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Volta de 360º

O alívio que se sente relativamente à crise europeia não passa disso mesmo: alívio. O BCE retirou o espectro de uma falência sistémica do sistema financeiro de cima da mesa, pelo menos nos tempos mais próximos. A participação dos privados na reestruturação da dívida grega correu aparentemente sem sobressaltos de maior, mesmo com a activação das cláusulas de acção colectiva a ditarem a existência de um evento de crédito num país da zona euro.

Evitámos, portanto, o colapso da zona euro no curto-prazo. Hurrah. Poucos parecem, no entanto, preocupados com o facto de estas medidas não terem qualquer impacto nos problemas que continuam a existir, para além de comprarem tempo. Ou que o recente pacto fiscal, aprovado com pompa e circunstância, seja exactamente o contrário da necessária coordenação de políticas fiscais num espaço monetário comum e, como tal, contraproducente.

Já todos sabemos que a Grécia precisará de um terceiro pacote de ajuda internacional. E Portugal de um segundo. É cada vez mais claro que a recessão chegará durante 2012 aos países europeus que se declaram imunes a estes "problemas dos periféricos". E que a liquidez oferecida pelo BCE ao sistema financeiro não tem reflexo algum na vontade de concessão de crédito à economia, o que só aumenta os custos recessivos das unânimes políticas de austeridade. Já todos sabemos isto tudo. E, no entanto, ouvimos hoje van Rompuy (quem mais?) declarar que atingimos um ponto de viragem na Europa. Dado que continuamos a fazer o mesmo - comprar tempo e negar problemas - só pode estar a referir-se a uma volta de 360º.

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