Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2012


cenas dos últimos capítulos:

ficámos a saber que o banco de portugal quer loucamente cortar os subsídios mas não pode porque o governo não colocou a obrigatoriedade no orçamento – ou seja, o banco de portugal está a dizer-nos que das duas uma: ou o governo quis isentar o banco de portugal ou esqueceu-se de o incluir. venha o diabo e escolha.

no fim d semana o público e o expresso trouxeram o contra-ataque de belém: em textos a que não vou fazer o favor de chamar notícias, 'fontes anónimas' dizem q cavaco está contra o excesso de austeridade e contra vitor gaspar, numa clara tentativa de redenção da imagem do pr aproximando-o do povo que sofre. curiosamente através dos mesmos jornais que em 2009 deram eco à acusação das escutas contra o governo anterior– aliás, coincidência ainda mais curiosa, o texto do público até é assinado pela mesma jornalista - são josé almeida -- que assinou o das escutas. mesmo modus operandi, mesmos meios. desta vez, porém, em vez de nos mimosear com um penoso e confuso comunicado oral, cavaco fez um comunicado escrito e foi claro no desmentido. aprendeu alguma coisa, pelos vistos – mesmo se mantém o essencial, que é o ataque que esconde a mão. os jornais e jornalistas que se prestam a estes serviços deploráveis é que não parecem ter aprendido nada.

quanto à questão dos feriados: em primeiro lugar, espera-se uma explicação da ugt. joão proença anunciou com grande pompa que na concertação tinha conseguido salvar o 5 de outubro (era aliás uma das duas únicas boas notícias que tinha para dar), mas duas semanas depois o governo reiterou a proposta de acabar com ele e proença e a ugt nunca mais abriram a boca sobre o assunto. como é q é? o 5 de outubro fez ou não parte do acordo?

depois, estou boquiaberta com o desplante do pp, que veio agora defender um reforço das comemorações do 1 de dezembro. além do profundo ridículo da proposta – acaba-se com o feriado mas propõe-se reavivar a data – anota-se que sobre o 5 de outubro, moita.

o que torna ainda mais claro que o fim do feriado do 5 de outubro foi uma deliberação ideológica dos partidos que compõem o governo. tradicionalmente, a direita não gosta do 5 d Outubro. mas a deliberação ideológica era já clara nos termos iniciais da proposta de ablação de 2 feriados civis contra 2 religiosos.

só há feriados nacionais. se queria cortar 4 – nem vou discutir se isso faz algum sentido, é outra discussão – o governo tinha de olhar para os feriados e perceber quais fazem mais sentido como celebrações da nação. e obviamente os que fazem menos sentido como celebrações nacionais são os feriados de origem estritamente religiosa, até porque põem em causa o princípio da separação entre religião e estado.

 

mas o governo inventou esta história da negociação obrigatória com a igreja católica – dizendo, na prática, que 8 dos feriados nacionais não são nacionais, pertencem a uma seita religiosa. invocou para tal a concordata assinada em 2004. sucede que o que a concordata diz não é nada disso.

 

o que nela se lê é: 'a república portuguesa providenciará no sentido de possibilitar aos católicos, no termos da lei portuguesa, o cumprimento dos deveres religiosos nos dias festivos.'

 

não diz que o estado se compromete a fazer feriados nacionais dos dias festivos católicos, mas apenas que providenciará para que os católicos e apenas esses possam nesses dias cumprir os tais deveres -- que consistem basicamente em ir à missa.

 

o próprio cardeal patriarca já disse isto mesmo numa reunião em fátima: que na concordata o estado só se compromete com os domingos. 

 

estamos portanto perante um embuste.

 

que serve para esta coisa completamente absurda, que é sermos um dos únicos países do mundo que não celebra a sua independência e certamente o único republicano que não celebra o fim da monarquia.

 

mas celebramos a alegada ascensão de uma pessoa aos céus.

