Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2011
Nem tudo está perdido. Bem pode Passos Coelho fazer declarações insossas, e Gaspar que teime e insista em assumir a sua função soporífera-a-ver-se-assim-dói-menos; e mais cinzentões e boys insípidos que não sabem alinhavar duas frases com interesse ou produzir 30 segundos de discurso motivador que saia fora da cartilha bocejante. Nada disto interessa, nada disto importa. Olharam para o céu noturno ultimamente? Há uma nova estrela no firmamento. Pisca um laranjinha intermitente, com hoofer e smiley acoplados, uma espécie de mix Fernando Mendes com José Hermano Saraiva. E quem é, quem é? O presidente da JSD e deputado pela Nação, Duarte Marques de batismo, yo! Muito moderno (na verdade, pós-moderno, porque moderno era isto), como se vê pelas poses com que brindou uma recente entrevista ao Expresso.
Confesso que de início pensei que fossem snapshots de um teledisco do Pimba Mix Vol. 14, mas depois esclareceram-me que não, hrrmm, disparate, pá. É um deputado moderno e jovem, pfff, que velhadas me saíste. Não fiquei convencido, alguém estava a entrar comigo. Até que tomei conhecimento do que escreve e das opiniões que emite. Tudo passou então a fazer sentido. Alguém que diz no twitter que "Um tipo pode mudar de mulher ou marido, ate de partido ha razoes bem plausiveis p isso, mas homem q é homem nao muda de clube!" sobe inevitavelmente na minha consideração, porque funde, numa genial síntese epistemológico-estrafilocóquica, uma modernidade ousada (um homem mudar de marido) com a boa tradição luso-marialva ("homem que é homem") e a inevitável pontinha de futebol. Depois visitei a página da JSD. A mensagem do líder tocou-me; sobretudo a parte, de fino recorte literário, em que diz que "A JSD tem de dar o exemplo! Tem de andar à frente dos outros partidos, e do seu próprio Partido (o PSD). A JSD tem de andar à frente do seu tempo e, sobretudo, do descrédito e imobilismo em que a Política e os políticos têm caído." Achei o "andar à frente" (ainda por cima, de tudo e mais alguma coisa) leve e suspeitamente revolucionário, mas compreendi que são ímpetos naturais da juventude.
Por fim, tive uma pequena comoção ao ler a opinião publicada ontem no i, uma pequena pérola de excelente português, ideias inovadoras e arrojo argumentativo. A crónica podia chamar-se "quando chegamos a meio já só falta metade", mas isso é o que diria um espírito simples. É preciso meter as pessoas, entorpecidas pelo bolo-rei e pelas filhós, a pensar um bocadinho, caramba. O texto começa por invocar os Descobrimentos, coisa ousada e nunca antes vista para elevar o moral das tropas. Até fala em "ultrapassar o Adamastor", bela e inédita metáfora, inspiração de um misto de auto-estrada com fervor patriótico, como se o dito fosse um velho chaço a circular a 40 à hora na A2. E ultrapassar pela direita, presumo, porque pela esquerda é sempre de franzir o sobrolho. Desconfio que o nosso garboso deputado pensa que o Adamastor era um grande calhau algures na África Meridional que metia medo aos marujos (como ouvi uma vez uma jornalista afirmar), mas isso, citando a imortal Teresa Guilherme, "agora não interessa nada".
O discurso abre com magnífica chave de ouro gongórica: "Chegámos ao fim do ano mais importante dos últimos tempos e entramos no ano mais decisivo da próxima década". Um simplório diria apenas que 2011 foi importante e está a acabar e que vem aí 2012. Mas um simplório não chega a deputado nem a lider da JSD. Nem escreve que "Salvar Portugal não se faz de olhos vendados e consciência ignorada" (só não percebi se é a boa, se a má-consciência) ou que "os nossos professores e estudantes têm de ser ainda melhores, os médicos, os advogados, os padeiros, os electricistas, os artistas, os vendedores, os pais e os filhos têm que ser ainda melhores pais e filhos, os amigos terão de ser ainda mais amigos". Não há crise que resista a uma prosa destas. Que pessimismo ou desânimo resiste a um "Se há povo para o qual não há missão impossível, esse povo é o nosso"? Vai-te Martin Landau, xooo Tom Cruise, salvé Duarte Marques.
Depois de um brilhante percurso, entre o evocativo e o votivo (desejar que, no próximo ano, as empresas "sejam mais solidárias nas exportações" remete certamente algum mistério esotérico), remata com a enumeração das qualidades lusitanas, um passo além do Candidato Vieira, que cantava -lembram-se?- o "Portugal alcatifado, bebe o vinho e canta o fado". Marques vai muito além do banal "temos queijo e temos paio" vieirino; relembra que Portugal, entre muitas outras qualidades (como o "melhor bolo de chocolate do mundo"), possui "uma das línguas mais faladas do mundo, o melhor treinador e o melhor jogador de futebol". Extraordinário. Um perfil de estadista perfeito. Não sei para que perdem os jornais tempo a fazer entrevistas à Popota. O deputíder tangerina bem que acenou para o texto no facebook e no twitter, mas andemos todos distraídos. Para mim chegou: já desfiz as malas com que planeava enviar os meus filhos por FedEx para Luganville daqui a uns dias. É que ocorreu-me que, na senda de Passos Coelho (líder da JSD entre 1990 e 1995) Duarte Marques pode um dia sentar-se em S. Bento. Talvez acompanhado do candidato Vieira em Belém, Portugal passará definitivamente de alcatifado a relvado. Só temo que Bruxelas lhe cace o talento entretanto e lhe atribua altas tarefas na Comissão Europeia. Ou, quiçá, na ONU, na NASA, no FMI, para o infinito e mais além. Um rapazote para a eternidade.
