Sábado, 28 de Janeiro de 2012

Ando danadinho, há várias semanas, para escrever um post sobre o Acordo Ortográfico e, sobretudo, sobre o clamor lusitano-de-raça dos verdadeiros portugueses, que amam, veneram e idolatram a sua língua, (mas ñ s sab s dp no tlm sao bue moderns tip koiso ne lol), a língua é nossa, Camões de Manaus a Timor, e sei lá que mais e, sobretudo, que recusam vergar-se ao diktat sambó-imperialista de Brasília. Mas não tenho podido. Venho só chamar a atenção para uma calinada que nos passa milhares de vezes pela frente (na rua, na televisão, na net, no facebook) e que ninguém parece reparar; não é o anúncio do sr. Manuel da esquina que trocou o m pelo n. É da Renault, que bem que podia desviar uns euros da campanha para contratar um professor de português para ensinar basics da língua pátria aos criativos da marca e a toda a gente que aprovou isto. Se cada um desse uma moedinha (e os responsáveis de marketing da Renault não devem ganhar pouco) dava, não para um, mas para vários docentes, talvez daqueles desempregados que andam há anos a saltitar de mini-concurso em mini-concurso. E se as outras grandes firmas fizessem o mesmo, teríamos uma bom exemplo de simbiose entre o saber elementar da língua e a economia de mercado. Seria uma lança em África, quem sabe? Mas, para já, podíamos começar por aqui: pela diferença entre o indicativo e o conjuntivo (ou subjuntivo, no português do Brasil). É que a defesa de uma língua e da sua riqueza também (e sobretudo) é feita disto.
De
Shyznogud a 28 de Janeiro de 2012 às 10:53
Isto não te desobriga a cumprir promessas. Quero um post com a aquela frase-que-tu-sabes!
De João a 28 de Janeiro de 2012 às 13:14
Expliquem-me que eu sou muita mau a português.
deveria ser
"Haverá um Português ...."
De Luís a 28 de Janeiro de 2012 às 16:50
Não sei se está a brincar ou a falar a sério, mas, vá lá, faz de conta que são um professor de português no desemprego: "Haverá ainda um português que não conheça..."
De Anónimo a 28 de Janeiro de 2012 às 18:56
Não!!!! Se escrever conhece tem um sentido, se escrever conheça tem outro. Ambas estão correctas, só que dizem coisas diferentes. E depende do leitor: um brasileiro e um português não interpretam da mesma maneira porque o uso do conjuntivo não é o mesmo cá e lá.
De Anónimo a 28 de Janeiro de 2012 às 21:57
Qual é o uso do conjuntivo cá, hum?
... em português escorreito (em qualquer parte do mundo) é assim, é tudo o que tenho a dizer.
Este coments são uma uma canseira!.
Sugestão para o freguês renault ficar bem servido :
- Haverá português que não conheça a qualidade...
ou :
- Haverá cidadão português que.... (mais provocativo)
Coloquial e sintético. Leitura imediata.
"Um" e "ainda" supérfulo por estar implícito.
Quanto ao verbo só quem não fez uma boa primária não sabe : não concorda!
Texto publicitário é a arte da síntese respeitando a língua ou brincando descaradamente com ela.
Gosto do PP : educado,cheio,de paciência e :
escreve maravilhosamente.
De Anónimo a 31 de Janeiro de 2012 às 21:36
""Um" e "ainda" supérfulo por estar implícito."
Parece-me que você está a deixar escapar mais alguma coisa do que o erro de ortografia no que deveria ser "supérfluo" (que é como se lê e não super-"fulo", - a não ser que você seja pago pela Fula). O "ainda" não é supérfluo porque todo o intuito da campanha centra-se na universalidade da qualidade Renault, universalidade essa que o "ainda" enfatiza.
Agradecida pela correcção à dislexia : deformação de trabalhar muitos anos com revisores.
Defeito escusado se escrever com corrector no computador.Conta mais o que se comunica num blog descontraído.
"Ainda" dar universalidade não entendo...
Entendi a frase como "gimmick" pela absoluta impossibilidade dos portugueses desconhecerem a marca Renault.
Sou pela síntese que ajuda a memorizar, cortando gorduras no texto.
Quanto ao erro de lesa português de Portugal não é esse!
E, não há corrector no computador que salve!
Certo?
De scriabin a 29 de Janeiro de 2012 às 01:42
O quê? Não percebi.
De Luís a 29 de Janeiro de 2012 às 09:12
Neste anúncio, tal como está escrito, penso que não deixa margem para se poder usar o indicativo.
A publiciade já foi uma profissão com regras éticas, deontológicas e obrigatóriamente respeitadora da língua mãe.
Textos escritos por competentes, revistos por Carlos Babos já não há.
Hoje adapta-se lá fora com recuso a emigrantes que não sabem falar e, muito menos escrever.
A publicidade e o jornalismo são hoje profissões de estagiários sem responsáveis de estágio.
Tempos de Ary : minha lã meu amor.
Quimeras saudosas de grandes redactores de textos pulicitários.
Seria interessante revisitar esse espólio de criatividade.
De Niamey a 1 de Fevereiro de 2012 às 13:29
precisamente. tal como o "há mar e mar, há ir e voltar"? ;)
Isso mesmo : Alexandre O' Neill
De fr a 29 de Janeiro de 2012 às 02:32
que mal lhe pergunte, o que foi um "mini-concurso"? ganhou a sagres ou a superbock?
Não sabe o que é um "mini-concurso", em contexto educativo? pergunte a um qualquer professor, de preferência um precário; não deverá ser difícil encontrar um, e ainda menos obter uma resposta devidamente exclamativa e esclarecedora.
De
Shyznogud a 29 de Janeiro de 2012 às 11:54
A memória é curta e eles foram extintos há uma eteeeeeernidade (para aí há 9/10 anos, tájaber, uma eternidade).
os mini concursos desapareceram há 10 anos?? ai, que velho, meu deus. Só faltava dizeres-me que a URSS desapareceu há 20.
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