 

no meio de tudo isto, se posso até perceber a posição do governo – que quer fazer tábua rasa de uma série de coisas e apaziguar a igreja e portanto operou esta fraude – não entendo a do maior partido da oposição. o ps laico e republicano ainda existe ou já não é nem uma coisa nem outra? 

 

(notas tomadas para o meu comentário de ontem na 25ª hora da tvi24)

 

nota: acabo de ouvir joão proença a dizer que no acordo estava 'três a quatro feriados' e 'não estava mencionado nenhum em concreto'. ninguém o questionou sobre o anúncio que fez da manutenção do 5 de outubro. e no entanto ele existiu. quanto a álvaro santos pereira, continua a repetir o estribilho 'dois civis e dois religiosos'.

 

 

 

36 comentários:
De Teofilo M. a 1 de Fevereiro de 2012 às 20:01
Cara f.,
dos treze feriados nacionais, 6 são civis (se assim o poderemos apelidar) e sete religiosos, são eles:
Dia 1 de Janeiro (Ano Novo)
Terça-feira de Carnaval (religioso)
Sexta-feira Santa (religioso)
Domingo de Páscoa (religioso)
Dia da Liberdade (25 de Abril)
Dia do Trabalhador (1 de Maio)
Corpo de Deus (religioso)
Dia de Camões (10 de Junho) (ex-dia da raça)
Assunção de Nossa Senhora (15 de Agosto/religioso)
Implantação da República (5 de Outubro)
Dia de Todos os Santos (1 de Novembro/religioso)
Restauração da Independência (1 de Dezembro)
Imaculada Conceição (8 de Dezembro/religioso)
Natal (25 de Dezembro/religioso)

Desta inicial disparidade, com a eliminação de dois feriados civis e dois religiosos, passaremos a ter nove feriados nacionais sendo apenas quatro (4) deles civis o que é estranho, para não dizer bizarro, numa república que não festeja a sua implantação e num país que deixa de festejar a sua independência.

A direita que tanto gosta de falar na independência e no seu apego à democracia acaba por mostrar o seu lado mais pérfido ao condenar ao ostracismo o 1º de Dezembro e a envergonhar-se de ser uma república.
Um país que defenestra a sua história e apaga as marcas do seu passado não deveria ter o direito de existir, pois deixa de o ser para passar apenas a ser um aglomerado de gente que não sabe quem é, nem para onde vai.
Olhar para o governo que faz isto em nome da recuperação económica só me dá vontade de voltar ao tempo da palmatória e desejar que os ministros fossem meus alunos, pois nem o Inverno mais rigoroso os levaria a meter as mãos nos bolsos.


De f. a 1 de Fevereiro de 2012 às 20:07
teofilo, o carnaval ñ é feriado nacional e o 1º d janeiro faz parte dos chamados 'dias festivos católicos', é uma nossa senhorice qualquer.

ficam pois 8 feriados dos quais 1 comemora 1 data histórica portuguesa, outro uma internacional e outro não se sabe bem o quê e porquê. os 5 restantes são de origem católica.


De Miguel Braga a 2 de Fevereiro de 2012 às 01:16
Então porque continua a falar de oito feriados religiosos?! Dá mais jeito?


De f. a 2 de Fevereiro de 2012 às 12:20
eram 8 feriados d origem católica nos 13 feriados nacionais, miguel. diga mais coisas que não percebe, q eu tenho todo o gosto em ajudá-lo.


De Miguel Braga a 2 de Fevereiro de 2012 às 14:28
Já que gosta de argumentar inclusivé com o texto da concordata aqui vai (conte-os, parece que dá seis):
« Artigo 30

Enquanto não for celebrado o acordo previsto no artigo 3, são as seguintes as festividades católicas que a República Portuguesa reconhece como dias festivos: Ano Novo e Nossa Senhora, Mãe de Deus (1 de Janeiro), Corpo de Deus, Assunção (15 de Agosto). Todos os Santos (1 de Novembro), Imaculada Conceição (8 de Dezembro) e Natal (25 de Dezembro).»



