que não divulguem o nome dessa rapaziada.

Seria bué da fixe.

Por mim, eleitor de esquerda e livre pensador, espero para ver.

Se as eleições fossem àmanhã, votaria SEM HESITAÇÃO no engenheiro José Sócrates, a quem nada devo, a não ser ter-me sacado uns largos milhares de cêntimos como professor catedrático.

Aceito.

É para todos, é para mim.


De Marcelo do Souto Alves a 18 de Fevereiro de 2011 às 15:48
"O Estado não cria riqueza" é talvez o maior disparate político que já ouvi em toda a minha vida! Pedro Passos Coelho ou não sabe nem sonha o que é e para que serve o Estado, ou tem como objectivo político combatê-lo, por dentro. Se é assim, não tem qualquer legitimidade para pretender exercer cargos de estadista. Se não é assim, bom, então pode dar-se o caso de Pedro Passos Coelho ser apenas uma espécie de boneco falante.


De kurtz a 18 de Fevereiro de 2011 às 19:54
para que serve o estado?


De José Luiz Sarmento a 19 de Fevereiro de 2011 às 12:41
Para que serve o Estado? Pedindo desculpa por eventuais imprecisões de tradução, na qual mantenho o uso de maiúsculas e a pontuação idiossincrática do autor, dou a palavra a Thomas Hobbes, que assistiu no séc. XVII à invenção do Estado Moderno e ajudou a fundamentá-lo teoricamente:

<i>É assim manifesto que, quando os homens vivem sem um poder comum que os mantenha em respeito, vivem na condição a que se chama Guerra; e uma guerra tal, que é de cada homem contra cada homem. Porque a GUERRA não consiste só na Batalha, nem no acto de lutar; mas num período de tempo em que a vontade de competir com recurso à Batalha é suficientemente conhecida: e consequentemente a noção de</i>Tempo<i> tem que ser considerada na natureza da Guerra; tal como é considerada na natureza do Clima. Pois, do mesmo modo que a natureza dum Mau clima não reside num aguaceiro ou dois; mas sim na tendência para tal de muitos dias juntos: Assim a natureza da Guerra não consiste na luta em si mesma; mas na conhecida disposição para ela durante todo o tempo em que não haja garantia em contrário. Qualquer outro tempo é de PAZ.</i>

<i>Tudo aquilo, portanto, que é consequente a um tempo de Guerra, em que cada homem é Inimigo de cada homem; o mesmo é consequente a um tempo em que os homens vivam sem outra segurança que não seja a que lhes é fornecida pela sua própria força e pela sua própria invenção. Numa tal condição não há lugar para a Indústria; porque o respectivo fruto é incerto: e consequentemente para o Cultivo da Terra; nem para a Navegação, nem para o uso de mercadorias que possam ser importadas por Mar; nem para Edifícios cómodos; nem para Instrumentos que permitam mover ou remover coisas que requeiram muita força; nem para o Conhecimento da face da Terra; nem para a contagem do Tempo; nem para as Artes; nem para as Letras; nem para a Sociedade; mas sim, o que é o pior de tudo, o medo constante e o perigo de morte violenta; E a vida do homem, solitária, pobre, sórdida, brutal e curta.</i>

O que acima se transcreve é um excerto do <i>Leviathan</i>, publicado em 1651. Nos 360 anos entretanto decorridos ninguém refutou, no essencial, a tese apresentada. Os poucos que tentaram fazê-lo, sem êxito, foram os economistas clássicos do séc. XIX, incluindo Karl Marx; os anarquistas e anarco-sindicalistas do fim do séc. XIX e início do séc. XX; e os anarco-capitalistas radicais dos fins do séc. XX e início do séc. XXI. Pedro Passos Coelho está, como vê, em boa companhia.

A riqueza não se cria, produz-se. E não se produz sem o Estado.


De Marcelo do Souto Alves a 23 de Fevereiro de 2011 às 15:51

Elementar, obrigado...


De Marcelo do Souto Alves a 23 de Fevereiro de 2011 às 15:48
O sólido, o líquido, ou o gasoso?


De Hobbes a 20 de Fevereiro de 2011 às 11:29
É curioso que se mencione o Hobbes num post sobre essa frase de Pedro Passos Coelho...porque para Hobbes o Estado surge para evitar a ambiguidade que decorre de os indivíduos poderem estabelecer autonomamente no estado de natureza o que é o Bem e para estabelecer um consenso sobretudo semântico (o Bem deve querer dizer o mesmo para todos) que permita legitimar um poder coercivo unificado capaz de garantir os contratos e assegurar os benefícios da interacção social livre (criação e usufruto da riqueza). Portanto: o Estado é um artefacto criado sob a ficção da representação que não cria riqueza (não são essas as funções do Estado para Hobbes, que admite até um certo grau de distribuição para garantir a sobrevivência dos pactantes) mas assegura as condições para a criação de riqueza (por parte de indivíduos livres). Não terá sido isto que Passos Coelho disse de uma forma simples?
 
Pode ou não concordar-se com isto, mas querer fazer parecer que é uma parvoíce sem fundamento ou um lugar comum é bastante descabido. Parece que o que está aqui em causa é uma "ideia feita" sobre Passos Coelho...


De Marcelo do Souto Alves a 23 de Fevereiro de 2011 às 16:00
Não é nada descabido, nem há aqui ideias feitas, há sim ideias que se vão fazendo, não sem alguma perplexidade.


A parvoíce sem fundamento de dizer que "o Estado não cria riqueza", já percebi, resulta apenas da suprema ignorância e incultura política do jovem Passos Coelho. É que se ele atentasse um minuto que fosse nesta barbaridade que proferiu, atingiria talvez sem grande custo que, se o Estado é que assegura (e ainda por cima em exclusividade!) as condições para a Sociedade (que não é a mera soma aritmética de "indivíduos livres", mas adiante) poder "criar riqueza", isso já se traduz em si mesmo na criação de uma incalculável riqueza!


  Para além desta evidência de Lineu, a consulta atenta (e devidamente assistida) dos dados macro-económicos portugueses permitiria ao jovem candidato a Primeiro-Ministro disto avaliar o exacto peso do Sector Estado na composição do P. I. B. nacional. Dá trabalho, é verdade...


De Hobbes a 25 de Fevereiro de 2011 às 00:52
Mas que confusão vai nessa cabeça...

Confundir o Estado como garante do Direito com o Estado como motor da economia é, de facto, muito rasteirinho...

A preponderância estatal na economia portuguesa resulta da preponderância dos impostos na estrutura de custos das empresas portuguesas - retorquir-lhe-ia o "básico" Passos Coelho. O Estado só é o motor da economia portuguesa porque suga "energia" para ter o motor a funcionar.

Uma coisa é não concordar. Outra coisa é insultar as pessoas, sobretudo quando Passos Coelho o poderia remeter para autores como von Mises e Hayek, com quem 99,9% das pessoas que escrevem nos blogs em Portugal não aguentaria 5 minutos de troca de argumentos...


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