Sexta-feira, 25 de Novembro de 2011

não vi a cobertura que as tvs fizeram da greve geral. mas este tipo de conversa

 

'Seja pública ou seja privada, a televisão e os seus funcionários já têm o discurso ensaiado: as medidas de austeridade são necessárias, e quem se opuser é um agitador criminoso. Os repórteres destacados para acompanhar estes acontecimentos levam o disco formatado e não conseguem sair do guião, até porque estão a ser observados pelo patrão'

 

é simplesmente obscena. e é obscena não porque não haja imenso mau jornalismo ou não jornalismo que passa como jornalismo em portugal (oh se há) mas porque atribuir tudo o que surge -- ou é interpretado -- como visão tendenciosa a pressões patronais, ao medo do patrão ou ao desejo de agradar ao patrão é, além de uma infantilidade estonteante, aviltantemente generalizador e desresponsabilizador. cada jornalista -- leia-se, cada detentor de carteira profissional de jornalista -- é um caso, um autor, uma voz. falemos de cada caso, de cada nome; julguemos cada um pelo que faz. podemos falar de um tom de um órgão de comunicação social, mas não podemos determinar que todos os que ali trabalham o assumem e integram.

 

não consigo sequer começar a perceber como imaginarão as pessoas que funcionam os media. mas uma coisa posso garantir: não é assim.

15 comentários:
De jpm a 25 de Novembro de 2011 às 10:17
a coisa do patrão é a treta do costume e não é para ligar muito, pelo seu simplismo (ainda que acredite que há formas, certamente mais subtis e sofisticadas, de condicionamento do trabalho do jornalista que não devem ser descartadas, muitas delas não assacáveis aos patrões).

Mas a verdade é que enoja ver reportagens como a da RTP que se refere que mais parece uma antecipação do Sporting-Benfica de sábado. Acresce que parece estar na voga esta exaltação em torno do tumulto. Como se depois de tantos anos tivéssemos descoberto o nosso novo farol, a Grécia. E alguma explicação há-de haver para isto que não seja exclusivamente a coincidência de todos os jornalistas se terem de repente encantado como o vórtice da violência.


De f. a 25 de Novembro de 2011 às 13:59
há mtas explicações para isso. simples, para começar: a ideia de conflito apimenta e faz, para a maioria das pessoas, 'boa tv'. talvez devessemos começar por perceber q mtas destas distorções nascem do primado do directo, o qual pressupõe/implica acontecimentos empolgantes. ñ sei q idade tem, jpm, mas suponho q talvez ñ s lembre bem d um tempo em q a informação televisiva ñ s fazia de directos, e os jornalistas ñ eram obrigados a encher horas d emissão com as maiores idiotices e banalidades.


De jpm a 25 de Novembro de 2011 às 14:14
felizmente ou infelizmente já nasci apenas com os directos. Ainda assim, consigo concordar com o que  escreve pelas implicações do directo. mas só isso não explica o êxtase do noticiário que vi ontem. nem as parangonas todas que se fizeram com o perigo de anarquistas e infiltrados e da acção do SIS. Não concordo muito com o que o Sérgio Lavos diz, da maquinação ideológica. Acho que é reduzir tudo a uma única equação tosca. Mas parece-me evidente essa ânsia por tumultos. A cena de ontem foi vergonhosa. E tem uma cadência muito própria que parece seguir com avidez o que se passa na Grécia.


De Niamey a 25 de Novembro de 2011 às 15:03
concordo...mas já não é suficiente, o argumento.


De Tiago a 25 de Novembro de 2011 às 10:44
Sim Fernanda, não há paciência para este tipo de discurso, é verdade que em nada na vida se pode generalizar ao ponto de incluir, ou fazer desvanecer, os bons nos maus. Mas porra as peças da televisão são pobres, muito pobres. Não vi ontem a abertura dos jornais televisivos das 20h mas não devo errar se disser que começaram com os incidentes na escadaria da Assembleia. Num dia de greve geral. Vi por volta das 18h, pouco depois dos incidentes, na SIC, a jornalista de serviço (não sei o nome) a entrevistar manifestantes e aquilo foi muito fraquito. Aliás, e muito sinceramente, que facto positivo se pode tirar de entrevistas em directo depois de confrontos? O que se espera? Acho que só mesmo espetáculo para passar na TV. Numa coisa concordo em absoluto consigo; o mau jornalismo, na sua maioria, não se deve a pressões patronais ou qq coisa parecida. É mesmo incompetência


De f. a 25 de Novembro de 2011 às 14:00
ver a resposta ao comentário acima.


De Guardiola a 25 de Novembro de 2011 às 11:25

Se a observação do Sergio Lavos é obscena é porque a cobertura televisiva da greve de ontem foi obscena. Eu vi. Acho que se puder tambem deve ver e comparar com a cobertura do desfile dos Indignados no final do governo anterior. Altamente indignante. 


De P.A. a 25 de Novembro de 2011 às 11:45
Claro que, como não é como a menina quer, é jornalismo mal feito! Entre uns e outra, o diabo que escolha.


De f. a 25 de Novembro de 2011 às 14:00
hum?


De MCosta a 25 de Novembro de 2011 às 11:47
Percebo a indignação e também eu abomino a generalização. Sou um simples espectador, não sei o que se possa dentro das redacções, mas que as coisas parecem manipuladas contra ou favor de qualquer coisa, parecem mesmo. Se os jornalistas querem que as pessoas percebam outra coisa, que sintam que estão a receber a mais desinteressada descrição dos factos, então é melhor reconsiderarem algumas das suas práxis e AUTO-regularem alguns dos seus membros.


Cumprimentos


De f. a 25 de Novembro de 2011 às 14:00
concordo.


De pedro a 25 de Novembro de 2011 às 16:26
foi muito mau f.
e parecia encomenda... mas podia ser só incompetência...


De Niamey a 25 de Novembro de 2011 às 15:04
e concordo, também.


De Americo Lopes a 26 de Novembro de 2011 às 00:04
As verdades quando incomodas custam a engulir!


De a.santos a 27 de Novembro de 2011 às 23:20
ora senhores. corporativismo balofo. não chega querer ser sério. Tenham os tomates no sítio e denunciem o que todos (já não adivinhamos) sabemos.
O anterior interferia nas notícias. Este interfere com os próprios meios de comunicação. Ou acabar com a televisão e a radio pública deixou de ser interferência? Porque é de acabar que se trata. Daqui a dois anos, cortando-lhe as possibilidades de fazer bom serviço, tá morta. Dá prejuízo, acaba-se de vez. Veremos.
Entretanto, cumprida a tarefa de a denegrir (e de louvar aos Coelhos), estarão os "bons" jornalistas de agora no olho da rua.  E nao serão só da RTP. Serão bem vindos à poule de desempregados. Tivessem coluna vertebral quando era preciso. 


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