De f. a 2 de Fevereiro de 2012 às 14:38
miguel, já lhe disse q tenho todo o gosto em esclarecer as suas dúvidas, mesmo se em vez de fazer perguntas sobre o q ñ sabe prefere afirmar. os feriados nacionais estão elencados no código do trabalho e não na concordata, até porq a concordata, como eu explico no post q o miguel como sempre não leu, ñ fala em feriados nacionais, mas de dias festivos católicos, e por algum motivo ñ menciona, como eu aliás já assinalei numa notícia no dn -- que foi aqui abundantemente lincada mas q o miguel também como sempre ñ leu --, a sexta-feira santa e o domingo d páscoa. mais dúvidas?


De Teofilo M. a 3 de Fevereiro de 2012 às 14:07
Cara f.,
tem razão. Por vezes esqueço-me de que o hábito não faz o monge e o Carnaval não é um feriado nacional, muito embora na prática sejam muitas as empresas que encerram, nomeadamente as públicas e as dos serviços.
O primeiro de Janeiro não o levei à guisa de católico pois geralmente todos os países de diferentes culturas festejam a entrada do novo ano, mas tem razão é o da Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus!


De Anónimo a 3 de Fevereiro de 2012 às 10:37
Portugal é Portugal. A república é um regime. Os países não celebram regimes. Os decentes e civilizados, pelo menos. Querem insistir na divisão, vão insisitr para o raio que vos parta. Este país precisa é de união.


De Pinto a 1 de Fevereiro de 2012 às 22:33
Feriados da Alemanha:
1 de Janeiro: Ano Novo (tal como cá, e ao contrário do que é dito, o ano novo é simultaneamente feriado civil e religioso; mas até seria engraçado ser religioso e a Igreja escolhe-lo para ser extinto);
6 de Janeiro: Epifania (religioso);
Março ou Abril: sexta-feira Santa (religioso);
Março ou Abril: Páscoa (religioso);
1 de Maio: dia do trabalhador. Afinal não há só feriados nacionais; feriados destinados a celebrar algo das respectivas nações.
Maio ou Junho: Ascenção de Cristo (religioso);
Maio ou Junho: Pentecostes (religioso);
Maio ou Junho: Corpo de Deus (religioso);
3 de Outubro: dia da reunificação. Ufa, até que enfim um feriado nacional.
31 de Outubro: Festa da Reforma (religioso);
1 de Novembro: Dia de Todos-os-Santos (religioso);
25 de Dezembro: Natal (religioso);
26 de Dezembro: segundo dia de Natal (religioso).




De f. a 2 de Fevereiro de 2012 às 12:21
mto interessante. a trabalheira q lh deu encontrar 1 país q ñ comemore o regime nem a independência, hã?


De Pinto a 5 de Fevereiro de 2012 às 07:30
Eu olho para as nações mais velhas da Europa e o difícil é encontrar uma que celebre o dia da independência. Mais difícil ainda, encontrar um país que tenha, em termos proporcionais relativamente ao total de feriados, mais feriados civis que Portugal. 


De Pinto a 1 de Fevereiro de 2012 às 22:34
Contas feitas: três feriados civis (já contando com o Ano Novo, que é também religioso) e DEZ feriados religiosos.
Segunda nota: dos três feriados civis APENAS UM se refere à nação. Relativamente aos outros dois, nada têm a ver com o país.
Terceira nota: não é celebrada a república;
Quarta nota: não é celebrado o dia da independência.

Quanto a Portugal, dos catorze actuais, seis são civis e destes, quatro são nacionais: temos o dia da Grande-Nação-Mãe (10 de Junho), o dia em que a Grande-Nação-Mãe recuperou a sua independência (1 de Dezembro), o dia em que a Grande-Nação-Mãe passou de uma monarquia para uma república através de um golpe de Estado (5 de Outubro) e o dia em que a república da Grande-Nação-Mãe mudou de regime político (25 de Abril), através de um golpe de Estado.



