Os loucos que investiram $260 biliões em energias renováveis em 2011 provavelmente não tiveram o privilégio de partilhar a erudição desinteressada de empresários e gestores da craveira de Patrick Monteiro de Barros e Miral Amaral. Estes ilustres defensores do nuclear voltam à carga mal farejam a fragilidade política que permite bons negócios privados e públicas ruínas. A coberto da troika querem agora liquidar o cluster nacional de energias renováveis, que ao contrário da quimera nuclear, potencia o sistema científico-tecnológico nacional, gera emprego e riqueza locais, e potencia exportações de energia e de bens e serviços associados.
A questão que se impõe é a seguinte: será que Patrick Monteiro de Barros, Mira Amaral e Pedro Sampaio Nunes têm memória curta ou motivos fortes para defenderem com tanta insistência uma tecnologia que perde terreno em toda a linha e nas várias geografias para as energias renováveis.
De António Carlos a 2 de Fevereiro de 2012 às 10:20
"Os loucos que investiram $260 biliões em energias renováveis em 2011 ..."
Não foram loucos. Foram até muito racionais. Aproveitaram a histeria verde para, à boleia dos Estados que prometem "milhões de empregos verdes", garantir rendas seguras para os seus "investimentos" (aspas porque um verdadeiro investimento assume riscos). Não é preciso ser economista para perceber a sua racionalidade: basta olhar para a sua factura da EDP!
De José M. Sousa a 2 de Fevereiro de 2012 às 19:25
Se calhar não sabe que apenas cerca de 15% desse valor da factura da EDP que refere é que vai para as renováveis! Sabe para onde vai o resto?
Tomei nota dos nomes dos subscritores do manifesto que passarei a considerar como pessoas distraídas ou ao serviço de interesses que desprezam o interesse de Portugal.
Havendo muitos pontos contestáveis no documento que não li completamente, a minha atenção foi chamada para o ponto 34
«É de estranhar que Portugal seja na Europa um campeão das novas renováveis. Se a opção fosse assim tão boa, porque razão é que os outros países, bem mais ricos e desenvolvidos e dotados de um bastante melhor recurso eólico, não adoptaram a mesma política, estando mesmo a abandoná-la, como é o caso da Holanda?»
onde é feita uma referência a eventuais mudanças de estratégia de implementação de renováveis na Holanda que desconheço e sobre as quais não me pronuncio.
Mas um texto em que se afirma que "os outros países da Europa bem mais ricos e desenvolvidos... não adoptaram a mesma política", quando a Dinamarca e a Alemanha precederam Portugal na implementação em larga escala da energia eólica é um texto intelectualmente desonesto.
E sobre a situação no Japão escrevi há pouco tempo isto: http://imagenscomtexto.blogspot.com/2012/01/energia-e-politica.html
Se quiser informar-se sobre a Holanda, e também sobre Fukushima, consulte o meu blog, "A ciência não é neutra". Assim saberá do que escreve.
E não, nem sou distraído nem estou ao "serviço" de ninguém.
Cumprimentos,
De Pedro Lérias a 3 de Fevereiro de 2012 às 16:31
Não está, mas está a trabalhar para isso, confesse lá?
Quem acha que o nuclear é mais barato que as renováveis ou não sabe fazer contas, ou acha que somos todos burros.
Basta incluir os preços dos seguros (ah, espera lá, têm que ser isentados), o preço de armazenamento e processamento dos resíduos (ah, espera lá a conta passa para o estado) ou o custo de fim de vida de uma central (ah, espera lá, também é do estado).
Mas afinal vocês eram contra as renováveis porque?
Ah, porque as renováveis estão a funcionar e tornam inviável qualquer razão para o nuclear. Por isso estão a acabar com as tarifas bi-horárias.
Uma cambada de chico espertos.
