Quarta-feira, 21 de Dezembro de 2011

Na campanha eleitoral, Passos Coelho prometeu um "Estado enxuto". Como, nos tempos que correm, um "Estado enxuto = + desemprego", passados 6 meses, o grande objectivo é conseguir "país enxuto".

 

Confesso que não vejo o motivo para tanto escândalo. A proposta de Passos Coelho para um país com menos desempregados limita-se a copiar a lógica usada para garantir os melhores resultados e a maior eficiência tantas vezes exibida pelos serviços privados na área da educação ou da saúde, por comparação ao sector público: encontrar uma forma de evitar os alunos difíceis e os doentes com doenças complicadas e chutá-los para o sector público. O resultado é conhecido: o privado fica com os casos mais fáceis e "baratos", e brilha nos rankings; o público, por não poder, em princípio, rejeitar ninguém, fica com os casos mais complicados e mais dispendiosos, o que não pode deixar de se reflectir nos custos e na "qualidade" do serviço.

 

Grande parte do "segredo" da eficiência e qualidade do sector privado depende, por isso, deste processo de skimming. Passos Coelho não propõe, para o país, algo de muito diferente: se o país se vir livre dos casos difícieis, os níveis de eficiência no uso dos recursos (humanos) serão mais elevados; é só preciso que um qualquer Estado acolha os excedentários.


2 comentários:
De JgMenos a 21 de Dezembro de 2011 às 10:50
Como em tudo que é especulação e intriga, basta ir esticando as palavras para se acrescer ao efeito.
Agora já temos o primeiro-ministro a querer 'emigrar' os lerdos e os deficientes!!! 


De Ana a 21 de Dezembro de 2011 às 10:58
O problema é que neste caso não me parece que os excedentários que estão a fugir do país sejam os mais problemáticos ou os menos eficientes. É certo que estão desempregados, mas para se emigrar é preciso ter algumas condições à partida, dinheiro para suportar os custos iniciais, contactos, conhecimento de línguas estrangeiras... enfim, o que o estado vai conseguir é reduzir o país às pessoas menos qualificadas, com menos recursos, que são as que não conseguem emigrar... talvez o plano seja esse, ficarmos um país de mão de obra pouquíssimo qualificada, quase gratuita, a ser explorada pelo resto da europa...


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