De Teofilo M. a 4 de Fevereiro de 2012 às 18:19
Caro Pinto,
será um bocado difícil celebrar a república na atual Alemanha, pois esta já sofreu tantas mutações durante o seu percurso histórico que fixar uma data quer para a sua independência, quer para a república seria uma grande confusão.
Não esquecer que a atual Alemanha sobrevive ao finado sacro império romano-germânico (I Reich), ao defunto império austro-húngaro (II Reich), à efémera república de Weimar , ao desaparecido Grande Reich Alemão (III Reich), à imposta Federação de estados RFA )+República Democrática Alemã RDA ) que acabou por descambar na Alemanha que hoje conhecemos e que é diversa de todas as restantes.
Não esquecer que o conceito de nação na Alemanha é um pouco diverso do nosso, pois os länder , as cidades-estado, os distritos rurais e os urbanos tem todos um governo e regras diversas, por isso, no meio daquela salgalhada toda encontrar feriados nacionais é bem complicado.


De Pinto a 5 de Fevereiro de 2012 às 07:44

"será um bocado difícil celebrar a república na atual Alemanha, pois esta já sofreu tantas mutações durante o seu percurso histórico"


Já a nossa república é um exemplo de estabilidade política.

"sobrevive ao finado sacro império romano-germânico"
Quem sobrevive ao sacro-império na sua essência é o Liechtenstein. 


"as cidades-estado, os distritos rurais e os urbanos tem todos um governo e regras diversas, por isso, no meio daquela salgalhada toda encontrar feriados nacionais é bem complicado"


Então que dizer dos EUA? E celebram o dia da nação e o dia da independência. 


Olhe para nações europeias - Itália, Suécia, Espanha, Alemanha, Noruega, etc. - e tente encontrar países com um rácio de feriados civis mais elevado que o nosso. Tente encontrar (pode alargar a pesquisa ao mundo inteiro para ser mais fácil e mais cómico) e tente encontrar país que celebrem dias da independência, da nação, da república e da mudança de regime político da república.


De Teofilo M. a 5 de Fevereiro de 2012 às 16:16
Meu caro Pinto,
Portugal teve uma monarquia e depois uma República. Se politicamente foram estáveis ou não é outro assunto e que nºao contam para feriados, pois a ser assim teríamos um feriado sempre que mudássemos de governo.
Tentar comparar os EUA com a(s) república(s) federal(-l + is) alemã(s) é pura distração. Enquanto os estados americanos se agregaram no Sacro Império desagregaram-se, daí as diferenças.
O seu exemplo dos EUA foi até bastante conciso, pois este país, para além do dia da Independência, festeja diversos aniversários que vão desde o Columbus day, passam pelo Washington's day e saltam para o Martin Luther King's day.
Sendo os EUA a terra das liberdades, pelos vistos tem três datas para as recordar se não quisermos acrescentar-lhe o Memorial day.
Mas se quiser podemos ir pelo seu caminho, a maioria deles festeja o fim da guerra em que não entramos oficialmente (II Guerra Mundial) e outros ainda festejam o fim de uma em que entramos mas que nos forçamos por esquecer que entramos (I Guerra Mundial) deixando no limbop do esquecimento os muitos mortos e estropiados que por lá ficaram abandonados, a té há países que festejam a assinatura da constituição, e outros, como a Polónia,  que destaja o dia Nacional, o dia da Independência e dia da Constituição, para não falar na Austria com 17 feriados naciuonais, os 12+1 da Espanha, os 13 da Finlândia, Noruega e Suécia, os 12 da Hungria, Polónia e Republica Checa, para já não falar que na Suiça há quem chegue a ter 17 feriados!
Já não falo dos 19 da Colômbia e India,  dos 16 do Chile, dos 15 da Argentina, Japão ou dos 14 do Peru, para não falar dos 25 da China que nos vão comprando os anéis todos.


