De António Parente a 31 de Maio de 2011 às 08:46
Não é conversa de taxista. Afirmo-o com conhecimento de causa porque uso o táxi diariamente. Um taxista ficaria indignado com Passos Coelho. Se existe "trabalho cívico" então dê-se emprego, pague-se o salário mínimo e deixe-se de receber o RSI.
De henrique pereira dos santos a 31 de Maio de 2011 às 10:29
Vamos esquecer a ligação idiota entre ser só para quem precisa e a ideia de algum trabalho cívico para quem pode e é apoiado pela sociedade.
Em concreto que razões existem para que quem recebe e pode não deva trabalhar para a sociedade (naturalmente sem isso prejudicar a sua capacidade de procurar trabalho, que também se faz integrando-se num círculo de relações associada ao trabalho cívico mas não chega)?
henrique pereira dos santos
De henrique pereira dos santos a 1 de Junho de 2011 às 09:54
Uma coisa é assumir esse serviço cívico como parte de uma estratégia de diminuição dos abusos (que é o que tem aparecido nos jornais), que me parece uma tolice.
Outra coisa é discutir se, independentemente de haver abusos ou não, não faz sentido que o esforço da sociedade em apoiar as pessoas que ficaram sem emprego e podem trabalhar, não pode ter retorno em algum trabalho cívico.
Tenho ouvido dizer que o subsídoi de desemprego (e o RSI) são direitos das pessoas que decorrem dos seus descontos, mas este argumento não pega pela simples razão de que o RSI não corresponde a descontos das pessoas que os recebem e que se houvesse uma relação directa entre descontos e recebimentos o assunto estaria há muito resolvido através de companhias de seguros. O subsídio de desemprego resulta dos descontos de todos, mesmo dos que nunca estiveram desempregados, sendo por isso um contributo da sociedade no geral para apoio de indivíduos em particular. E acho isso bem.
A pergunta por isso mantém-se: qual é o escândalo das pessoas que podem trabalhar mas não encontram emprego darem algum retorno social através de trabalho cívico?
Se procurar bem no google verá que três ministros do actual governo assinaram um protocolo que materializa isso mesmo: rui pereira, helena andré e antónio serrano fizeram um protocolo de contratação de desempregados para a prevenção de incêndios.
Dir-me-á que uma contratação é diferente de uma obrigação. O RSI e o subsídio de desemprego pressupõem um contrato social e não vejo razão para que não se equacione a hipótese do trabalho cívico entre as obrigações dos beneficiários. Tem aliás amplas vantagens do ponto de vista da sua integração social.
henrique pereira dos santos
Esta medida não faz qualquer sentido, embora radique num fundamento justo, que é o de que o RSI deve comprometer quem o recebe com a Sociedade. Mas a medida em si não é aplicável num Estado democrático e numa Economia livre dita de mercado. Se quem recebe o RSI pode trabalhar (seja idoso e inválido ou não, não gerem mais confusão e preconceito!), então deve ter de provar que procura (e que não recusa) trabalho para poder a ele ter direito.
Mas, por outro lado, qualquer função "cívica" ou tem valia social, ou valor comercial. Neste caso, deve ser entregue ao mercado (social e regulado, bem entendido), naquele, é o Estado que deve assegurá-la. Mesmo que em condições semelhantes a um serviço cívico, mas com regras e com direitos, não "à Lagardère", como se de trabalho indigno se tratasse (como se depreende da treta de taxista que constitui a conversa do P. P. Coelho). Lamentável.
De fernando antolin a 31 de Maio de 2011 às 11:46
Não acho mal que aqueles que PPC identificou como podendo, efectivamente, dar alguma contrapartida pela ajuda que recebem do Estado, o façam. A minha mulher, desempregada há demasiado tempo e constantemente procurando trabalho, enquanto recebeu subsídio de desemprego apresentava-se quinzenalmente no centro de emprego para confirmar que ...continuava desempregada, munida dum dossier onde tinha que registar (com colagens e métodos semelhante) as provas do que tinha feito para arranjar emprego, vendo como o centro de emprego continuava a publicitar anúncios de vagas já ocupadas,( ou seja eram-lhe impostas algumas regras ) enfim, atendendo ao panorama, não me parece assim à partida que seja o caso para se estar já a arranjar outra dita contradição ao PPC, até porque no torneio das patetices e mau-grado a boa vontade do mesmo, o Zézito e sus muchachos ainda levam um bom avanço...
Claro q há regras e nos casos em q se verifique não estarem a ser cumpridas faça-se o q é devido.
De Niamey a 31 de Maio de 2011 às 12:46
dá-me licença que eu use à borla aqui o passos coelho para enviar um aceno a Rui Herbon e dizer que gosto muito da capa daquele disco último da philips e sei as letras todas das canções? ou será mau gosto...porque eu também já não sei dizer coisas sobre passos coelho, Ana.
coelho não tá a imitar o agricultor super chefe da polícia com isto do trabalho escravo? não sei, tou a entrar naquela fase speachless eleitoral.
De O Rural a 31 de Maio de 2011 às 15:21
Passos que ainda não tem rabos de palha tem que fazer o que deve ser feito.
E que não se deixe «socratizar», ou seja dar ou prometer, ou fazer caridade, quando não tem nem «para dar uma esmola a um pobre».
De JLM a 31 de Maio de 2011 às 17:11
Há familias de 4/5 pessoas com 2000 euros/mês (limpos de impostos + casa da câmara a custo zero) sem que ninguém trabalhe. Não é caso raro. E se recitarem com sapiência a novilingua da assistência social a coisa pode ir a mais.
Saber viver nas curvas e contracurvas do estado-providência é um assunto de sitcom há decénios (The Royle Family).
Não percebo o espanto.
Pela amostra junta é natural q não perceba.
De Anónimo a 31 de Maio de 2011 às 17:28
E que mal pode trazer ao mundo algum trabalho a favor da comunidade? Não se trata de trabalhar à borla mas sim contribuir para uma sociedade melhor. Também nós, ao aceitarmos o RSI e ao contribuirmos para ele, estamos a fazer algo em prole desta sociedade. Penso que quem recebe o RSI não terá, felizmente, esse pensamento mesquinho e egoísta "de borla, não mexo uma palha. o país que se lixe".
Onde é q eu escrevi que quem recebe RSI não pode fazer voluntariado?
De Anónimo a 1 de Junho de 2011 às 12:39
Pode e deve, desde que isso não prejudique a procura de trabalho.
Ora aí está mais uma boa ideia do PPC ! Quem receba RSI que preste serviço cívico ou voluntário numa ISS . Esqueceu-se talvez de especificar em que tipo de ISS 's seria ou que tipo de voluntariado terá de ser.
Falar é fácil, passar aos atos já é mais difícil e até porque muitas ISS 's são IPSS's e era mais uma maneira de engordar quem já muito engorda em nome da caridadezinha.
Sou a favor do voluntariado quando prestado à comunidade, como por exemplo no apoio a idosos e deficientes carenciados e vitimas de isolamento ou doença, no apoio à segurança junto das escolas (não confundir com milícias), nos hospitais e centros de saúde, no apoio ao turismo e vigilância das costas no período balnear, na prevenção dos fogos e na defesa da floresta, etc. mas sem se transformarem em mais mão-de-obra barata em proveito de particulares ou empresas que apenas visam o lucro como objetivo final.
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