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Carta aberta ao Sr. Primeiro Ministro

por Ana Matos Pires, em 19.12.11

A carta da Myriam Zaluar, lida no FB e roubada à Joana

 

Exmo Senhor Primeiro Ministro
Começo por me apresentar, uma vez que estou certa que nunca ouviu falar de mim. Chamo-me Myriam. Myriam Zaluar é o meu nome "de guerra". Basilio é o apelido pelo qual me conhecem os meus amigos mais antigos e também os que, não sendo amigos, se lembram de mim em anos mais recuados.
Nasci em França, porque o meu pai teve de deixar o seu país aos 20 e poucos anos. Fê-lo porque se recusou a combater numa guerra contra a qual se erguia. Fê-lo porque se recusou a continuar num país onde não havia liberdade de dizer, de fazer, de pensar, de crescer. Estou feliz por o meu pai ter emigrado, porque se não o tivesse feito, eu não estaria aqui. Nasci em França, porque a minha mãe teve de deixar o seu país aos 19 anos. Fê-lo porque não tinha hipóteses de estudar e desenvolver o seu potencial no país onde nasceu. Foi para França estudar e trabalhar e estou feliz por tê-lo feito, pois se assim não fosse eu não estaria aqui. Estou feliz por os meus pais terem emigrado, caso contrário nunca se teriam conhecido e eu não estaria aqui. Não tenho porém a ingenuidade de pensar que foi fácil para eles sair do país onde nasceram. Durante anos o meu pai não pôde entrar no seu país, pois se o fizesse seria preso. A minha mãe não pôde despedir-se de pessoas que amava porque viveu sempre longe delas. Mais tarde, o 25 de Abril abriu as portas ao regresso do meu pai e viemos todos para o país que era o dele e que passou a ser o nosso. Viemos para viver, sonhar e crescer.
Cresci. Na escola, distingui-me dos demais. Fui rebelde e nem sempre uma menina exemplar mas entrei na faculdade com 17 anos e com a melhor média daquele ano: 17,6. Naquela altura, só havia três cursos em Portugal onde era mais dificil entrar do que no meu. Não quero com isto dizer que era uma super-estudante, longe disso. Baldei-me a algumas aulas, deixei cadeiras para trás, saí, curti, namorei, vivi intensamente, mas mesmo assim licenciei-me com 23 anos. Durante a licenciatura dei explicações, fiz traduções, escrevi textos para rádio, coleccionei estágios, desperdicei algumas oportunidades, aproveitei outras, aprendi muito, esqueci-me de muito do que tinha aprendido.
Cresci. Conquistei o meu primeiro emprego sozinha. Trabalhei. Ganhei a vida. Despedi-me. Conquistei outro emprego, mais uma vez sem ajudas. Trabalhei mais. Saí de casa dos meus pais. Paguei o meu primeiro carro, a minha primeira viagem, a minha primeira renda. Fiquei efectiva. Tornei-me personna non grata no meu local de trabalho. "És provavelmente aquela que melhor escreve e que mais produz aqui dentro." - disseram-me - "Mas tenho de te mandar embora porque te ris demasiado alto na redacção". Fiquei.
Aos 27 anos conheci a prateleira. Tive o meu primeiro filho. Aos 28 anos conheci o desemprego. "Não há-de ser nada, pensei. Sou jovem, tenho um bom curriculo, arranjarei trabalho num instante". Não arranjei. Aos 29 anos conheci a precariedade. Desde então nunca deixei de trabalhar mas nunca mais conheci outra coisa que não fosse a precariedade. Aos 37 anos, idade com que o senhor se licenciou, tinha eu dois filhos, 15 anos de licenciatura, 15 de carteira profissional de jornalista e carreira 'congelada'. Tinha também 18 anos de experiência profissional como jornalista, tradutora e professora, vários cursos, um CAP caducado, domínio total de três línguas, duas das quais como "nativa". Tinha como ordenado 'fixo' 485 euros x 7 meses por ano. Tinha iniciado um mestrado que tive depois de suspender pois foi preciso escolher entre trabalhar para pagar as contas ou para completar o curso. O meu dia, senhor primeiro ministro, só tinha 24 horas...
Cresci mais. Aos 38 anos conheci o mobbying. Conheci as insónias noites a fio. Conheci o medo do amanhã. Conheci, pela vigésima vez, a passagem de bestial a besta. Conheci o desespero. Conheci - felizmente! - também outras pessoas que partilhavam comigo a revolta. Percebi que não estava só. Percebi que a culpa não era minha. Cresci. Conheci-me melhor. Percebi que tinha valor.
