Sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2012

Há quem entenda que, desagradando o acordo ortográfico a Vasco Graça Moura, está ele no seu pleno direito de proibir que seja adotado no CCB.
A primeira coisa a notar é que nenhum cidadão é interdito, na sua vida pessoal, de utilizar a ortografia que entender. Ninguém vai preso pur iscreber cômo lhap tesse.
Já o caso é diferente no contexto de instituições às quais cabe ensinar a norma do português escrito, tais como as escolas e as editoras escolares. Ou outras organizações de que são exemplo museus ou centros culturais. Acredito que não será preciso fazer um desenho para se perceber porquê.
A atitude de Graça Moura revela, desde logo, falta de profissionalismo e ausência de perfil para dirigir uma instituição com as responsabilidades do CCB.
Ele foi nomeado para cumprir uma tarefa, não para promover as suas idiossincrasias pessoais. Tem o direito de conservar tanto as ideias próprias como a ausência delas, mas não de se valer do cargo que ocupa para impô-las contra tudo e contra todos.
Gente prepotente e mal-educada beneficia entre nós de uma surpreendente tolerância. O anterior governo também colocou uma mão cheia desses exemplares em lugares de responsabilidade, com a consequente desmoralização dos subordinados e paralisia das instituições.
Graça Moura pertence a essa categoria de figurões que tem que perfumar-se muito para disfarçar o fedor da grosseria.

15 comentários:
De sara monteiro a 3 de Fevereiro de 2012 às 18:58
Há um pirata no CCB. Mas está senil.
(ele já levava aquela encasquetada quando aceitou o cargo,só pensava naquilo...)


De rogerio pereira a 3 de Fevereiro de 2012 às 19:46
"Graça Moura pertence a essa categoria de figurões que tem que perfumar-se muito para disfarçar o fedor da grosseria."


BOA!


De andre a 3 de Fevereiro de 2012 às 20:01

 É assim mesmo, respeitinho à autoridade é uma coisa muito bonita!


De antónio pedro pereira a 3 de Fevereiro de 2012 às 20:19
JJoão Pinto e Castro:

VGM, enquanto cidadão, encabeçou um movimento contra este miserável AO.

Agora, à frente do CCB, usou a discricionariedade que o cargo lhe confere para o aplicar ou não.

Como o CCB é uma instituição pública de Direito Privado, só em 2014, se ainda estiver ainda à frente dela, será obrigado a fazê-lo.

O gesto de VGM é legal e é uma das duas opções possíveis: continuar a cumprir o AO ou não.

Como VGM foi sempre contra o dito AO (a maior aberração que um Malaca Casteleiro qualquer podia ter inventado, este senhor até está agora a vender o VOLP - Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa - para que as pessoas sejam capazes de escrever as aberrações que ele inventou), digo, como VGM foi sempre contra o dito AO, só podia tomar esta decisão.

De contrário, estaria a ser acusado de incoerência e de se submeter aos ditames do «tacho»; falava muito quando não ocupava nenhum cargo, agora que podia actuar calava-se.

Ouvi-o hoje a dizer que a sua decisão iria levantar polémica, que não era ilegal e que esperava que desencadeasse uma discussão que pudesse travar mais este atentado à Língua.

Só uma pessoa corajosa era capaz de tomar esta posição, e de minhocas contorcionistas, sem coluna vertebral, estamos nós fartos.

O Prof. António Emiliano, outro oposicionista feroz do AO, escreveu abundantemente sobre este aborto.

Dá um exemplo de uma carta muito formal dirigida a um alto dignitário da Igreja que, de acordo com o aborto, perdão o AO, pode ser escrita de 1640 maneiras diferentes e todas correctas.

E o AO foi feito para uniformizar, que faria se não tivesse sido.

Devemos avaliar os gestos das pessoas de acordo com o seu valor intrínseco, não com apreciações ou preconceitos de outra ordem.

Eu não sou do PSD nem do CDS, não tenho, nunca tive nem terei cargos públicos e não gosto particularmente do VGM em muitos aspectos.

Neste dou-lhe razão.


