Sábado, 4 de Fevereiro de 2012

 

Esta manhã, quando fui confrontada com notícias que referiam um novo documento da igreja católica portuguesa que tratava de, entre outros temas, exorcismos desatei a rir e só me vinham imagens como a que ilustra este post à cabeça. Curiosa compulsiva como sou fui à procura do dito documento - afinal a fonte das notícias era o CM, logo nunca fiando - e, se bem que a gargalhada tenha continuado, tal é o delírio da coisa (cfr. aqui a partir da página 7), confesso que fiquei preocupada e que me parece fazer sentido que a Ordem dos Médicos seja interpelada já que, como é óbvio pelas palavras do cardeal patriarca, há médicos que são chamados  a participar - e participam! -  na sua condição de médicos em tão inenarráveis cerimónias.

15 comentários:
De @luis_grave a 4 de Fevereiro de 2012 às 16:55
Mas atenção que não pode ser um médico qualquer, tem de ser um «que tenha  a sensibilidade das realidades espirituais»


De Ana Matos Pires a 4 de Fevereiro de 2012 às 17:03
A mim preocupa-me mais que tenha de ser um psiquiatra.


De Ana Matos Pires a 4 de Fevereiro de 2012 às 17:00
"Para maior certeza, os peritos devem ser pelo menos dois, um dos quais psiquiatra, e os seus relatórios devem coincidir no parecer de que não existe explicação científica para a fenomenologia observada no paciente." (sublinhado meu). Eu não quero acreditar que isto aconteça, não quero. Claro que faz todo o sentido interpelar a OM, a confirmar-se estaremos perante um gravíssimo erro deontológico.


De xico a 4 de Fevereiro de 2012 às 18:17
As coisas que a gente lê. Então acha mal que a Igreja recomende aos seus padres que ajam com toda o cuidado com as pessoas que os procuram e que estes façam com que as pessoas procurem ajuda médica antes de decidir que se trata de uma possessão.
Onde é que leu que os médicos participam em cerimónias exorcistas?
Tanto rancor deve dar-lhe cabo do fígado.


De Shyznogud a 4 de Fevereiro de 2012 às 18:19
E se lesse o documento antes de dizer baboseiras? ora vá lá ler e depoiss, como bom católico, venha fazer mea culpa, sim?


De Anónimo a 4 de Fevereiro de 2012 às 19:34
A senhora não sabe ler. Arma-se em arrogante mas não sabe ler. Ponto final.


De Shyznogud a 4 de Fevereiro de 2012 às 19:58
Oh really? diria q o cego aqui é vossa mercê mas não nos zanguemos por tão pouco (já a história da senhora... é profunda má educação, nunca lhe ensinaram?)


De Ana Matos Pires a 4 de Fevereiro de 2012 às 21:24
ahahahahahahah


De Salmo de Palmela a 4 de Fevereiro de 2012 às 18:41
Vós leigos em questões do espírito, ireis todos arder na fogueira! Já vi, com estes olhos... padrecos exorcizar fantasmas que vão da acne da adolescência aos afrontamentos da mais tenra idade, e isto com conhecimento de estados de direito! Quais médicos qual carapuça!


De Ana Matos Pires a 4 de Fevereiro de 2012 às 19:30
A citação que faço num comentário anterior é retirada do documento.


De Salmo de Palmela a 4 de Fevereiro de 2012 às 22:48
E a minha citação é irónica. A igreja deveria era estar no banco dos réus por 500 anos de inquisição, pedofilia e o Diabo a 7. E não a exorcizar a ignorância ao povo, enquanto bebe um chá com o governo a decidir feriados

Amém


De Luís a 4 de Fevereiro de 2012 às 21:08
Devo confessar que também achei um pouco estranho quando hoje li o resumo desta história num jornal hoje de manhã e achei que deveria ser ainda o resultado dum mau jornalismo.
Agora confesso que apesar de ter acesso directo ao link através deste post, nem sequer me dou ao trabalho de o ler. Tenho mais que fazer e quero que o cardeal vá à merda mais o exorcismo. O problema desta gente são os traumas sexuais, as fantasias sexuais que não admitem, que negam, que escondem e depois é o diabo que as vem possuir...


De Ana Matos Pires a 4 de Fevereiro de 2012 às 21:23
Fala de quem, dos candidatos a serem exorcizados ou dos padres?


De Luís a 4 de Fevereiro de 2012 às 21:47
Boa pergunta. Referia-me aos candidatos a serem exorcizados, mas, já agora, também pode incluir nessa categoria os padres, cardeais a gente afim!


De bluesmile a 5 de Fevereiro de 2012 às 10:36
O documento parece-me uma tentativa de controlar algumas "práticas " e situações abusivas de exploraÇão de pessoas frágeis ou com perturbações psiquiátricas. O documento impôe regras muito estritas e no seu texto até se admite que os casos de "possessão" são explicáveis por factores socioculturais e psiquiátricos, conforme se pode ler no corpo do texto:

"Verifica-se que existe uma relação entre a possessão e as condições sócio-culturais dos povos em que o fenómeno é observado. Assim, pode constatar-se que, numa sociedade humana, os casos de possessão começam a desaparecer à medida que vai perdendo influência a crença nos espíritos. A partir do momento em que se não invoca a possibilidade de possessão, começa a faltar a auto-sugestão (ou aceitação dessa possibilidade), facilitadora do seu aparecimento. De qualquer modo, tão perturbador como o sofrimento causado por qualquer mal é a incapacidade de o identificar, de saber as suas causas e de prever o seu fim. Quem mergulha no sofrimento de um mal não identificado, vê esse sofrimento acrescentado pela solidão e sente-se perdido. A tentação de lhe atribuir um autor e um significado é grande e, o mais fácil, quando se não encontra uma causa e explicação científicas, é falar-se em possessão.Para os que sofrem, a primeira atitude do ministro da Igreja é o acolhimento como dissemos atrás (nn. 15 e 16). E um acolhimento que reproduza e actualize a compaixão do Bom Pastor, disponível e solicito, capaz de devolver a dignidade e a esperança a quem O procura atormentado e perturbado.
 Mesmo quando no atormentado é débil a sua ligação à Igreja e a fé cristã não se desenvolveu nele, encontrando-se talvez reduzida a uma religiosidade natural ou até confundindo-se com a superstição; mesmo quando, contrariamente às suas convicções os sintomas pareçam ser do foro médico e psiquiátrico, mesmo nessas situações, o ministro da Igreja deve tratá-lo com a solicitude do Senhor.(...)
O acolhimento personalizado que conduza à fé exige o discernimento de cada caso, também no que diz respeito a eventuais perturbações do foro psico-somático. Ignorá-las ou desprezá-las é uma falta de respeito pela pessoa que sofre, porque o induz em erro, o leva facilmente a uma passividade, que o impede de um verdadeiro acto de fé, e pode mesmo dificultar a sua cura. Ao contrário, uma boa articulação entre as ciências médicas e a assistência espiritual, extensiva a todo o processo de cura, pode ser determinante para o seu restabelecimento"
 


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