De Jaime Santos a 2 de Fevereiro de 2012 às 17:47
Duas notas ao seu post , Tiago. A primeira é a da insistência por parte de muitos de que as renováveis só são competitivas à custa de subsídios (ou obrigatoriedade de compra a preço mínimo, que é o regime que funciona em Portugal). Talvez, mas não num mercado mundial em que as mesmas pudessem competir contra combustíveis fósseis não subsidiados (ver em http :/ ecosfera.publico.clix.pt /noticia.aspx?id=1465118) e em que os mesmos tivessem que pagar pelas externalidades negativas que causam (efeito de estufa, poluição por produção de aeróssois, etc). A segunda é que seria má política se os países ocidentais abandonassem a energia nuclear muito depressa, como quer fazer a Alemanha, já que a solução alternativa mais fácil seria o carvão. Mas, a julgar pelo tempo que tem levado a construção de centrais (estou a lembrar-me de um caso filandês recente), esperar que demorasse 10 anos a trazer uma central em linha em Portugal é provavelmente uma estimativa optimista. Ou seja, uma central nuclear não servia para muito... E, será que o Sr. Monteiro de Barros, cujo negócio das refinarias está à beira da falência, seria um parceiro viável neste negócio?
De zacarias a 3 de Fevereiro de 2012 às 13:27
Mas afinal que autoridade tem para falar de energia nuclear?
Os seus argumentos são irelevantes dado que Portugal está à decadas sujeito as riscos da energia nuclear espanhola.
Se não fossem pessoas pouco avisadas(para ser simpatico) como o Tiago, o país teria podido iniciar um programa nuclear, colaborando com espanha e frança, que lhe pemitiria ter uma plavara a dizer em relação à estratégia ibérica da energia nuclear.
Esse seria o rumo natural do país.
Não temos o mix de recursos energéticos e financeiros que nos permitam recusar o nuclear.
Infelizmente temos uma esquerda acéfala que muito tem prejudicado o país!
Quanto aos seus argumentos, são totalmente refutados.
O risco de acidente ou atentado em centrais de última geração é inferior ao risco de um atentado com armas radiológicas.
A industria da energia nuclear é a mais transparente de todas já que é a única que é obrigatoriamente fiscalizada por uma autoridade internacional.
A energia nuclear é não poluente, as modernas centrais consomem grande parte dos resíduos radioactivos e há centrais de processamento de residuos não aproveitaveis.
As centrais de última geração trabalham com materiais não contamináveis pelo que a desactivação é menos problemática que a desactivação de uma barragem por exemplo.
O risco financeiro associado é inferior ao de qualquer energia renovável, barragens incluidas (risco 50% superior), principalmente num país rico em urânio.
Uma central nuclear depede de uma industria nuclear, com investigação, desenvolvimeno, industria, produção, fiscalização, planeamento, etc. tudo isto gera muito mais empregos que qualquer das energias renováveis.
Portugal tradicionalmente possui um quadro de especialistas em energia nuclear, é rico em urânio e estas são as componentes mais onerosas da integração, comparando com as energias renováveis em que a integração nacional é quase nula só podemos sorrir face a este argumento. Uma vez instalada uma central e a mineração, a industria é auto-suficiente dado que o enriquecimento pode ser feito em reactores de enriquecimento a uma fração do custo.
A opinião pública tem a cabeça feita e muda de ideias quando vier a conta da luz!
Finalmente, a última falácia, não há capacidade a mais e de qualquer modo a produção é excessivamente cara. Basta um ano de seca para a produção nacional ir por água abaixo, passe a figura de estilo.
Basta ver que entre 10 e 20% do consumo tem proveniencia na energia nuclear importada de frança e espanha, que, devido à distancia e a ser importada, resulta cara. Se calhar nunca examinou a sua factura da EDP, tenho várias com perto de 20% de produção nuclear.
Acresce ainda que muita da capacidade provém de meios altamente poluentes: barragens, carvão e gás natural(menos poluente de qualque forma).
Quanto à sua década é nauseante esse argumento, dado que as barragens do sr. sócrates vão levar 20 anos a construir!
O chamado cluster das renováveis pura e simplesmente não existe, é mais uma quimera socrática.
A industria resume-se a instalação e manutenção com parceria tecnica e tecnológica estrangeira e cara.
A criação de emprego é residual.
A investigação e desenvolvimento nacionais são inexistentes.
