Na campanha eleitoral, Passos Coelho prometeu um "Estado enxuto". Como, nos tempos que correm, um "Estado enxuto = + desemprego", passados 6 meses, o grande objectivo é conseguir "país enxuto".
Confesso que não vejo o motivo para tanto escândalo. A proposta de Passos Coelho para um país com menos desempregados limita-se a copiar a lógica usada para garantir os melhores resultados e a maior eficiência tantas vezes exibida pelos serviços privados na área da educação ou da saúde, por comparação ao sector público: encontrar uma forma de evitar os alunos difíceis e os doentes com doenças complicadas e chutá-los para o sector público. O resultado é conhecido: o privado fica com os casos mais fáceis e "baratos", e brilha nos rankings; o público, por não poder, em princípio, rejeitar ninguém, fica com os casos mais complicados e mais dispendiosos, o que não pode deixar de se reflectir nos custos e na "qualidade" do serviço.
Grande parte do "segredo" da eficiência e qualidade do sector privado depende, por isso, deste processo de skimming. Passos Coelho não propõe, para o país, algo de muito diferente: se o país se vir livre dos casos difícieis, os níveis de eficiência no uso dos recursos (humanos) serão mais elevados; é só preciso que um qualquer Estado acolha os excedentários.
Isabel Moreira
Miguel Vale de AlmeidaRogério da Costa Pereira
Rui Herbon
