Terça-feira, 31 de Janeiro de 2012
de 1985 a 2010, a espanha teve uma lei da interrupção voluntária da gravidez praticamente igual à portuguesa de 1984. restringia a ivg a casos de violação, malformação e doença grave do feto e risco para a vida e saúde da mulher.
durante esse período, o entendimento da lei imposto pela prática tornou a espanha num país de aborto disponível por vontade da mulher, um país onde as portuguesas iam aos milhares abortar nas clínicas da fronteira, muitas delas sem suspeitar que a lei em vigor daquele lado era muito idêntica à do seu país, onde a interpretação era muito mais restritiva.
em 2007, como todos sabemos, fez-se um referendo em portugal e mudou-se a lei, finalmente. tornou-se desnecessário passar a fronteira para interromper uma gravidez não desejada. e zapatero, pouco depois, colocava no seu programa eleitoral a alteração da lei espanhola para um figurino mais condizente com a prática e semelhante ao da nossa actual, com a diferença assinalável de aumentar o período da interrupção legal por motivos não médicos nem criminais para 14 semanas. uma espécie de assunção da verdade, a determinação de acabar com aquilo a que o colégio da especialidade de psiquiatria da ordem dos médicos portugueses apelidou de 'fraude à lei' (os motivos invocados nas interrupções eram 'perigo para a saúde pasíquica da mulher').
agora rajoy anuncia o regresso aos termos da lei anterior. significa isso que está disposto a levar a tribunal as cerca de 100 mil mulheres que anualmente abortam em espanha, que é um sonso e sabe que tudo ficará na mesma mas quis dar esta borla aos fundamentalistas religiosos, ou está determinado em dar o seu amável contributo para a nossa balança de pagamentos?
aguardam-se os próximos capítulos.
De
alf a 31 de Janeiro de 2012 às 19:42
O próximo capítulo vai ser mudar a lei portuguesa para a lei anterior... o mundo ideal era o de 1900 para as pessoas que estão no poder e a pouco e pouco lá chegaremos
De Rui Rodrigues a 1 de Fevereiro de 2012 às 10:09
Ao contrário de Espanha, em Portugal houve um referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez.
Os cidadãos expressaram a sua vontade em relação a este assunto. Foi o voto desses mesmos cidadãos, quem legitimou o actual governo. Portanto, alterar a lei em Portugal, seria um grave atropelo à democracia.
É começar a levar dinheiro aos espanhóis...e pode ser a solução para a sustentabilidade do nosso SNS
De
jonasnuts a 31 de Janeiro de 2012 às 20:34
Portanto...deixa ver se eu percebi....as portuguesas vão parir a Espanha, as espanholas vêm interromper a gravidez a Portugal?
De Nuno Gaspar a 31 de Janeiro de 2012 às 21:33
"quis dar esta borla aos fundamentalistas religiosos"
Você sabe muito bem que há ateístas, e dos ferrenhos, que são contra a actual lei do aborto. Começar já a empurrar o tema para o campo religioso sugere insegurança nas suas convicções.
De
f. a 31 de Janeiro de 2012 às 22:02
sim, o rajoy está a anunciar isto para agradar aos ateus.
De Nuno Gaspar a 31 de Janeiro de 2012 às 23:58
Querem ver que José Sócrates promoveu a mudança na lei para agradar alguém...
De Carlos Fernandes a 31 de Janeiro de 2012 às 21:57
"aguardam-se novos capítulos"?
Sinceramente, lamento mas é tão fácil e cómodo nós falarmos destes tristes e temas vergonhosos temas humanos sentados em belas cadeiras ao pé do computador, agora eu gostaria era de ver um bébé dentro da barriga da mãe a conseguir sobreviver ao cutelo do médico abortista e que passados dezoito ou 19 anos desse uma entrevista acerca do que ele pensa então da lei do aborto e do que é que ele porventura diria quer a respeito desse médico, quer aos políticos abortistas que aprovaram a lei que o ia matando, quer tb. à sua própria mãe...
De
f. a 31 de Janeiro de 2012 às 22:03
tou no sofá.
"Abortistas ao poder que os filhos já lá estão!"
E falar do cutelo e tudo e tudo e tudo.
De leopardo a 31 de Janeiro de 2012 às 22:02
o argumento "muitas/os" o fazem, logo deve ser legal, é completamente idiota.
Há muito mais pessoas a aldrabar o fisco que a fazer abortos. Vamos legalizar a fraude fiscal?
De
f. a 31 de Janeiro de 2012 às 22:11
desculpe, q argumento? já pensou em ler o q comenta?
De leopardo a 1 de Fevereiro de 2012 às 16:39
pois, nem sequer se lembra do que escreveu, isso mostra o quanto pensa naquilo que escreve.
Já pensou em comprar um cerebro?
De nuvens de fumo a 31 de Janeiro de 2012 às 22:10
este galego é o que se esperaria: rural, conservador e galego.
quem jura defender a coisa pública de bíblia na mão e crucifixo na mesa ou terço enfim,...
entre este traste e o animal coelho acho que só nos salva um cometa, e mesmo assim...
De António C. Mendes a 1 de Fevereiro de 2012 às 09:54
O que é que há de censurável, assim logo à cabeça, no mundo rural? Ou é de onde vem, e ficou lá alguma coisa mal resolvida.
Ola,
O Post é sobre Espanha e eu concordo com ele.
Mas diz também, de passagem, uma coisa fundamental : durante a vigência de uma lei muito semelhante à nossa de 1984 "o entendimento da lei imposto pela prática tornou a espanha num país de aborto disponível por vontade da mulher, um país onde as portuguesas iam aos milhares abortar nas clínicas da fronteira".
Isto diz tudo, por contraste, sobre o nosso pais, sobre as suas pretensas elites de merda e sobre a sua incapacidade de compreender e assimilar modificações sociais um bocadito mais importantes do que uma mudança de canal de televisão.
Este comentario era lateral. Desculpem, mas soube-me quase tão bem escrevê-lo como me soube pensa-lo...
O programa segue dentro de momentos.
Boas
De Niamey a 31 de Janeiro de 2012 às 23:08
que inferno vai começar tudo de novo...
De Romeu a 31 de Janeiro de 2012 às 23:45
Clusters de clínicas de aborto em Elvas, Vilar Formoso, Valença e Vila Real de Santo António JÁ!
Comentar post