Sexta-feira, 16 de Setembro de 2011
João Pinto e Castro

Quem recorda os rudimentos da microeconomia que se aprende nas escolas sabe que o preço de um bem ou serviço deve ser igual ao seu custo marginal.

Ora o custo marginal da passagem de mais um carro numa auto-estrada não congestionada é zero; logo, nessas circunstâncias, o preço deve ser zero. A cobrança de portagem não tem racionalidade económica. Agora, leiam isto:

Segundo se pode ler nesta peça do Público, “Governo remete resposta sobre portagens nas ex-SCUT para estudo do executivo “, as receitas obtidas com as atuais Ex-Scuts portajadas correspondem a 1/3 do esperado, pondo em causa a razoabilidade da nova modalidade dado que as infraestruturas, por um lado ficam claramente sub-utilizadas (diminuindo o seu potencial impacto positivo na atividade económica das respetivas regiões) e, por outro, não geram receitas significativas que permitam ajudar a financiar as compromissos assumidos pelos Estado junto das concessionárias. No estado atual as ex-scuts portajadas parecem representar uma situação de perda global para o Estado e para os utentes, eventualmente manter-se-á indiferente para as concessionárias.

Vêem o que acontece quando a estupidez toma conta de um país?


9 comentários:
De Manolo Heredia a 16 de Setembro de 2011 às 16:57
Para perceber esta charada falta um dado muito importante: o tráfego aumentou, diminuiu ou manteve-se; relativamente ao tempo em que não havia portagem.

Ou então "as receitas esperadas" referiam-se a que realidade após a instituição de portagens.

Só sabendo a resposta a uma destas perguntas é que se pode avaliar se houve ou não calinada d'O Público

 


De João Pinto e Castro a 16 de Setembro de 2011 às 17:15
Não há aqui nenhuma calinada do Público.


De Eduardo a 16 de Setembro de 2011 às 18:28
Não deve ter lido o livro todo. O P=Cmg em condições especiais, nomeadamente concorrência perfeita. Ora, ninguém escolher outro operador para percorrer a mesma auto-estrada. Além disso, o preço tende para a concorrência marginal, não se descola directamente para esse ponto. O que percebe de Economia?! Além disso, o Cmg da passagem na AE não é zero!!!!!!! Como pode dizer isso? Ou não percebe nada de Economia ou quer enganar os seus leitores.


De prefiro ser anónimo a 16 de Setembro de 2011 às 21:25
"Não deve ter lido o livro todo. O P=Cmg em condições especiais, nomeadamente concorrência perfeita."


Não era isso que JPC queria dizer. O que ele queria dizer é que um óptimo de Pareto só é atingido se o P=CMg. Quando JPC falou em "deve" estava a falar num sentido normativo.


"Além disso, o Cmg da passagem na AE não é zero!!!!!!! Como pode dizer isso? Ou não percebe nada de Economia ou quer enganar os seus leitores."


Obviamente que não é zero, mas, obviamente também, é praticamente zero, pelo que é uma simplificação perfeitamente razoável. Mas se preferir, onde leu zero, pode ler meio cêntimo.


De Siegfried a 17 de Setembro de 2011 às 21:05
Não é verdade que um óptimo de Pareto só é atingido se P=Cmg. Sugiro que (re)descubra os teoremas fundamentais da economia do bem-estar.


P=Cmg é, de facto, o vulgar preço de equilíbrio em concorrência perfeita. (E, no longo prazo, é  P=Cmg=Cmédio)


No entanto, no caso dos chamados monopólios naturais como é, eventualmente, o caso da auto-estrada, P=Cmg implica prejuízos, pelo que não faz sentido económico (atenção que custo de oportunidade é subjectivo, pelo que aqui assumo custo na óptica do Estado). As não convexidades neste caso minam esse raciocínio da "elementar microeconomia". 


De Basico a 16 de Setembro de 2011 às 22:19
Os seus posts ha muito deixaram de fazer sentido...


De henrique pereira dos santos a 17 de Setembro de 2011 às 07:24
Nesta matéria, a estupidez tomou conta do país há uns bons anos atrás quando um ministro das obras públicas resolveu, para pôr mais rapidamente em execução o seu plano de estradas, transferir do privado para o Estado o risco nas parcerias publico privadas (naturalmente os privados estavam relutantes em investir em estradas onde não passa ninguém se o risco de tráfego fosse seu).
Esse ministro tem um nome: Jorge Coelho.
henrique pereira dos santos


De Carlos a 17 de Setembro de 2011 às 16:59

O cmg de uma bica anda ainda mais perto do zero e que eu saiba não há nenhuma tendência no mercado para o preço ser zero.


De eu a 18 de Setembro de 2011 às 22:49
Ramey Pricing


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