De Helena Pato a 4 de Fevereiro de 2012 às 00:23
Pois então, se fosse realmente coerente não vinha dizer afinal vou cumprir... Tanta coisa poderia ser dita a partir destas duas atitudes contrárias, em tão curto intervalo de tempo...!
Helena Pato 


De antónio pedro pereira a 4 de Fevereiro de 2012 às 16:25
Helena Pato:


Mas quem é que disse afinal vou cumprir?
Não percebi.


De Helena Pato a 4 de Fevereiro de 2012 às 23:21
Pois tem toda a razão...! Quando escrevi este comentário tinha ouvido o PC a dizer na AR que o AO seria cumprido e, horas depois, na radio, um jornalista a dizer que o Sec. Estado Viegas tinha dito que o CCB ia obviamente cumprir... Ao fim da noite, já depois de passar por aqui, leio que nada, que era só em 2014...
Como hoje já voltei a ler coisas diferentes...desisto!...

 


De Niamey a 4 de Fevereiro de 2012 às 11:26
sabe que é no preciso momento em que chama "aborto" ao acordo ortográfico que nos surge a figura de um ridículo lobo de dentes apodrecidos, um tonto que se deslumbrou num cargo público, independentemente de gestões privadas. é nessa altura tb que percebemos alguém que poderia bem ser do psd ou do cds e que jura a pés juntos que jamais terá um cargo público, a não ser que sejam "simpáticos" e que, por sua vez, se deslumbrou com um ridículo lobo de dentes apodrecidos. o seu comentário fez mais pelo acordo ortográfico do que dez mil cimeiras nesse sentido. o seu comentário é paradigmático do estado atual do poder. muito bem. obrigada.


De António Matos a 3 de Fevereiro de 2012 às 21:28
Sinceramente, não só me faz alguma confusão que as pessoas reajam tão emocionalmente ao acordo ortográfico (que, convenhamos, é secundaríssimo nas vidas de praticamente todos), como fico completamente parvo quando vejo tanta gente a concordar com esta acção de VGM só porque também são contra o acordo. Queria ver se o assunto fosse outro, mas a prepotência fosse a mesma, quem é que o punha num pedestal...


De khjlkj a 5 de Fevereiro de 2012 às 01:45
a que propósito pensou que o acordo estava em vigor?
vgm homem limita-se a cumprir a lei.


De khjlkj a 5 de Fevereiro de 2012 às 01:46
a que propósito pensou que o acordo estava em vigor?
vgm  limita-se a cumprir a lei.


De Theroux a 3 de Fevereiro de 2012 às 21:30
Não acredito que seja só a mim que me faz  impressão desgraçada ver uma pessoa que passou meses e meses a insultar, directamente, uma grande parte do povo (da população, como quiserem) que neste momento lhe vai pagar um chorudo ordenado numa das instituições culturais mais importantes do país.


De Graza a 4 de Fevereiro de 2012 às 01:26

Bravo João Pinto! Bravíssimo.


De mp4 a 4 de Fevereiro de 2012 às 04:40
Excelente post ! Mas quem é que este senhor se julga, realmente? Eu até nem sou totalmente a favor deste acordo, embora ache que tenha aspetos francamente positivos (afinal, a língua é uma ferramenta, uma coisa viva), mas passar por cima das outras instituições!? Deitar ao ar todo o investimento que já foi feito? Realmente, há gente que não se enxerga.


De Anónimo a 6 de Fevereiro de 2012 às 11:39
Nunca gostei de V. Graça Moura, nos últimos anos passei mesmo a detestá-lo por causa das vis ofensas que dirigiu aos votantes PS, mas no repúdio e campanha contra o AO sou seu apoiante a 100%!
Não sou capaz, não tenho formação, para discutir os aspectos técnicos do Acordo, mas se, como bem diz António Pedro Pereira,  ele "foi feito para uniformizar, que faria se não tivesse sido", como poderei eu entender que, por exemplo a palavra RECEPÇÃO  continue a ser assim escrita no Brasil e queiram obrigar-me a escrever RECEÇÃO  cá em Portugal?!
Mas que raio de uniformização é esta?!
Pois, já percebi, é a regra da pronúncia ou não da consoante muda.
Mas ... e se eu pretender escrever algo na Wikipédia (onde ainda não se ouve a pronúncia!) que inclua aquela palavra ou outras semelhantes, que forma devo utilizar, Português nosso ou dos brasileiros?! Isto é uniformizar o quê?!..


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