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Depois de o Governo se ter rendido à realidade – o desastroso último trimestre de 2012 colocou o desemprego nos 17% - e admitido que precisa de mais tempo para o ajustamento, o País questiona-se sobre como foi possível chegar aqui. Há três hipóteses para explicá-lo.
Hipótese 1: foi um erro. A "aprendizagem do padrão de ajustamento da economia" revelou-se mais complicada do que previsto, e a realidade teima em não respeitar os modelos de Gaspar.
Hipótese 2: foi uma manobra tática. A estratégia inscrita no OE2013 permitiria a Gaspar ganhar "credibilidade" junto da ‘troika' e dos mercados, mostrando coragem para destruir o necessário, mesmo que tivesse de assumir um cenário fraudulento para 2013; assim, o emprego sacrificado com a queda de atividade no fim de 2012 - e que teria sido poupado se o OE2013 não tivesse lançado o pânico sobre famílias e investidores - serviu de moeda de troca para o reforço da "credibilidade".
Hipótese 3: fez parte de uma estratégia. O alegado desastre é, afinal, um indicador avançado de futuros sucessos, dado que da explosão do desemprego resultará (i) menos poder de compra e menos importações, logo uma balança comercial mais equilibrada; (ii) menos consumo, menos receita e um défice maior, logo justificação para cortar nos serviços públicos; (iii) trabalhadores mais apavorados e salários em queda, logo um país mais competitivo; (iv) menos receita contributiva, logo mais cortes nas prestações sociais.
Nesta hipótese - versão da estratégia de Andrew Mellon, o secretário de Estado do Tesouro do Presidente Hoover que, em plena Grande Depressão, propunha "liquidar o trabalho, liquidar as ações, liquidar os agricultores, liquidar o imobiliário", de modo a limpar "a podridão do sistema" -, o falhanço representa, para a direita, um assinalável sucesso.
Não é preciso concluir se Gaspar é um analista inexperiente, um jogador maquiavélico ou um estratega sádico para saber que, desde já, se impõem duas consequências: primeiro, que já não reúne condições para continuar como ministro das Finanças. Segundo, que, com o que sabemos hoje das economias portuguesa e europeia, o nosso ajustamento, precisa, para ser credível, não só de mais tempo, mas de ser qualitativamente diferente.
(texto publicado hoje no Diário Económico)
Isabel Moreira
Miguel Vale de AlmeidaRogério da Costa Pereira
Rui Herbon
É UMA MUDANÇA ESTRUTURAL HISTÓRICA DA SOCIEDADE:- ...
Mas vou corrigir essa palavra no texto para ficar ...
O Hugo Soares acredita que foi ao encontro do inte...
Tanto o Hugo como eu somos de Braga. E por isso co...
Pois sim, e eu passo à frente.