Senhor primeiro-ministro, vou poupá-lo a mais pormenores sobre a minha vida. Tenho a dizer-lhe o seguinte: faço hoje 42 anos. Sou doutoranda e investigadora da Universidade do Minho. Os meus pais, que deviam estar a reformar-se, depois de uma vida dedicada à investigação, ao ensino, ao crescimento deste país e das suas filhas e netos, os meus pais, que deviam estar a comprar uma casinha na praia para conhecerem algum descanso e descontracção, continuam a trabalhar e estão a assegurar aos meus filhos aquilo que eu não posso. Material escolar. Roupa. Sapatos. Dinheiro de bolso. Lazeres. Actividades extra-escolares. Quanto a mim, tenho actualmente como ordenado fixo 405 euros X 7 meses por ano. Sim, leu bem, senhor primeiro-ministro. A universidade na qual lecciono há 16 anos conseguiu mais uma vez reduzir-me o ordenado. Todo o trabalho que arranjo é extra e a recibos verdes. Não sou independente, senhor primeiro ministro. Sempre que tenho extras tenho de contar com apoios familiares para que os meus filhos não fiquem sozinhos em casa. Tenho uma dívida de mais de cinco anos à Segurança Social que, por sua vez, deveria ter fornecido um dossier ao Tribunal de Família e Menores há mais de três a fim que os meus filhos possam receber a pensão de alimentos a que têm direito pois sou mãe solteira. Até hoje, não o fez.
Tenho a dizer-lhe o seguinte, senhor primeiro-ministro: nunca fui administradora de coisa nenhuma e o salário mais elevado que auferi até hoje não chegava aos mil euros. Isto foi ainda no tempo dos escudos, na altura em que eu enchia o depósito do meu renault clio com cinco contos e ia jantar fora e acampar todos os fins-de-semana. Talvez isso fosse viver acima das minhas possibilidades. Talvez as duas viagens que fiz a Cabo-Verde e ao Brasil e que paguei com o dinheiro que ganhei com o meu trabalho tivessem sido luxos. Talvez o carro de 12 anos que conduzo e que me custou 2 mil euros a pronto pagamento seja um excesso, mas sabe, senhor primeiro-ministro, por mais que faça e refaça as contas, e por mais que a gasolina teime em aumentar, continua a sair-me mais em conta andar neste carro do que de transportes públicos. Talvez a casa que comprei e que devo ao banco tenha sido uma inconsciência mas na altura saía mais barato do que arrendar uma, sabe, senhor primeiro-ministro. Mesmo assim nunca me passou pela cabeça emigrar...
Mas hoje, senhor primeiro-ministro, hoje passa. Hoje faço 42 anos e tenho a dizer-lhe o seguinte, senhor primeiro-ministro: Tenho mais habilitações literárias que o senhor. Tenho mais experiência profissional que o senhor. Escrevo e falo português melhor do que o senhor. Falo inglês melhor que o senhor. Francês então nem se fale. Não falo alemão mas duvido que o senhor fale e também não vejo, sinceramente, a utilidade de saber tal língua. Em compensação falo castelhano melhor do que o senhor. Mas como o senhor é o primeiro-ministro e dá tão bons conselhos aos seus governados, quero pedir-lhe um conselho, apesar de não ter votado em si. Agora que penso emigrar, que me aconselha a fazer em relação aos meus dois filhos, que nasceram em Portugal e têm cá todas as suas referências? Devo arrancá-los do seu país, separá-los da família, dos amigos, de tudo aquilo que conhecem e amam? E, já agora, que lhes devo dizer? Que devo responder ao meu filho de 14 anos quando me pergunta que caminho seguir nos estudos? Que vale a pena seguir os seus interesses e aptidões, como os meus pais me disseram a mim? Ou que mais vale enveredar já por outra via (já agora diga-me qual, senhor primeiro-ministro) para que não se torne também ele um excedentário no seu próprio país? Ou, ainda, que venha comigo para Angola ou para o Brasil por que ali será com certeza muito mais valorizado e feliz do que no seu país, um país que deveria dar-lhe as melhores condições para crescer pois ele é um dos seus melhores - e cada vez mais raros - valores: um ser humano em formação.
Bom, esta carta que, estou praticamente certa, o senhor não irá ler já vai longa. Quero apenas dizer-lhe o seguinte, senhor primeiro-ministro: aos 42 anos já dei muito mais a este país do que o senhor. Já trabalhei mais, esforcei-me mais, lutei mais e não tenho qualquer dúvida de que sofri muito mais. Ganhei, claro, infinitamente menos. Para ser mais exacta o meu IRS do ano passado foi de 4 mil euros. Sim, leu bem, senhor primeiro-ministro. No ano passado ganhei 4 mil euros. Deve ser das minhas baixas qualificações. Da minha preguiça. Da minha incapacidade. Do meu excedentarismo. Portanto, é o seguinte, senhor primeiro-ministro: emigre você, senhor primeiro-ministro. E leve consigo os seus ministros. O da mota. O da fala lenta. O que veio do estrangeiro. E o resto da maralha. Leve-os, senhor primeiro-ministro, para longe. Olhe, leve-os para o Deserto do Sahara. Pode ser que os outros dois aprendam alguma coisa sobre acordos de pesca.
Com o mais elevado desprezo e desconsideração, desejo-lhe, ainda assim, feliz natal OU feliz ano novo à sua escolha, senhor primeiro-ministro.
E como eu sou aqui sem dúvida o elo mais fraco, adeus.
Myriam Zaluar, 19/12/2011

