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Alemanha anuncia fim do nuclear!

por Tiago Julião Neves, em 30.05.11

Até 2022 a Alemanha vai encerrar todas as suas centrais nucleares, responsáveis por um quarto da electricidade produzida no País em 2010.

 

A Alemanha é a 4ª maior economia do mundo e a maior potência económica e industrial da Europa. Ao contrário de Portugal tem empresas que desenvolvem tecnologia nuclear, trabalhadores que dependem dela e recursos renováveis muito menos atractivos do que o Sul da Europa. Tomar esta decisão na Alemanha é portanto muito mais difícil do que em Portugal, onde o investimento nas energias renováveis é uma escolha óbvia quer se utilize um critério económico, ambiental ou social.

 

A imprensa internacional achou este facto muito relevante, em Portugal nem por isso, mas esta notícia é avassaladora para os defensores do nuclear e melhora as perspectivas de desenvolvimento das energias renováveis e eficiência energética no motor económico da Europa. New York Times - Guardian - BBC - Público - Diário de Notícias - Económico - i

 

Como a memória curta também mata, seria interessante ouvir agora os argumentos (ou a falta deles) de Mira Amaral e Pedro Sampaio Nunes na defesa da sua dama, que no pós-Fukushima passou a amiga longínqua de quem provavelmente já não se recordam bem.

 

Repetindo o que já escrevi aqui: a energia nuclear além dos riscos de acidente e de atentado, da falta de transparência desta indústria, do impacte ambiental e de saúde pública ao nível do tratamento dos resíduos e da mineração do urânio, da questão latente do desmantelamento da central, do enorme risco financeiro associado aos projectos “demasiado grandes para falharem”, da reduzida criação de emprego e da ínfima integração nacional, da resistência da opinião pública à construção de uma central, demoraria na melhor das hipóteses uma década até estar operacional, mas tudo isto é redundante porque existe excesso de capacidade instalada no parque electroprodutor nacional.

 

É necessário que independentemente do resultado das próximas eleições, os principais partidos saibam estancar ódios de estimação e preservar a qualidade da política energética seguida na última década em Portugal, recorrendo a actores políticos e institucionais de reconhecida competência e mérito nesta área.

 

Igualmente importante é manter a uma higiênica distância do poder aqueles que persistem de forma obsessiva, por manifesta ignorância ou desonestidade intelectual, na tentativa de destruir uma política nacional que contribuiu para vitórias tão importantes como a de desenvolver em Portugal um cluster industrial state-of-art na área das energias renováveis. O consórcio da ENEOP-ENERCON é um dos maiores sucessos industriais recentes em Portugal: permitiu construir 5 fábrica de raiz e ampliar outras 7, onde trabalham 2000 mil portugueses que em menos de 3 anos desenvolveram um extraordinário know-how em tecnologias renováveis de excelência. Destas fábricas saíram já mais de 1000 dos melhores aerogeradores do mundo, com uma incorporação nacional próxima dos 100%. Esta vitória não é de nenhum partido, é de Portugal!

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7 comentários

De Paula R. a 31.05.2011 às 09:09

é certamente de louvar ... mas até ao lavar das cestas é vindima . a memória é curta e a inconsciência e ignorância assustadoras. Quem acompanha a bolsa de lx. terá assistido ao boom da cotação da EDP renováveis a seguir a Fukushima, no entretanto reactores +-- controlados e uma política troika em nada amiga das alternativas e lá está a EDPR a deslizar por ai abaixo. Não existe uma consciência ecológica genuína e consistente, o nuclear continua a ser ponderado por mtos.como uma alternativa energética barata e limpa, quando é potencialmente a mais imunda que pode haver

De Luís Lavoura a 31.05.2011 às 09:45

A decisão da Alemanha é previdente, já que não é nada claro que, daqui a dez anos, vá haver urânio suficiente para manter em funcionamento todas as centrais nucleares atualmente existentes no mundo. E já hoje o urânio está a subir de preço muito rapidamente.

Por outro lado, não é nada claro para mim como é que a Alemanha vai passar sem um quarto da sua atual eletricidade, ou como é que a vai passar a produzir.

De JS a 31.05.2011 às 13:40

Vou deixar aqui este link, com o número de mortes por Terawatt hora produzido http://nextbigfuture.com/2011/03/deaths-per-twh-by-energy-source.html
É esse valor e não qualquer efeito mediático que deve ser usado para avaliar a segurança das formas de produção de energia.

De Tiago Julião Neves a 31.05.2011 às 20:08

A este link só falta mesmo aquele detalhe menor de Chernobyl ter causado um milhão de mortos.


http://www.ens-newswire.com/ens/apr2010/2010-04-26-01.html

De Cristina Torrao a 31.05.2011 às 15:06

Espero que esta atitude da Alemanha sirva de exemplo. Só a Franca tem 52 (52!!!) centrais nucleares. Mesmo assim, a Alemanha é "a maior potência económica e industrial da Europa", com apenas, salvo erro, 17 centrais. Cujo fim está à vista!

Já é altura de dizer algo de bom sobre este país, a guerra já lá vai há mais de 60 anos!

De Luis Zeferino a 31.05.2011 às 18:04

2022 é um ano tãããooo distante....quem sabe o que pode mudar até lá: Quantas eleições passarão. quanto subirá o preço dos combustíveis fósseis....?

De mariana a 14.06.2011 às 01:45

O Tiago Julião Neves infelizmente não percebe nada de energia. Estas especulações são típicas de ignorantes. O Engenheiro Sampaio Nunes sem duvida eh quem mais percebe de energia no nosso pais e talvez mesmo da Europa, basta prestar atenção ao que ele esta a dizer. O T.J.N também não parece perceber muito de política. Se percebesse perceberia que a decisão da Alemanha foi apenas uma táctica para as eleições, como já foi usada no passado por Merkel . Por favor informe-se
Mariana Morais Cabral

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