Terça-feira, 6 de Dezembro de 2011
João Galamba

Camilo Lourenço, um homem que 'domina as matérias' e que só fala daquilo que sabe, decidiu criticar António José Seguro por este ter dito: 'é tão importante exigir consolidação aos países que têm desequilibrios como os que têm excedentes que coloquem esse dinheiro para dinamizar o consumo interno'. Camilo Lourenço acha que este raciocínio está errado porque a poupança é uma coisa positiva. Não lhe ocorre pensar que Seguro limita-se a constatar uma evidência: se os défices são um desequilibrio, então, os excedentes também têm de ser considerados como tal. Caso contrário, saímos do campo da economia e entramos do puritanismo moralista, onde a poupança é sinal de virtude e os défices a prova da degenerescência moral dos incapazes. De acordo com esta lógica moralista, o ajustamento deve caber exclusivanente aos devedores, que estão em pecado e, por isso, têm de sujeitar as suas economias a uma austeridade regeneradora, sem a qual a salvação não é possível. Já os credores, que são o exemplo da virtude e da prudência, não têm de fazer nada. Este moralismo tem um problema: para além de injusto, é macroeconomicamente insustentável. Para Camilo, a solução para reequilibrar a Europa passa por todos os países se tornarem em pequenas Alemanhas. Que isto seja uma impossibilidade (matemática) é coisa que não preocupa Camilo. O que Seguro diz já tinha sido defendido por Keynes, em Bretton Woods. Infelizmente, os Americanos recusaram as suas propostas. Uns anos depois, com a Europa devastada pelo desemprego e pela recessão, a necessidade de criar o Plano Marshall acabou por dar razão às ideias de Keynes. Ao contrário do que pensa Camilo, Seguro não quer penalizar quem poupa. Quer, isso sim, assegurar que o moralismo defendido por pessoas como Camilo Lourenço não acabe por penalizar tanto quem deve como quem poupa.

15 comentários:
De Joca a 6 de Dezembro de 2011 às 12:19
O Camilo pode ser um pateta mas está descansado que não leva a palma ao Seguro.


De Bob o Comentador a 6 de Dezembro de 2011 às 12:20
Declaração de interesse prévia: eu só estou aqui a comentar porque o maradona tem a caixa d'A Causa completamente cheia e já não cabe lá mais nada.

Dito isto, vou ao assunto. Já se chegou ao ponto de discutir Camilo Lourenço? E por que não o Noddy? Ou a Cátia da Casa dos Segredos? Ou o mais peor, que é um comentador assíduo d'A Causa e que tem muito que se lhe diga?

Vou ver se o 5 dias tem alguma coisa mais comentável. Com o Camilo não me safo.


De Artur a 6 de Dezembro de 2011 às 12:23
Já percebemos onde o António José Seguro foi buscar a sapiência. Então "saímos do campo da economia e entramos do puritanismo moralista, onde a poupança é sinal de virtude e os défices a prova da degenerescência moral dos incapazes". Nem parece vindo de um economista. Não confundamos Economia com Socialismo. O Socialismo pode advogar a penalização de quem cumpre as regras e o perdão a quem as infringe, mas isso não é Economia, é uma visão muito distorcida da realidade.


De Hélio a 6 de Dezembro de 2011 às 12:41
"Ao contrário do que pensa Camilo, Seguro não quer penalizar quem poupa"

Não?! Vejamos o que disse AJS:

"Não entendo porque não se fala em sanções para quem tem excedentes e não os coloca ao serviço da economia"


De AP a 6 de Dezembro de 2011 às 12:45
Penso que para contextualizar o seu texto devia também ter anexado a outra critica de Camilo Lourenço.

http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=523447


De Kirk a 6 de Dezembro de 2011 às 12:45
Bom, eu nao tenho qq formação em economia, mas para mim é liquido que, no actual quadro de relaçoes economicas, num sistema baseado na exploração do Trabalho, é impossivel haver apenas paises ricos. Para haver paises ricos como a Alemanha é  forçoso que haja paises pobres, do mesmo modo que num país, para haver ricos tem que haver pobres, ou pelo menos remediados.
Chiça!
K


De Pedro Estêvão a 6 de Dezembro de 2011 às 14:17

Estou longe de ser um fã de Seguro e a sua conduta em todo o processo do OE deu-me vontade de desatar aos pontapés a tudo o que me aprecia à frente. Mas aqui tenho de lhe tirar o chapéu. O problema é óbvio -  numa União onde 80% das trocas comerciais são internas, os superávites de uns só podem existir à custa dos défices de outros – mas é a primeira vez que vejo um dirigente de um grande partido dizê-lo publicamente. A política de compressão salarial que a Alemanha pratica há mais de uma década – e na qual, infelizmente, o SPD de Schroeder teve grandes responsabilidades – preparou o caminho para a actual crise das dívidas soberanas e continua a ser um dos principais obstáculos à sua superação.


Ah, e vamos sempre ter ao Keynes. Quando se é bom, é-se mesmo bom.


De João Miguel a 6 de Dezembro de 2011 às 15:24
Mas o que é que o Plano Marshall tem a ver com as ideias de Keynes? O PM foi lançado no âmbito da política externa americana, a preocupação de base nunca foi reconstruir economicamente a Europa mas sim travar a influência soviética na Europa.


De Michael Seufert a 6 de Dezembro de 2011 às 15:46
A sério, João? A confusão entre défices orçamentais e défices comerciais é de propósito ou é mesmo distração?


De Silva a 6 de Dezembro de 2011 às 15:50

José Antonio Seguro é ridiculo


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