Sexta-feira, 30 de Setembro de 2011

No início da semana, o pastor Youcef Nadarkhani,  convertido ao cristianismo muito jovem, era um ilustre desconhecido que engrossava as fileiras dos iranianos condenados à morte pelas mais espúrias razões.  Hoje, o seu nome está nas primeiras páginas e editoriais da imprensa internacional de referência. Nadarkhani, de 33 anos, preso em 2009 por apostasia, poupado por um recurso do Supremo em Julho, viu o seu "crime" reexaminado por um tribunal de Rasht, num julgamento que  terminou na 4ª feira. Na última sessão, o "criminoso" recusou, mais uma vez, a magnânima oferta judicial: repudiar a sua religião e converter-se ao islamismo dos seus pais. O tribunal provincial de Gilan condenou-o ao mesmo destino do pastor da Assembleia de Deus, Hossein Soodmand, executado em 1990 pelo mesmo "crime": morte por enforcamento.

 

Como refere o advogado do pastor, a apostasia não é, supostamente, crime no Irão, pelo que ele tem esperanças de que a sentença não seja concretizada. Esperemos que a mesma sorte espere os 7 bahai's que tentavam ministrar algum conhecimento aos jovens da sua fé, impedidos de frequentar a universidade, através do Baha'i Institute for Higher Education (BIHE). Um dia antes da sentença de Yocef, começaram a ser julgados no Tribunal Revolucionário de Teerão, sem direito a advogado, preso uns dias antes e, de acordo com o IINS, já foram condenados a 20 anos de prisão.

 

Junto as minhas às muitas críticas que ambos estes casos têm merecido e já assinei e subscrevi tudo o que encontrei para pedir liberdade para os presos do totalitarismo religioso. Só tenho pena de não ter encontrado nenhuma campanha ou sítio onde manifestar a minha indignação pelos três anónimos enforcados no mesmo dia em que o BIHE foi encerrado,  "culpados" de lavat, o termo utilizado na "lei" islâmica para designar sodomia. 

 

Como explicou Mahmood Amiry-Moghaddam ao The Independent, «As autoridades iranianas costumavam apresentar estes casos como violações de forma a tornar as execuções mais aceitáveis e evitar muita atenção internacional (...)  este é o único caso em anos recentes em que a única base para a sentença de morte é uma relação homossexual». Mas parece que a atenção internacional anda um pouco distraída nos últimos tempos : foram muito poucos os artigos que a execução de 3 pessoas por homossexualidade mereceu... 

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3 comentários:
De João Carlos a 1 de Outubro de 2011 às 09:21
Lendo a imprensa beata, é exactamente ao contrário: os homossexuais enforcados tiveram toda a atenção (cerca de 20 artigos, zero apelos internacionais) e o pobre cristão perseguido (milhares de artigos, apelos de Obama, etc., etc., ) relegado because "the press... just doesn't get religion - http://www.getreligion.org/2011/09/got-news-clock-ticking-louder-in-iran/


Cristofobia, é o que é, como afirmou na assembleia da ONU o secretário de estado do vaticano, o arcebispo Dominique Mamberti (http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=283728). Já os homossexuais, como o vaticano bem mostrou com a sua oposição à proposta da ONU que recomendava o fim da perseguição a homossexuais, merecem tudo o que lhes aconteça.


De João Carlos a 1 de Outubro de 2011 às 09:28
Para complementar, para o Vaticano só interessa a liberdade religiosa, o resto são fait divers, incluindo o direito à vida:


“O respeito da liberdade religiosa” é “a pedra fundamental do edifício
dos direitos do homem”: sublinhou em Nova Iorque D. Dominique Mamberti,
secretário do Vaticano para as Relações com os Estados, intervindo na
sexagésima quinta sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas. O
prelado advertiu que, “se falta a liberdade religiosa, todos os direitos
do homem correm o risco de passarem a ser (considerados) uma concessão
dos governos ou, quando muito, o resultado de um equilíbrio de forças
sociais, por sua natureza variável”.



http://storico.radiovaticana.org/por/storico/2010-10/426708_o_arcebispo_dominique_mamberti_sem_uma_viragem_etica_na_politica_e_na_economia_nao_serao_atingidos_os_objectivos_do_milenio.html


De MRC a 2 de Outubro de 2011 às 02:29

Mais uma vez enalteço (ao contrário de outras ocasiões) a Palmira por estes posts muito oportunos.
A condenação à morte por motivos de ordem religiosa ou de opção sexual é uma aberração que deveria ser denunciada à escala mundial.
É inacreditável e seria bom que muita gente aderisse às petições que existem na net sobre o assunto. 


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