De Contumaz a 28 de Dezembro de 2011 às 11:35
SOCORRO!!!!!!
VEM OUTRO PARVALHÃO A CAMINHO!!!!!!
De que medo! a 28 de Dezembro de 2011 às 12:12
Este jotinha sumariza tudo aquilo que é deplorável e abjecto num politico : demagógico, narcisista, ignorante e arrogante.
Aos pais desta nódoa : francamente, não habia nexessidade!
De Trauliteiro a 28 de Dezembro de 2011 às 17:23
Duarte Marques, político-mirim "extraordinaire". Com a ajuda de outros sequazes, endividou a Associação de Estudantes do ISCSP até ao tutano quando por lá passou; fica de aviso, que estes suín-, perdão, jotinhas, são ainda mais despesistas do que os parasitas do partido. As dívidas que esses meninos deixaram eram de tal modo avultadas que nem houve dinheiro para cartões de sócio decentes entre 2003 e 2005.
As vigarices com que brindava os restantes estudantes nos jogos de futsal de caloiros também eram de monta: convidava-os a jogar, mas estes é que acabavam por pagar a conta no pavilhão. Qual era o modus operandi do Marques? Fingir uma lesão/compromisso inadiável quando já faltava pouco tempo para acabar o jogo e fugir a sete pés dali para fora.
Também fingia ser um "veterano diferente", mas não passava de mais um abutre trajado à procura de caloiras boazonas. De caminho e se ainda não fossem da JSD, eram também convidadas a "aderir".
Não sei quando é que acabou o curso, mas resolveu colocar no currículo uma especialização que nem sequer existia; quando se é bom, é assim. Word to the wise: ter andado a lamber as botas em Bruxelas no último ano não cria novas cadeiras.
Temos, pois, a sucessão da escumalha (des)governante plenamente assegurada. Um jovem que se aliste nas jotas é uma tragédia similar à de perder um para as drogas. Ambas são más para o cérebro e carácter da pessoa.
De xico a 28 de Dezembro de 2011 às 18:49
Estava uma pessoa descansadinha a gozar destes soalheiros últimos dias do ano e vem o senhor, neste blogue, despertar-nos para a triste realidade da nossa indigência política. Eu nem conhecia a personagem e confesso que preferia viver na ignorância da mesma. Bolas, estragou-me o reveillon!
De José a 28 de Dezembro de 2011 às 20:34
não digo primeiro ministro, mas sem duvida um fortíssimo candidato a secretário de estado e depois a ministro.
estes cromos dão-se bem na vida. conhecem muita gente, são muito sociaveis, etc. e tal. é o suficiente.
De fernando antolin a 29 de Dezembro de 2011 às 11:34
"...não digo 1º ministro..."
Ora e então porquê ? Pois se um jotinha,com foto desse tempo num estilo assim a modos beto-saloio, o foi de 2005 a 2011...
De A. da Mastor a 29 de Dezembro de 2011 às 12:45
No final do escrito gentilmente (caridosamente?) publicado pelo jornal "i", pode ler-se que o respectivo autor "escreve quinzenalmente". Pela amostra, eu diria que, de facto, a pessoa apenas escreve com essa frequência. Caso contrário fá-lo-ia melhor. Também me parece só deve ler quinzenalmente.
De Pedro M. a 29 de Dezembro de 2011 às 14:12
Esta peça e o Rui Pedro Soares merecem-se.
Os jotinhas do centrão são um cancro político.
De Anónimo a 29 de Dezembro de 2011 às 19:16
Que comentário mais distante da realidade este do "trauliteiro" e mais injusto.
Hoje sou militante do PS e da JS, fiz parte da direcção da AE do ISCSP no tempo do Duarte Marques e posso testemunhar que não só não endividou a AE como pagou todas as dívidas que estavam para trás deixadas por muita gente do PC e agora do PS, e ainda deixou saldo muito positivo para quem veio a seguir. Se aquele Polo tem autocarros à porta e policiamento de proximidade a ele o devem. Torneios de Futebol ? Nunca nesses mandados a AE do ISCSP organizou qualquer torneio de futebol e muito menos o dito jotinha pois desporto foi coisa para a qual nunca teve grande jeito. Estes dois disparates dizem bem da inventona que significa o comentário do trauliteiro. B.
De José a 29 de Dezembro de 2011 às 19:46
temos futuro assessor!
vão fazer uma grande dupla!
De Anónimo a 29 de Dezembro de 2011 às 20:01
O Negrito foi para chamar a atenção?
De Anónimo a 20 de Janeiro de 2012 às 01:59
Estou rodeado de idiotas...
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