Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2011

perguntei-me, pergunto-me muitas vezes o que sucedeu depois disto. que pena levou o assassino. que destino tiveram os filhos da vítima. se existiu averiguação disciplinar em relação aos guardas e ao condutor da ambulância e, a ter existido, que resultado teve. e se o estado português fez o que lhe competia: indemnizar as duas crianças que ficaram sem mãe porque, estando à guarda dele, não a guardou.

 

para mim, este é o caso mais simbólico de violência de género de que me lembro em portugal. não consigo pensar nele, nesta mulher, nestas crianças, sem raiva. a raiva de saber que coisas como esta podem suceder no meu país, agora; a raiva de saber que nem neste, o mais exemplar dos casos, houve aquilo a que se dá o nome de consequências, nem mesmo quando o próprio homicida afirma que quando o viram chegar de caçadeira em punho os guardas da gnr nada fizeram.

 

a raiva de saber que houve quem escrevesse sobre ela, manuela costa, que foi 'a outra vítima'. a raiva de saber que o ministro da administração interna esteve no enterro do guarda mas não no da mulher que estava à sua, nossa, guarda.

 

a raiva de esquecermos tão facilmente, de deixarmos tão facilmente que coisas imperdoáveis pareçam ter perdão.

 

(em setembro, o tribunal de montemor condenou o homicida à pena máxima no nosso ordenamento jurídico -- 25 anos, em cúmulo jurídico -- e a indemnizações no valor 145 mil euros. à família do guarda morto são devidos 85 mil euros, à filha, dele e da vítima, 60 mil. as notícias não referem o filho mais velho de manuela costa, segundo o correio da manhã com 13 anos aquando da morte da mãe. o condenado recorreu da decisão)

 

 

1 comentário:
De rita rodrigues a 29 de Dezembro de 2011 às 13:54

obrigada pela memória.


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