Segunda-feira, 3 de Outubro de 2011

Em cada relatório da OCDE para que olho, pelo menos uma "realidade" nacional que é propagada (e propagandeada) aos 4 ventos é desmistificada. Depois de a Mariana nos ter explicado que «Portugal gasta menos em saúde do que a média da OCDE» e que «Portugal apresenta melhores indicadores de qualidade e tem menos despesa per capita que a média da OCDE», uma inspecção do Health at a Glance indica que Portugal, em 2008, era o país do euro (e o 4º em toda a OCDE) onde os cidadãos mais custearam directamente, em percentagem, as despesas de saúde. Nesse ano, pagámos quase 30% dos gastos totais com saúde, uma percentagem não só acima das médias da OCDE e da zona euro, para os países em que há dados, como muito acima daquela que a Organização Mundial de Saúde recomenda.

De facto, no relatório divulgado o ano passado, a OMS recomenda que este valor não supere os 15% a 20% da despesa total com saúde. De acordo com a OMS, as despesas directas com cuidados de saúde levam, todos os anos, 100 milhões de pessoas abaixo do limiar da pobreza. Numa altura em que todos os dias mais barro vai sendo lançado à parede sobre os aumentos dos contributos "directos" da população para combater o défice, é curioso que a OMS diga que "o objectivo a longo prazo deve ser reduzir o nível de pagamentos directos abaixo de 15% a 20% da despesa total em saúde", embora reconheça que isso não é fácil, uma vez que aumentar os custos directos para o doente é "uma opção atraente em períodos de recessão económica". Atraente e fácil, diria, em particular para quem não sabe melhor.
De
jcd a 3 de Outubro de 2011 às 09:31
Escreveu a Palmira:
"...Portugal, em 2008, era o país do euro (e o 4º em toda a OCDE) onde os cidadãos mais custearam, em percentagem, as despesas de saúde."
Esta frase está errada. Os cidadãos custeiam 100% das despesas de saúde, em todos os países, parte através dos impostos, parte através do pagamento do serviço (directamente ou via seguro) e parte através de taxas pagas para aceder aos serviços de saúde.
O que esse gráfico diz é apenas que uma ou duas dessas partes em percentagem do total são maiores que nos outros países da OCDE.
Meu caro:
Não há volta a dar: o que o post diz é simples, a nossa contribuição directa para as despesas de saúde é a maior da zona euro e a 4ª maior de toda a OCDE - pelo menos para os países em há dados.
De qq forma, acrescentei um "directamente" para não haver dúvidas :)
De Pedro Sousa a 3 de Outubro de 2011 às 09:54
Até que enfim que alguém olha para a realidade sem o enviesamento político (pró-direita) que vê o nosso país como um "monstro despesista". Infelizmente nenhum jornal vai difundir estes gráficos. Eu também vejo com frequência estatísticas da OCDE, Eurostat e FMI e as conclusões vão normalmente neste sentido.
Também pegaram no tema aqui, mas de facto uma pesquisa rápida não devolveu mais nada...
"Dos 14 países da Zona Euro, com informação disponível, Portugal é o que aparece em primeiro lugar no que toca às despesas "out-of-pocket", isto é, as despesas que saem directamente do bolso do cidadão quando precisa de aceder a um qualquer cuidado de saúde (quer consultas, quer, sobretudo, medicamentos). Em 2009, e de acordo com as estatísticas mais recentes da OCDE, os portugueses desembolsaram 681,3 dólares em paridade de poder de compra (501 euros), o equivalente a 27,2% do total das despesas de Saúde.
(...)
Apesar da elevada despesa privada, no que toca ao total da despesa per capita com Saúde (inclui a despesa privada directa e a despesa do Estado), Portugal, em 2009, nivelava por baixo na comparação com os restantes membros do Euro. Os dados que, para Portugal só estão disponíveis até 2008, apontam para uma despesa por cidadão na ordem dos 2.508 dólares em PPP, pouco mais de 1.800 euros."
De nuvens de fumo a 3 de Outubro de 2011 às 11:55
Chamar Monstro ao processo de tratar pessoas é que é uma ideia monstruosa.
Vamos a ver no que vai dar esta porcaria de política em que se tenta poupar com o dinheiro de todos o problema da banca.
Daqui a muitos anos não tenho dúvidas que se olhará para estes tempos como um mistério, historiadores passarão anos a debater porque se deixou o país afundar , se deixou o SNS desaparecer etc sem um protesto , sem uma revolta, com um presidente com ares de excesso de idade e um primeiro ministro mole e sem garra.
A dívida , o tal monstro , pelo que vou lendo é privado, a banca e mais uma data de senhores que pelo país nada fizeram a não ser emprestar dinheiro a rodos quando ele ela barato, ficaram sem guito por causa de uma crise internacional que não conseguiram evitar tal era a vontade de ganhar no curto prazo.
Por isso , esta ideia de se poupar na saúde dos pobres, esta ideia de se deixar as pessoas morrer para se injectar milhares de milhões nas pessoas que provocaram, incentivaram e aumentaram a crise não pode acabar bem.
Entretanto vai-se dando aos privados os seguros de saúde que como qualquer pessoa que tenha um sabe perfeitamente que não é alternativa a um sns.
Resumindo, isto vai aquecer e depressa
De pedro a 4 de Outubro de 2011 às 11:37
ia escrever algumas coisas sobre o assunto, mas entretanto encontrei quem escreveu melhor do q eu poderia vir a fazer.
http://adoutaignorancia.blogs.sapo.pt/232468.html (http://adoutaignorancia.blogs.sapo.pt/232468.html)
P.S. se já leu esta réplica, as minhas desculpas por aqui colocar o link.
De Pierre a 4 de Outubro de 2011 às 11:38
E que tal aumentar o PIB?
Isto de discutir %s *do PIB* sem se falar deste é estranho.
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