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Alemanha anuncia fim do nuclear!

Até 2022 a Alemanha vai encerrar todas as suas centrais nucleares, responsáveis por um quarto da electricidade produzida no País em 2010.

 

A Alemanha é a 4ª maior economia do mundo e a maior potência económica e industrial da Europa. Ao contrário de Portugal tem empresas que desenvolvem tecnologia nuclear, trabalhadores que dependem dela e recursos renováveis muito menos atractivos do que o Sul da Europa. Tomar esta decisão na Alemanha é portanto muito mais difícil do que em Portugal, onde o investimento nas energias renováveis é uma escolha óbvia quer se utilize um critério económico, ambiental ou social.

 

A imprensa internacional achou este facto muito relevante, em Portugal nem por isso, mas esta notícia é avassaladora para os defensores do nuclear e melhora as perspectivas de desenvolvimento das energias renováveis e eficiência energética no motor económico da Europa. New York Times - Guardian - BBC - Público - Diário de Notícias - Económico - i

 

Como a memória curta também mata, seria interessante ouvir agora os argumentos (ou a falta deles) de Mira Amaral e Pedro Sampaio Nunes na defesa da sua dama, que no pós-Fukushima passou a amiga longínqua de quem provavelmente já não se recordam bem.

 

Repetindo o que já escrevi aqui: a energia nuclear além dos riscos de acidente e de atentado, da falta de transparência desta indústria, do impacte ambiental e de saúde pública ao nível do tratamento dos resíduos e da mineração do urânio, da questão latente do desmantelamento da central, do enorme risco financeiro associado aos projectos “demasiado grandes para falharem”, da reduzida criação de emprego e da ínfima integração nacional, da resistência da opinião pública à construção de uma central, demoraria na melhor das hipóteses uma década até estar operacional, mas tudo isto é redundante porque existe excesso de capacidade instalada no parque electroprodutor nacional.

 

É necessário que independentemente do resultado das próximas eleições, os principais partidos saibam estancar ódios de estimação e preservar a qualidade da política energética seguida na última década em Portugal, recorrendo a actores políticos e institucionais de reconhecida competência e mérito nesta área.

 

Igualmente importante é manter a uma higiênica distância do poder aqueles que persistem de forma obsessiva, por manifesta ignorância ou desonestidade intelectual, na tentativa de destruir uma política nacional que contribuiu para vitórias tão importantes como a de desenvolver em Portugal um cluster industrial state-of-art na área das energias renováveis. O consórcio da ENEOP-ENERCON é um dos maiores sucessos industriais recentes em Portugal: permitiu construir 5 fábrica de raiz e ampliar outras 7, onde trabalham 2000 mil portugueses que em menos de 3 anos desenvolveram um extraordinário know-how em tecnologias renováveis de excelência. Destas fábricas saíram já mais de 1000 dos melhores aerogeradores do mundo, com uma incorporação nacional próxima dos 100%. Esta vitória não é de nenhum partido, é de Portugal!

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