Mesmo as barragens, onde já fomos uma referencia mundial, resultam numa dependencia tecnologica quase total. As nossas contrutoras já não tem a capacidade necessária e perdemos os técnicos qualificados.
E finalmente a grande questão: é facil quantificar o impacto dos acidentes nucleares, mas proponho-lhe um outro exercício: quantifique o impacto da industria energética não nuclear.
não se esqueça de incluir os derrames de crude, a destruição da camada do ozono e a produção de gases de efeito de estufa pelas barragens.
A poluição associada aos combustíveis fósseis, as alterações climatéricas, a contaminação de recursos hidricos, etc.
Depois falamos!
De José M. Sousa a 5 de Fevereiro de 2012 às 11:01
O problema com o seu comentário, é que a tecnologia dessas centrais de última geração ainda não existe! Acho que a investigação nessa área deve ser apoiada rapidamente porque, aparentemente tem, de facto muitas vantagens em relação à tecnologia actual, mas primeiro é preciso prová-lo. Mas o que o manifesto aqui referido defende não é, como é natural uma vez que não existe, esse nuclear, até porque duvido que estejam interessados em investir um cêntimo na investigação.
De José M. Sousa a 5 de Fevereiro de 2012 às 11:08
http://www.ted.com/talks/kirk_sorensen_thorium_an_alternative_nuclear_fuel.html (http://www.ted.com/talks/kirk_sorensen_thorium_an_alternative_nuclear_fuel.html)
http://www.columbia.edu/~jeh1/mailings/2008/20081121_Obama.pdf (http://www.columbia.edu/~jeh1/mailings/2008/20081121_Obama.pdf)
Tiago, a razão por que não posso concordar consigo nem discordar de si é que não possuo dados quantificados sobre o custo em vidas humanas das centrais nucleares em comparação com o das outras fontes energéticas. Presumo, pela certeza com que se pronuncia sobre a questão, que dispõe destes dados. Importa-se de os partilhar?
Em primeiro lugar, lamento que a moderação deste blog considere adequados posts escritos sob autorias anónimas, como a que se assina apocrifamente "Pedro Lérias", e se baseiem em insultos a quem dá a cara quando fala.
Em segundo lugar, e ainda assim assumindo a validade de dar aqui alguma contribuição a esta discussão, remeto para o meu blog sob a etiqueta "nuclear", onde se podem encontrar minuciosos dados e discussão sobre:
a) todos os custos do nuclear, incluindo os do desmantelamento, processamento de resíduos, encargos financeiros, etc;
b) a estratégia nacional que defendo para o assunto, e que começa pela reconstrução de uma estrutura nacional competente e independente que substitua a extinta Junta de energia Nuclear;
c) extensos dados e argumentos sobre as "lérias" que se contam quanto aos perigos da energia nuclear, em particular as "lérias" sobre Chernobyl e Fukushima.
Se preferirem prosseguir os insultos em vez de discutir com honestidade intelectual factos e ideias, terão de prosseguir sem mim.
Cumprimentos.
De J Veiga a 6 de Fevereiro de 2012 às 15:55
infelizmente são poucas as pessoas que percebem realmente o que é a Energia Nuclear...
Esses acidentes impressionantes (Fukushima, Chernobyl, three mile island) só se deram por erros humanos altamente imbecis: a central de Fukushima já devia estar a ser desmantelada há uns bons anos, com pressões do governo japonês e tudo, mas o dono daquilo estava a gostar dos yens que iam caindo, por exemplo.
Uma pergunta simples: por que não falam da energia nuclear na Suécia e Noruega? Porque funciona bem?
E sim, nós corremos riscos devido à central Espanhola lol parece que nunca ninguém se lembra disso.
Quanto às centrais de tório, são aparentemente porreiras, mas mais uma vez o capital-idiótico tem demasiada pressão e parece-me que só na Índia é que vão fazer uma (sabe-se lá em que condições...), visto que a Índia tem muito tório. Para além disso, a central lá, que acho que já está em funcionamento, nem tira proveito para minimizar os depósitos de Plutónio/Césio :\
Espero mesmo que os projectos do JET e ITER venham a ter sucesso num futuro próximo. Aí quero ver quem é que se vai opor lol :P
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