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Joaquim Jorge e coisas piores

A desafinação de Miguel Relvas acabou por ofuscar o desempenho de Joaquim Jorge na última reunião do Clube dos Pensadores. Mas é para corrigir estas injustiças da comunicação social lisboeta que existe o Porto Canal. Por isso, e a pretexto do seu último livro, o Porto Canal decidiu entrevistar o Professor Joaquim Jorge. A solo. Entrevistou uma vez, entrevistou duas, e à segunda foi de vez: a entrevista já está no youtube.   

«Portugal está dizimado», e este pensador não percebe como é que após a decisão do Tribunal Constitucional «é possível o país continuar a atuar». Só que mesmo com o país sem capacidade de atuação, o livro de Joaquim Jorge já vai na terceira edição.  O autor não estará menos surpreendido do que nós com o sucesso editorial da sua obra mais recente. Ainda assim,  arrisca uma explicação para este aparente mistério: em primeiro lugar, «o livro é barato, custa 9 euros, e depois acho que fui muito feliz com o título». O título é “Política e coisas piores”, o que resume bem a programação do Clube dos Pensadores ao longo dos anos.

Ao bom preço e à felicidade do título juntam-se «duas ou três medidas que mudavam isto radicalmente».  O autor estima que, mesmo dizimado, «Portugal continua a ter dois milhões de pessoas na classe média. Eu, classe média, tenho 5 mil euros. Fazendo as contas de matemática, apesar de eu ser de biologia, se multiplicarmos 5 mil euros por 2 milhões dá 10 mil milhões de euros». Resolvia-se assim o défice das contas públicas. Mas há mais: «depois fazia uma coisa que se pode fazer numa semana.» Trata-se apenas de uma nova reforma da segurança social. E finalmente, há outra coisa que, de acordo com Joaquim Jorge, podia ajudar a salvar o país: «Observatórios, acabava com eles, Fundações não dava mais dinheiro, carros não comprava mais carros». Nisto, Maria (a jornalista do Porto Canal) interrompe: «Estamos a falar de um mundo utópico?». Aparentemente, a utopia de Maria não é uma sociedade sem classes mas uma sociedade sem observatórios, carros e fundações. Joaquim Jorge tem outro conceito de utopia, não menos original: «Maria, utópico é uma pessoa não ter emprego, utópico é um flagelo social que ninguém percebe».

Segundos depois, Maria volta a questionar o sábio de Gaia: «Tem visões que já foram apreciadas por aqueles que podem utilizar as suas ideias?». Maria só pode andar distraída. É evidente que Joaquim Jorge tem visões e que essas visões só podem ser apreciadas pelo Governo. No essencial, a agenda de Jorge também passa por taxar a classe média e penalizar os pensionistas. Joaquim Jorge apenas vai mais longe no que toca aos cortes nas gorduras. Além das gorduras do Estado (observatórios, carros e fundações), Jorge quer ir diretamente às gorduras das pessoas: «Eu vou ao health club (esta do health clube só ouvindo) e assim não gasto dinheiro ao Serviço Nacional de Saúde. O Estado devia pagar-me as sapatilhas e a joia. É o mínimo, se não ficamos uma sociedade de gordinhos». E como mostrava o difamado excel do Rogoff, “quanto mais gordos, menos os países crescem”.

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