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28 comentários

De rogerio pereira a 19.12.2011 às 23:08

Tenho vindo a seguir esta carta e a comentar de modo diferente, assumindo, de cada vez que o faço a importância de ser divulgada e... comentada. Tenho plena convicção que carta semelhantes poderiam ser escritas às centenas de milhar, se todos tomassem posição... 


Nesta passagem : 
 "Tenho a dizer-lhe o seguinte, senhor primeiro-ministro: nunca fui administradora de coisa nenhuma e o salário mais elevado que auferi até hoje não chegava aos mil euros. Isto foi ainda no tempo dos escudos, na altura em que eu enchia o depósito do meu renault clio com cinco contos e ia jantar fora e acampar todos os fins-de-semana. Talvez isso fosse viver acima das minhas possibilidades..." 
E  porque acho que não, alguém assim viveu. Importa saber quem, o que dá importância reforçada ao movimento da "Auditoria Cidadã à Dívida"....

De Marco a 20.12.2011 às 00:17

A esse tipo de cartinha, responde-se com isto:


http://www.youtube.com/watch?v=PfTH7WV6A28 (http://www.youtube.com/watch?v=PfTH7WV6A28)


(também acho piada como se branqueiam 8 anos que actual PM foi deputado, líder duma JSD que teve os tomates de afrontar o líder do partido em plena AR, e que ainda teve a hombridade de recusar a subvenção vitalícia a que tinha direito - e depois, há essas cabeças de vento que julgam que "já deu muito mais"; presunção e água benta...)

De Neri a 20.12.2011 às 10:17

Caro Marco


Pela sua atitude pode adivinhar-se "irá longe"(parabéns (?)).
Não o conheço de lado nenhum, e não tenho pena nenhuma.
Também não conheço a autora da carta de lado nenhum, e tenho mesmo muita pena, pois dá para ver claramente que é uma pessoa inteligente, bem formada, interessada e interessante.
A ela desejo que um dia consiga tudo o que merece :)
A si também...

De Marco a 20.12.2011 às 20:22

Não tem que ter pena de mim. Trabalhei duramente sempre tendo em vista a excelência no que fazia, seja a trabalhar numa grande superfície, num trabalho que detestava, durante cinco longos anos, seja na minha área profissional actual, onde até trabalhava de borla se não tivesse que zelar pelas minha filhas.


Pode ter a certeza que não arranjei conflitos no local de trabalho que levassem as chefias a ter de criticar a minha forma de rir - se as soft skills também fossem ensinadas nas universidades, não tínhamos que aturar certas novelas...


E também não precisei de cartãozinho partidário, que não tenho, nem quero vir a ter, nem de escrever cartas abertas (que, pela sua própria natureza, estão abertas a críticas - a menos, claro, que as críticas sejam só para os outros). Trabalhei e trabalho, muito e bem. Reciclo os meus conhecimentos e técnicas, todos os dias, fora do horário laboral.