De António C. Mendes a 1 de Fevereiro de 2012 às 22:57
Os feriados religiosos são, na sua maioria, aqueles que a maior parte da sociedade portuguesa sente necessidade de celebrar. Isto é verdade independentemente da natureza politica das várias facções dessa sociedade.
Arranje os argumentos que quiser mas o estado não é a nação. Não é sequer a mais importante fracção da nação. O estado é, e deve ser laico, mas, não tem o direito de querer ser um instrumento de laicização da sociedade. O seu dever de laicidade passa por respeitar a natureza religiosa da maior parte da sua sociedade.
A sua cavalgada perde força quando se refere a coisas muito importantes para muito boa gente como sendo nossa senhorices. Aqui, começa a comportar-se como uma laica de natureza verdadeiramente religiosa fundamentalista.
Todos os feriados são importantes. Obviamente foram estabelecidos porque as datas a que se referem foram consideradas celebráveis em determinado contexto, em determinados momentos da nossa história. No seu caso isso só parece ser verdade com 2 ou 3 desses dias. Esquece-se e ignora ostensivamente, e com alguma indelicadeza, a importância que todos possam ter para pessoas diferentes de si.


De f. a 2 de Fevereiro de 2012 às 12:26
é interessante como o tema essencial do meu post, na parte q diz respeito aos feriados, é ostensivamente ignorado pelos comentadores como o antónio. percebe-se: dá-lhes mto mais jeito insistir na tecla dos jacobinos de olhos raiados d sangue e fazer d conta q não há leis, nem constituições, nem tão-pouco concordatas. e tb gosto mto dessa ideia de q, num país em q a igreja católica se queixa das igrejas vazias, 'a maior parte da sociedade é religiosa'. 


De António C. Mendes a 2 de Fevereiro de 2012 às 22:23
Essa do jacobino (no que diz respeito aos olhos raiados de sangue) calce-a você que se adequa mais a si do que a mim.
É obvio que a base de formação da maior parte da sociedade portuguesa é religiosa e predominantemente católica. Isso é resultado de uma coisa que se chama família , que, em Portugal, tem os seus comportamentos muito balizados e assentes na chamada sagrada família que, para a maior parte da sociedade portuguesa, é vista como um bom exemplo. Mesmo as famílias , sem vida religiosa praticante, são, normalmente, muito influenciadas pelos valores que a sagrada família representa (note: estou a falar de valores transmitidos que, reconheço com facilidade, em muitas familias, deixam de lhes ter associados a prática de rituais religiosos, mas que continuam a ser a base). Não conhecendo nada da sua vida ou da sua educação, mas, penso que não me engano se concluir que, também a Fernanda, foi formada em algo muito parecido com isto. Se não lhe quer seguir o rasto, acho perfeitamente aceitável e respeitável.
É esta teia de valores, entre outras coisas, que faz a nossa sociedade ser o que é. Tem muitos defeitos? Tem, um deles é dar mais importância aos feriados religiosos do que aos civis.


De Miguel Braga a 2 de Fevereiro de 2012 às 01:13
"mas celebramos a alegada ascensão de uma pessoa aos céus."
Já agora «assunção» é diferente de «ascensão».
Uma pequena correcção.


De f. a 2 de Fevereiro de 2012 às 12:28
bem dizem q os ateus sabem mais.


De f. a 2 de Fevereiro de 2012 às 12:28
e o linque falhou. aqui está.


De Miguel Braga a 2 de Fevereiro de 2012 às 14:44
Persistir no erro é pior do que não o reconhecer... Comece por ver a denominação do feriado (já fez?). Viu certamente que é «Assunção de Nossa Senhora». «Ascenção», para os católicos diz-se somente de Jesus (celebra-se 40 dias depois da Páscoa. Como esta não tem data fixa, aquela também não tem). E já que tanto se deu ao trabalho de me indicar um link, leia-o e verificará que não faz referência a «ascensão» de qualquer pessoa, mas sim «assunção».
Já agora, em poucas palavras, explico-lhe a diferença: assunção - diz-se daquele(a) que foi assumida por alguém, ou arrebatada, nunca pelos próprios meios mas pelos meios de outrém; ascenção - é a acção de subir pelos próprios meios.
Vamos ver se o ateu, para além de saber muito, também é humilde...


De f. a 2 de Fevereiro de 2012 às 14:54
espécie de caricatura d toda esta história: o miguel, católico, quer q a fernanda, ñ católica, se refira à suposta ascenção d 1 pessoa aos céus como assunção porq d acordo c a doutrina católica existe uma diferença entre ascender e 'ser assunto'. claro q ascender num ascensor, por exemplo, é um erro d palmatória para a doutrina católica mas em português eu ascendo em ascensores, não sou 'assunta'. percebo q lh faça a maior confusão q ñ haja castigos divinos ou mm lapidações para este crime, mas tenha calma, plo caminho q as coisas levam ainda podemos ter isso tb.


De Miguel Braga a 2 de Fevereiro de 2012 às 15:21
A Fernanda tem a presunção de que os outros querem sempre que ela queira alguma coisa. Se a Fernanda quer permacer no seu erro, no meu entender, porque se está a referir a um contexto religioso, no caso católico, faça como entender. A minha intenção era somente esclarecer sobre duas realidades diferentes. Dois conceitos que não são exclusivamente religiosos, mas também conceitos físicos.
Não acreditar ou não concordar com coisas ou conceitos não significa que eu tenha de lhes dar outro nome. Já agora quando fala da ressurreição que palavra usa? e para fantasmas, também tem outra palavra? Só para minha curiosidade.


De f. a 2 de Fevereiro de 2012 às 20:49
o facto d m estar a referir ao suposto acontecimento celebrado pelo feriado em causa ñ significa q m converta para o fazer, miguel. percebo q ñ perceba, mas por isso mesmo, s calhar o melhor é mudarmos de assunta.


De Ana Matos Pires a 2 de Fevereiro de 2012 às 16:21
Toda a gente sabe que um sinónimo de elevador é "assunçor" e não ascensor.


De Marco a 3 de Fevereiro de 2012 às 10:20
Se quer ser picuínhas, ao menos puxe pela cabeça: o elevador sobre pelos seus próprios meios, logo, ascende; as pessoas que vão lá dentro, dependem do "ascensor", logo, são "assunças".


Já agora, para não vir com tretas, a pessoa que opera o ascensor, é o ascensorista, "aquele que manuseia o que sobre pelos seus próprios meios".


Mais piada do que um engraçadinho espalhar-se ao comprido não há... :D


De joão viegas a 2 de Fevereiro de 2012 às 11:03
Vamos la a ver uma coisa, NENHUM feriado é religioso, todos são historicos e simbolicos. Aproveitando as enumerações acima (com destaque para a do Pinto), é assim :

Dia da Liberdade (25 de Abril) Revolução popular a partir de um golpe militar que conseguiu derrubar os porcos fascistas
Dia do Trabalhador (1 de Maio) Com origem internacional, assinala também as grandes manifestações que mostraram que os fascistas não iriam voltar tão cedo, pelo menos facilmente
Corpo de Deus (quando é que é esse ?) Jesus foi um precursor do socialismo
Dia de Camões (10 de Junho) Ainda hoje celebramos o facto de ter deixado de ser o dia da raça
Assunção de Nossa Senhora (15 de Agosto) Festa simbolica em homenagem aos foguetes, unica realidade que permanece inquestionavelmente quente nos nossos verões
Implantação da República (5 de Outubro) Lembremo-nos que o 25 de Abril repôs a Republica apos um intervalo idiota de 48 anos
Dia de Todos os Santos (1 de Novembro) Qual todos os santos ! Dia dos mortos. Os pides deviam estar todos.
Restauração da Independência (1 de Dezembro) Celebra a luta contra todos os imperialismos
Imaculada Conceição (8 de Dezembro) dia de reflexão, como foi possivel o 25 de Abril acontecer (quase) sem sangue derramado ?
Natal (25 de Dezembro) Religioso o tanas, quem não se lembra do seu primeiro Natal a seguir ao 25 de Abril de 1974 ?
Dia 1 de Janeiro (Ano Novo) Dia escolhido em homenagem à possibilidade de se inaugurarem eras novas, um hino a todas as revoluções, a começar pela do planeta
Terça-feira de Carnaval (la p'ra Fevereiro) Bom, tendo em conta os desvios reaccionarios que ocorreram depois, é infelizmente possivel apresentar o 25 de Abril sob esta faceta (também)
Sexta-feira Santa (religioso) Porra, este é mesmo religioso, afinal sempre ha um, mas é o unico, digamos que é em nome da tolerância (buark)
Domingo de Páscoa (religioso) isto é batota, trata-se exactamente do mesmo que o anterior. Alias é um domingo, portanto não conta.