Se algum dia me vir no olho da rua (o que não estou a prever que aconteça nos próximos anos, seja porque estou seguro, seja porque todos os meses me convidam para outro lado), pode crer que não vou pedinchar para a porta de Segurança Social. Viro-me, como muitos se viram aqui mesmo em Portugal. Arranjam outro conjunto de capacidades. Abrem empresas. Fecham-nas, se for preciso, e criam outras. In extremis, emigram (do qual eu tenho um exemplo bem próximo de mim, com extraordinário sucesso, por sinal).


Por isso, esta choraminguice chungosa não cola com ninguém que tenha dois dedos de testa.

De Pedro a 22.12.2011 às 10:14

Marco,  esse é o paleio que coloca no seu curriculum? Você aqui não tem que impressionar ninguém. Não seja é parvo e deixe-se de fanfarronices. Muito melhores do que você acabam por ir à sopa dos pobres ou à segurança social. Portanto, amigo, não cuspa para o ar.

De Anónimo a 11.02.2012 às 20:08


deves ser daquelas finos que tem a mania e deves de ser um teso do caralho, nunca deves de ter trabalhado no duro se não não falavas asssim um dia vais querer comer e nem a pedires esmola te vais safar deves ser daqueles que tem como passatempo roubar.

De MCosta a 20.12.2011 às 12:06

A Ryanair está a fazer promoções, move on....

De André a 20.12.2011 às 12:59

Pena é que o seu "ex-líder de associação de estudantes" com mestrado em colar cartazes, nunca tenha trabalhado na vida nem sido empreendedor ao contrário do que se prega nesse video de que tanto gosta.
Pena que esse seu querido líder nunca tenha tido que lutar por nada ou criar propostas de valor, porque a sua maior proposta de valor foi e é lamber o cú ao Ângelo Correia até ficar bem limpinho e mentir descaradamente para ganhar eleições.

Parece que a sua única proposta de valor é defender um ignorante incompetente e promover os videos dos outros. Cada um sabe de si.

De nuvens de fumo a 20.12.2011 às 15:13

líder de um jota, ui ui 

De anónimo a 20.12.2011 às 22:49

o tal miguel (ver vídeo) descobriu o que tem para vender: banha da cobra. Comprem banha da cobra, estúpidos! Valha-me deus, aquele miguel é o tão estúpido, e o sotaque torna todo o discurso hilariante.

De anon a 22.12.2011 às 01:06

Sim seu idiota, porque toda a gente em Portugal tem de falar da mesma forma. Ah, e porque ter sotaque faz de uma pessoa estúpida.
Por pessoas como você é que isto não vai para a frente, e por pessoas derrotistas como a idiota da carta aberta.

De anónimo a 22.12.2011 às 06:18

é iletrado? Parece que não sabe ler um texto. 'e' é uma conjunção, naquele caso entende-se que "ser estúpido" conjuntamente com "o sotaque" é que torna o discurso hilariante.

Obviamente que não é o sotaque que é estúpido. O que é estúpido é a vacuidade do discurso ;)

Você também é estúpido. Meta lá o país a andar para a frente. Antes disso acho que convém aprender a ler: ganhamos todos com isso. Em caso de dúvida, fazer coisas com as quais ganhamos todos é que faz o "país andar para a frente". Não é?!

De anon a 23.12.2011 às 16:39

Eu referia-me ao facto de o anónimo ter dito que o sotaque torna o discurso hilariante. Mais uma vez pergunto, hilariante porquê? Toda a gente tem de falar da mesma maneira? O que há num sotaque que torne um discurso hilariante? Não vejo indicação de o ter dito como uma coisa boa. E portanto, aprenda o anónimo a ler.
Não defendo o jovem nem deixo de defender, só achei um comentário bastante cretino.

De Marco a 22.12.2011 às 23:44

Oh, anónimo, pega lá o "Miguel tão estúpido", mas tão estúpido, que até foi convidado para um TEDx...


Nem de propósito, fresquinho: http://www.youtube.com/watch?v=M_f6Txwc-kk (http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=M_f6Txwc-kk)

De Paulo Rebelo a 22.12.2011 às 09:45

Caro Marco, como não tenho nada a acrescentar ao que escreveu NERI, transcrevo sem autorização, o seu comentário:

"Caro Marco

Pela sua atitude pode adivinhar-se "irá longe"(parabéns (?)).
Não o conheço de lado nenhum, e não tenho pena nenhuma.
Também não conheço a autora da carta de lado nenhum, e tenho mesmo muita pena, pois dá para ver claramente que é uma pessoa inteligente, bem formada, interessada e interessante.
A ela desejo que um dia consiga tudo o que merece :)
A si também..."

De Carlos Rato a 22.01.2012 às 18:22

Este jovem transborda tanta energia que até se torna contagiante.  Apetece desejar-lhe os maiores êxitos. SEm dúvida que pessoas como ele são necessárias, mas uma coisa que talvez não perceba é que na vida real, só há 5 ossos para 10 cães. Por mais energicos, espertos, pró-activos, etc. que sejam, não há osso para todos. Nem que sejam todos 10 vezes melhores do que esse jovem, 5 hão-de ficar sem o osso. O próprio jovem reconhece que há megatoneladas de especialistas a mais. No caso das empresas até diria que só há 1 osso para 10 cães. Já passei por isso. Tenho cerca de 50 anos, fui sócio de uma pequena empresa que fechou e vi praticamente todas as empresas à minha volta fecharem: informatica, contabilidade, publicidade, pintura, venda de equipamento desportivo, etc. O que melhor se aguenta ainda são os cafés e restaurantes. Mas qualquer pessoa sabe que um café são 14 horas de trabalho por dia, com a corda na garganta, na maioria dos casos. Resumindo, por mais congestionado que esteja um parque de estacionamento, há sempre gente que arranja lugar. Aliás, o parque está congestionado exactamente porque muita gente já tem o seu carro estacionado. O que não justifica que se façam parques para 500 pessoas onde são esperadas 2000, com o argumento de que quem não é preguiçoso acabará por arranjar lugar. O que me interessa saber é porque é havendo pessoas como este jovem que se esfolam para criar riqueza, são sempre 5 ossos para dez cães? E agora, que o número de ossos está a diminuir, as oportunidades de criar riqueza, também. Isso não faz sentido nenhum. Isso é que gostava que me explicassem.

De Adriano Alves da Rocha a 20.12.2011 às 01:14

Li e reli a carta e partilhei via facebook. Infelizmente relaciono-me em boa parte, quer por experiência própria, quer por convivência com amigos que passaram pela mesma situação.
Eu como a Myriam tenho muito mais experiência no mundo de trabalho e no mundo académico, em breve tambem estarei eu superioridade ao "sr. Coelho", gostaria de vê-lo a ele emigrar.
Esta geração de politicos deixam muito a desejar, infelizmente.

De Ernesta Importa a 20.12.2011 às 12:39

Sou doutorada e bolseira precária de investigação contra o cancro. Sou também mãe solteira e trabalho desde os 16 anos, tenho 40. Nunca na minha activa de 24 anos tive um contrato de trabalho e daqui a 25, quando me 'reformar' terei provavelmente de ir para a sopa dos pobres, a não seu que o meu filho, que terá 27, tenha conseguido fazer algo neste país e consiga dar-me de comer.
Espero um dia, sr. Primeiro Ministro, encontrar a cura para um cancro de que o senhor padeça e, nessa altura, poder cobrar-lhe o que me deve.

De raul ribeiro a 20.12.2011 às 15:20

mas este animal, o coelho, lá sabe fazer alguma coisa na vida para que o queiram em algum lado?


vai constar para a história como o homem que de quatro entregou o pais a um conjunto de credores famintos.


em mais de 800 anos de história não nos saía um poltrão deste calibre

De Ernesta Importa a 20.12.2011 às 19:49

"em mais de 800 anos de história não nos saía um poltrão deste calibre"

Só quero fazer lembrar que os governos não nos saem na rifa. São os portugueses que votam...

De raul ribeiro a 21.12.2011 às 09:11

 pressinto que a maioria do pessoal que votou nele não sabia ao que ia, a maioria votou contra o sócrates depois de uma campanha longa de ataques pessoais, de acusações falsas e de uma onda nacional de irracionalidade que parece ter tomado conta do discurso político.


agora , frente a frente com esta criatura que nos manda sair do país , q despreza os cidadãos, que os insulta, muitos são capazes de perguntar : mas eu votei nisto ?


agora é tarde e esta gente só sai de lá ao fim de 4 anos , não sem antes deixar o país entregue às potências estrangeiras que vem cá cobrar o guito emprestado.


pena não termos uma terriola chamada vichy, podíamos mandar para lá toda esta choldra 