Boas


De joão viegas a 2 de Fevereiro de 2012 às 13:06
Mas, se percebi bem, a questão de fundo é saber qual de entre eles deveria ser suprimido. Olha, pensando bem, esta coisa da tolerância, a ter de ser celebrada, não faz muito sentido que o seja apenas um dia por ano, uma vez que é suposto ser praticada todos os dias...

Portanto, a ter de se suprimir um feriado (eu acho a medida idiota, mas enfim...), eu escolheria um dos dois da Pascoa. De preferência o da sexta feira dita santa.

Boas


De Rafael Ortega a 2 de Fevereiro de 2012 às 21:31
"Implantação da República (5 de Outubro) Lembremo-nos que o 25 de Abril repôs a Republica apos um intervalo idiota de 48 anos"

Repôs?
Então no Estado Novo havia Rei?


De joão viegas a 3 de Fevereiro de 2012 às 08:04
O cardeal Cereijeira não era rei ? Não interessa, o 25 de Abril repôs a Republica no verdadeiro sentido da palavra, coisa publica, de todos, e não brinquedo particular do presidente do conselho.

Mania de complicar.


De Rafael Ortega a 4 de Fevereiro de 2012 às 16:52
" o 25 de Abril repôs a Republica no verdadeiro sentido da palavra, coisa publica, de todos, e não brinquedo particular do presidente do conselho."


Acho que a 1ª república tinha muito pouco a ver com "coisa pública, de todos". Quanto a brinquedo particular, se no Estado Novo era do presidente do conselhoe, na 1ª república era dos senhores do partido republicano.


De Samuel a 2 de Fevereiro de 2012 às 14:07
Chapeau!!!


De Jorge Verdume a 2 de Fevereiro de 2012 às 16:01
Caríssima,

Nenhum feriado em Portugal celebra a "ascensão" de quem quer que seja aos céus. Convém a uma jornalista ser precisa nos factos e nas palavras. A festa do 15 de Agosto é, na liturgia católica, a festa da assunção de Nossa Senhora. Ora, do latim, "assumpta est Maria", se retira o sentido do feriado: foi assunta, isto é elevada por meios que não os seus, porque não era divina em si mesma. Já no caso da Ascensão de Cristo, como lhe notaram acima, se é feriado na Alemanha, seguramente não é cá.
Nota, este comentário não pretende implicar qualquer jacobinismo da sua parte. Estou certo que se indignará também se neste contexto o governo decidir conceder tolerância de ponto no Carnaval. Qual o sentido de se exterminar feriados e criar outros??
Jorge V.


De f. a 2 de Fevereiro de 2012 às 20:55
sobre esta assunta, ver as respostas acima ao miguel braga. obrigada, volte sempre.


De Samuel a 2 de Fevereiro de 2012 às 23:23
Seria bem interessante que Fernanda Câncio um dia destes resolvesse (por qualquer razão) descrever um truque de Merlin o mágico de Artur...
Talvez tivéssemos a sorte de que aqui aparecessem dezenas de especialistas para nos decifrarem os segredos das suas técnicas e, quem sabe, ficarmos finalmente a saber se a espada Excalibur "ascendeu" da rocha, ou se, pelo contrário... "assumpta" foi, qual Maria. :-)


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