De pedro frederico a 21.12.2011 às 10:35

Bom dia, de facto diga-me uma coisa, por favor? tb deseja que o ex PM, o que nos deixou assim, que roubou, mentiu, e etcs, venha a ter um cancro?...e a Senhora tem razao, foram os portugueses que votaram nele, neste e no outro...eu apesar de saber que o outro roubou, mentiu, saqueou, desgovernou, etcs, nao lhe desejo um cancro...o que é que a Senhora fez nos ultimos 6 anos , nao reparou nisso?, a divida externa a subir exponencialmente, nao reparou que iriamos chegar aqui..??..devia estar distraida a ver culturas nao é?...


acredito que tenha votado no Socrates e por isso a Senhora tem tanta culpa como toda a gente ou mais (para mim)
isso é mau, mas sem comparaçao é desejar um cancro, e ainda por cima por alguem que deveria saber os que essas pessoas sofrem,, isso é revelador da sua personalidade...

De Ernesta Importa a 22.12.2011 às 15:10


1 - se sabe ler, deve ter percebido que não desejo cancro a ninguém, desejo, isso sim, encontrar cura para os que venham a ter.
2 - quem lhe disse que não vi o que estava a acontecer?
3 - a comentários deste género, onde conclui, reconclui, extrapola conclusões e tira certezas sobre quem são os outros, o que fazem ou o que fizeram, como contribuem para a sociedade e que tipo de personalidade têm, só posso responder que não me vou esforçar nem gastar energia a explicar os meus pontos de vista. (tenho a vista cansada de olhar para microscópios onde, e esperando que não seja preciso, posso tentar contribuir e ajudar os que precisam - o senhor incluído, sim)

4 - Pode responder a este meu comentário como quiser, deixo por aqui as minhas palavras e a si a oportunidade de ter a última palavra, insulte ou lá o que lhe apeteça fazer.

De Pinto a 20.12.2011 às 21:25

"(...) Para ser mais exacta o meu IRS do ano passado foi de 4 mil euros. Sim, leu bem, senhor primeiro-ministro. No ano passado ganhei 4 mil euros (...)"

Conheço uma empresa (e se disser qual, toda a gente a conhece) que paga mais a um imigrante sul-americano sem qualificações que ao médico que trabalha para essa empresa a tempo inteiro. Mas muito mais. E? 
No sector privado o grau académico não serve, por si só, como elemento determinador do ordenado. Servirá, isso sim, como instrumento para valorização profissional.

"(...) No ano passado ganhei 4 mil euros. Deve ser das minhas baixas qualificações. Da minha preguiça. Da minha incapacidade (...).

Das qualificações não mas quanto à outras talvez; não sei. É que - parecendo que não aos portadores do complexo do doutorismo - a primeira variável não eclipsa as outras duas. E por si só não leva ninguém (à excepção do Estado) a pagar um bom ordenado ao seu empregado.  

De Andre a 22.12.2011 às 10:47

Aos 42 anos ganhar 400 euros, com filhos e não arranjar outra fonte de rendimento é pura inconsciência.


Já agora é sempre bom relembrar que a situação actual do país não é culpa deste governo. A emigração terá que ser vista como um recurso, pelo menos para os mais jovens; ignorar esse facto é ser hipócrita e não reconhecer a realidade dos nossos tempos. Possivelmente a maior parte dos comentários aqui são de pessoas já com carreira que se queixam das suas condições, e com razão, mas não percebem que pior que eles ainda estão os recém-formados com idade e vontade para serem independentes mas sem trabalho, muitas vezes tapados por pessoas pouco profissionais e 'experientes'.

De Dingo1000 a 22.12.2011 às 18:40

" situação actual do país não é culpa deste governo"... Queres ver que é minha!!!

De Cidadão votante a 23.12.2011 às 16:19


É tua pois. Se votaste num dos partidos que esteve no governo nos últimos 20 anos.

De Nuno a 29.12.2011 às 23:44

TODOS eles (os políticos) de uma forma(no governo) ou de outra(na oposição) são os únicos responsáveis pela actual situação, se tanto uns como outros receberam a nossa confiança através dos votos, tinham de ser ELES a ter a responsabilidade e a capacidade para conduzirem o país na direcção correcta.

Só seria responsabilidade do comum cidadão caso não tivéssemos elegido e PAGO a ninguém para governar o nosso país!!!

O problema é que TODOS estes corruptos sem excepção preocupam-se mais em se governarem do que em governar o nosso país...

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